Entre Céu & Mar

8 Doce roda gigante


Não era fácil conviver com a ideia de que de que o suposto assassino (até agora, desconhecido) estava à solta por aí, e que elas eram os seu alvo. Poderia ser um maníaco, um desconhecido, ou até um próximo. A manhã apenas começara a raiar, e com ela, vinha certo medo, uma insegurança. Elas decidiram não comentar nada sobre a “novidade”, porém não podiam controlar seus pensamentos.

***

Na escola, Erick mal suspeitava do que Ágata estava passando, apenas pensava na melhor maneira de dar um passo adiante. Há muito tempo não a tirava da cabeça, mas havia um porém. Erick era tímido demais. Geralmente saía com garotas que tomassem atitude, ou pedia ajuda a algum amigo, mas Ágata era diferente. Sempre que conversavam, pareciam apenas bons amigos, mas qualquer um poderia perceber que ali havia algo mais. Sem mais pensar, Erick se dirigiu à biblioteca, onde tinha certeza de que a encontraria, sem fazer ideia do que diria.

Ágata estava lá, como de costume, escolhendo um livro, de preferência um romance policial. Erick foi ao seu encontro:

–Oi, Ágata!

–Erick! Olá! Quanto tempo não nos falamos!

–É verdade. Está tudo bem? –Perguntou, notando que Ágata estava um pouco desanimada.

–Bem... Eu acho. E você?

–Aí depende.. Aconteceu alguma coisa?

–Não é nada demais. –Respondeu Ágata, que nunca gostou de incomodar os outros com os seus problemas. Vendo que não arrancaria nada mais que isso, Erick tentou mudar de assunto.

–Não sabia que gostava desses tipos de livro.-Ele disse, apontando para um romance de Agatha Christie em suas mãos.

–Eu adoro os livros dela,e me parece perfeito para esse momento..

Sem entender muito bem, Erick apenas assentiu.

–Posso te fazer uma pergunta? –Erick estava prestes a fazer o convite, mas notou que ela estava diferente.

–Por que está tão aflita?-Perguntou, fazendo-a enrubescer naturalmente.

–Não estou aflita, Erick. Estou perfeitamente bem!

–Não, não está. Eu te conheço Ágata. O que está acontecendo?

–Por que você insiste tanto em saber?

–Só não gosto de te ver mal, talvez eu possa ajudar em algo.

Ela tinha certeza de que ele não poderia ajudar em nada, mas resolveu se abrir. Não tinha conversado com ninguém sobre isso. E com Erick ela se sentia mais a vontade.

–Lembra que eu lhe contei uma vez, que meus pais tinham morrido num acidente de barco?Eu.. Omiti um pouco a verdade. Foi aberta uma investigação na época, mas por total falta de provas e suspeitos, eles arquivaram o caso, dando-o como acidente. Mas agora, numa nova investigação eles constataram que o acidente foi premeditado. Alguém planejou a morte dos meus pais! E essa pessoa perversa está aí, circulando livremente, e nós somos seu alvo principal! Eu... Eu odeio tudo isso! –Ágata começava a alterar a voz, tamanha era a sua indignação. Agora Erick entendia a sua aflição.

–Agora entende porque eu não queria falar? Os policiais não largam do nosso pé agora, disseram que só devemos contar para pessoas de nossa confiança, porque se isso chegar em maus ouvidos... Eu não quero nem imaginar...

Erick não sabia o que fazer. De frente para ele, estava a garota mais doce que havia conhecido até aquele momento, e ela já havia passado por tanta coisa. E agora outra vez, e sua aparência era tão frágil. Sem perceber, ele a envolveu num abraço forte e protetor, e não queria nunca soltá-la. Ágata se surpreendeu, mas o abraço de Erick naquela hora lhe caiu bem, parecia que ele passava uma energia para ela. Erick sussurrou no seu ouvido:

–Eu sinto muito meu anjo, não sabe como eu gostaria de ter todas as respostas, que acabasse logo com essa dor, mas infelizmente não posso. Mas quando precisar de um refúgio, eu estarei sempre de braços abertos...

Ágata estava entorpecida pelas suas palavras, pelo seu cheiro, Erick era o seu porto seguro agora. Era estranho, porque em toda a sua vida, sempre teve que cuidar de alguém ou de algo, e agora era o contrário. Seu coração acelerou ao ouvir ele a chamar de “meu anjo”.

O sinal tocou estridente, trazendo de volta os dois para a realidade. Ambos sentiam a face queimar de vergonha.

–Eu... Tenho aula agora! Até.. Até mais!

–Eu... Também tenho! Até. –Os dois se despediram confusos. Ágata virou para dizer mais uma coisa.

–Erick, a propósito, muito obrigada. De verdade.

–Que isso.. Quando precisar, conte comigo.

–Idem. –E se foram, e um sorriso brotou em cada rosto enrubescido. Charlie observara tudo, e estava profundamente irritado. Erick estava tentando conquistar Ágata, tirá-la dele. E sentia que ele estava conseguindo.

***

Erick percebeu que havia perdido mais uma chance. Porém, agora era diferente. Ágata estava passando por um momento difícil, talvez não fosse a hora certa. Tinha medo de que estivesse misturando as coisas, talvez ela só o visse como um amigo. Não era o sentimento que lhe fazia mal, eram as dúvidas. Estava na aula de inglês, e em suas mãos levava “O Menestrel”, de Shakespeare, e o último verso lhe atingiu como uma granada:

“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.”


Refletindo nestas sábias palavras, ele decidiu que já havia passado muito tempo, e qualquer que fosse o resultado, ele não se importava. Ao fim das aulas procurou-a em todos os cantos, mas não a viu. Em seu lugar encontrou uma garota baixinha que sempre andava com ela.

–Ei, você!

–Eu?! –Surpreendeu-se Anna, alegre ao vê-lo.

–Sim, você é amiga da Ágata, não é?

–Sou. A propósito, é Anna. Muito prazer.

–Legal. Você pode me dizer onde eu encontro a Ágata? Preciso muito falar com ela.

–Finalmente hein, vocês... São muito lerdinhos. Hoje ela passa a tarde toda naquela escola de balé, te dou o endereço. –Anna anotou o endereço e entregou-lhe.

–Muito obrigada!-Ele disse, despedindo-se.

–Ei, Erick. Boa sorte hein, ela não é nada fácil, não é como essas tietes que vivem na sua cola.

–Eu sei disso, por isso ela é especial. Ele seguiu sorrindo para casa.

***

Evellyn continuava meditando sobre tudo. Ela havia se culpado durante anos, achava que o destino havia atendido seu desejo, de uma forma errada. Mas agora sabia que havia um culpado, e quem quer que fosse estava à solta. Talvez já soubesse de tudo, e estivesse esperando o momento certo para atacar novamente. A polícia havia lhes alertado sobre isso. Ela sabia desde o início que nada fora por acaso.

A fim de se livrar de todos estes pensamentos perturbantes, Evellyn relaxava um pouco, com o que a tirava de órbita facilmente: Hank. Ele corria em sua direção com a prancha do lado, inesperadamente se jogando em cima dela, sacudindo os cabelos molhados.

–Hank, para, seu cachorro!

–Au au! –Ele latiu em resposta, puxando-a para mais um daqueles beijos que a deixava sem fôlego.

–Você... Deveria tentar...-Hank parecia querer dizer algo.

–Tentar o quê?!-Evellyn, perguntou, assustada.

–Surfar ora! Em que você pensou?

–Nada, nada não. –Ela soltou um suspiro. -Ah não sei Hank, parece ser difícil. Não conhece uma maneira mais fácil de relaxar não?

–Ah... Eu conheço uma... –Hank a olhou maliciosamente.

–Você é um safado mesmo! –Ela disse, dando-lhe um tapinha leve.

–Agora é sério, anda, levanta. Onde está aquela Evellyn audaciosa que eu conheci?

Hank a levou para perto das ondas, e Evellyn finalmente se rendeu ao surfe. Claro, começaram devagar, mas logo ela foi pegando o jeito. E, como este era o super poder de Hank, ela acabou esquecendo as suas preocupações, e sentiu o bem-estar voltar novamente. Porém, ela não podia fugir da realidade. Não sóbria. Precisava de algo a mais.

***

Erick foi direto à escola de balé, no horário dito por Anna. Ele não sabia ao certo o que dizer, e o que mais lhe preocupava era a resposta. Ágata não lhe dizia nada, mesmo que indiretamente, e apesar de tudo que ele tinha passado até agora, ainda não sabia lidar com a rejeição.

Dando uma desculpa qualquer, ele seguiu até a sala onde ela se encontrava. Por sorte, ensaiavam os últimos passos, e a partir do momento em que pôs os olhos em Ágata, não conseguiu desviar o olhar. Parecia outra pessoa, e aquela Ágata tímida e reservada que até então conhecia, havia dado lugar a outra, totalmente segura de si. Concentrada como sempre era, Ágata nem percebia que uma figura de jeans e moletom a observava, hipnotizada.

Ao findar a aula, ela enfim o avistou. Seu coração acelerou ao ver a visita inesperada, e assim que a professora a liberou, ela correu ao encontro dele.

–Erick! Oi! O que você faz aqui? –Perguntou bastante entusiasmada. Erick a olhou dos pés a cabeça e reprimiu a vontade de comentar o quanto ela estava irresistível naquela roupa.

–Eu, precisava te dizer algo, mas com os acontecimentos de hoje eu acabei esquecendo. Eu atrapalho algo?

–Não, de maneira nenhuma! Venha sempre que quiser, todas nós gostamos de sua visita. –Ela disse, falando bem alto para que suas amigas que a espiavam pudessem ouvir também.

–Obrigado, eu nunca imaginei que você dançasse tão bem!

–Que isso... Obrigada. Mas, não foi por isso que você veio, não é?

–Tem razão. Vim lhe fazer um convite. Eu ia dizer hoje, na biblioteca, mas você estava tão mal que acreditei não ser a melhor hora. Mas depois eu pensei bem, e não queria mais adiar. Além disso, o parque vai embora neste domingo, e eu queria muito ir com você. –Ele disse, enfim.

–Isso é um encontro?

–Sim, é um encontro. –Ele afirmou. –Mas se você não quiser eu entendo, afinal somos amigos e talvez eu esteja... –Ágata o interrompeu com o dedo indicador entre seus lábios.

–Eu adoraria, claro que sim Erick! –Ela respondeu, contendo muito bem sua alegria.

–Que ótimo! Então nos vemos às oito!-Ele disse, dando-lhe um abraço e um beijo de despedida. Na bochecha, embora quisesse se atrever um pouco mais.

–Até!-“Se você vem as oito, desde as sete começo a ser feliz.” Ágata lembrou o clássico “O Pequeno Príncipe”. Sentia-se como a raposa agora, pois sem perceber, Erick havia cativado o seu coração.

***

Em casa, Ágata olhava para o closet, indecisa. Mesmo sabendo que Erick, como a maioria dos homens não ligava para o que as mulheres vestiam, ainda sentia a necessidade de impressionar. Era estranha a sensação que ele lhe causava. Por fim, acabou escolhendo um vestido decotado em forma de coração num tom nude, e um casaquinho rosa de tricô. Ouviu alguém bater a porta do seu quarto.

–Oh, que milagre de Afrodite! Veja quem resolveu sair hoje! Pela quantidade exagerada do seu perfume adocicado, é um encontro não é?!-Disse Kate, entrando no quarto.

–Kate, querida Kate. Às vezes eu acho que você continua presa ao mundo adolescente. Sim... é um encontro! Algum problema?

–Por favor, não me insulte! Isso é ótimo! Você precisava mesmo sair um pouco, esfriar a cabeça. Beijar um pouco, coisa que você não faz há bastante tempo....

–Kate! Não lhe dou tantos detalhes da minha vida pessoal assim!

–Posso pelo menos saber quem é?

–Sim, é Erick, um cara da escola.

–Então é este o misterioso cara que faz você se perder nos pensamentos e ouvir os CDs da sua irmã?

–Bem.. Sim, é ele!

–Então, ele deve ser especial. Divirta-se, juízo eu não aconselho, pois isso você tem até demais!-Kate disse, deixando o quarto de Ágata. O seu celular começou a vibrar, era Erick.

“Estou em frente à sua casa.”

Ágata deu mais uma ajeitada no visual antes de sair de casa. Despediu-se da tia e da irmã que estava concentrada no vídeo-game, e foi ao encontro de Erick. Ele estava encostado no carro, e quando a viu, ficou pasmo.

–Você está incrível! –Ele disse, abrindo o carro para que ela entrasse. Da janela da sala Kate espiava Erick.

–Ágata mandou bem, ele é um gato! Vem ver! –Evellyn se levantou e foi espiar junto de Kate. Erick usava uma blusa xadrez, jeans surrado e all star. Lembrou que tinham várias aulas juntos, mas nunca se falaram. Evellyn não era de puxar assunto, e Erick era como ela.

–Tenho que concordar. Pelo menos para isso ela tem bom gosto.

–Acha que eles combinam?

–Sei lá. –Evellyn deu de ombros.

–Aiai... Erick e Ágata, você e este amigo misterioso o qual não me diz o nome. Sinto-me a solteirona da casa.

–Ué? E não é para isso que o idiota do Connor serve?

–Também achava, mas ultimamente ele tem agido estranho, sei lá. Eu o convido para vir aqui e ele dá uma desculpa qualquer. –Evellyn ficou intrigada. Não havia percebido, mas Connor estava mesmo distante.

–Desde quando ele anda assim?

–Desde quando eu lhe contei sobre a descoberta dos policiais. Acha que ele está com medo?-Evellyn começou a desconfiar.

–Medo, talvez seja isso. –Concluiu ela. Uma dúvida antiga lhe surgiu no momento.

–Kate, por que você e o Connor ainda estão juntos? Quer dizer, ele é um grosso, cretino e insensível, e vocês não têm nada em comum.

–Huumm... Talvez seja porque ele é bom de cama.

–Kate!-Ela riu.

–É verdade! Mas, apesar de tudo, Connor sabe ser útil quando quer. –Kate respondeu, dando o assunto por encerrado. Kate, mesmo que passassem décadas ainda teria a mente de uma jovem aventureira. Kate não pensava bem ao fazer suas escolhas.

***

Erick a levou ao parque de diversões. Era sem dúvida, uma das noites mais belas, especialmente para os dois enamorados, que tinham tanto para dizer um ao outro, mas não sabiam como. Várias outras pessoas, em sua maioria jovens também aproveitavam o parque. E apesar da quantidade de luz, as estrelas gritavam lá do alto, fazendo companhia à lua, que roubava toda a cena.

-E então, como vão as coisas com a sua família? –Erick perguntou, quebrando o silêncio.

–Normal, como sempre é. Vivemos a lei do silêncio hipócrita, ignoramos o problema e assim achamos que ele não existe. Mas está lá, assombrando a mente de cada uma de nós.

–Isso é ruim, não é ignorando o problema que ele irá se resolver. Mas, e você e a sua irmã se dão bem?

–Tenho vergonha de admitir, mas não. Você já deve ter percebido que nunca nos falamos na escola, e em casa não é diferente. Acho que vivemos em outros mundos, passamos muito tempo distantes uma da outra, que é estranho. Não vivemos como duas irmãs, há certa... Rivalidade, eu acho. E às vezes parece que Evellyn nutre uma raiva de mim.

–Que estranho, por que sua irmã seria sua rival?

–É complicado, se a conhecesse saberia por que. A cabeça de Evellyn é uma confusão, e ninguém, nem ela mesma consegue lidar com isso. –Erick se lembrou da garota do fundão, que usava fones de ouvido e dormia em praticamente todas as aulas. Sempre imaginou que devia haver uma razão para ela ser assim.

–Não sei como a Evellyn é, mas também tenho uma irmã, mais velha, a Pauline. Ela sempre foi o centro das atenções da minha mãe, e eu detestava isso. Agora ela terminou a faculdade e vai voltar tudo outra vez. Ela vem com uma desculpa qualquer de saudades, mas ela quer mesmo é ir atrás do namorado dela, que fugiu para cá. Só lamento por ele. – Ele disse, gozando.

– Agora vamos mudar o assunto, afinal nenhuma família é perfeita!

–Concordo!

***

-Eu não sei por que aceitei vir aqui com você, nerd!- Anna reclamava por estar se fazendo de espiã e ajudar Charlie em sua “missão”.

–Shh... Fica quieta, ok? Não é você que queria o músico babaca?- Anna suspirava, Charlie era mesmo um idiota, e ela não sabia por que continuava ali.

– E qual é o seu plano, “Mário”? Passar em todas as fases e assim chegar à princesa?

–Vê se ajuda um pouco, ok? Senão eu mostro para todo o mundo a nerd enrustida que você é! Olha! Acho que vi os dois!

Sem desconfiar de nada, Erick e Ágata se divertiam como não faziam há muito tempo. Conversavam sobre diversas coisas, e cada um defendia um ponto de vista diferente. Assim como aquele dia no parque. Aos poucos a timidez entre ambos ia desaparecendo, e nem perceberam que andavam de mãos dadas. Perto de irem embora, Erick decidiu que os dois dariam uma volta na roda gigante. Ele não aceitava o fato de Ágata ter medo de altura.

–Vou tirar esse medo hoje mesmo! Como pode um anjo ter medo de voar?

–Erick... Não sei se é uma boa ideia, e se...

–“E se”? E se o quê?! Que se dane a incerteza! Acha que se eu continuasse pensando “e se” estaríamos aqui agora?-Erick parecia ter tomado uma dose de autoconfiança.

–Tudo bem, eu confio em você!-Ágata finalmente se rendeu, embora fosse o medo em pessoa. Ela comia algodão doce, a fim de se entreter para não morrer de medo. Assim que a roda gigante começou a se mover ela apertou forte a mão de Erick e fechou os olhos.

–Não quero nem ver!-Gritou ela, sentindo-a mais rápida. Erick começou a gargalhar, ao notar que as mãos de Ágata estavam trêmulas e suavam frio.

–Ágata, abra os olhos! Dá para ver o parque inteiro daqui!

–Erick! Você um idiota! Quando descermos você vai me pagar!

–Você precisa relaxar um pouco, e eu sei como. Permaneça de olhos fechados...

–Como você quer que eu relaxe a tantos metros longe do... Ela não terminou a frase, aquela confusão estava encerrada a partir que seus lábios enfim de tocaram. Ela estava literalmente sem os pés no chão, e o coração de ambos batia freneticamente. Naquela hora ela se esqueceu de todos os medos e incertezas. Apenas se permitiu ser feliz. O algodão doce caiu no seu colo e se desfez no ar. Passou a amar alturas depois daquele beijo arrebatador. E eu não precisaria dizer mais nada, pois só quem amou sabe a alegria que o beijo da pessoa amada proporciona.

Eu poderia terminar este capítulo mostrando apenas a felicidades dos dois, e dizer que esse amor que acabava de nascer jamais feriu alguém. Porém nem tudo são flores, e Charlie e Anna chegaram à roda gigante no exato momento em que Erick e Ágata saiam de mãos dadas, trocando alguns beijos. Ele olhou bem fundo nos olhos de azuis de Ágata, que permaneceram ignorantes à sua presença ali. Ele nunca a viu olhar assim para ninguém, e naquele momento se deu conta de que havia perdido. Pensou em ir lá, quebrar a cara de Erick, e acredite, ele tinha adrenalina demais para fazer isso, mas foi interrompido por Anna:

–Chega Charlie! Você teve a sua chance e desperdiçou. Anda, é melhor você ir para sua casa.

Charlie seguiu calado, e o coração morrendo de remorso. Era tudo culpa da incerteza. E bem longe daqui, a alegria do casal continuava, ingenuamente

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentários aqui mesmo ou no grupo da fic:http://www.facebook.com/groups/539622919387064/