Entre Amigos
1 Oneshot
Entre amigos
Alisson flertava a janela enquanto Fábio procurava o livro que a professora os pediu naquela manhã de quarta feira.
A bagunça naquele armário fazia Alisson franzir a testa enquanto tentava achar tal livro.
–Fábio, você já ouviu falar em espanador? Essa poeira aqui mata um só de chegar perto. –Comentou, ele vasculhando os livros que se encontravam em ordem alfabética.
–Não sou eu que arrumo esse armário. –Retrucou o moreno se aproximando de seu amigo que ainda procurava o livro dentre aquele mar de poeira. –Você é mesmo cego né? O livro na sua cara, você não viu? –Diz pegando tal objeto empoeirado o assoprando no rosto de seu amigo que espirrou com o pó espalhado.
–Você está maluco? Entrou poeira nos meus olhos. –Alega passando levemente seu indicador no olho atingido.
Em meio ao ato, Fábio ficou a observar seu amigo que irritado pegou outro livro com a sua mão livre e jogou no moreno que se esquivou e logo passou a zombar do Alisson que supostamente não estava enxergando bem.
–Pare de rir seu retardado e traga-me algo que eu possa usar para lavar meus olhos. –Retrucou.
–É sério mesmo? –Perguntou já sereno após ter percebido que a situação se agravou.
–Você está me vendo rindo seu idiota?
Fábio correu para seu banheiro e abriu o miniarmário que se encontrava pregado na parede, vasculha tudo que havia alí dentro e não acha nada até que ao olhar para o lado ver o soro fisiológico que sua amiga Yuki-chan havia esquecido em sua casa.
–Isso deve servir. –Exclama pegando o soro e voltando rapidamente para sala, e ao chegar nela ele avista Alisson sentando em uma cadeira com a cabeça levemente erguida. –Está tudo bem Alisson? –Perguntou se aproximando em leves paços.
–Claro que não! –Exclamou emburrado. –O que você trouxe para eu lavar meus olhos? –Completou erguendo as mãos.
–O soro fisiológico que a Yuki esqueceu aqui em casa. –Respondeu.
–Ótimo, agora lave meus olhos com ele, isso pode se agravar.
–Desculpa Alisson, eu fiz sem pensar. –Lamentou quando se aproximou mais dele.
–Faça o que mandei logo e depois eu penso em te perdoar.
Fábio com as mãos tremula destampava a garrafa de soro e Alisson abria os olhos vagarosamente.
Eles estavam irritados.
E o silencio que se formara assimilava aquela situação como uma cirurgia cárdica. Fábio segurava o rosto do amigo com certo afã, e com gotículas derramava aquele liquido: duas gostas em cada olho. Alisson fechou seus olhos fortemente e os abriu logo depois e passou a pisca-lo.
–Melhorou? –Perguntou Fábio ainda preocupado.
–Sim, afinal, foi apenas poeira, acho que foi uma irritação momentânea. –Respondeu já calmo. –Então? Vamos limpar o armário né?
Ambos caíram na risada e situação ficou mais passiva. Contudo no finalizar da ultima risada, Fábio se encontrava fascinado pelo amigo que abria o livro o lendo.
–Por que disso agora? Somos amigos há muito tempo e nunca aconteceu algo do tipo. Será que esse tempo todo eu não quis admitir essa fascinação que eu tenho pelo Alisson? –Pensava o garoto que flertava a blusa desabotoada do amigo que se concentrava na leitura do livro. O mesmo passou sua língua sobre a unha que roía durante sua flertada.
–Esse livro é ótimo Fábio... –Alegou após fechar o livro ponto deu indicado separando a pagina que acabara de ler.
–Sério? Não gosto muito de leitura. –Disse seguindo em rápidos passos até a cozinha.
–Ei! Pra onde você vai? –Perguntou se levantando da cadeira.
–Espere aí, vou trazer Doritos para nós.
–Ah, ok. –Voltou a sentar e passou a ler novamente.
O que eu estava pensando anteriormente? Como posso achar que exista uma possibilidade daqueles lábios se encontrarei com os meus? Não sou gay, acho que não, contudo, eu tenho a certeza que ele não é, e se eu chegar nele e pedir um beijo, com certeza nossa amizade acabaria no mesmo instante.
Os pensamentos do Fábio eram tomados por possíveis acontecimentos que ele desejava que acontecesse naquele momento. Tudo foi repentino trazendo assim confusos sentimentos para o moreno, porém, ele não os negava e tentava propor algo que não doesse em nenhum dos dois.
–Aqui Alisson. –Jogou o pacote de Doritos no colo do amigo que pega agilmente o pacote no ar.
–Obrigado. –Agradeceu sem tirar os olhos do livro.
Fábio pega uma cadeira e senta na frente de Alisson e ficou a observar o mesmo.
–Esse livro é tão bom assim?
–Sim. Você não ler esses livros?
–Sim, quer dizer, não mais.
Alisson pausa a leitura pondo novamente seu indicador na página que acabara de ler e encara o amigo perguntando-o:
–Por que não mais?
–Ah, deixa isso pra lá. Cadê as conversas legais? Vamos ficar só conversando sobre livros?
Fábio não conseguia mais encarar o amigo, e suas palavras saiam sem nexo.
–Vamos falar sobre comidas, que tal?
–Comidas? Pra quê? Que assunto mais medíocre, o que tem de interessante em uma conversa que fala sobre comidas? Tipo, deveríamos conversar sobre limpeza em uma certa casa, sabe? –Sarcasmo.
Fábio retorceu seus lábios para o lado formando uma cara emburrada.
–Você está estranho hoje Fábio, está acontecendo algo?
–Alisson, por favor, me beije. –Pediu desesperadamente se ajoelhando diante o amigo que se espanta com o pedido.
–Quê? Por que isso agora?
–D-Desculpa, sério, Desculpa... –Abaixando sua cabeça submissamente, Fábio continuou a repetir as desculpas, contudo, em meados delas, ele se levanta rapidamente se aproximando do Alisson que ruborizou ao ver seu amigo a centímetros de distancia de seu rosto. –Desculpas, por isso... –Logo o moreno encostou seus lábios nos de Alisson que com seus olhos esbugalhados corou em silencio.
Por alguns segundos eles permaneceram naquele simples beijo.
Alisson ao voltar a si sobrepõe suas mãos no peito de Fábio o separando de seus lábios.
–Por que você fez isso?
–Porque eu quis?
–E é assim que você justifica essa sua idiotice?
–Desculpa.
Alisson ignorando as desculpas de Fábio, levantou-se da cadeira e andou em direção a porta de saída.
–O que você está fazendo? Eu já pedi desculpas.
–Idiota, não preciso de suas desculpas, e... –Reparou que ainda estava com o livro em mãos e o jogou no Fábio que segurou tal objeto em seu peito. –Não preciso ler essas porcarias. Eu não preciso de um terceiro travesseiro.
Fábio ficou sem entender tal declaração e ao ler o nome do livro que Alisson estava lendo ele entendeu a situação e o porquê daquela reação.
“O livro era “O Terceiro Travesseiro” um best seller escrito pelo escritor brasileiro Nelson Luiz de Carvalho, o livro contava a história de dois amigos que se admitem ser bissexuais após conhecer uma suposta garota. Levanto em conta que o Alisson estava saindo com uma garota, o Fábio possivelmente seria o citado, terceiro travesseiro.”
Fábio ao entender a situação correu atrás de seu amigo que já estava com a mão na maçaneta da porta.
–Espere Alisson! –Exclamou se aproximando do moreno o empresando na porta.
–Solte-me.
–Não solto. Eu não quero ser seu terceiro travesseiro... –Alega beijando-o.
Alisson tentava sobressair daquela situação, porém aquele beijo não foi tão simples como o anterior, e ao sentir a língua de seu amigo a procura da sua, ele se calmou e acabou por se entregar a aquele momento.
Fábio pausa o beijo e o encara. –Eu quero ser o único...
O moreno abraça seu amigo que o corresponde com o mesmo.
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