Notas iniciais
Então, eu sei que esta capítulo ta curtinho, mas o proximo vai ser bem grade, ok?Boa Leitura ;)

Estava no meio de um sonho que envolvia um reality show com gatos quando Lea entrou no meu quarto gritando e me sacudindo.

– Melissa! Acorda, vamos logo!

– Hã, que é? – murmurei um pouco sonolenta, puxando o travesseiro para o rosto – Me deixe dormir, caramba!

– Ah, então você não quer ir à praia? Ok, então fique aí.

Demorei alguns instantes para captar toda a mensagem.

– Praia? Sério?

– Dãã – Lea fez uma careta – Claro! Olha só o sol lá fora!

– Oba! – Levantei e comecei a fazer a minha dançinha da alegria.

– Tá bom, tá bom! Agora vamos logo que eu não quero me atrasar! – Ela resmungou, saindo do quarto. Só pude ver que estava usando um lindo maiô vermelho de babadinho verde, que a fazia parecer um moranguinho com pernas.

Com a porta trancada, abri a gaveta e procurei minha roupa. Pus um biquine “tomara-que-caia” verde e branco, amarei uma canga na cintura e fiz uma trança lateral soltinha.

Saí e encontrei minha família, esperando por mim. Mamãe estava com um maiô azul-marinho, uma canga florida e com uma bolsa de palha decorada no ombro. Steve usava uma camiseta branca, bermudão e chinelos. Quando botei meus pés na sala de estar todos os olhares de voltaram para mim.

– Até que enfim! A Musa do Verão resolveu aparecer. – minha mãe exclamou.

– Haha, muito engraçado. – retruquei – Vamos ou não?

Saímos do prédio, atravessamos a rua e chegamos á praia. O clima estava ameno. Senti um vento geladinho vindo do mar, mas nada que me desanimasse a entrar na água. Não passavam das oito da manhã e tinham poucas pessoas por lá. Escolhemos um lugar na areia e Steve começou a montar o guarda-sol. Ajudei a minha mãe com as cadeiras de praia e depois fui brincar um pouquinho com a Lea na areia molhada, montando castelinhos. A praia ia enchendo aos poucos. Resolvi perguntar para minha mãe se eu poderia dar uma volta. Ela concordou, com a condição de que eu não fosse muito longe.

Saí caminhando pela faixa de areia até chegar á uma área quase deserta. Precisava ficar sozinha um pouco para pensar. Eram muitas coisas estranha acontecendo comigo, eu não conseguia entender mais nada. Estiquei a minha canga no chão e sentei. Comecei a fazer uma retrospectiva da tudo que aconteceu para ver se algo fazia sentindo.

Primeiro aquela criatura que eu vi pela janela. Um monstro. Assim como o que apareceu no meu sonho. Bem, saber que meus problemas envolviam monstros não me deixou mais tranquila. Depois escuto aquela voz aterrorizante. O que ela falava mesmo? Algo sobre eu ter me escondido. E sobre eu ser um... Hã, filhote de deus. Isso não estava ajudando.

Bom, tenho que considerar também a discussão dos meus pais. Steve mencionou que eu era semideusa. Eu já tinha escutado aquela palavra. Seria um ser metade humano e metade deus. Opa. Será que... Meu pai? Bem, eu não o conheci. Nah, aquilo era ridículo. Eu estava ficando cada vez mais confusa. E a minha mãe não me ajudou em nada me dando aquelas ordens estranhas. Eu obedeci, é claro, mas ainda tinha uma peça que faltava. Steve falou sobre uma coisa que mamãe deveria me contar. Mas o que? Por que ela esconderia alguma coisa de mim? Meus neurônios estavam a mil. Toda essa confusão estava me deixando estressada. Estava pensando em entrar na água quando uma voz desconhecia me interrompeu.

– Oi gatinha. Tudo bem?

Virei meu rosto rapidamente, com os olhos arregalados de susto. Atrás de mim estava um cara alto, musculoso e com cabelos pretos. Tinha olhos castanhos e usava uma regata branca com um bermudão verde. Devia ter uns 16 ou 17 anos. Senti meu rosto esquentar. “Esse cara me chamou de gatinha?!”

– Ah, oi... – respondi, um pouco sem graça – Tudo sim, e você?

Ele se sentou ao meu lado e deu um meio sorriso.

– Melhor agora. – meu rosto devia estar da cor de um pimentão. – Nunca te vi aqui na área. E eu conheço esse lugar muito bem. De onde você é?

– Hã, eu não sou daqui de verdade. Vim passar as minhas férias na casa dos meus avós. – minha mente gritava: Informação demais, informação demais.

– Ah, sim... Então, qual é o seu nome?

– Melissa. E o seu?

– Fred. – respondeu ele, com o sorriso. O cara avaliou meu corpo todo, quase me comendo com os olhos. Senti vontade de me cobrir com a canga e sair dali. Por fim ele desviou sua atenção para o mar. – Nossa, eu estou morrendo de calor. O que você acha de um mergulho?

Fred se levantou e tirou a regata que ele estava usando, exibindo o seu corpo definido. Notei que ele tinha uma tatuagem de âncora no ombro, o que o fazia parecer um daqueles motoqueiros valentões. Meu coração começou a palpitar. Ele se virou para mim e estendeu a mão.

– Você vem?

Hesitei. Deveria confiar naquele cara? Bom, eu já estava querendo mergulhar de qualquer jeito. Que mal aquilo iria fazer?

Segurei a sua mão e ele me puxou para si, abrindo um sorriso. Notei que seus dentes eram tortos e amarelados, e isso me deixou um tanto desconfortável. Ele pôs a mão no meu ombro e começamos a andar em direção ao mar.

Conforme nós íamos aproximando, Fred apertava mais o meu ombro. Ele estava me deixando um pouquinho mal. Passamos a arrebentação e continuamos avançando. Quando a água já estava na altura da minha cintura, Fred parou e me exibiu um sorriso sinistro. Eu olhei preocupada para a faixa de areia atrás de nós. Havia poucas pessoas na calçada, e nenhuma delas pareceu ter nos notado. Fred tomou a minha atenção novamente.

– Que cara é essa gatinha? Está com medo de mim?

– Me-medo? Não, claro que não! É só que... A minha mãe deve estar me procurando. Eu tenho que ir. Foi um prazer ter te conhecido. Então, até mais.

Eu só queria sair dali o mais rápido possível. Estava me virando em direção à praia quando a mão de Fred apertou meu braço. Eu tornei a olhá-lo. Sua expressão estava levemente alterada, com uma ruga surgindo entre as sobrancelhas.

– Como assim? Sua mãe não lhe ensinou que é falta de educação abandonar um amigo desse jeito?

Minha mãe... “Se mantenha o mais longe possível de pessoas estranhas”. Porque eu nunca escuto o que ela diz?!

– Me larga, Fred. Você tá me machucando!

– Jura? – ele abriu um sorriso nojento. – Você ainda não viu nada, gatinha.

Ele apertou meu braço com mais força e foi avançando para dentro do mar. Eu olhava desesperadamente para trás, em busca de alguém que pudesse me salvar, mas parecia que a praia estava deserta. Fred só parou quando a água estava na altura do meu pescoço.

– Por quanto tempo achou que poderia se esconder, hein? Você realmente achou que poderia nos enganar? Nós a achamos, semideusa. Agora você será caçada por cada um dos monstros nesse planeta!

– E-eu... Eu não sei do que você esta falando.

Fred me ignorou e continuou falando.

– Para a sua sorte, gatinha, hoje eu realmente estou muito bondoso. Então eu resolvi matá-la e devorá-la de uma vez. Assim, eu evito o seu tormento de ficar fugindo de outros monstros que queiram matar você. Será simples e indolor. O que acha?

Eu estava muito trêmula para responder qualquer coisa, mas parecia que Fred não estava ligando muito para a minha opinião. Ele começou a me rodear com a mão no queixo, com aquele olhar faminto novamente.

– Bom, vamos acabar logo com isso, eu estou morrendo de fome.

Fred começou a se transformar. Cresceu até ficar com mais ou menos 2 metros e meio de altura. Seus dentes amarelados ficaram maiores e mais pontudos e os seus braços e tórax viraram um monte de músculos e pelos grossos.

– O que é você!? – quis gritar, mas minha voz saiu num fio.

– Uma pena você morrer sem descobrir – ele respondeu, seu timbre grave e profundo.

Antes que me desse conta, Fred estava tomando impulso com as pernas e pulando em minha direção, com sua presas amostras. Como um reflexo, saí do lugar que foi atacado no segundo seguinte. Fui para trás dele, tentando me esconder, mas ele se virou mais rápido do que eu esperava e me deu tapa no rosto.

Sua mão pesada com certeza deixou uma marca. Minha visão ficou turva e o meu olho começou a lacrimejar. Quando vi Fred já estava pronto para me atacar novamente. Então fiz a primeira coisa que me passou pela cabeça: mergulhei e sumi de sua vista.

Felizmente, eu sempre nadei muito bem. Contornei o monstro e pus todas as minhas forças nos braços e nas pernas para chegar com vida ao litoral. Quando não podia mais conter o fôlego, subi a superfície cuidadosamente. Olhei o entorno a procura de Fred, mas não o vi.

Virei a minha atenção para a faixa de areia. “Só alguns metros” – eu pensei – “Talvez eu consiga ir correndo”

Sem hesitar, fiquei em pé comecei a comecei a correr o mais rápido que eu podia, enfrentando a pressão da água. Quando estava quase alcançando a areia, olhei para trás para verificar se tinha alguém me seguindo. Esse foi meu erro. Quando me voltei para frente, fui empurrada com uma força desumana.

Minha cabeça bateu contra alguma coisa sólida e tudo ficou escuro. Levei a mão a minha cabeça e ela voltou com um líquido vermelho e viçoso nela. Sangue. Eu via alguns flashes de Fred se aproximando. Não entendi muito bem por que, mas pus a minha mão sobre o meu colar. Como um instinto, comecei a esfregá-lo. Minha vista clareou novamente. Eu consegui me levantar. Não entendia por que tinha feito aquilo, mas sabia que algo estava acontecendo. A minha visão pareceu ficar diferente, e eu via tudo meio rosado. Isso não tinha qualquer sentido. Demorei alguns instantes para entender o que estava acontecendo comigo. A minha volta estava se formando uma esfera rosada e transparente, como um campo de força.

Fred, que a principio estava se divertindo com o meu estado deplorável, pareceu confuso. Ele avançou em minha direção. Eu ainda estava um pouco tonta, e não consegui me desviar a tempo. Para a minha surpresa, Fred não me atingiu. Ele bateu contra a esfera e ricocheteou, caindo sentado. Ficou um tempo no chão confuso, o que me deu tempo para sair correndo. Sai pela praia, em busca de ajuda, e vi que o meu “campo de força” me acompanhava.

Eu precisava escapar. Olhei para os lados e vi uma figura familiar. Quando me dei conta de quem era, corri e a abracei.

– Mãe! Ainda bem que eu te encontrei! Me desculpa mãe! Desculpa.

Comecei a chorar. Naquele momento, eu só queria ir embora. Me sentia fraca, e quando tornei a abrir meus olhos, minha proteção rosada tinha desaparecido.

– Oh Melissa! Onde você estava? Eu estou preocupadíssima. – ela olhou para mim e viu que estava chorando. – O que houve?

– Eu não posso falar agora mamãe, só me leva daqui. Temos que ir embora antes que...

Não pude completar a minha frase. Fred estava bem na minha frente, com um sorriso faminto e os olhos cheios de maldade.

– Pelo visto a pequena semideusa me trouxe um lanchinho extra.

Minha mãe se pôs na minha frente, nervosa.

– Saia daqui, nos deixe em paz!

– Uia, que meda – Fred disse, com voz de criança. – E é você quem vai me impedir?

Minha mãe meteu a mão dentro da sua bolsa de palha e tirou uma faca de bronze de lá. Lançando um olhar desafiador para o monstro, ela lançou a faca em sua direção, que atingiu certeira o seu peito. Fred explodiu em pó dourado, se misturando com a areia da praia. Meu queixo estava no chão.

– O que foi isso? Você... Você o matou? QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI, MÃE?! Você pode me explicar?

Minha mãe fechou os olhos e respirou profundamente. Seu queixo estava trêmulo. Ela olhava para frente, para o chão, menos para mim. Estava prestes a chorar.

– Me desculpa filha. Steve estava certo o tempo todo. O poder do colar já não é tão forte. Eu devia tê-lo escutado. Preciso mandar você para acampamento. Imediatamente.

– Mãe, sobre o que está falando?

– Calma. Tudo vai fazer sentido. Mas precisamos sair daqui.

Peguei minha canga e segui minha mãe até onde estavam Steve e Lea. Ela pediu que eu esperasse enquanto explicava tudo ao meu padrasto. A conversa foi entre eles foi bem curta, e eu soube que ambos já esperavam que aquilo pudesse acontecer comigo. Steve me lançou um olhar preocupado, quase paternal.

Naquele instante eu soube que muitas coisas iriam mudar.

Notas finais
Gostaram? Ou não? Gente, por favor, mande reviews :(Preciso saber se a história ta legal ou não.