Notas iniciais
Desculpa pela demora, mas enfim está aí o próximo capítulo!

Igor olhou para dentro dos olhos de Gabriela e fez aquela simples expressão arrependida. A garota pensou por um momento que ele estava mesmo arrependido, mas depois desconfiou:

–Oi Gabriela, acho que você não queria nem estar olhando para minha cara agora, mas tenho algo para te dizer.

–Não queria mesmo, mas eu faço esse sacrifício. O que você quer?

–Vim pedir desculpas pelo jeito arrogante com que te tratei ontem. Você me desculpa? – O garoto falava com uma voz suave, aquela de quando agente quer algo importante e fica fazendo doce para conseguir.

–Tá eu te desculpo. Só era isso?

– Não, também vim ti falar que eu não sou como as outras pessoas, aquele Igor de ontem foi um reflexo do passado, eu já fui assim. Não sou mais!

–Acredito. Agora vamos porque a aula já começou.

–Vou provar para você que eu não sou igual a esse povo preconceituoso daqui!

Gabriela parecia não se importar muito com o que Igor dizia, ela caminhou mais um pouco e chegou até a escada, subindo-a. Igor a seguia um pouco mais atrás. Na sala Isabella tentava entender o que estava acontecendo, porque Igor estava conversando com a pé rapada? Pensava.

–Que raiva – falava baixo para não atrapalhar a aula -, o Igor ainda está lá fora.

–O que será que eles estão fazendo? – Perguntou Lua.

–Se beijando. (Risos) – Letícia tentava deixar Isabella ainda mais nervosa.

–Não seja tola Letícia! – Isabella olhou para Letícia com olhos furiosos, parecia que ela pularia no pescoço da amiga, sufocando-a.

Gabriela bateu na porta e depois a abriu.

–Pode entrar. – Respondeu o professor Diogo, Biologia.

–Desculpa o atraso. — Respondeu a menina e logo atrás dela veio Igor dizendo:

–E aí professor, beleza?

–Igor Bittencourt Alcântara Barreto de Lima Bragança, vá sentar.

Os alunos da sala deram risadas, afinal o professor falou de uma forma engraçada e ainda teve o trabalho de falar o nome de Igor, todo.

–O que estava fazendo com aquela... – Igor interrompeu Isabella, abruptamente.

–Aquela o que? Não estava fazendo nada de mais, apenas tinha coisas para acertar com ela.

–E desde quando você tem coisas para acertar com aquelazinha?

–Ouço barulhos desconfortáveis, Igor e Isabella. – Disse Diogo, virando-se.

Os dois calaram a boca e voltaram a copiar.

Em uma esquina, num bairro distante do centro da grande metrópole baiana, uma menina surpreendentemente parecida com Gabriela andava apreçada. Parecia que ela fugia de alguém ou alguma coisa, mas não passava das nove da manhã, de um dia ensolarado, por que estava com tanta pressa? Um vento forte soprou vindo do sul e balançou seus cabelos morenos, a única mecha do cabelo que era loira caiu sobre os seus olhos e ela voltou a por no lugar. De repente, em um repetido movimento apressado com os pés, a moça se viu atordoada. Uma mão grande e forte, negra, a segurou com força e a puxou para o lado. Num beco mal iluminado um rapaz de expressão enfurecida a olhava penetrantemente, como se estivesse a hipnotizando.

–Vadia! – Falava ele claramente aborrecido.

–Me solta seu troglodita, ou eu grito bem alto, para todo mundo ouvir, dizendo seu nome. – Ela tentava se soltar, mas o rapaz não folgava seu braço.

–Grita vagabunda, mas depois se protege. – O rapaz tirou uma arma da cintura e a encostou na face da garota, seu coração acelerou instantaneamente.

–O que você quer Faísca? – Ela disse o seu apelido.

Faísca na verdade era Roberto, apenas mais um traficante da periferia.

–Eu quero aquilo que você me roubou, sua cadela!

–Eu roubei? Ou será que você roubou?

–Minha paciência é zero amorzinho, passa logo o medalhão, ou eu vou abrir um rombo neste seu rostinho de piranha!

–Morre com seu medalhão, eu em? Matar por causa de uma coisa tão desprezível. — Ela pegou o objeto dentro da sua bolsa. Ele o pegou com voracidade.

–É ouro vadia – Ele pegou no seu cabelo, puxando-o -, e não aparece por aqui de novo não. O que é seu vai tá guardadinho.

E apontando a arma para ela, simulou um tiro. Depois virou as costas e caminhou pelo beco, suas últimas palavras foram:

–Tchau... Camila!

A garota saiu correndo apavorada, uma lágrima escorreu pelo seu lindo rosto branco, mas a límpida transparência do seu choro, se confundia com sua maquiagem, tornando-se assim, uma lágrima negra.

No colégio, o sinal para o intervalo tinha tocado, boa parte dos alunos estava no pátio, conversando, comendo ou jogando algo. Igor conversava com os seus fiéis escudeiros: Vitor e Felipe.

–E aí, algum progresso na tentativa de beijar a “classe C”? – Perguntou Felipe ironizando.

–Estou me aproximando dela, garanto que pego essa mina hoje mesmo! – Igor estava confiante.

–Esta muito confiante Igor, cuidado para não tomar um toco. – Advertira Vitor.

–Que toco rapaz, você acha que eu sou homem de tomar toco?

–Não, nós achamos que você é um garoto que toma toco. Mas vamos apimentar essa aposta, você tem até amanhã, dez horas, para trazer a prova de que beijou a Gabriela.

–Tá Felipe, não gosto quando me subestimam.

Gabriela era outra que conversava com seus novos fiéis escudeiros.

–Odiei o último capítulo daquela novela. – Dizia Marta.

–Mulheres e novelas. – Suspirou André.

–E homens e futebol, somos todos iguais, só mudam os horários da televisão!

Enquanto Gabriela falava, Igor aproximava-se dela lentamente.

–Oi, posso falar com você? De novo... – Ele sorriu no fim da frase.

–Que cara chato, tem coisa melhor para fazer, ôh “galã”? – Perguntou André.

–E... se feche vá, não falei com você!

–Quietos, eu vou falar com você... de novo.

Eles se afastaram um pouco, Igor prosseguiu:

–Gabriela, quero me redimir com você, quando você for para casa me avise. Vou te levar no meu carro.

–Carona? Dispenso. – A garota foi antagônica.

–O que é isso, é como amigo!

–Amigos? Conhecidos. E minha casa fica longe, não quero que gaste o seu tempo, aliás, o que a Isabella acharia disso?

–Nada, ela não manda em mim e não fará nada contra você. Prometo!

–Mesmo assim obrigado, mas não vou aceitar. Quem sabe você ainda conquiste a minha confiança, um dia?

–Um dia eu chego lá. – Concluiu ele.

Isabella e as suas amiguinhas maliciosas viram os dois conversando da entrada para o pátio.

–Não gosto deste grude entre esses dois.

–Isabella, acho melhor você dá uma prensa nesse seu namorado. – Concluiu Letícia, sempre colocando lenha na fogueira.

–Depois de hoje não precisará amiga. – Respondeu Lua sorrindo, Letícia e Isabella sorria também, era um sorriso maléfico, de quem tinha aprontado alguma.

As duas últimas aulas passaram como um sopro, tão rápido quanto a luz, exageradamente falando. Mas uma surpresa aguardava os três novatos bolsistas do Colégio Abrantes.

Estavam todos dirigindo-se à saída, quando Isabella em um dos seus shows diários, gritou para todo o colégio ouvir:

–Eu fui roubada!

Todos imediatamente olharam para trás, fitando a garota de olhares perplexos. Isabella chamou a atenção da diretora Siara, que logo veio ver o que estava acontecendo.

–O que houve aqui?

–A Isabella foi roubada diretora. – Respondeu Vitor.

–Levaram o tablet dela. – Gritou Lua.

–Não grite garota, como foi isso Isabella?

–Siara, desculpe, diretora Siara. Eu aposto que foram esses três suburbanos que levaram meu Iped!

–Você não pode acusar ninguém Isabella.

–Não duvido que foram eles, nunca devem ter visto um, quando viram decidiram roubar. – Concluiu Lua.

–Isso que dá ficar colocando gente dessa laia aqui no C.A! — Acrescentou Letícia. (C.A – Colégio Abrantes)

–Parem vocês duas.

–Nós mesmo mostramos nossas coisas diretora, somos honestos. – Disse Marta.

–Não precisamos roubar nada de ninguém! – André estava enfurecido.

Gabriela permaneceu quieta enquanto abria sua bolsa. Mas o que? Pensou Gabriela ao ver um aparelho meio quadrado em sua bolsa.

–Gabriela? Por que fez isso? – Siara estava surpresa.

–Não sei como isso veio parar aqui! Eu juro!

–Eu disse que foram eles! Bando de pé rapados, ladrões! – Gritou Isabella.

–Não tem como ter sido ela, eu estava com ela durante o intervalo. O único momento que isso poderia ter acontecido. – Disse Igor saindo do meio da multidão.

–Nós também estávamos com ela. – Marta e André falaram simultaneamente.

–Só a um jeito de sabermos como tudo aconteceu. – Siara olhava para todos, seria – Vocês não sabiam, mas neste ano foram implantadas inúmeras câmeras de segurança escondidas por todo o Abrantes, para que coisas como essa não caracterizassem injustiças.

–Você não podia! – O coração de Isabella gelou.

–Claro que podia, o colégio é meu e faço dele o que eu quiser! Vamos ver as fitas?

Siara deu as costas e caminhou pelo corredor, alguns alunos a seguiu, Isabella deu meia volta caminhando para a saída, mas Siara bradou.

–Fechem os portões, nenhum aluno sai ou entra neste colégio sem antes eu ver este vídeo.

Era tarde demais para Isabella.

Notas finais
Obrigado e até o próximo.
Não deixem de comentar!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.