Entre Beijos E Mensagens

1 Entre beijos e mensagens


Notas iniciais
Oláaaaa! Há quanto tempo que eu não atualizo essa série omg estou me sentindo meio culpada. Bom, pelo menos só falta a do Aomine e eu já sei exatamente o que fazer hihi *-* Espero que gostem ^3^

Ex-capitão do time de Teiko e atual capitão do time de Rakuzan, ele era um dos mais inteligentes e respeitados. Seus olhos de diferentes cores chamavam a atenção de quem passasse; mal sabiam que tinham uma habilidade especial. Nunca perdeu um jogo sequer em sua vida.

Akashi Seijuro não era muito alto e não gostava de ser contrariado. Estava no treino de basquete conversando com os outros jogadores sobre os jogos que viriam.

-Tsc, mas que merda – um cara falou, olhando ao redor.

-Que foi? – Akashi sentia um tom estranho na voz dele.

-Aquela garota tem estado em todos os treinos desde o começo do mês, sempre sentada no mesmo lugar – o cara apontou com a cabeça para a arquibancada, mostrando uma pequena figura num canto escuro.

-Será que ela está espionando a gente? – outro cara perguntou e olhou para Akashi – Ela pode ser de outro time e está nos avaliando...

-Vou falar com ela depois, agora vamos terminar esse treino. – o ruivo pegou a bola no chão.

Akashi percebeu que a garota ficou ali o treino inteiro, sentada no escuro. Por estar muito longe, não conseguiu identificar quem ou de que ano era. Esperou o treino acabar, mas quando viu ela já não estava mais lá. Saiu correndo da quadra e olhou ao redor, procurando alguém. Viu um pequeno movimento perto dos jardins da frente do colégio. Deu meia volta e foi se trocar para ir embora.

A garota saiu de trás da árvore após um tempo, olhando apreensiva ao redor. Aquele ruivo não estava mais lá. Suspirou aliviada e guardou seu caderno na bolsa. Quase fora pega dessa vez, teria que ser mais cuidadosa. Estava atravessando os portões quando quase bateu em uma pessoa.

-Olá.

A garota olhou para baixo e se arrepiou dos pés a cabeça ao ver aquele garoto dos cabelos ruivos olhando para ela com seus olhos de cores diferentes.

-Hm, oi.

-Eu gostaria de conversar um pouco com você, se importa se eu andar contigo? – o garoto parecia bem sério.

-Por mim tudo bem.

Akashi virou-se e seguiu pela metade do quarteirão em silêncio ao lado da garota. Ela era mais alta que ele; não muito, somente uns 3 centímetros, mas o bastante para que ela olhasse para baixo enquanto falava com ele. Isso deixava Seijuro sempre muito irritado, como se os outros o depreciassem por sua altura.

-Então, sobre o que quer conversar? – a garota finalmente perguntou, já ficando de saco cheio do silêncio.

-Primeiro, acho que devemos nos apresentar. Meu nome é...

-Akashi Seijuro, primeiranista, 16 anos e capitão do time masculino de basquete, cerca de 1,73 metros, nascido dia 20 de Dezembro.

Akashi ergueu suas sobrancelhas levemente, aparentemente surpreso com o que a garota disse. Deixou escapar uma risada.

-Bem informada você – voltou a olhar para frente.

-Obrigada – a garota sorriu – Eu sou Shimizu Tora.

-Que nome... Peculiar.

-Nem me fale, acho que o seu supera. Meio que combina com os propósitos da escola.

(Akashi: Aka = vermelho; shi = rei/Shimizu = pura; Tora = tigresa).

-É, tem razão.

-Enfim...

Akashi olhou ao redor distraidamente.

-Ah, claro. Meus companheiros de time notaram que você fica sentada na arquibancada da quadra desde o começo do mês, só observando nossos treinos. Eu fiquei curioso e vim perguntar o porquê disso.

Akashi aproveitou e deu uma rápida olhada na garota. Como pensara, ela era mais alta, tinha cabelos cor de chocolate presos em um rabo-de-cavalo e olhos verdes que analisavam tudo. Um sorrisinho irônico escapava pelo canto dos lábios.

-Eu realmente gosto de basquete, então quis ver o treino de vocês. Há algum problema nisso? Porque se houver, pode deixar que...

-Não, não há nada de errado.

Tora, que frequentava os treinos quase todos os dias, já tinha um conhecimento prévio da personalidade de Seijuro, mas ele era totalmente diferente fora da quadra; era mais calmo e menos dominante, e até que parecia ser bem gentil. Tora estava achando muito interessante esse passeio.

Os dois continuaram caminhando pela rua comentando principalmente sobre basquete. Estava um dia agradável, não fazia tanto calor e uma brisa leve batia. Um pouco mais para trás, um homem aproximava-se correndo, esticou a mão e pegou a alça da bolsa de Tora.

A garota mal teve tempo de abrir a boca para gritar, e o cara já estava no chão. Akashi tinha um pé em cima do peito dele e esticava a mão, pedindo a bolsa. Alguma coisa estranha se agitou dentro da garota, ela não sabia definir, era algo como medo ou receio. O olhar de Seijuro na direção do homem fazia todos os ossos e músculos de seu corpo congelarem, ela engoliu em seco e respirou profundamente.

-Devolva. – a voz de Akashi era muito fria.

O homem esticou a mão e entregou a bolsa para o garoto, então se livrou do pé dele e saiu correndo pela rua.

-O-O que foi isso?

-Tentativa de roubo. Aqui – ele entregou a bolsa para a garota – Você está bem? – aquele olhar feroz dele tinha ido embora.

-Obrigada, estou bem. Mas não foi a isso que me referi. Eu estava falando de como o cara caiu tão rápido no chão quando ele mal tinha encostado em mim. – Tora ajeitou a bolsa no ombro nervosamente e voltou a andar.

-Eu o vi chegando, e coloquei o pé na frente para que ele caísse. – sorriu de leve – Só isso.

-Que ninja – a garota riu abertamente, arrancando um sorriso do rosto do garoto.

-Mas então... Você disse que gosta de basquete, certo? – o garoto olhou para a garota. Ela balançou a cabeça positivamente – Porque não participa do time feminino?

-Ah não, muito trabalho – riu um pouco – Eu gosto de assistir basquete, e não jogar, entende? Acho muito interessante, tem toda a parte da estratégia e os jogadores e os movimentos e as jogadas... Nossa, eu acho tudo isso incrível.

Akashi olhou para a garota meio surpreso com o que tinha ouvido. Ele nunca tinha visto alguém que gostava de basquete pelos mesmos motivos que ele.

-É, é mesmo incrível. – ele desviou os olhos para a avenida que seguia pela direita.

-Vai por ali? – Tora perguntou.

-Não acho certo abandonar uma garota no meio da conversa, muito menos deixá-la ir sozinha depois de um quase assalto, então, se não for incômodo, vou acompanhá-la até em casa.

-Obrigada.

Seijuro era totalmente diferente fora da quadra, isso Tora percebeu. Ela nunca imaginou que um garoto tão... Sombrio pudesse ser tão gentil e ter um ótimo papo, além de ser incrivelmente gato. A garota não permitiu que suas bochechas esquentassem.

-Onde você mora? – o garoto analisou a placa que informava o nome das ruas próximas.

-47 com a Shishigawa.

-Vamos por aqui então. – o garoto começou a caminhar na direção da avenida da direita.

-Não, vamos por aqui. – Tora apontou para a da esquerda.

-Por aqui é melhor, é mais bem iluminado e...

-Mas eu quero ir por aqui. – a garota cruzou os braços sob o peito.

Akashi quase mordeu a língua. Ninguém nunca o contrariava.

-Eu estou dizendo para irmos por aqui. – o tom dele era muito firme.

A voz fria do garoto fez com que Tora estremecesse, mas ela não perdeu a pose. Ele agora olhava para ela do mesmo jeito que tinha olhado o ladrão, com o olhar duro e congelante.

-Eu não quero – a garota falou pausadamente.

Os dois se olharam por alguns segundos muito tensos. Tora sentia como se seu corpo quisesse ir para frente só pra não ter que olhar mais aqueles olhos aterrorizantes, davam medo, passavam a sensação de que alguma coisa ruim iria acontecer se ela não fizesse o que lhe era mandado. Mas foi firme e ficou parada no lugar, mesmo que suas mãos estivessem suando e tremendo.

-Ótimo, pode ir para a sua casa, eu vou sozinha. – a garota descruzou os braços – Muito obrigada pela companhia, pode deixar que não vou mais atrapalhar os treinos do seu time. Tchau.

Tora virou-se e seguiu pela avenida da esquerda.

O ruivo sentia gosto de sangue na boca; mordera a língua com força quando ouvira a garota dizer que não queria ir pelo caminho que ele tinha sugerido. Ninguém nunca, nunca, nunca tinha se recusado a fazer alguma coisa que ele pedia, ninguém nunca conseguiu desafiar tanto o garoto, ninguém nunca o tirou do sério desse jeito. Do mesmo jeito que estava irritado, estava surpreso. Surpreso pelo fato de Tora ter resistido ao olhar que ninguém nunca resistiu, surpreso por saber que ela tinha uma cabeça tão forte. Era isso que Seijuro procurava, era isso que ele esperava de uma garota que tivesse dignidade; não fazer o que lhe era mandado só porque queriam, fazer o que dava vontade. O garoto jurava que seu coração tinha dado uma batida mais forte no peito.

Respirou bem fundo, tentando recobrar a paciência, e correu para acompanhar a morena. Tora estava furiosa; ela não entendia como alguém podia ser tão arrogante, como alguém poderia ficar tão bravo só porque ela não queria ir por onde o garoto sugeriu. Chegou a conclusão de que ele provavelmente era filho único e tinha essa mania desde sempre.

Com certa vergonha, o garoto parou ao lado da garota e voltou a seguir a rua a passos lentos. Tora olhou de canto para o ruivo e ergueu seu queixo.

-Desculpe. – a voz do garoto saiu meio tremida, coisa que nunca tinha acontecido.

-Sabe... – ela olhou para o outro lado da rua – Esse é um hábito horrível. Você não pode sair por aí falando coisas e esperando que as pessoas obedeçam. Desculpe se pareço grosseira, mas só achei que deveria avisar, já que pelo jeito ninguém nunca te contou isso.

-Eu já pedi desculpas.

-Ótimo, desculpas aceitas. – a garota parou e entregou sua bolsa ao garoto – Espere aqui, eu volto já.

Akashi pegou a bolsa e observou enquanto a garota entrava numa farmácia, dirigindo-se à seção de absorventes. Agora o ruivo entendia porque Tora queria vir por esse caminho. De qualquer jeito, o peito dele estava inquieto; seu corpo gritava AMEAÇA AMEAÇA AMEAÇA mesmo que Tora parecesse inofensiva. Ela era corajosa. Corajosa demais. Isso deixava os nervos do ruivo prestes a explodir.

Quando a garota voltou da loja com uma sacolinha na mão, sorriu para o garoto em agradecimento, então voltou a falar como se nunca tivesse ficado brava.

-Meu irmão joga basquete, sabe? Desde pequena eu o vi jogando, então foi inevitável que eu gostasse.

-Irmão mais velho? – Akashi perguntou, e garota concordou com a cabeça – Em que clube ele joga?

-Chicago Bulls. Conhece? É um time americano.

-Bulls? Nossa, que prestígio – o garoto surpreendeu-se.

Seguiram pela avenida até outro cruzamento, e lá voltaram a discutir.

-Eu tenho que ir por aqui.

-Mas por aqui é melhor.

-Mas eu preciso ir por aqui. – Tora voltava a ficar brava.

-Onde você precisa ir? Todas as lojas que tem nesse caminho tem nesse.

-Algum problema se eu gosto mais dessa rua?

Akashi sentiu o sangue borbulhar. Nem Aomine era tão teimoso.

-Nenhum, só estou dizendo que deveríamos ir por essa.

-Mas eu não quero.

-Tora, eu estou dizendo para irmos por aqui! – a voz do ruivo soou quase como um grito de raiva.

A morena deu um passo para frente e bateu no rosto do garoto. Os olhos dele se arregalaram.

-Não fale comigo nesse tom de voz. – dessa vez era a voz de Tora que estava fria – Seu garoto mimado. Não quero mais a sua companhia, pode ir embora.

O gosto de sangue voltou na boca do garoto. Ele estava incrédulo com tanto desaforo da parte de Tora, tremia dos pés a cabeça. Akashi nunca tinha sido enfrentado desse jeito, muito menos por uma menina.

A garota atravessou a rua e seguiu reto andando rápido, quase explodindo de fúria. Chutou uma latinha de refrigerante.

-Passa a bolsa.

A garota congelou e ergueu a cabeça. Era o mesmo homem de antes, e em uma de suas mãos havia uma faca.

-Eu mandei passar a bolsa.

-Ah... – ela pediu.

O homem esticou a mão e agarrou a alça da bolsa. Tora quase gritou, mas pensou melhor quando olhou para a faca.

-P-Por favor... – ela implorou.

-Larga!

A garota soltou a outra alça, mas a bolsa voou para a direção dela, sendo puxada por uma mão de Akashi enquanto a outra empurrava a garota para o lado. O ladrão avançou com a faca, mas o ruivo desviou facilmente. O homem foi parar perto de Tora. A garota, com toda a força que conseguiu reunir, chutou o meio das pernas do homem. Ele gritou de dor e caiu no chão, largando a faca. O ruivo pegou o objeto e posicionou-se entre a garota e o homem.

-Se eu te vir por aqui de novo, vou chamar a polícia. Tente mais alguma coisa com ela e considere-se um homem morto. – a voz de Seijuro era calma.

O homem só grunhiu de volta. Akashi largou a faca no chão, pegou numa das mãos de Tora e os dois saíram correndo até a próxima esquina.

-Eu disse para não virmos por aqui.

-C-Cale a boca. Você nem sabia que aquele cara estava aqui.

Tora encostou as costas no muro de uma lojinha de roupas, respirando fundo. Suas mãos tremiam.

-Você está bem?

Akashi parou na frente da garota e a observou com aqueles olhos de cores diferentes, que prenderam a atenção de Tora. Ela inclinou-se para frente e deu um beijo no rosto do garoto.

-Estou bem, obrigada de novo – sorriu – É a segunda vez que você me ajuda hoje e eu continuo te tratando mal. Acho que eu devo pedir desculpas.

-Não tem problema. – o ruivo respondeu rápido – Está começando a ficar escuro, melhor irmos.

-Claro.

Tora tinha gostado e muito desse passeio. Quando Akashi finalmente a deixou em casa, correu para o computador para pesquisar se havia alguma conexão entre a diferença de cor dos olhos do garoto e sua personalidade controladora. Nada. Não havia nenhuma relação. Akashi era assim porque era. Aqueles olhos a perseguiram até nos sonhos daquela noite.

Logo quando chegou em casa, Akashi foi para o seu quarto e pegou seu celular. Precisava falar com alguém, mas não sabia quem. Resolveu mandar uma mensagem para Midorima.

Eu achei.

O quê?, o outro garoto respondeu.

A garota.

...Que garota? Tem muitas garotas por aí, nanodayo.

Não, Shintarou, você não entendeu.

Então me explique, oras.

Eu achei “a” garota.

Tá. Isso eu entendi. E daí?

O nome dela é Shimizu Tora. Ela é incrível. Ela é forte. É ela, Shintarou. Eu achei a garota com quem eu quero passar o resto da minha vida.

Notas finais
Nesses momentos, eu queria um Akashi pra mim *-* Temos que concordar que P*TA MERDA, ELE É HOTHOTHOTHOTHOT *baba, morre*

Gostaram? Penúltimo capítulo da série! Deixem um review ♥

Obs: Esse é o quinto capítulo da série. As histórias não são interligadas, mas se quiser ler os outros, fique a vontade! O próximo (e último!) capítulo sai em breve.