Entre Anjos
1 Capítulo 1 - Nas Sombras
Cloe acordou sonolenta naquela manha, a manha já havia chamado umas cinco vezes. — Anda Cloe! — Já vou! Levantou o mais lentamente que pode, era seis da manha, tomou banho e vestiu o uniforme escolar, “mais um dia de chateações e apelidagens desnecessárias”, pensou ela. Desceu para tomar café, mais um nome absurdo, já que ela não tomava café. — Não se esqueça que vamos comprar roupas hoje. — Não esqueço. – era meio impossível já que a mãe ficou repetindo isso durante a semana inteira. — Ainda bem que é sexta-feira! – ela resmungou antes de sair Ia contando os passos para chegar à escola e pensando consigo mesma porque era daquele jeito, porque era a aluna exemplar, a nerd, a menina perfeita e fechada, a descolada que não falava com ninguém.
Talvez sua timidez contribuísse para isso, mas ela também achava que eram os outros, os outros desinteressados, os outros de atitudes imbecis e que nunca entenderiam a complexidade de um ser humano. Os outros, ou eu... Chegou à escola, teria passado dela sem notar se não visse a grande placa, como sua pontualidade era impecável sempre acabava chegando antes de bater o sinal e antes de qualquer um de seus colegas, pegava os livros no armário e ia se sentar na sala para esperar o sinal bater. Sua carteira era a primeira da terceira fila, ficava do lado da janela, enquanto esperava gostava de desenhar ou ler, mas afinal não havia nada de interessante na sua vida que ela quisesse escrever, NÃO ATÉ AQUELE MOMENTO. — Olha só, a senhorita perfect já chegou! – Miraia adorava implica com Cloe, sempre que chegava com Zoe se deparava com ela já sentada. E para piorar a situação Miraia sentava bem atrás dela. “Porque eu não nasci no Nirvana?!”, os outros logo começavam a chegar e a sala perdia o silencio depressa, pelo menos até a professora chegar. A senhorita Filder chegaria às 7: 18, ela tinha orgulho de chegar pontualmente de acordo com seu horário é claro. “E lá vamos nós”, Cloe já imaginava como seria a aula de matemática, a senhorita Filder gostava de “incluir os alunos no conhecimento”, então provavelmente chamaria um a um para resolver uma questão matemática passada na aula anterior. Ela chamaria pelo nome e o coitado ou a coitada tinha de mostrar seu conhecimento perante toda a turma, se errasse provavelmente seria posto para repetir a questão até que acertasse. Cloe não estava preocupada com isso, sabia que todas as suas tarefas estavam corretas, o que a preocupava era fato de ir à frente da sala. Ela foi a quarta a ser chamada, e com uma briga interna conseguiu fazer a questão inteira. Passadas as aulas de redação, que para a felicidade dela não exigiu que ninguém lesse na frente da classe, vieram a aula de informática, que não exigia nada de presencial ou constrangedor também. Quando a sineta tocou Cloe sentiu um alivio tremendo e saiu da escola o mais rápido que pode, agora dois dias a separavam da escola. Na volta para casa ela sentiu livre, leve, correu de volta para casa.Lá a mãe já servia o almoço, ela comeu alegre. — Como foi a escola querida? — Como sempre, pai. — Você vai se integrar é só uma questão de tempo, sei que é difícil na primeira semana. “O senhor nem faz idéia”. — Quando vamos mãe? — Logo depois que você fizer suas tarefas. — Certo. Acabada a refeição, Cloe ajudou a tirar a mesa e subiu correndo para o quarto, quando abriu a porta levou um susto, tinha alguém no seu quarto, ela não era de gritar, a não ser que a situação ficasse realmente ruim, abriu a porta e viu um menininho de mais ou menos uns três anos sentado na sua cama, muito serio e segurando um papel, um tipo de papiro ou pergaminho. Ela foi até ele, meio receosa e pegou o papel, o menininho ficou de é na cama, fez uma reverencia breve, pairou uns centímetros e saiu voando pela janela. Cloe correu para o banheiro, encheu a pia com água e pôs a cabeça dentro, ”Foi um sonho, uma ilusão de óptica...” se olhou no espelho e nada havia mudado: o rolinho de papel continuava na mão dela. Ela abriu, nele estava escrito: “Aquele quer ver, verá!”, uma frase simplista e simplória, não significou nada à primeira vista, decidiu encarar aquilo tudo como um episódio sem nexo da sua vida chata. Foi fazer os deveres escolares, mas não tirava os olhos do papel, tinha caligrafia fina e bela, com tinta roxa, o papel estava um tanto amarelado, parecia ter sido guardado há muito tempo. Gastou do dobro de tempo nas tarefas do que gastava normalmente, mas acabou. Desceu as escadas e foi sair com a mãe, não opinou muito naquela tarde quanto às roupas que a mãe deveria usar, só pensando no menininho da cama e na frase. Quando voltou para casa guardou as roupas compradas e deitou, tentou ler, mas não conseguia manter a concentração, leu a fase de novo, refletiu um pouco, mas não chegou a lugar nenhum. “O que é isso?”, adormeceu, sonhou que estava num mundo avesso que nunca dormia e que seus habitantes a escravizaram e jogaram de um precipício, neste instante acordou, o sonho era efeito do filme na quinta, incrivelmente só sonhava com os filmes dois dias depois de vê-los, era um efeito retardado.
Quando abriu os olhos assustada viu algo se mexer nas sombras...
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