Notas iniciais
Como sempre perdão pela demora! Mas bloqueio criativo é algo muito frustrante! Enfim... Sei que são muito poucos os que estão lendo, mas agradeço mesmo assim pela atenção! O comentário de vocês é muito importante para mim. Preciso saber o que estão achando.

Obrigada por visitar a minha fic e boa leitura! xD

Kate abriu os olhos e não viu nada mais que um branco. Sua cabeça ainda doía, e ela podia ouvir o som de alguns aparelhos. Parecia que havia corrido uma maratona (coisa que não fazia há muito tempo), pois nunca havia se sentido tão cansada.

-Ela está acordando! –Ágata disse assim que viu os olhos da tia se abrirem.

-Kate! –As duas irmãs foram ao encontro da tia na cama do hospital. A visão de Kate se tornou mais clara, e logo reconheceu aquele mesmo rosto ao dobro.

-Queridas. –Ela disse, sentindo uma dor forte no pulmão.

-Você quase nos matou de susto! –Evellyn disse, beijando a sua testa.

-Como você está se sentindo? –Ágata perguntou, preocupada.

-Eu... Não sei ao certo. O que aconteceu? Por que eu estou aqui? Eu só lembro-me de fumaça. –Kate ainda estava confusa.

-Seu escritório pegou fogo. Quando te acharam já estava inconsciente. Ainda estão tentando descobrir o que aconteceu. –Ágata resumiu o máximo que pôde.

-Onde está Connor? Preciso falar com ele!

As duas irmãs se entreolharam. Como dariam aquela notícia à tia?

-Kate, eu sinto muito, mas Connor não está aqui. –Ágata começou.

-Onde ele está? Por que sumiu?

-Você ainda não está totalmente bem, Kate. Depois nós conversamos sobre isso. –Evellyn disse, imaginando que no momento, tudo que Kate não precisava era uma notícia daquelas.

-Não! Eu sou adulta e não preciso que ninguém cuide de mim. Quero a verdade, e agora. –Ela ordenou, teimosa como uma criança mimada. –As irmãs se entreolharam mais uma vez. Era engraçada aquela conexão de olhares que as duas tinham.

-Se é o que você quer, aí vai. Connor fugiu. Sei que é inacreditável, mas ele é o principal suspeito da morte dos meus pais, e agora que fugiu praticamente confirmou que tem culpa no cartório. A polícia está fazendo o que pode para investigar o seu para delo, pois ao que tudo indica, ele pode ter causado o incêndio no seu escritório. Eu, realmente sinto muito, Kate. –Evellyn então revelou, sentindo coração partir ao ver o choque no rosto da tia. Ela a amava muito, e odiava ainda mais Connor por ter enganado sua tia esse tempo todo.

Kate era um misto de confusão, dor, choque e decepção, o que era de se esperar. Ela confiava em Connor, e agora tudo isso. Recusava-se a acreditar que ele poderia ter feito aquilo, mas sabia que essa era a verdade, e não havia como fugir dela. Ela segurou a vontade de chorar, pois não queria preocupar as suas sobrinhas. Elas precisavam saber que ela daria a volta por cima.

-Não fique com medo, tia, nós sempre estaremos aqui com você. –Ágata disse, e as duas irmãs abraçaram a tia ao mesmo tempo. Kate ficou tão comovida que nem ligou por Ágata ter a chamado de “tia”. Duas lágrimas saíram de seus olhos, silenciosas, e ambas caíram nos ombro de Ágata e Evellyn.

-Com licença, senhorita Kate Baker? –Um policial de porte alto apareceu na porta, interrompendo aquele momento fraternal.

-Sou eu. –Ela respondeu.

-Precisamos fazer algumas perguntas; a senhorita já está em condições?

-Sim, sim. –Ela disse. –Até no hospital eles não dão uma folga- pensou. Evellyn e Ágata a fitaram, preocupadas.

-Eu vou ficar bem, meninas. Agora me deixem conversar sozinha com o policial. –Ela disse, mandando-as embora.

-Pode começar. –Kate disse.

-Você tem alguma ideia de onde Connor poderia ter ido? –Ela achou que ele faria perguntas sobre o incêndio, mas não. Naturalmente, eles dariam maior importância se ela não estivesse ali para contar história.

-Eu... Eu não sei bem. Connor só tinha o irmão aqui, nos Estados Unidos. Jared. Se quiser, eu posso passar o endereço dele para vocês. O resto da família dele veio da Irlanda.

-Essa informação nos será muito útil. E sobre o incêndio... –Ah! Eles tinham se lembrado! –A senhorita se lembra de algo?

-Não muito... A maioria dos funcionários havia ido embora, e eu fiquei para terminar algumas coisas que estavam se acumulando. Quando me dei por conta, o fogo estava consumindo o meu escritório. E é só disso que eu me lembro.

-Você estava sozinha?

-Não. Trina também estava lá. –Kate afirmou, uma ideia passando de longe na sua mente. Será que Trina havia feito aquilo? Não, não podia ser. Mas ela tinha seus motivos, e poderia muito bem ter feito.

-Iremos falar com ela depois. Desejo melhoras, e fique tranquila, isso não vai mais acontecer.

-Assim espero. –Ela disse um tanto insegura.

Na sala de espera, as duas irmãs surpreenderam-se ao encontrar Trina sentada em uma das cadeiras, folheando algumas revistas.

-Trina! –Evellyn chamou indo ao seu encontro.

-Meninas! –Ela respondeu abraçando-as.

-O que você está fazendo aqui? –Ágata perguntou curiosa. Sabia que a prima e a tia não se davam muito bem.

-O mesmo que vocês, ora! Fui eu quem chamou a emergência. Fiquei preocupada com ela. Apesar de tudo, ela é a minha chefe. –Trina disse aquilo como se isso a incomodasse. De repente, Evellyn ouviu Sex on Fire-Kings of Leon de dentro da bolsa de Trina; era o seu celular. Ela remexeu tudo em sua bolsa, deixando um maço de cigarros cair.

-Com licença, meninas. –Ela saiu fazendo mistério. Evellyn pegou o maço de cigarros.

Alguns minutos depois ela voltou. Tinha em seu rosto uma expressão de mistério.

-São sabia que fumava. –Evellyn disse, devolvendo-lhe o maço de cigarros. Trina ficou um pouco desconcertada, como se ingerir uma substância que causa câncer fosse um crime. Pensando bem, deveria ser.

-É... Às vezes eu fico um pouco estressada. Você entende como é; não é Eve? –Evellyn sentiu o rosto queimar. Será que Trina sabia o que ela estava fazendo?

-Trina Cooper, nos acompanhe, por favor. –O mesmo policial que outrora falava com Kate a chamou. Trina foi ao seu encontro, temerosa.

-Vocês podem voltar ao quarto da sua tia. –Ele falou.

-Trina está aqui, sabia? –Ágata disse para Kate.

-É... Fiquei sabendo. Acho que devo minha vida a ela, ou talvez não... –Ela disse; a última frase saiu como um murmúrio.

-Como assim?

-Bem, só havia eu e ela na empresa quando começou o incêndio, então ela é testemunha e suspeita ao mesmo tempo.

-Mas.. Isso não faz sentido. Por que ela chamaria por ajuda, então?

-Eu não sei. Mas acho que Trina não seria capaz de fazer isso.

Evellyn prestava atenção na conversa da irmã e da tia em silêncio. Lembrou-se de quando conheceu Trina, e quando ela disse que adorava o fogo. Embora se recusasse a pensar nisso, aquele acidente era a sua cara.

***

Os dias que seguiram foram diferentes dos demais. A casa da família Baker era de um silêncio perturbador, a não ser pelo som alto de Evellyn. Kate não reclamava, até porque não queria irritar a sobrinha, e também achava o silêncio mais perturbador do que solos de guitarra épicos. Não se ouvia ninguém reclamar da conta que se esqueceu de pagar, ou de como Evellyn se vestia, ou do novo namorado de Ágata, que parece não querer nada com a vida. Quem sempre dizia isso era Connor, e ágora que ele se fora tudo havia adquirido uma paz assustadora. Como se ele fosse voltar a qualquer momento e explicar o que diabos andara fingindo durante aqueles três anos.

Kate tentava se manter forte, apesar de conviver com os fatos. Percebeu que sua vida era uma mentira. Comprometera-se a alguém que não a amava, que poderia muito bem ter arquitetado aquele acidente. Embora se odiasse por isso, ela sentia falta de Connor. Mas não, isso só cabia ao seu coração saber, e ninguém mais. Seria vergonhoso demais de soubessem o que se passa com ela.

-Kate, estamos indo. Você vai ficar bem? –Ágata perguntou, alisando os cabelos castanhos da tia.

-Vou sim querida. Assim que terminarem de reformar o meu escritório eu voltarei a trabalhar. “Pena que não podem me reformar. Seria ótimo deixar o passado e ganhar um futuro, novinho em folha, sem marcas.” –Ela pensou.

***

-Preciso de você. –Charlie surpreendeu Anna na sala de aula.

-O quê?! –Anna segurou a risada. –Desculpe você não é o meu tipo.

-Até parece. Preciso de você para uma “investigação”.

-De novo não! Charlie, quando é que você vai parar de bancar o Sherlock Holmes?

-Ah, você também gosta. Eu juro, só dessa vez e eu te deixo em paz.

-Promete?

-Prometo. –Ele disse, fazendo cara de cachorro abandonado.

-O que vai ser dessa vez? –Ela cedeu, enfim.

-Sabia que você iria me ajudar! Bem, você não acha estranho essa aproximação de Erick e Evellyn?

-Charlie, por favor! Erick é o “professor” dela naquele projeto idiota da professora. É de se imaginar que passem algum tempo juntos. E eles são iguais.

-É isso que me preocupa. Eu... Só quero saber se ele a merece. Não quero que Ágata sofra mais do que ela sofreu.

-Ágata não é nenhuma criança para precisar de babá, Charlie. Ela sabe o que é melhor para ela. Você que não consegue virar a página.

-Sabe, às vezes parece que você tem ciúmes dela. –Anna olhou para Charlie, incrédula.

-E por que diabos eu teria ciúmes dela? Charlie, você precisa se tratar!

-Seja como for, me acompanhe. –Charlie bancou o misterioso. Anna o seguiu até uma pequena sala onde se guardavam materiais de limpeza.

-Evellyn e Erick estavam indo para aquele lado. Daqui podemos vigiá-los. Anda, sobe aí. –Ele disse, agachando-se.

-Sério isso? –Charlie a olhou como quem não estava brincando. Sem acreditar em si mesma ela subiu em cima de Charlie, para poder ter uma ampla visão da janela. Ele estava certo, dava para ver os dois claramente sem levantar suspeitas. Mesmo aquilo sendo ridículo, e mesmo odiando aquela obsessão de Charlie por Ágata, ela gostava de passar um tempo com ele. Lembrava o passado.

-Eles estão aqui. O que eles vieram fazer aqui, não tem ninguém!

-Eu não te falei? Ai, Anna! Você precisa mesmo fazer uma dieta!

-Cala a boca, nerd! E caso você não saiba, eu entrei para a academia no começo do ano. –Ela disse, toda orgulhosa.

-Vejo que ainda não fez efeito. –Anna pensou em pisar com toda a força em sua cabeça, mas decidiu ignorar.

Sem ao menos suspeitar que estavam sendo vigiados, Erick e Evellyn conversavam inocentemente.

-Eu sinto muito pela a sua tia. O Connor não aparentava mesmo ser de confiança.

-Eu sei. Todos diziam isso, mas ela nunca deu ouvidos. Ela e Madison são totalmente iguais. Nunca vou entender essa atração estranha por caras rudes e mau-caráter. –Evellyn se sentia mal por elas. Instantaneamente, Erick a abraçou. Os dois sentiram a mesma sensação estranha, e o coração palpitar, culpado.

-Olha o que temos aqui... Eles estão se abraçando... –Anna sussurrou para Charlie, que, de tão surpreso acabou derrubando Anna e caindo os dois no chão. Anna estava em cima de Charlie, ainda desnorteada com a queda.

*****

-Ah! Pensei num nome para a banda! –Evellyn mudou completamente o rumo da conversa, afastando-o de seus braços.

-É mesmo? Qual?

-The Travelers. Eu estava escutando Stone Sour quando ouvi essa e lembrei-me de vocês na hora.

-The Travelers... Eu conheço essa! É muito boa! Adorei o nome, e acho que os rapazes irão gostar também! Muito obrigado, Eve!

-Por nada...

-Ah! Vamos ensaiar hoje. Se quiser ir assistir, e aí aproveitamos para estudar. –Ele propôs.

-Hoje não vai dar... Tenho que ver como Kate está, e Hank irá participar de uma competição importante de surfe hoje. Eu preciso ir. Desculpe. Mas, no próximo ensaio eu irei, sem falta.

-Tudo bem... Quando você puder então. Melhoras para Kate e boa sorte para Hank. –Ele disse, despedindo-se dela.

*****

Anna e Charlie permaneciam juntos no chão, fitando um ao outro. Era uma sensação estranha, mas nenhum dos dois queria largar o outro. Ficaram alguns minutos assim, pensando em várias coisas e não dizendo nada, até que Anna inesperadamente surpreendeu Charlie com um beijo. A última coisa que poderia acontecer (ou ao menos pensava ele assim) era isso. Mas não recuou, e quando se deu conta suas mãos estavam na cintura de Anna. Da mesma Anna que havia beijado pela primeira vez na sexta série, a primeira garota da sua vida. A mesma Anna que há muito tempo atrás havia sido a sua melhor amiga nerd, com quem passava tardes jogando vídeo game. Ninguém poderia imaginar que ela fora assim, mas ele sabia que a antiga Anna estava adormecida, esperando o momento certo para acordar.

-Mas que diabos estamos fazendo?! –Anna voltou a si, empurrando Charlie para o lado e levantando-se, limpando a boca.

-Chama-se beijo. A antiga arte de enfiar a sua língua na boca de outra pessoa. Nós descobrimos isso juntos, não lembra? –Charlie mantinha o seu humor, sem conter a risada.

-Você é louco! Pensei que estava tentando sabotar o romance de Ágata para ter a sua Barbie intelectual apenas para você! Daí... Isso?!

-Agora a culpa é minha? Quem agarrou quem primeiro?

-Cala a boca! Ai... Não acredito que isso está acontecendo! –Anna estava com a cabeça confusa, tentando abrir a porta, e evitando aceitar que, de fato, havia gostado do beijo. Até demais.

-Com certeza foi melhor que na sexta série. –Ele sussurrou em seu ouvido. Ele adorava a tirar do sério.

-Já disse para calar a boca! O que aconteceu aqui foi.... Estupidez e não vai se repetir! É melhor não contar a ninguém, senão eu espalho para todo mundo que você fez xixi na cama até os dez anos! –Anna o ameaçou.

-Isso não é justo! Eu tinha problemas, sua chantagista diabólica!

-Que seja! Mas que droga, essa porcaria não abre! –Anna estava quase quebrando a porta.

-Com licença, senhorita. –Ele disse, imitando um sotaque de um inglês. Abriu a porta com o mais simples movimento. Anna saiu correndo da sala, sem dizer adeus. Charlie não ligou. Não havia motivos para dizer adeus, se ele sabia que ela iria voltar.

*****

Kate já estava melhor e estava em casa. Melhor em termos de saúde, pois ainda estava quebrada por dentro. Foram coisas demais para absorver. Ainda bem que tinha suas sobrinhas, que era tudo o que tinha no mundo, e a coisa mais importante para ela. Com a tia no estado frágil que se encontrava, elas voltaram suas atenções totalmente para ela.

-Fizemos panquecas para você, Kate. Ah, e seu inseparável café também. –Ágata disse, trazendo uma bandeja para a tia, que estava sentada no sofá.

-E aqui estão todas as temporadas de Dr. House que você queria tanto ver, mas não tinha tempo. Vai te manter distraída. –Evellyn disse, trazendo os DVDs.

-Vocês são uns amores mesmo, mas não precisava!

-Pare de bancar a durona! Você sabe o quanto é importante para nós, e você sempre fica do nosso lado quando precisamos. Agora... Só estamos retribuindo. Hoje você é a sobrinha e nós somos as tias! –Ágata disse, fazendo cafuné nos cabelos de Kate.

-Tem ideia do quanto amo vocês duas? –Kate disse, fitando as duas irmãs, enlaçando-as em um único abraço.

-Nós também te amamos. –Elas disseram em coro, se dando conta de que era a primeira vez que diziam isso a ela.

-Sobre Connor... Eu peço perdão. Coloquei um monstro dentro de minha própria casa!

-Está tudo bem, Kate. Agora apenas descanse. –Ágata alisava os cabelos de Kate, que tinha a cabeça apoiada em seu colo.

-Kate, eu queria muito ficar aqui com você, mas Hank tem uma competição realmente importante hoje, e ele conta comigo lá. –Evellyn disse.

-Está tudo bem, querida. Vá lá e diga ao Hank que eu desejei boa sorte para ele.

-Pode deixar, eu digo. Até logo, Kate. –Ela disse, dando-lhe um beijo na testa e saindo. Ouvir o famoso “juízo” da tia a reconfortou. Apesar de tudo ela continuava a mesma.

*****

Evellyn teve uma rápida sensação de Déjà vi quando chegou à praia. Lembrou-se exatamente do dia em que conhecera Hank. A única diferença era que a praia por incrível que pareça estava mais lotada. Fazia muito barulho, e Evellyn não conseguia ouvir seus próprios pensamentos. Até que não ouvi-los era algo bom, a julgar as coisas que ela pensava. Ela corria os olhos atrás de Hank quando foi surpreendida por duas mãos fortes na sua cintura.

-Que susto, Hank! –Ela gritou, passando suas mãos pelo seu pescoço.

-Que bom que você veio, meu talismã.

-E você acha que eu iria perder isso? –Ela disse, beijando-o.

-Eu tenho que ir agora... –Ele disse, um pouco desnorteado. -Okay... –Ela disse, embora quisesse ficar mais ao seu lado. Se Hank ganhasse aquela competição, ela ficaria alguns dias sem vê-lo. Mas não seriam dias comuns, pois um dia inteiro com Hank lhe parecia uma hora, e semanas sem vê-lo seria uma eternidade.

-Pode ir, Hank. Eu cuido dela. –Madison apareceu inconveniente como sempre.

-Sei... Você não consegue cuidar nem de si mesma, Madison. –Ele zombou.

-Ei! –Evellyn gritou, antes que ele se fosse. Deu-lhe mais um de seus beijos arrebatadores e sussurrou em seu ouvido:

-Boa sorte, meu amor. E, se você ganhar tenho uma surpresa mais quente que este sol apenas para você.

Evellyn lançou-lhe um olhar malicioso e um sorriso mais malicioso ainda. Hank só sabia fitá-la, surpreso, e com um sorriso bobo no rosto. Agora estava mais motivado do que nunca, e daria o seu melhor.

-O que você sussurrou no ouvido de Hank? –Madison perguntou curiosa como sempre.

-Apenas uma pequena motivação. –Evellyn respondeu fazendo mistério.

Todos os olhares estavam virados para os surfistas que já começavam a competir. Diferente da última vez, Evellyn preferiu ficar mais à frente, para observar melhor Hank.

-Vieram para ver o nosso menino de ouro ganhar? –Uma voz conhecida se aproximou de Evellyn e Madison. Solange estava radiante como o sol. Usava óculos escuros e trazia uma garrafa de água. Ela logo abraçou Evellyn.

-Mas é claro! –Respondeu Evellyn. –Ah, Madison, essa é a Solange, Solange, essa é a Madison. –Ela as apresentou.

-Espero que Hank ganhe mesmo, investi alto nisso. –Alex chegou, como uma nuvem tapando o sol.

-Alex... Já disse que não é legal ficar apostando... Você é péssimo nisso. –Madison disse.

-Madison... Já disse que não deve dar palpite nenhum na minha vida. –Ele respondeu, imitando seu tom de voz.

-Quietos! Acho que agora é a vez dele! –Evellyn disse, desejando do fundo do coração que eles não discutissem mais.

Hank pegou a sua prancha (personalizada por Evellyn) e se dirigiu ao mar. Evellyn lançou-lhe um beijo no ar, dizendo com as mãos que tudo ficaria bem. Ele agarrou o beijo invisível no ar e guardou dentro do coração. A “promessa” de Evellyn era a sua maior motivação, e naquela competição, lutaria com unhas e dentes para vencer.

-Meu amor vai me ajudar. –Ele murmurou para si mesmo antes de entrar na água fria e salgada do mar.

Todos vibraram quando Hank entrou no mar, afinal, ele tinha uma reputação boa na região. Evellyn e Solange pulavam gritando frases de entusiasmo. A cada manobra o coração de Evellyn batia mais forte, como se fosse ela no seu lugar. Hank, que naquele momento atravessava um tubo, mantinha a mente serena, e só conseguia pensar em uma coisa.

Ao final, Hank acabou surpreendendo até a si mesmo. Enquanto voltava para a terra firme ao som de aplausos, ele imaginava o que o pai dele diria se o visse naquele momento. Com certeza, não o chamaria de vagabundo. Ou ao menos pensava ele assim. Ele voltou para perto dos outros participantes, enquanto aguardava o resultado. Enquanto faziam mistério para revelar quem havia ganhado aquela grande oportunidade, Hank fitava Evellyn, preocupado. Ela lançou-lhe um olhar reconfortante, e naquele momento, o azul profundo e tranquilizante de seus olhos o convenceram de que tudo ficaria bem.

Quando todos ouviram o seu nome mais uma vez, com toda a pompa que merecia, Hank explodiu de êxtase. Os outros surfistas o abraçaram, em comemoração. Algo nada mais que obrigação, pois na verdade todos eles gostariam de estar no seu lugar. Algumas garotas se juntaram nele, mas Hank já corria para outra direção. Evellyn nem teve tempo de parabenizá-lo, pois Hank a ergueu no ar, como fazem com os bebês. Era bem fácil, já que Evellyn não conseguia chegar nem aos cinquenta quilos. Agarrou-a, dando-lhe um beijo tão intenso quanto ele.

-Meu amor... Você conseguiu! Con...seguiu! Eu sabia! Viu só?! –Evellyn falava e tentava recuperar o fôlego.

-Graças a você, Eve! –Ele disse, sem parar de beijá-la.

-Também posso parabenizar nosso menino de ouro? –Solange disse enfim, quando teve a oportunidade.

-Deve! –Hank disse indo ao encontro da amiga. Com menos intensidade dessa vez, é claro.

-Eu sabia que você iria ganhar. Isso merece uma comemoração!

-Se merece... –Evellyn disse, olhando maliciosamente para Hank. Ele olhou para ela do mesmo jeito. Hank aproximou-se do pescoço dela.

-Já cumpri minha parte, agora quero saber da minha surpresa. –Ele sussurrou em seu ouvido, fazendo-a arrepiar dos pés a cabeça com beijos demorados e calorosos.

-Se eu contar aí deixa de ser surpresa... –Ela respondeu, tentando manter a concentração. –Espere um pouco e verá. –Ela fez mistério.

Hank ficou rodeado de pessoas pelo resto da tarde. Todas lhe dirigindo as mesmas frases de otimismo; um “parabéns” para lá; um “boa sorte” para cá... E ao findar da tarde, ele já estava farto de ouvir tudo isso. Evellyn, que naquele momento era o que mais lhe importava havia sumido de vista. Ele precisava vê-la, era a última vez, pois amanhã já iria partir.

Foi quando de repente sua visão apagou e ele sentiu um tecido tapando seus olhos. Depois, alguém amarrando com toda a força.

-Preparado para sua comemoração, Sr Collins? –Evellyn sussurrou em seu ouvido.

-Senhorita Evellyn, você me faz sentir um velho quando fala assim.

-Apenas cale a boca e siga-me. –Ela pegou em sua mão.

Durante o trajeto, Evellyn podia ouvir perfeitamente o seu coração bater forte. A venda foi uma boa ideia, pois não gostaria de pensar no que Hank diria se visse a expressão de nervosismo em seu rosto.Nem a luz serena da lua cheia, e nem a brisa refrescante do mar conseguia lhe acalmar. Por um momento se arrependeu da promessa que havia feito por impulso. Lembrou-se de uma vez que ficou horas no telefone falando sobre Hank com Trina, e ela lhe dizendo que se ele era especial não havia porque temer.

Chegaram então ao destino. Uma área mais afastada da praia, sem ninguém por perto. As estrelas já os saudavam, mas o brilho da lua cheia iluminava o lugar.

-Então... O que você tem preparado para mim? –Hank enfim se manifestou.

-Uma pequena festa de despedida. –Ela respondeu sem conter o nervosismo na voz. Tirou a venda dos olhos de Hank. Olhar para o verde oceano de seus olhos apaziguou seu coração.

Ela pegou na sua mão e o levou até uma duna. Desejou que houvesse música, mas o som das ondas já era suficiente. Pegou a garrafa de champanhe que havia roubado de Kate e encheu duas taças.

-Champanhe? Agora eu sei que sou especial para você. –Ele brincou. Evellyn deu um sorriso mudo enquanto o fitava.

-Não deveria ter dúvidas disso. –Ela respondeu. Hank recostou-se na areia e Evellyn o acompanhou.

-Você foi ótimo hoje. –Ela disse rompendo o silêncio e brindando com ele. Tomou um grande gole do champanhe. Imaginou que se soltaria mais depois de algumas taças.

-Devo isso a você. –Ele disse.

-Até parece. Quem é que estava em cima da prancha?

-Eu, mas, você me traz sorte, Eve. Tenho que confessar que eu não parava de pensar na surpresa que você tinha para mim. Eu pensei em mil e uma coisas...

Evellyn sentiu o rosto enrubescer naquele momento. As palavras fugiam sempre quando ela mais precisava.

-Hank, você vai embora amanhã... E vai ficar algum tempo fora. Esse tempo pode muito bem se estender e você sabe disso. Eu queria que tivéssemos uma noite especial antes disso tudo. –Ela enfim disse.

-Entendi. –Ele disse, olhando bem no fundo de seus olhos e com um grande sorriso no rosto. Seu olhar se desviou de seus olhos para a sua boca, e instantes depois seus lábios também. O beijo estava mais intenso e longo. Suas mãos dançavam pelas costas de Evellyn, seguindo o desenho do dragão. Os beijos logo se mudaram para o pescoço, e Evellyn sentia cada centímetro do seu corpo arrepiado. Nunca poderia imaginar que seu coração fosse tão forte. De todas as loucuras que já fizera, ele nunca havia batido tão freneticamente. Suas mãos não largavam o corpo de Hank, e surpreendeu-se ao ver que havia tirado a sua camisa quase que automaticamente. Ela estava nervosa, sem dúvida, e Hank havia notado isso.

-Eve... Relaxa... Você está bem? –Ele sussurrou em seu ouvido. Definitivamente aquilo não a ajudava a se concentrar.

-Estou ótima.

-Está bem para continuar? –Ela assentiu com a cabeça. Ele sabia que era mentira. Mesmo com apenas a luz do luar, Evellyn parecia um pimentão.

De repente os dois se assustaram com o celular de Hank tocando. Ele fitou o objeto por um bom tempo antes de atender.

-Alô?

-Onde vocês estão?! –Solange gritava e mesmo assim Hank não conseguia ouvi-la muito bem. O barulho de fundo sugeria uma festa.

-Estamos na praia.

-Fizemos uma festa de despedida para você. Mas não podemos começar sem você, poxa!

-Humm... Já estamos indo. –Ele disse, mesmo que cada pedacinho do seu corpo desejasse continuar a festa particular deles.

-Melhora esse ânimo, hein! Okay então! –Ela desligou.

-Eu sinto muito, Hank. Acho que estraguei tudo. –Evellyn disse.

-Não, claro que não, amor! Ninguém faz nada certo quando pressionado. E, ao contrário do que muitos pensam, eu sei esperar. –Ele disse, sorrindo daquela forma que a deixava tonta. Ela podia sentir o ar de desapontamento vindo dele. Hank acendeu um cigarro de baseado. Ele sempre fazia isso quando estava frustrado, e ela sabia disso.

-Você é um anjo. –Ela disse, beijando-o, e pegando o cigarro para ela.

-Que anjo corrompido eu sou. –Ele brincou, apontando para o baseado.

–Agora vamos, temos que festejar o meu sucesso.

-E o seu ego também, que está no topo das paradas essa noite. –Ela disse, sentindo-se mais confortável agora.

Eles caminharam de mãos dadas até o bar, onde todos os esperavam. Era pessoas muito alegres e acolhedoras, quase como uma família. Por um momento (e depois de alguns drinques) Evellyn esqueceu a cena anterior na praia, e tratou apenas de comemorar. Ela sentiria muitíssimo a sua falta, mas era o seu futuro, e ela estava orgulhosa dele. Uma pergunta que a assombrou do caminho da praia até ali insistia em persistir em sua mente. Olhar para Hank e ver como ele sorri para ela a deixava nas nuvens. Talvez fosse cedo demais. Mas, quando seria a hora certa? Como ela iria saber? E o que mais lhe incomodava era uma questão em especial. Será cedo demais para dizer “eu te amo”?

Notas finais
E então, o que acharam? Não esqueçam de comentar! ;)