Entre Bruxos e Adolescentes

1 Capítulo 1 - Acordei com o pé esquerdo, literalmente


Notas iniciais
Caso ache algum erro por favor comente que eu irei concertar. Boa leitura :)

Hoje acordei com o pé esquerdo, literalmente, eram 6h50 quando levantei. O dia estava lindo, um pouco nublado talvez, mas o sol não deixava de brilhar por trás das nuvens, sabe eu li em um livro que me fez acreditar que tudo tem seu lado bom, que as nuvens são um exemplo disso. Tipo, por trás de um céu totalmente escuro vai sempre ter um sol brilhando atrás das nuvens pesadas e negras.

Depois da escola eu passei no trabalho da mamãe, ela trabalhava como assistente do diretor do jornal local. Mamãe estava ocupada então não deu para falar com ela e fui embora. Cheguei em casa, abri a porta e joguei as coisas na mesa da cozinha. Eu morava numa velha casa no fim duma rua em um lugar nada legal de Portland. Até que eu gostava de lá, minha casa era super aconchegante. Subi pro meu quarto e me joguei na cama "Olá Thor" eu disse para meu ursinho que estava do meu lado. Ganhei Thor de presente de natal do Bernardo, meu namorado, coloquei esse nome pois ele era marrom com um cabelo loiro que me lembrava o Thor, e meu Deus que cabelo é esse? Que coisa ridícula pra se por num urso! Chequei meu celular e tinha uma mensagem do Bernardo:

"Precisamos conversar!"

Eu estremeci. Era coisa séria. Só podia ser coisa séria. Tinha um ponto de exclamação. Meu Deus era coisa séria.

"O.K."

Eu respondi.

"Ao anoitecer passo ai, Sarah."

"Ta bom."

Liguei para Ana e falei com ela sobre isso, e:

– AMIGA ELE ESTA LOUCO!

– Ana calma, não grita.

– Ok, estou calma, muito calma. Amiga o que será que ele quer?

– Não sei, vamos descobrir.

– Qualquer coisa passa aqui, ok?

– Ok! Agora vou desligar, tenho que estudar um pouco. Beijo.

– Esta bem, beijos.

Depois de estudar, fui comer algo. Não tinha nada, absolutamente nada, na geladeira. Só água e legumes, e sabe não sou muito chegada a legumes. Já estava anoitecendo quando eu decidi me arrumar e esperar Bernardo, meu cabelo liso e loiro não exigia muito esforço para ficar do jeito que eu quero, passei um rímel para não perder o costume e botei meu moletom da Gap azul escuro e uma calça jeans e sentei na varanda de casa. Avistei seu Audi A3 modelo 2013 vermelho vindo. Eu gelei.

– Oi — disse ele descendo do carro e fechando a porta.

– Ei. Então o que quer?

– Sarah, olha, não da mais!

– O que você quis dizer com isso? — Eu disse boquiaberta.

– Não quero mais namorar com você. Eu não sinto mais aquele amor todo — ele disse chegando mais perto de mim.

– Ah — eu virei e me sentei no chão. Estava muito sem reação e assustada. Mal conseguia ficar em pé.

– Desculpa Sarah, a culpa não é sua, relaxa.

– Não, tudo bem! — Eu falei dando um falso sorriso.

– Bom agora tenho que ir, a gente se esbarra — Bernardo falou e beijou minha testa. Oh, aqueles lábios só de pensar que não vou mais poder toca-los meu coração dói.

Logo depois de Bernardo ir embora eu tirei o Jeep Grand Cherokee modelo 2008 preto da garagem, o carro era bom e logo mais iria ser meu. Meu padrasto mal ficava em casa, vivia viajando, ele era caminhoneiro. Esse carro mamãe não usava muito então ela o deixa para mim quando meu padrasto está fora. Eu estava quase chegando a rua de Ana quando aparece uma pessoa no meio da estrada. Eu freio e por pouco não bato no rapaz. Ele era alto, parecia ter 1.80m de altura e estava todo vestido de preto, blusa e calça levis preta, tênis e boné de beisebol. Eu desci do carro e falei:

– Garoto você está doido de andar no meio da rua aqui? Tá que não é uma rua muito movimentada mas mesmo assim! Você está bêbado? — Bati a porta do carro e fui até ele.

– Não. — Ele disse olhando por cima do ombro pra mim e andando lentamente. Eu fui atrás.

– Como é seu nome? — Sem resposta. — Alô? Tá ai? Dá pra ser educado?

– Você é muito estressadinha.

– E você é muito sem educação.

– Pode me chamar de Luke, está bem?

– Sim, Luke.

– Ótimo, agora entre no carro. Está tudo bem.

– Não quer uma carona? — Eu disse tentando ser gentil.

– Não.

Eu entrei no carro e assim que me virei depois de fechar a porta o estranho rapaz sumiu. O farol do carro estava aceso, daria pra ver caso ele estivesse perto e tinha luzes dos postes. Como uma pessoa some assim do nada?

Liguei para Ana e ela veio me encontrar na porta. Eu contei tudo a ela.

– Eu sabia! — Disse ela se levantando do banco que tinha na varanda.

– Pois é, e o mais incrível disso tudo é que eu não estou triste. Acho que o misterioso-garoto me distraiu um pouco.

– Misterioso-garoto?

– Sim. Eu estava vindo pra cá quando quase atropelei um rapaz bonito e alto andando no meio da estrada, e quando eu entrei no carro depois ele sumiu. Assim do nada. Pufth.

– Meu deus. Como ele se chamava?

– Luke.

– Luke? Alto e bonito? Se veste todo de preto?

– Como você sabe?

– Ele é do segundo ano.

– Como eu não sabia da existência desse garoto, Ana?

– Porque você não anda para os lados escondidos da escola, honey.

– Ah.

Cheguei em casa já eram quase meia noite e mamãe já estava deitada, bati na porta dela para dizer boa noite. Os dias sem meu padrasto aqui eram sempre os mesmos. A casa vivia sozinha. Eu não gostava muito dele, mas minha mãe ficava muito menos preocupada com a presença dele aqui, quando ele viajava ela passava horas no quarto trancada e rezando. Eu tenho saudades do meu pai e do Brasil, mamãe não me deixa viajar para lá ela diz que é muito perigoso. Antes de vir para Portland eu morava no interior de São Paulo, não me lembro muito bem, tinha 7 anos apenas.

Depois de escovar os dentes e pentear o cabelo eu fui tirar a maquiagem e por uma roupa de dormir. Quando estava tudo escuro e eu estava quase fechando os olhos eu senti um peso sobre a minha cama e levantei assustada. Era ele. O garoto que vi na estrada. O que ele estava fazendo aqui?

– Calma, relaxa, não sou um psicopata — ele disse com um sorriso e as mãos levantadas na altura do ombro.

– Como você conseguiu entrar? Eu tranquei as janelas!

– Talvez...

– O que você quer?

– Conversar.

– Mas você me mandou ir embora!

– Me arrependi.

– Ah é?

– Sim, você é muito bonita — disse ele muito perto de mim.

– Ah, obrigada — eu falei me afastando — agora você pode ir embora.

– Não, eu sei que você me conhece.

– Talvez, se não fosse minha amiga, Ana, eu nunca saberia quem era você.

– Ah Ana, Ana... Muito safadinha essa sua amiga sabia? — seu sorriso era torto para a esquerda.

– Você a conhece? — Ana dissera que andava para "os cantos escondidos da escola" mas não sabia que conversava com Luke.

– Não, mas eu a vejo fazendo coisas, tipo... — eu na mesma hora coloquei minha mão sobre a boa dele. Quando ele segurou minhas mãos eu senti um calafrio percorrer meu corpo e vozes dizendo algo, tinha algo muito estranho nisso.

– Sem. Detalhes. Por. Favor.

– Ok. Agora acorde.

Meu despertador tocou e eu desliguei com um pulo. Será que isso foi tudo um sonho? Como assim? O que Luke tem que me deixa com muito medo quando estou perto dele? Eram 7 horas quando levantei. Mamãe já havia saído, a gente mal se fala em um dia, ela vive no trabalho e eu na escola. Depois de me arrumar e calçar meu Vans vermelho eu sai para a escola. Não era de passar muita maquiagem, meu rosto pálido não tinha muitas espinhas e eu não me incomodava tanto, achava sardas bonitas e não gostava de cobrir com base e meu cabelo era liso, então não exigia muito de mim. A caminho da escola eu passei na casa de Ana para lhe dar uma carona e fomos.

Notas finais
O capítulo 2 está por vir. Por favor aguarde. Críticas e ideias serão bem-vindas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.