Entorpecido pelo passado
1 Minha droga tem o nome dela
Notas iniciais
Bom, terráqueos, lá vai minha segunda história, na qual fiz com muito carinho à um amigo ♥
Estou submerso. Talvez tenha chegado ao limite e estagnado ali. Não conseguia me mover e talvez me alimentasse de lembranças, mas não era mais o suficiente. Sou feito de escolhas e hoje sofro por um dia não ter levantado voz, ou talvez, minha razão falou mais forte e as emoções foram rumo à decadência, hoje não sinto. A inércia tomou conta de qualquer reação em minha vida e o sorriso já não esboça a juventude que tenho, parece que vaguei cem anos, comandados pela solidão da eternidade.
Os dias se arrastam em ponteiros enferrujados, não tenho mais motivos para ser o mesmo. Quando terei aquela face pálida novamente a me flagrar em devaneios? Lembro dela corando levemente enquanto me pegava encarando-a, mas não resistia a tal beleza sutil e intrigante, queria observá-la de perto, notar aquela parte de mim, mas hoje apenas posso encará-la a distância. Eu fiz isso? Sim, eu o fiz. Hoje sou feito de simples consequência, feito de honestidade e aprendizado, porém sem motivos para aprender nada. Sempre fui um homem justo, mas antes de aprender a verdadeira justiça, tive de cometer o pior dos crimes. Vejo a lei pesando no mundo, mas tive de aprender a aplica-la a mim mesmo. Hoje cumpro a pena. Levei meu arbítrio à ruína, mas o tempo ia à frente, sempre há momento para mudanças, só... não conseguia me mover. Não tinha por quem lutar, deixei tudo para trás, não havia motivos para rodarem meus dias, que não sejam arrastados, como meus passos sozinhos por entre os corredores. Como eu amava a solidão, observar o pequeno. O mundo estava tão acostumado com o que considerava grandes coisas, que se esquecera de dar valor às pequenas, e eu amava dar valor ao esquecido, talvez este seja o motivo de minha desgraça. Mas era difícil viver sozinho enquanto sei que poderia estar com toda aquela parte que faltava, ela. Perdi valores, sorrisos, joguei tudo pro alto a troco de ressuscitar lembranças, enquanto eu era apenas uma sombra do passado. Acreditando nisso, burramente, deixei que esta escuridão se tornasse verdade, completasse uma grande parte de mim. Adeus qualquer otimismo, aprendi a ser justo comigo mesmo, e o mundo me fez engolir meus passos em falso. Cansei de viver em vão. E ela permanece lá, mesma beleza irretocável, desfrutando de todos os benefícios e dons que qualquer musa do passado poderia usufruir. Enquanto eu... não tenho mais nada a chamar de meu. Uma vez me disseram que enquanto dermos nosso respirar, à cada segundo, sempre é momento de seguir em frente. Mas perdi minha bússola, que irremediavelmente, apontava uma direção Norte, agora não havia mais um ponto, um caminho, uma orientação, cheguei ao meio lembrando como foi bom estar no Sul. Meu coração não estava mais ali, tive de partir. Porém, o lugar onde ele deveria estar hoje não me aquece e me acolhe mais como antigamente. Não a culpo, afinal, minha penitência me assombra com o passar dos dias, não havia mais por quem amar. A preguiça se tornou desculpa para não passar as horas, para não ter de ocupar meus pensamentos, tão vazios quanto meu amago. Quem eu amo? Já amei. Apenas cansei de andar sem direção, as sombras são ótima companhia. Enquanto não encontrar um motivo para seguir, permanecerei calado. Talvez a resposta esteja nela, ou em mim, enquanto não me mover, apenas envelhecerá mais rápido que o normal. Face juvenil, alma senil, mente centenária, metáforas infinitas em uma mente sem objetividade. Talvez um dia eu acorde e pense que eu faço meus motivos, que eu sou o molde da razão e dono do meu próprio tempo, permitido por alguma lei superior. Enquanto não acordo, percebo: É.... realmente, talvez tenha chegado ao limite e estagnado ali.
Notas finais
Well, Well, espero que tenham gostado da mais confusa depressão que ele estava u-u Obrigada por lerem até aqui.♥ See ya XD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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