Entre Anjos
5 Capítulo 5 - Parentesco
Notas iniciais
- É mentira! O que está dizendo é mentira! – Cloe gritava
- É idêntica a ele, até nos detalhes mais previsíveis e desprezíveis – a anja respondeu calmamente
- O diabo não tem filhos! E mesmo que tivesse eu não seria um deles
- É neste ponto que se engana, minha cara, você é tão filha dele quanto eu sou do Criador.
- Não posso ser
- Mas é, tem os olhos obcecados como os dele
“Ela deve ser maluca se pensa que sou filha do diabo”
Ouvi-se uma explosão a alguns quilômetros delas
- Eles se aproximam... Melhor irmos falar com seu pai
A anjinha ergueu Anandiel e o pôs em suas costas com uma facilidade assombrosa. Tinha mais força do que demonstrava
Começaram a caminhar
- Você não vai abrir um portal, ou sei lá, para irmos de volta a minha casa?
- Não entendo porque deveria
- Não quer ver meu pai?
- Seu pai não está no mundo humano
- Claro que está. Eu o vi esta manhã antes de ir para a escola
- Aquele não é seu pai, estamos falando do próprio Lúcifer, não é qualquer anjo
- Ele é um anjo?
- Só porque foi expulso do céu não significa que não seja. Ainda é, mas agora só trata das almas que chegam ao inferno
Cloe imaginou a alma do avô sendo cuidada pelos anjos
- Seu ai tem muitos nomes: Lúcifer, Diabo, Estrela-da-Manhã, Guardião dos mortos, Satanás
- Então é por isso que me chamam de filha-da-estrela...
- Precisamente. Agora entre
Ela apontou um buraco numa arvore morta
- Lúcifer mora ai?
- Seu pai é bastante excêntrico
“Ele não é meu pai!”
Cloe começou a se perguntar se aquilo tudo não era um sonho maluco, onde ela era a protagonista
Entraram, apesar de pequeno por fora o tronco revelou-se muito extenso e alto por dentro.
Saíram num enorme salão, cheio de esculturas, colunas e fontes. A anjinha deixou Anandiel cair pesadamente sobre o chão
- Não faça isso com ele!
Cloe correu até o anjo, as asas dele haviam sumido
- Temos por menores a propor, deve convencer seu pai, se não, Anandiel deixa de ser anjo, vira mortal e eu mesma o mato na sua frente
- Mas se ele não quiser aceitar, mesmo que eu tente convencê-lo?
- Então jogo os dois no meio do campo de batalha
“As alternativas não são das melhores. Por que Anandiel não acorda?!”
- Duas almas a mais para mim – ela falou
Uma voz masculina soou alta e ecoou até elas
- Quem está ai?
- Sou eu... E lhe trago uma surpresa
- Que faz aqui? Já lhe disse que não pretendo me aliar a ninguém
- Por quê?
- Quero apenas sentar e olhar a carnificina no horizonte: é um espetáculo imperdível, ver o sangue jorrar em todas as direções e ver o céu se tingir de vermelho
“O céu se tingir de vermelho? Será que era isso que estava acontecendo quando cheguei?”
- Além do mais, é algo tão colossal que nem Deus pode impedir
- E sua resposta?
- Ainda a mesma, não vou me arriscar a perder tudo numa guerra que não me favorece
- Nem mesmo por algo inestimável?
- A que se refere?
- Sua filha, não a reconhece? – A anja apontou Cloe, que ainda estava parada perto de Anandiel
Lúcifer surgiu das sombras, era um homem alto, encorpado, bonito, de cabelos pretos e olhos verdes, que pareciam ler pensamentos
- Minha filha? Como saberei se é mesmo?
- Teste-a como quiser, é sua filha, tenho certeza
- Veremos
Notas finais
Alias, agoraque peguei um impulso, acho que não paro de escrever até terminar a fic.
Até breve!
Fale com o autor