Entre Dois

3 CAPÍTULO 02: LOS ANGELES HIGH SCHOOL +


Respirei fundo. Depois de ficar encarando um bom tempo minha nova escola, resolvi entrar.

A Magali aparentava estar mais calma que eu. Também, quando ela morava com o pai dela só vivia viajando, ela estava acostumada a mudar várias vezes de escola. Já eu, nunca sai do colégio de Nova York. Não que eu nunca tivesse viajado, mas mudado de escola... Nunquinha.

No pátio do colégio, vi uns dois ou três grupinhos de garotas olharem para mim com deboche. Já os garotos... Acho que os assobios eram para a Magali. Com certeza eram para a Magali.

- Amiga ta podendo, hein?

- Você fala isso como se não fossem para você.

- E não são. – olhei fixamente para ela. — Está bem, são para nós duas.

Sempre achei que ás vezes a Magali se achava ou era eu que tinha a auto-estima sempre lá embaixo.

Caminhamos até a diretoria. Lá, uma mulher alta, ruiva, branca, com o rosto fino nos recebeu.

- Aqui está. É o horário de cada uma de vocês. Boa sorte.

- Obrigada. – respondemos.

O sino tocou alto, olhei para o meu papel. Primeira aula era educação física. Tudo bem, eu adoro esportes, tanto que praticava muito, no entanto, logo no primeiro dia de aula não. Erraria tudo e passaria muita vergonha. E com certeza, não é essa imagem que eu quero causar.

Quando cheguei à quadra poliesportiva, conversei com a professora Flávia. Tinha um corpo muito bonito, de dar inveja a qualquer adolescente. Cabelos loiros, olhos escuros. Além de linda foi muito legal.

Ela permitiu que eu ficasse sem fazer a aula, mas que fosse só por hoje. Entretanto, disse que mesmo que eu não fosse fazer nada tinha que usar o uniforme, eu aceitei.

Enquanto estava no vestiário, pronta para sair e ficar quarenta e cinco minutos sentada na arquibancada, vi um garoto acenando para o time. Nossa, ele era lindo. Cabelos pretos, arrepiados. Olhos castanhos dourados, braços musculosos e um corpo... Senti uma coisa estranha. Não, não era amor. Atração talvez. Mas, amor não.

Vi que nem só eu estava olhando para ele, o mesmo grupinho que me encarou quando eu cheguei estavam olhando para ele. Um suspiro alto foi feito por elas.

- Bando de oferecidas. – murmurei a mim mesma sentando no segundo degrau da arquibancada.

- Cebola. – disse alguém atrás de mim. Assustei-me. Quem chegaria assim, assustando qualquer um.

- Hã? – foi à única coisa que saiu da minha boca. Uma grande interrogação.

- Cebola Feller, é o nome dele. – era um garoto. Tinha voz de um garoto. Meu coração acelerou. Nunca um garoto chegava em mim para falar algo. – E o seu? – perguntou tirando o livro de frente do rosto.

- Ér... O meu nome é Mônica. Mônica Bertolle. – gaguejei. Ele era... Encantador.

- O meu é Roberto Thompson. Mas, todos me chamam de Do Contra.

- Do Contra? – perguntei rindo. – É diferente. Qual é o motivo do apelido?

- Vem de infância. Minha mãe me chamava assim.

- Vou ser muito intrometida se perguntar o porquê? – mais perguntas. Tinha que fazer amigos se não quisesse ficar sozinha.

- Bom, quando eu era criança sempre fazia o contrário do que as pessoas me pediam.

- Você devia ser encrenca quando pequeno viu? – ri.

Ele mostrou um sorriso. Ah, eu me derreti. Só que lembrei nada de paixonites esse ano.

- Você é nova aqui, não é? – Roberto perguntou.

- Sim. Cheguei ontem aqui.

- Você morava onde?

- Em Nova York.

- Nova York... Mônica Bertolle... Você é filha do diretor de cinema, Sousa Bertolle? – opa. Isso não é bom. Alguém descobriu que sou filha do famoso diretor de cinema. Realmente, isso não é bom. — Verdade. Sou sim, mas promete não contar para ninguém?

- Prometo. Só digo que não vai demorar que as pessoas descubram. – disse. Por um minuto... Ah, esquece.

- Vou correr o risco.

Ótimo, chega de perguntas. Próxima aula, ciências. Não era uma das minhas favoritas, no entanto, essa eu vou ser obrigada a fazer.

- Te vejo no intervalo? – Do Contra perguntou enquanto pegava seu livro.

- Pode ser.

- Ou você tem companhia? – perguntou novamente entre uma risada e outra.

Eu ri também e dei um tapinha em suas costas.

- Vou estar lá com você. – falei.

- Tudo bem. Até mais. – disse saindo da quadra.

Fui trocar de roupa o mais rápido possível, não queria me atrasar. Despreocupei-me quando vi algumas meninas ainda no vestiário.

- Ora, ora. Se não é a sortuda. – disse uma garota de altura média, cabelos pretos e olhos um pouco claros. Notei que ela puxava os erres ao falar.

- Eu não entendi. – disse tirando a blusa do uniforme e abrindo meu armário.

- Ela quis dizer sortuda por ser a nova do Do Contra. – falou outra garota. Cabelos castanhos, olhos meio puxados – não era japonesa – e a pele um pouco morena.

- Nova? Nova, o que?

- Nova namorada dele. – disse a mesma garota dos olhos puxados.

- Não, nada disso. Acabei de entrar na escola, não tem possibilidade de eu ser a namorada dele. – argumentei.

- Hm, sorte a sua. Porque senão, a Penha seria capaz de matar você.

- Ela gosta dele? – perguntei.

- Obrigada por falar minha vida para qualquer uma da escola, Ana. – disse Penha. Sei o que vão pensar, eu poderia ter falado que eu era namorada dele, quem sabe acabaria entrando a algum grupo. Mas, e se descobrissem? Eu estaria em uma fria, com certeza.

- Credo Penha. Só foi um comentário. – falou a Ana, sentando-se.

- Eu gosto dele sim, querida. Algum problema ou será que já está interessada? – perguntou a garota que puxava os erres.

- N... Não. Claro que não. – neguei. — Bom saber. Olha aqui, querida. Eu não me importo a aonde vá ou o que faça, mas fique bem longe de mim. Fique bem longe do Do Contra, ouviu bem? — gritou Penha.

Eu franzi o cenho e respondi:

- Não posso fazer nada se ele escolheu a mim e não a você.

- O QUE? – gritou novamente.

- Licença, eu preciso ir para minha aula. – falei entrando na frente dela e saindo do vestiário.

...

Cheguei ao segundo andar, vi a sala do laboratório e entrei. O professor ainda não tinha chegado, que sorte a minha.

- Magali? – perguntei surpresa.

- Oi amiga. – respondeu. – Olha essa aqui é a Denise. – falou me apresentando uma garota ruiva, branca e de olhos castanhos. Bem bonita.

- Prazer. – estendi minha mão.

- O prazer é seu, eu sei. – falou. Eu a encarei, como sempre faço com a Magali. – É brincadeira, bem.

Gostei dela. É puro estilo.

- Mônica Bertolle. – falei.

- V... Você é a filha do... – tapei a boca dela antes que continuasse.

- É, sou sim. Nada de falar para ninguém, ok?

- Claro fofa. Minha boca é um tumulo.

- É bom que seja mesmo.

Na hora o professor chegou me pediu para eu e a Magali nos apresentarmos. Puxa vida, apresentação é coisa de quarta série.

- Oi pessoal. – falou a Magali na simplicidade dela.

- Oi. – responderam todos, menos eu.

- Bom, meu nome é Magali Stones. Tenho 15 anos. E... O que mais querem saber?

- Você tem namorado? – perguntou um garoto de olhos escuros e os cabelos da mesma cor.

- Ainda não. – respondeu.

- Que tal sairmos essa noite? – perguntou o mesmo garoto.

- Vou pensar no seu caso. – disse sorrindo.

Caramba, desse jeito se eu ficar encalhada é porque eu quero.

- Pode se sentar senhorita Stones. – disse o professor, logo a Magali foi se sentar. – Agora é a sua vez.

- Ér... Oi gente.

- E ai, baixinha. – era aquele mesmo menino da quadra, aquele que eu achei bonito.

- Há, que engraçado. – ri sarcástica.

- Meu nome é Mônica Bertolle e...

- COMO ASSIM? – perguntaram todos em um uníssono. — Ér... Meu nome é Mônica Bertolle...

- Já sabemos disso. Mas, como assim você é filha de um dos diretores de cinemas mais famosos dos Estados Unidos? – dizia uma garota loira, se não me engano ouvi dizer que seu nome é Carmen.

- Bom... – eu não sabia mais o que dizer. Essa história já estava sendo repetitiva demais. – Olha aqui, vocês já sabem. Sou filha de um grande diretor de cinema e tudo mais. Tenho 15 anos e sem mais perguntas. – calei-me e fui me sentar.

A aula começou. Uma chatice, pois ali eu estava sem amigos. Sozinha... A Magali? Ficou com a tal de Denise, as duas não se desgrudavam. Eu esperava ansiosa a hora do intervalo.

...

Ah, o intervalo. Já era hora. Procurei o Do Contra por todo o pátio do colégio, mas não o encontrei. Resolvi ir pegar meu almoço.

Na fila, vi-o descendo e adivinhe com quem? Sim, com aquela francesinha da Penha. Blé! que nojo daquela garota.

- Penha, eu preciso ir.

- DC e o baile?

- O baile de primavera está longe Penha.

- Eu sei que se eu pedi daqui a dois meses você já vai ter par.

- Olhe aqui, eu prometo que vou com você. Eu prometo. – dizia enquanto laçava as mãos dele com as da Penha. Eu paralisei nessa hora. A mulher do refeitório continuava perguntando se eu iria querer batata. Eu sai da fila na mesma hora e sentei em qualquer mesa.

- Do Contra, não prometa coisas que você não vai cumprir. – reclamou a francesa.

- É sério Penha. Eu vou com você e com mais ninguém. Mas agora eu preciso ir mesmo.

- Tudo bem. – assim que ela concordou, ele soltou-se e veio até a mesa onde eu estava. — Oi Mônica. –falou sentando-se ao meu lado.

- Oi Roberto.

- O que foi?

- Nada. Só tive um dia ruim. Pareço ter alguma coisa? – perguntei.

- Não. Só está mais antipática desde que nos falamos pela primeira vez.

- Hm... Roberto posso te perguntar uma coisa?

- Só se você parar de me chamar de Roberto.

- Tudo bem, DO CONTRA.

- Melhorou. – sorriu. Com uma expressão de vitorioso.

- Você, por acaso já ficou ou namorou com essa tal de Penha?

Senti que ele ficou desconfortável com a pergunta.

- Ér... Se não quiser responder não precisa. – falei.

- Não, é que você me pegou de surpresa. – Sim, eu já fiquei com a Penha ano passado.

- Parece que ela não conseguiu se desapegar. – disse enquanto beliscava algo da minha comida.

- É parece...

- Acho que você gosta dela também.

- Não, que idéia maluca Bertolle.

- Ei, não me chame assim. – reclamei. – Só me faz lembrar ele.

- HÁHÁHÁ, seu paizinho? – riu.

- É, ele mesmo.

- Ah, deixa vai. Eu gostei de te chamar assim. – pediu. Hawn, como resistir.

- Tudo bem, então. – revirei os olhos.

- Eba!- comemorou. Esse Do Contra não existe mesmo.

- Roberto... – ele não respondeu. – Roberto. – o garoto maluco continuava quieto. – Roberto, estou falando com você! – gritei.

- Lálálá... – cantarolou fingindo não me ouvir.

- Do Contra?

- O que foi? – respondeu. Ah, que vontade de matá-lo ali mesmo.

- Sabia que você não presta? – perguntei fitando-o.

- Eu sabia. E você sabia que é linda? – perguntou. Senti minha pele ficar corada.

- Ah... Não, eu não sabia. Você mente Do Contra.

- Não minto não.

- Claro que mente. Você está mentindo dizendo que não mente.

- Você está certa. Mas será que eu estou mentindo agora, dizendo que você é a garota mais linda da Califórnia?

FIM DO CAPÍTULO 02

Notas finais
Gostei de escrever esse capítulo, espero que vocês também gostem. (: