Notas iniciais
Muito obrigada por estar lendo! Primeiramente, quero pedir desculpas pela demora. Eu já havia terminado mas o site estava em manutenção e eu tive que esperar. Mas, aí está. Espero que gostem. Boa leitura!

Ágata tentou, realmente tentou esconder suas emoções no outro dia. Mas o sorriso em seu rosto era demasiado acusador. Ela sentou-se à mesa ainda sorrindo, relembrando todo aquele momento. Tanto Kate quanto Evellyn se perguntaram o que havia de errado com Ágata.

–Acho que ela está chapada. –Evellyn sussurrou para Kate.

–Humm, só se for um cigarro de Erick. –Kate respondeu.

Ágata parecia estar em outro mundo. Sua mente estava num carro que naquele momento deveria estar saindo do estado.

–Ágata? Você ainda pertence a esse mundo. Então, volte para ele. –Kate disse, dando um ‘leve’ tapa no braço de Ágata.

–Ai. Que foi?

–Por que você está assim? –Kate perguntou.

–Nada. Bom, eu e Erick reatamos. –Ela soltou logo a novidade, chamando a atenção de sua amiga. Parecia que uma mochila enorme carregada de culpa havia sido tirada dos ombros de Evellyn. Então tudo estava bem, por mais estranho que pareça.

Afinal de contas Evellyn não conseguia pensar em Erick como seu cunhado.

–Que bom! Então é por isso que você demorou tanto ontem? Eu fiquei preocupada, afinal, você não é de chegar tarde. Ainda mais no meio da semana. –Kate disse bastante suspeita. Ágata de repente ficou vermelha. Seu rosto mais uma vez lhe entregando.

–Você ficou na casa dele durante todo esse tempo? –Kate perguntou, ainda mais suspeita. Ágata confirmou. Sua tia agora lhe encarava com um sorrisinho malicioso no rosto.

–Que foi? Por que você está fazendo essa cara? –Disse Ágata, super envergonhada.

–Larga de ser sonsa, Ágata. Posso sentir de longe que você está me escondendo algo, e eu acho que sei o que é. Ponha as cartas na mesa. Vocês....?

Kate nem precisou terminar a frase, pois a expressão de Ágata revelou tudo. Ela tinha a cor de um iogurte de morango.

–Uau. Ágata? Quem diria. Pensei que você iria virgem para a faculdade. As pessoas são mesmo imprevisíveis. –Kate disse, seguido de um risinho debochado. Ágata não sabia onde enfiar a cara. Deveria aprender a ser mais discreta com suas emoções. Deixar de ser um livro aberto. Isso é perigoso.

–Ai, meu Deus. –Evellyn parecia congelada no ar, ainda segurando sua colher cheia de leite e cereal, boquiaberta, mas nada entrava lá. –Como assim você, ele.... Ai, meu Deus!

Ágata quase se esquecera de que Evellyn estava lá. Era ainda mais constrangedor perto dela. Já esperava que ela fizesse algum comentário sobre isso, porque ela era a irmã legal, louca, e sabia muito bem como ser discreta com essas coisas. Mas não ouviu nenhum comentário sequer, apenas um olhar de reprovação. Como assim, Universo? Evellyn, a pessoa mais louca que Ágata conhecia, estava a reprovando por não ser mais virgem? Nada mais fazia sentido a não ser hipocrisia.

–Por que está me olhando assim, Evellyn? Está me julgando como se você nunca tivesse feito isso. Isso é muita hipocrisia de sua parte, sabia?

–Hipócrita nada! Eu não estou nem aí pelo que você faz da sua vida, Ágata. E eu não julgo as pessoas como você! Então, licença! -Evellyn saiu em retirada, correndo atrás do primeiro telefone que visse na frente.

–Evellyn! Vai entender essa agora. –Kate disse, olhando Evellyn abandonar o café da manhã. Ágata também não entendia nada, mas não iria deixar a irmã estragar sua alegria.

–Depois você me conta tudo. –Kate sussurrou para Ágata.

Evellyn pegou o seu telefone e discou o número de Erick o mais rápido possível. Estava possuída de raiva por ter se enganado a seu respeito. Ele demorou alguns segundos para finalmente atender.

–Evellyn? –Erick ficou surpreso com a ligação, afinal, não esperava falar com Evellyn por um bom tempo.

–Seu safado, cachorro, seu... seu filho da....

–Evellyn? É você mesmo que está dizendo isso? Que droga, o que aconteceu?

–Como você pôde transar com a minha irmã logo depois do que aconteceu? Questão de dias! Como você pôde?!

–Como você sabe disso? Ela te contou?

–Evidente que Ágata nunca me contaria. Como eu descobri não convém ao caso. Mas, como você pôde? Ela não merecia isso, Erick.

–E o que você queria que eu fizesse? Que terminasse com ela? Aquilo não significou nada, Evellyn. Eu estou muito bem com Ágata, e não quero que nada estrague isso. E não vai se repetir de novo, então pra quê todo este alarde?

Evellyn permaneceu em silêncio por um instante.

–Você não está com ciúmes, ou está? –Erick brincou.

–Você é doente. É claro que não! Ciúmes é a última coisa que eu sinto de você. Mas podia ter esperado. Ela vai ficar arrasada se descobrir.

–E como ela vai descobrir? Não somos um casal, Evellyn. E eu me odeio por ter te beijado, porque perdi minha melhor amiga e quase perdi minha namorada. Eu não sou perfeito, Evellyn. E desde quando você se importa com sua irmã?

–Erick, realmente há muita coisa sobre mim que você não sabe. Quer saber? Pouco importa. Apenas não a magoe. E se a magoar, não quero ser a responsável por isso. Já causei mágoas demais.

–Tudo bem, Evellyn. Se você quer ouvir um pedido de desculpas, então, perdoe-me. Eu não vou magoá-la. É tudo tão confuso. Eu só queria sua amizade de volta, mas acho que isso já não existe mais. Sobre o que aconteceu entre eu e Ágata, é problema nosso. Agora, se me der licença, vou desligar, pois daqui a pouco eu vou ver o meu pai que eu nem conheço mais. Talvez ela até vá ao meu show, se eu for convincente na ‘entrevista’. Até algum dia. Sinto muito.

–Espera? Erick? Que show? Que pai? –Evellyn tentou falar, mas já era tarde demais, ele havia desligado.

Evellyn recostou-se na parede e suspirou bem alto, tentando processar tudo. Talvez ela tivesse exagerado. Por que ficara tão nervosa? Ela sabia que algum dia isso iria acontecer. Já havia percebido como Ágata estava desde então. Automaticamente ela se perguntou qual seria a reação da irmã se soubesse que ela havia beijado o cara que tirou sua virgindade.

–Você estava falando com Erick? –A voz doce da irmã lhe pegou de surpresa ao cortar o silêncio. Evellyn olhou para Ágata, assustada, perguntando-se o quanto da conversa sua irmã havia escutado. Mas pela expressão serena no rosto de Ágata ela percebeu que não estava tão encrencada assim.

–Sim, eu estava. –Ela admitiu.

–O que você falou com ele? –Ágata parecia desconfiada.

Evellyn não sabia o que dizer. Depois da sua reação na mesa, e a ligação de agora, era quase impossível não parecer suspeito. Ágata ainda esperava por respostas, mas dessa vez ela teria que preencher as lacunas sozinha.

–Evellyn, você tem andado estranha. Estranha demais até para você. Então, estamos falando de algo muito estranho. Eu não estou entendendo nada, mas agradeceria se você não se metesse na minha vida e na de Erick, e largasse de ser hipócrita. E daí se eu fiz isso? Eu sei me virar sozinha, então, não preciso de sua “proteção” como um dia você precisou da minha. –Ágata deu o seu ultimato, impaciente.

–Pode deixar Ágata. É a última coisa que eu quero fazer. –Evellyn murmurou, assim que sua irmã saiu.

*****

Ágata foi para o colégio com a velha pulga atrás da orelha. Por que Evellyn estava agindo tão estranho ultimamente? Ela nunca se importou com sua vida, por que se importaria agora? Eram perguntas que a assombravam na mente, e ela procurava qualquer explicação convincente, mas nada.A pior consequência da ingenuidade é a cegueira.

Mas uma mente desconfiada até do que não existe poderia lhe explicar melhor.

–Você não acha que ela está gostando de Erick, ou acha? –Sofia foi curta e grossa assim que ouviu toda a história.

Ágata a olhou como se tivesse escutado o maior absurdo de todos.

–Claro que não! Ela tem namorado, e Evellyn nunca namorou sério antes, então ele deve ser especial mesmo. Além disso, apesar de não nos darmos bem, ela é minha irmã. Isso seria... horrível! –Ágata respondeu quase que imediatamente.

–Ágata, às vezes uma coisa pode estar na frente do seu nariz e você não percebe. Você já percebeu como eles são colados? Estão sempre conversando, saindo juntos, contando segredos. Eu se fosse você ficaria de olho. Afinal, vocês são gêmeas. Vai que ele te confunde com ela? –Sofia plantou mais uma vez a semente do seu veneno.

–1º: Eu e Evellyn somos muito diferentes e até um animal pode perceber isso. 2º: Eles são amigos, e ele ainda é parceiro de estudos dela. Então, querendo ou não, eles terão que ficar juntos. E 3º: Sofia, você desconfia de tudo, vive armando intriga. Até parece o Iago de Otelo!

–Pense o que quiser, mas depois não diga que eu não te avisei. –Sofia disse, prestando atenção em outra direção.

Um pouco mais afastado, Charlie e Anna conversavam. Eles estavam de mãos dadas outra vez. Pareciam conversar sussurrando.

–O que há com esses dois, afinal de contas? –Ela murmurou.

–O que há com quem? –Ágata quis saber.

–Charlie e Anna. –Ela disse, apontando para os dois. Anna havia percebido o olhar interrogador de Sofia dirigido a eles, e logo soltou as mãos de Charlie.

–Bom, parece que a amizade deles está de volta Isso é bom. –Ágata concluiu.

–Bom, isso não me parece só amizade. –Sofia disse.

–Vai começar. Charlie e Anna? Você realmente acha isso?

–E você não? –Sofia perguntou, já sabendo a resposta.

–Acho que é tudo coisa da sua cabeça. Mas, mesmo se fosse qual o problema?

A pergunta não fora retórica, mas mesmo assim, Sofia não respondeu. O motivo para tal obsessão existia sim, e era um dos maiores segredos de Sofia.

*****

Trina estava ficando sem opções.

Desde aquela ligação de Connor ela vivia assustada. Podia ouvir a sua voz no seu solitário apartamento, logo depois de algum pesadelo envolvendo a sua morte e a morte de Evellyn e Ágata. A solidão não a fazia bem. Nesses momentos ela se lembrava de anos atrás, quando ela e Scarlet costumavam ser próximas, como se fossem irmãs. Naquele tempo ela nunca poderia pensar que as coisas chegariam àquele ponto. Gostaria de ter alguém para conversar, desabafar, alguém para contar todas as suas teorias e que não a julgasse de insanidade depois. Claro, tinha o seu advogado, mas ela conhecia bem a vida para perceber que Frank não é o tipo de pessoa que se preocupa com alguém. E também não a ajudava muito.

Mesmo com todas as ameaças, ela precisava encontrar Connor. Mais tarde percebera que eles não poderiam matá-la. Eles precisavam dela viva para levar a culpa. Ainda restava-lhe uma carta na manga para encontrá-lo, mas sabia que não era apta para isso. Ela precisava de um profissional.

E foi esse pensamento que a levou a uma mesa de algum restaurante, ao lado de um desconhecido com olhos sempre semicerrados, com uma pele branca demais para um californiano e com bom gosto para vinho.

–Boa noite. A senhorita solicitou os meus serviços novamente. Fiquei surpreso com a ligação. –O homem finalmente disse.

–Preciso que você encontre uma pessoa. –Trina foi direto ao ponto, colocando a foto de Connor na mesa.

–O nome dele é Connor Holden. Aqui tem todas as informações que você precisa sobre ele.

–É algum caso amoroso? –Ele quis saber. Trina deu uma risada debochada.

–Não. Tem mais a ver com a solução de um caso de assassinato e a minha inocência provada. Ele é um foragido.

–E por que você não deixa a polícia cuidar disso?

–Porque isso é um trabalho para você.

Ele deu um meio sorriso, considerando aquilo como um elogio.

–Parece que você está encrencada.

–Você nem faz ideia. –Ela disse, rindo nervosa. –Eu realmente preciso de sua ajuda. –Ela disse.

Não era a primeira vez que Jeferson, o detetive particular, lhe ajudava. Ele e Trina se conheciam de outros carnavais,e ela sabia que poderia contar com ele. Além disso, Jeferson era obcecado pelo seu trabalho, e na certa não lhe desapontaria.

–Eu vou te ajudar a encontrar este canalha, seja ele quem for. Mas, posso saber como você entrou nesta história?

–É uma longa história...

–Não tem problema. Sou um bom ouvinte.

–Tudo que você precisa saber por enquanto é que eu sou suspeita de um assassinato até encontrarem este cara. Se encontrarem, esse pesadelo terá fim.

–É sobre o casal rico?

–Sim.

–Sabia que aquilo não foi um simples acidente. Eu vou te ajudar sim.

–Muito obrigada, Jeferson. Mantenha-me sempre informada.

–Com certeza. Vou ver o que posso fazer com essas pistas que você me deu. Uma leva à outra, e todas me levarão até ele. –Ele disse, enquanto examinava o conteúdo no envelope.

–Sabia que poderia contar com você. É bom ter alguém para confiar novamente. –Trina disse, pegando em sua mão e sorrindo para ele.

Ter a ajuda de Jeferson era bom, significava que ainda havia esperança, apesar de tudo. Mas fora bom também reencontrá-lo. Sentia-se mais à vontade com ele do que com Frank. Talvez porque ela nunca fora muito fã do politicamente correto. Mas ela tinha que controlar suas emoções, não misturar as coisas, pois o que importava agora era o circo finalmente se fechando para Connor e seu controlador.

*****

Poderia dizer que Erick ansiou por aquele dia há anos, mas seria mentira. Durante todo o trajeto, ele pensava em recuar, e só não fazia isto porque seu amigo Gean não deixava.

‑Erick, pra que tanto drama? O velho só quer conversar com você. Só isso. –Disse Gean, que a essa altura do campeonato estava quase pegando o volante para si. –Agora relaxa que nós já estamos chegando.

Erick tinha o endereço do pai, mas era orgulhoso demais para ir lá. Se o seu pai queria tanto vê-lo, que lhe procurasse. Tal foi sua vontade que acabaram por marcar numa cafeteria que seu amigo indicara. O lugar era a cara de Erick. Tinha um estilo tão underground que ele se perguntou diversas vezes se aquele lugar outrora não fora uma garagem. A música que tocava era boa também, o que é raro de se ver hoje. A música que tocava agora era Yesterday, dos Beatles, e Erick presumiu que naquele instante tudo conspirava para que ele sentisse nostalgia.

Erick percorreu o lugar com os olhos à procura do seu pai, e nada. Ele não pôde deixar de pensar que seu pai lhe abandonara mais uma vez, que não ia aparecer. Mas por que estava tão preocupado assim? Se ele não aparecesse sua vida iria continuar a mesma coisa que foi durante todos aqueles anos. Então, escolheu uma das mesas e sentou-se, enquanto apreciava a melodia nostálgica dos Beatles.

Depois de vários minutos de espera, depois de Erick ter certeza absoluta de que ele não apareceria novamente, um homem em torno dos 45 anos, com cabelos lisos e castanhos como os de Erick, e olhos castanhos escuros como os dele também e que vestia uma camisa do Ramones, parou à sua frente, enquanto fitava-o, incrédulo.

Erick nunca aceitou o fato de ser muito mais parecido com o pai. Talvez pelo orgulho, mas naquele momento ele não poderia opinar. Era como ver o seu futuro eu, e a julgar pelo que via, não parecia tão ruim assim. A única diferença era que seu pai tinha cavanhaque e usava óculos. Os dois se encaravam assustados com o passar do tempo. Jon olhava para Erick, encantado com o belo rapaz que o seu pirralho havia se tornado. Encontrá-lo finalmente ainda parecia um sonho para Jon. Erick também estava surpreso, afinal, pensava que seu pai não iria mais aparecer. Preocupou-se tanto com isso que se esqueceu de pensar no que falar.

–Camisa legal. –Erick finalmente disse, sentindo-se um estúpido logo depois. Dez anos sem vê-lo, tanta coisa para falar e ele fala da camisa. Bom, ao menos ele disse algo.

–Ah, sim, obrigada meu filho. Que bom que eu te ensinei a ter bom gosto musical. –Jon disse, sugerindo um abraço.

–É, pelo menos alguma coisa no curto tempo que passamos juntos. –Erick devolveu, cumprimentando-o com um aperto de mão ao invés de um abraço.

Jon não se surpreendeu, e nem se magoou. Não deveria sentir-se magoado. Ele merecia aquilo, afinal. Sabia que o seu filho não o perdoara ainda. Ele era orgulhoso assim como o pai.

–Soube que você tem uma banda agora. Legal. –Ele tentou mais uma vez puxar assunto.

–Sim. É por isso que eu vim até aqui.

–Eu posso ir vê-los?

–Claro. Quanto mais ouvintes melhor.

–Sabe, eu conheço vários lugares para pequenos shows. É ótimo para vocês que estão começando. Eu também sou empresário, você sabe disso. Talvez eu possa ajudar a banda a dar uma engrenada. Assim você passaria mais tempo aqui e...

–E o quê? Eu viria aqui todo fim de semana, e assistiríamos o futebol, tocaríamos juntos, e seguiríamos como se nada tivesse acontecido? Acho que você esqueceu que teve tempo de sobra pra isso. O que eu não consigo entender é por que isso agora? Depois de tantos anos, por que você decidiu finalmente aparecer? Fazer seu papel de pai? Olha, eu esperei por muito tempo até desistir, segui muito bem sozinho e não preciso de um pai agora.

Erick soltou tudo o que guardava com uma coragem inédita para si próprio. Ele podia sentir algumas lágrimas querendo nascer, mas era melhor abortá-las. Não iria demonstrar fraqueza perto dele. Jon permaneceu um tempo calado, tentando processar tantas perguntas que não sabia responder.

–Okay, eu sei que eu errei. Admito isso. Mas pelo menos eu te procurei, não é? Só estou pedindo uma segunda chance. Você não faz ideia do quanto me arrependo por ter abandonado você, e a sua irmã, e a sua mãe.

Erick ficou a refletir por um momento. Seu ‘pai’ tinha razão quanto à segundas chances. Claro, não iria começar a chamá-lo de papai e essas coisas, mas pelo menos poderiam ser amigos. Parceiros de trabalho, como ele sugeriu.

Então ele finalmente percebeu que se lhe perdoasse tiraria um peso não só das costas de seu pai, mas dele também.

–Acho que você tem razão. Deixemos as coisas do passado no passado mesmo.

A feição de Jon logo se iluminou ao ouvir aquelas palavras de seu filho.

–Ei, mas vá com calma. Não vá pensando que eu vou começar a chamá-lo de papai e essas coisas não. –Ele queria manter o orgulho, mas Jon não ligava. Para ele, só aquilo já era muito bom.

–Então você me aceita como seu empresário?

–Primeiro terei que conversar com os caras, mas eles devem aceitar sim. Depois resolvemos isso.

–Certo, agora, tenho dez anos a serem atualizados. Sei que você passou por muita coisa.

–Sim, uma delas foi a puberdade. –Disse Erick, exibindo-se.

–Percebe-se! — Jon soltou uma risada fraca. –Mas, o que eu quero saber é o que fez você mudar de ideia? Já sei que não foi a sua mãe e muito menos a sua irmã...

Erick sacou o celular e mostrou-lhe a foto de Ágata.

–Foi ela que abriu minha mente. –Ele completou, enquanto mostrava a foto ao seu pai.

–Agora eu entendo. Ela é uma gata! –Ele exclamou ao ver a foto.

Seu pequeno menino estava se tornando um homem e ele perdera o processo.E infelizmente, nem todos os perdões do mundo apagariam isso.

–Então, o que mais eu perdi nesses últimos anos? –Jon queria saber tudo.

–Vamos ficar aqui a noite toda se quiser saber mesmo.

–Não importa. Não estou com pressa. –Respondeu Jon, que estava disposto a não perder mais nada.

E eles ficaram mesmo por um bom tempo naquela cafeteria. Ironicamente, a falta de palavras no início se tornara quase que um discurso. Erick lhe confessou algumas coisas, guardando a maioria para si. Afinal de contas, havia perdoado seu pai, mas ele ainda era um estranho para ele. A confiança ainda teria de ser conquistada. Obviamente, sendo realista, é impossível criar uma intimidade de pai e filho em apenas um dia. Mas isso aconteceria algum dia, já que agora a muralha do orgulho fora derrubada.

Notas finais
Então, o que acharam? Calma que ainda vem muita coisa por aí. Festas polêmicas, fotos comprometedoras, e o bom e velho drama que não pode faltar! Estamos chegando perto de solucionar o crime. E você? Vai continuar acompanhando para saber a verdadeira história por trás do assassinato? Não esqueça de comentar o que achou! Estará fazendo um favor para esta escritora pessimista! ;)