Entediado- Dio e Sieghart
1 Entediado
...
O sol está se pondo. Como todos os dias.
Pode soar idiota para todas as pessoas, só que pra mim dizer isso já se tornou comum. Algo do dia-a-dia, como comer, beber e dormir.
Rio pensando nisso. É EXATAMENTE ISSO: Comendo (comendo e transando), bebendo (muito álcool) e dormindo (até o próximo dia entediante).
Eles parecem não saber. Não, eles realmente não sabem.
Como eu posso ser terrível. A busca por algo interessante nessa vida para os humanos é algo insaciável. Porque suas vidas estão passando, correndo, a eternidade não pára para espera-los.
Eles buscam seus objetivos o mais cedo possível. Porque um dia eles vão partir e quando esse dia chegar, eles não querem ter arrependimentos.
Oh sim. Eu me arrependo.
Me arrependo de ter morrido. Nem me lembro como foi a sensação, só que eu fui muito sortudo, ou muito valente, ou quaisquer coisas que queiram pensar.
Eu não me arrependo de ter me tornado imortal. Rio de novo. Não que eu magicamente seja indestrutível e invencível. Meu corpo é realmente humano.
Eu possuo seis séculos nas costas, mais uma década e uns anos. Como eu ainda não deixei de ser aquela criança irresponsável? Eu reflito em meio ao céu escuro.
Pois as noites são todas minhas amigas, de batalhas, de paixões que se foram, de bebedeiras sem fim, de viciosos jogos com ninfas e belas criaturas da floresta. É. Eu acho que o Ryan ficaria furioso se soubesse metade das coisas que faço em seu território.
Mas sim, eu vivo e viverei muito tempo, caçando a única coisa que me mantém firme: lutas, guerras, batalhas.
Olho para o lado na varanda daquela base da praia. Lothos nos mandou para cá porque as criaturas estão se agitando de novo.
E pode parecer taradice minha, mas sempre me senti atraído pelas harpias. Algumas delas falam, outras são mais quietas, raríssimas se dispõem a falar com humanos. Só que dos tempos antigos para cá elas se tornaram realmente bonitas.
Mas claro, são bonitas apenas para olhar (hehehe).
Mas sim, eu me aventuro pela noite como um morcego em busca de comida. Porém, hoje em especial, eu fiquei sentado aqui olhando para o nada como um idiota.
Eu sou um idiota mesmo.
As crianças estão dormindo. Os jovens andando pela areia.
E eu deixei de prestar atenção no que Lass dizia ao meu lado.
Eu não havia dito? Lass resolveu falar comigo pelo menos um pouco.
O albino sempre me repreendeu por minhas atitudes irresponsáveis, ao lado de Ronan, que para mim é certinho demais. Aquele Erudon realmente me irrita.
Só que agora, Lass estava me olhando quieto e eu me desviei da agitação das águas para realmente prestar atenção naquela criança. A única palavra que ouvi em toda a sua rara falação era “Lupus”.
“O que tem o Lupus...?”
“Você não estava me ouvindo não é?” suspirou o albino estendendo os pés para tocar a areia.
A noite está quente.
“Não.”
Acredito que ele gostaria de me usar como alvo para suas adagas nesse momento.
“Esqueça. Diga o que estava pensando... Você não pensa normalmente, então fiquei curioso.”
“E você está falante. Mas o que você não sabe, pirralho, é que eu penso todo o momento, apenas não saio por aí falando como se fosse a Arme”.
Lass suprimiu uma leve risada.
“E o Dio? Você já pegou aquele colar que eu pedi com ele?”
Fiz uma careta. Não me lembro de ter ouvido Lass pedir algo a mim.
“Hm, você devia estra bêbado de novo.”
E eu ri. Elesis passou por mim junto com Mari e logo atrás vinha o indesejável Dio. E sim, eu realmente sou terrível para a Grand Chase, sempre causando problemas e discussões.
Dizem que eu me tornei um cara muito arrogante e irritante, ainda mais, depois que entramos nessa época de patrulha.
Contudo, ultimamente, eu estou liberando raiva pelos poros. O motivo principal é meu tédio. O segundo é o Dio.
Nessa semana ele me ignorou em todas as provocações e para contribuir com todo o meu tédio, minhas mãos coçavam para agarrar a espada e meter no estômago de algum monstro ou no Dio, ele ficou muito próximo de Lupus ultimamente.
“SIEGHART!”
Olhei para Lass metendo um soco em sua cabeça.
“Cale a boca, não vê que eu tô ocupado?!”
Lass resmungou um “Não” meio vermelho. Por Lisnar! Como ele é shota! Mas tudo bem, eu levanto o olhar para a figura que ao invés de seguir Mari, ficou parado ali olhando a paisagem como nós.
O cabelo cresceu. E seus olhos ficaram tão agressivos que mal o reconheço.
Chego a ter minhas dúvidas sobre derrotá-lo. Só que esses pensamentos mantenho guardados em minha mente.
Ele olhou de canto e bufou. ISSO É UMA PROVOCAÇÃO NÃO É?! Ranjo os dentes com fúria. Vou matá-lo com certeza.
Só sua visão de corpo inteiro já é suficiente para me encher.
Eu estou tão cansado dessa monotonia que quero quebrar aqueles dentes brancos e pontiagudos.
Como um demônio pode ser belo? Eu sempre me perguntei. Rey e Dio, asmodianos, demônios basicamente, responsáveis pela destruição, adoradores dos pecados, de valores ilógicos.
Como eles conseguem ser tão atraentes?
Acho que nem o meu orgulho consegue vencer do egocentrismo daquela Rey. Penso enojado com tanta mesquinhez da garota.
Se ela se tocasse que é só uma velhota também.
“Mas tá impossível de falar com você, Sieghart. Porque está mostrando a língua para o nada?! Sentiu o cheiro de peixe morto?!” Reclamava Lass se levantando e dando até mais para Dio.
Pov’s Normal
“Quando foi que ficaram amigos?”
Dio revirou os olhos levemente para o moreno sentado. Sieghart estava o olhando como um predador faminto.
“Você está agitado, humano.”
“Não fale assim como se não estivéssemos no mesmo grupo há vários meses.”
“Hunf. Você está irritado, verme.”
Sieghart realmente não estava com paciência. Ele se levantou.
“E o que mais?... Já tentou descobrir?” Desafiou com os braços cruzados.
Dio se virou levemente. Estava usando apenas uma camisa branca larga e uma bermuda roxa e preta.
Eles estavam em meio a uma temperatura elevadíssima, mesmo às 8 da noite. As meninas estavam deitadas na areia ou andando para dentro da água salgada e cheirosa do mar.
“O que mais então? Com raiva? Com ódio?”
Sieghart sorriu de irritação. Ele estava furioso. Ele quando ficava entediado e as pessoas o irritavam ele tinha um sério defeito de xingá-las e enxotá-las.
“Tédio. Vamos lutar.”
“Porque tédio? Não é capaz de aproveitar um único dia em paz? Te repudio, Imortal.”
Sieghart soltou um resmungo demonstrando que se ofendeu. Como um ser como aquele a sua frente tinha coragem de falar em paz?
Antes que pudesse rebater a educação, Dio continuou com sua voz grave e nesse minuto, calmo.
“Você é o único por aqui que se irrita em ver as pessoas em paz. A paz te incomoda? Você é tão repudiável como Astaroth.”
Sieghart desferiu um soco que foi segurado por Dio, que já previa a explosão de Sieghart.
“Não me compare com aquela criatura. E não é a paz que me irrita.”
“Verdade mesmo?”
Sieghart por um instante ficou sem saber o que dizer com aquele olhar arroxeado penetrando seus olhos prateados.
Os dois estavam quase se estraçalhando pelo olhar. Não é que Dio estivesse à vontade com aquele povo de Ernas.
Ele adorava ação. Mas porque hoje parecia não haver nada que atrapalhasse seu descanso interior? Para ser honesto, ele tinha passado a semana inteira testando a si mesmo, controlando-se para não cair nas brincadeirinhas de Sieghart na tentativa de lutarem.
“É. Não é a paz que me irrita. Eu vou falar a verdade pra você apenas para saber meus motivos.”
“Não que eu me interesse por eles, mas parece que está enlouquecendo ao guardar tais motivos com você. E pelo visto, não está nem um pouco disposto a falar sobre isso com alguém, pois todos eles provavelmente não o entenderão.”
“Oh, você está pronto para ser meu ‘ombro amigo’?” Zombou o imortal se apoiando no corrimão da base.
Era um tipo de chalé gigante, para descer na praia precisavam descer as escadas e para entrar no clima, tinham construído em bambu e madeira. Relaxante, mas o mosquitos irritavam.
Dio saiu do local, entrando dentro do chalé sob as vistas de Sieghart, curioso.
Voltou com um côco verde com um canudo. Ele já o tomava e se apoiou no corrimão também.
“Uma vez na eternidade, que seja. Eu também estou entediado.” Comentou o arroxeado com os olhos fechados e sugando a água branca.
Sieghart arregalou os olhos. Dio não precisava ouvir tudo o que tinha a dizer, ele passou uma semana inteira refletindo sobre seus feitos, sua vida e onde estava agora e por que.
Poucas vezes eles se acalmavam.
“Nós não paramos, Sieghart.”
Ouvir seu nome fez Sieghart se apoiar de volta e ficar olhando o grande oceano se estendendo no horizonte, misturando-se com o céu índigo.
Podiam ver na areia as meninas lutando para montar uma fogueira, que graças a Lire, foi acesa rápido, e elas cantavam, Ronan preparava alguns espetinhos de carne e marshmallow, Ryan ria com elas. Lass e Lupus estavam sentados longe conversando sobre algo enquanto observavam suas armas. E os dois estavam ali.
Rey era uma das que não se alegravam muito, mas ela chegava a se juntar nas cantorias e brincadeiras apenas para descontrair.
Eles tinham se tocado que em Ernas eles não precisavam esconder seus sentimentos e emoções.
Mas quando estivessem em Elyos, isso teria que mudar. Outro motivo para que Dio tenha se colocado no lugar de um reles humano e parado.
“Não paramos?”
“Eles-” Apontou para a turma da fogueira. “-Param”.
Sieghart não pareceu entender e ele não conseguia reconhecer naquela pessoa o Dio que estava acostumado.
“Nós vamos continuar por um bom tempo, sem pensar. Nós vamos lutar por incontáveis eras. Então acho necessário parar como eles uma vez. Ou podemos perder a razão.” Ele falou com uma tranquilidade sem fim.
Sieghart abaixou os olhos. Ele tinha perdido a razão há muito tempo.
“Eu não tenho como voltar no tempo e mudar as minhas escolhas, Dio. Isso é o que chamamos de traçar nosso caminho ou tecer nosso destino.”
“Então porque você continua errando?”
Sieghart riu de canto, olhando para Zero, que chegava agora um pouco vermelho e com a Grandark nas costas.
“Zero! Você não estava em uma missão em Ellia...?” Perguntou Holy acenando para o recém-chegado.
“Estava, mas já voltei e Lothos pediu que eu viesse para cá.”
“Ele está falante não é?” Comentou Dio.
“Mais do que o Lass.” Respondeu o moreno roubando o côco de Dio.
“Ora seu!”
“Relaxe, você não vai morrer por isso.” Debochou Sieghart satisfeito por ter tirado uma carranca do rosto ex-calmo do asmodiano.
“Continua errando.” Resmungou o asmodiano ignorando a fruta que Sieghart estendeu de volta.
Sieghart apertou os olhos. Ele errava sim, dia e noite. Mais a noite, pois nessas horas a maioria do mundo estava dormindo.
A escuridão existia em sua alma, aquela que o controlava em uns momentos. O poder dos deuses podia um dia corrompê-lo também.
“E vou errar pra todo o sempre até que esse mundo desapareça.”
Dio levantou a cabeça para o moreno. Ele parecia desejar mesmo isso.
“Você deseja morrer?”
“Não. Eu sou muito mais que isso, para simplesmente morrer. Mas eu quero que o mundo me recompense por essa desgraça. E você faz parte dela.”
“Então você está mesmo entediado...” Riu-se Dio.
“E eu estou prestes a quebrar você. Pare de dar uma de bonzinho, não é sua cara.”
“Lutar comigo é entediante também?”
Sieghart pensou um pouco. Sim, muito. Ele queria derrotá-lo, mas Dio não morreria tão facilmente. Mas se ele o derrotasse tão facilmente, não encontraria outro alguém tão forte como ele que fosse digno de ser seu rival.
Em outras palavras, ele estava fadado a ter poucos momentos de lutas maravilhosas, sua sede de sangue saciada e no fim... Voltaria ao tédio.
Porque heróis são assim. São vitoriosos e quase invencíveis. Eles sempre são pegos pelo tédio.
Um aventureiro nunca deixa de ser aventureiro enquanto ainda houver lugares a qual explorar.
Um espadachim nunca deixa de lutar enquanto existir um espadachim com quem duelar.
Sieghart desistiu de procurar outro objetivo.
“Não. Porque poderia ser pior.”
“Que otimista.” Dio sibilou com um sarcasmo irritado.
“Você é um demônio, deve entender. Nós nos viciamos nas coisas erradas para esquecer que não temos mais nada pra fazer. O meu espírito está ativo, mas meu corpo se cansa fácil. Eu não vejo graça mais em nada. Não tem como sorrir de verdade olhando para as pessoas estando felizes e depois vê-las chorarem. Eu sei qual é o fim da história.”
“O fim da história.” Repetiu Dio pensando.
“Não há o que me dê prazer mais nesse mundo. Eu sou forte, eles são fracos. Os que são ligeiramente mais fortes que eu não estão dispostos a viver lutando comigo, pois também tem um fim um dia. Mesmo que ele demore demais.”
Dio bufou para a brisa suave. Quanto tempo? Estavam correndo as horas e eles pararam uns segundos.
Sieghart era um humano idiota, como os outros.
“E porque não tem graça?”
Sieghart se sentou no chão, balançando o côco nas mãos, de um lado para o outro tentando fazer malabarismo.
“Eu não tenho mais nada aqui. Eu sou um morto-vivo caminhando entre essas almas. Acho que é isso, não tenho mais uma alma.”
“Alma. Nós não acreditamos que fazer o bem vai salvar nossas almas. Nós vamos sempre pegar o trem para o inferno. Tenha os bilhetes pagos e vamos para onde quiser, desde que seja por lá.”
Sieghart quase riu. Era engraçado como Dio falava do fim com tanta insensibilidade.
“Esqueceu que eu não vou para lá? Pode ir sem mim, desde que eu pague sua passagem de graça.”
Dio o olhou, estava misterioso.
Hoje essa noite vai acompanha-lo em mais um de seus erros? A luz quase está piscando em seus olhos, sedutora.
“E a bebida?”
“Eu já não fico mais bêbado. Acho que meu sangue já foi infectado pelo álcool e meu coração tem infartos constantes. Por isso a única coisa que me acompanha é a dor, ela me faz lembrar que estou vivendo mesmo estando morto.”
“...”
Sieghart jogou o côco na praia, Elesis, Ryan e Lire o xingaram como sempre, mas ele mal ouvia os escandalosos. Seus olhos fecharam e Dio ao seu lado pensou em tudo o que estava encalacrado em sua mente há muito tempo.
“Estou morto. E as lutas são as únicas coisas que me deixam um pouco mais satisfeito por anos que parecem segundos se apagando.”
Sieghart tinha a linha da boca fina. Ele sofria de uma depressão terrível, as dores e consequências.
“Eu não quero ver eles mais. Só que eu preciso deles.”
E Dio arregalou os olhos. Sieghart, o poderoso escolhido dos deuses demonstrando suas fraquezas?
“E nem a merda das cervejas, álcool ou drogas, nem mesmo as mais belas mulheres, me fazem sentir algo mais. Nem as mulheres... E eu era apaixonado por elas, totalmente viciado nelas.”
Sieghart riu tentando se lembrar. Quantas mulheres haviam o conhecido.
Não que tivessem visto algo, seu corpo, ou seu rosto perfeitamente. Sua verdadeira mulher morreu depois de muito tempo, ele havia desaparecido e ele pensou que poderia ter descendentes, mas não estava interessado na família.
Dio ficou observando o moreno quieto. Ele estava divagando longe.
Basta conhecer seu inimigo e você saberá usar a peça certa para derrubá-lo.
“E nenhuma mulher vai me dar o que quero. Nenhum homem vai saber dar o que eu realmente quero e nenhuma outra criatura das que já existem. Eu não aguento mais essa era.”
Então Dio se virou para sair dali. Não precisava ouvir mais os desabafos de um imortal incorrigível.
Ele só possuía um desejo: Derrotá-lo.
E ele continuaria a ser o rival de Sieghart, ele tinha aquele objetivo. Ele também tinha um fim e não poderia enfiar algum raciocínio lógico na cabeça de Sieghart.
Pois o famoso gladiador estava nessa por muito tempo, não tinha volta, não tinha recuperação.
“Então nós vamos beber.” Falou tocando o pé na soleira da porta, antes de entrar.
Sieghart abriu os olhos levemente sem entender.
Dio o olhou fundo com seus olhos mais agressivos.
“Nós vamos lutar amanhã. E depois vamos fingir que estamos satisfeitos nesse lugar. Essa era chegou em seu tempo de paz, querendo ou não, conviva com isso. Você terá que esperar um longo tempo e então eu vou voltar para te mandar para o Hades.”
Sieghart ficou fitando-o incomodado com o olhar expressivo de Dio. Desde quando ele tinha se tornado tão imponente?
“Pode tentar. Eu adoraria ir pra lá.” Sorriu zombeteiro.
E enfim o asmodiano pegou Sieghart pelo colarinho da regata preta e o arrastou para dentro do chalé mágico, invenção de Arme e Mari.
XXXX
O rosto de Sieghart estava vermelho. 10 horas da noite. Ele sentia uma tontura.
“Não fica bêbado? Mentiroso.”
“Pra você isso é motivo de orgulho, então sinta-se feliz por mim, asmodiano feio.”
Dio bebeu uma cerveja inteira.
“PUTA QUE PARIU! PORQUE SÓ TEM CERVEJA NESSA MERDA?!”
Sieghart berrou furioso, cerveja era muito fraca e amarga. Ele precisava de alguma coisa cortante, com gosto vivo.
“Nessa hora eu poderia beber uma caneca de sangue que serviria.”
“Nojento.” Se enojou o asmodiano.
Os dois se encontravam no quarto do imortal, pois teve a sorte de pegar o quarto com sacada. Estavam acompanhados de um isopor gigantesco de cerveja. Os dois desanimados.
“Que droga! Droga!”
“Isso não vai me deixar bêbado nem que eu tome uma tonelada de latinhas.” Esbravejou Dio.
“Que inferno, desgraça, maldição e num sei mais o que! Ernasis se estiver me ouvindo, mande uma geladeira cheia de bebidas álcoolicas fortes para um guerreador como eu!”
Segundos depois...
“Ela deve estar dormindo.”
Dio não conseguiu conter um risinho de escárnio. Mas estava calor mesmo, diferente do dia em que Lupus acabou com o Lass. Nossa! O albino voltou destruído, quebrado e quase como um cadáver.
“Que calor...” Sieghart se abanou e tirou a regata.
“Não precisa dizer o que já sei.”
Dio resmungou bravo. Ele já estava sem a blusa branca um tempo.
O asmodiano estava esparramado na cama grande e macia, bem a cara de Sieghart, e o imortal jogado no chão com a cabeça apoiada na cama.
“A bebidas asmodianas são bem mais efetivas. Ei, verme, não durma.”
Sieghart o encarou tempestuoso.
“Cala a boca, chama o Alfred e manda ele trazer essas tais bebidas asmodianas então!”
Dio não pensou duas vezes e em dois segundos o mordomo apareceu. O asmodiano lhe deu a ordem e demorou pouco tempo, só que antes, Alfred ainda tentou argumentar com o mestre.
“Jovem príncipe, não acha que está exagerando? Essa quantidade pode ser prejudicial.”
“Está tudo bem. Eu não vou beber sozinho.”
Alfred suspirou um segundo preocupado, ele teria que se responsabilizar por seu mestre se esse passasse dos limites, o que já era esperado.
Enquanto falavam, Sieghart observava Dio, já segurando uma das garrafas asmodianas, chifres envolvendo o vidro resistente, um cheiro forte e desconhecido, mas que causava um efeito gostoso na pele.
Sieghart destampou a rolha e cheirou o conteúdo, envolvido pela sensação inebriante. Era dos bons. Se conseguiu deixá-lo satisfeito apenas pelo cheiro, imagine aquilo fazendo borbulhações no estômago.
Sieghart sentiu um arrepio de prazer. Sentiria dor com aquilo em suas entranhas. Mas ele ultimamente adorava sentir dor. Ele gostava do cheiro do sangue, da violência, das mutilações.
Graças às essas sensações sem piedade ele conseguia manipular a Fúria de uma forma ainda melhor. Ele precisava conhecer o ponto mais escuro de sua mente e seu corpo. Conviver com a dor, sentí-la tocar no ponto mais distante até a loucura e ele estaria além da compreensão humana.
Dio desviou-se de onde Alfred estava quando desapareceu e viu Sieghart com a garrafa virada em sua boca, ele estendendo as pernas pelo chão, todo o líquido rasgando sua garganta, os fios vermelhos da bebida escapando de sua boca e caindo por seu queixo. Pingava no chão.
“Começou sem mim?”
Sieghart não o respondeu, concentrado em apreciar o gosto que causava espasmos em seus músculos retesados. Ele relaxava e sentia tudo em volta parecer mais tolerável. A irritação parecia se esvair.
Dio abriu uma para si e foi bebendo o quanto podia também. Ele já estava acostumado, mas não poderia deixar que Sieghart bebesse mais do que podia.
“Você não vai morrer se beber todas, mas vai ficar em coma um bom tempo, rindo feito idiota.”
“Rindo?” Sieghart pausou na segunda garrafa.
“Ela tem um efeito maravilhoso no corpo de qualquer criatura. Até as do seu tipo... Tira o estresse temporariamente. Agora beba.”
“O que quis dizer com “as do seu tipo” seu viado roxo?!”
Passou-se mais duas horas. 12 horas da noite. Haviam dezenas de garrafas jogadas no canto do quarto.
Sieghart se levantou correndo e se enfiou no banheiro. Dio estava com os olhos nublados e satisfeito, precisava usar o banheiro também.
Quando o imortal saiu, ele estava apenas com uma boxer preta. Eles estavam soltando álcool pelos poros, os rostos vermelhos, as bocas queimando com a acidez, a voz rouca e grave.
“Saia logo da frente.” Dio se aprontou, entrando logo porta adentro.
Sieghart saiu pela sacada, observando a praia lá embaixo.
Eles continuavam festejando? Contavam histórias e comiam sem parar as gororobas de Ronan e do Ryan.
Sieghart nem se tocou que estava seminu, mas continuou observando. Os rostos felizes.
“Falta só uma coisa.”
Dio apareceu, olhando para Sieghart e se aproximou.
“O que está fazendo aí? Se virem você vão te matar.”
“Cuide de seu nariz. O amanhã começa daqui uma hora. Então se prepare porque mesmo estando meio mole, eu vou acabar com a sua raça.” Sieghart sibilou meio grogue.
Dio deu de ombros e se jogou na cama de Sieghart.
“Estou duro. Nisso que dá uma noite agitada dessas...”
Sieghart riu. Não era novidade.
“Eu com isso? Se vira.”
“O que? Pra que você serve então? Pra que vou usar a mão sendo que tem outra pessoa pra me aliviar?”
Sieghart sentiu um arrepio horrível correr sua espinha. Ele bateu a porta da sacada e entrou furioso para dentro, agarrando mais uma garrafa.
“Faça sozinho. Eu não transo com homens.”
Dio mostrou um sorriso largo e sarcástico, tanto quanto demoníaco.
“Depois fala que está insatisfeito com tudo. Não tenta coisas novas, é óbvio que nunca vai se sentir bem.”
Dio coçou com a mão o peito e depois abriu o botão da bermuda, adentrando a mão direita. Sua garra não poderia fazer isso, óbvio.
Sieghart lhe deu uma expressão feia e se sentou na cama, observando a mão de Dio massagear o volume por cima da boxer arroxeada e adentrá-la, envolvendo seu membro.
Sieghart sentiu um incômodo no meio das pernas e uma quentura tomar suas bochechas.
Dio fazia de olhos abertos, a expressão normal. Apertou a base e retirou-o fora do tecido, começando um vai e vem lento, mas apertando-se com força.
“Sozinho é tão sem graça. Acho que entendo porque você cansou das garotas. Algumas vezes elas nos deixam fazendo sozinhos.”
Sieghart sentiu sua temperatura subir. Não daria certo. Para ser mais exato: um ativo com um ativo nunca dá certo.
Sieghart era masculino demais, Dio era também. Porém, Dio começou a fazer olhando diretamente para Sieghart.
“Vai ficar duro e não vai fazer nada? Tá parecendo um garotinha tímida, Sieghart.”
O moreno quase socou Dio por isso. Ele já estava bêbado. Estava com a visão turva e se excitou muito fácil.
“Desgraçado.”
Sieghart deixou-se derrotar, abaixando o tecido negro da boxer, envolvendo seu pênis rijo. Só que quando o fez, seus olhos instantaneamente fecharam.
Aproveitando-se disso, Dio se sentou e empurrou Sieghart na cama.
“M-MALDITO!”
“A culpa é sua. Você não é exatamente um homem completo.”
Verdade. Um corpo de 18 anos. Mente que parou aos 18 anos. Desejos que se consumiam no auge da juventude.
“E você é experiente com mulheres, não com homens.”
“E você é? Eu poderia chamar alguma garota aqui, como a Rey por exemplo e fazer ela gemer como um cachorra. Não pense que desconheço esse universo, eu sou mais velho que você.”
“Transar com homens mais velhos me deixa excitado.” Sorriu Dio apertando a mão de Sieghart sobre o membro.
Sieghart não conseguia soltar a mão com a força imposta de Dio sobre ela.
“Hm!”
“Quem disse que ia pegar a Rey e fazer ela gemer que nem cadela?” Sussurrou Dio no ouvido do moreno, apertando mais a carne exposta.
Com a ponta da garra do dedo indicador, Dio foi forçando a barra da boxer e consequentemente rasgando-a.
“Dio!” Sieghart tentou empurrá-lo, mas o asmodiano o desarmou movimentando a mão.
Sieghart encolheu as pernas, a cueca sendo partida e jogada ao chão.
Dio observou a expressão submissa de Sieghart, a pela clara avermelhada no rosto e ombros, ele devia estar profundamente envergonhado. Mas o arroxeado não ligava para essas coisas, ele era um demônio, tanto fazia se era homem ou mulher, desde que fosse bom e prazeroso.
Contudo, Sieghart se mostrou mais resistente do que todos os outros. Ele abriu os olhos agressivos, irritado com sua ousadia. Ele afastou a mão alheia e deu uma distância segura de Dio.
“Eu não estou afim.”
“Não quer porque sabe que vai ficar por baixo?”
“Você está brincando com a minha cara?!” Berrou o moreno furioso.
Dio riu de lado. Essa batalha estava ganha.
“Não preciso disso.”
“Mas está com vontade. Vai deixar a oportunidade passar assim? Você pode tentar ficar por cima, mas só se conseguir.”
Sieghart demonstrou raiva. Não estava para joguinhos sexuais. Nem estava com vontade de fazer com um cara, especialmente com o Dio, seu inimigo.
“Pare de ser cabeça-dura. Abra as pernas logo e você vai até esquecer que eu existo.”
“Isso seria perfeito.” Zombou Sieghart puxando um lençol.
Dio lambeu o lábio superior, Sieghart o olhou sem entender.
“Eu por acaso sou parecido com o jantar de vocês, asmodianos? Não faça essa cara pra mim, maldito.”
Dio levou os olhos a um curto passeio, a pele do pescoço, descendo lentamente, o peito pouco cheio, a pele lisa sem deformações, a barriga lisa, o umbigo perfeitamente redondo, o cheiro inocente de um bebê. Certamente foi uma paixão cometida por um deus.
Não tinha como os deuses deixarem aquela perfeição em olhos prateados e cabelos essencialmente negros ser levada para as profundezas do Submundo. Não. Ele era bom demais para sequer pisar na terra dos mortos.
Os detalhes de cada curva, o colo, os lábios, as coxas, os joelhos, a virilha, os pés e tudo mais que ele tivesse, era tão irritantemente sem defeitos que Dio apertou o punho.
Sua garra tremia. Era raiva? Era vontade de marcá-lo. Com unhas e mordidas. Com espinhos e correntes.
“Você não pode escapar de mim.”
Sieghart levantou os olhos buscando compreender a fala.
“Fique quieto. Eu não vou ficar aqui.” Se levantou buscando envolver o lençol no corpo. Dio agarrou seu braço com a mão esquerda da garra.
Seus dedos se apertaram na pele fofa, pressionando e perfurando-a quase que gentilmente. Sieghart não expressaria a dor facilmente por causa de sua arrogância. O filete vermelho desceu por seu braço e pingou em sua coxa.
“Eu até que gosto do jantar cru e sangrando. Eu insisto que você experimente.”
Sieghart não se atreveu a puxar o braço, ou teria um belo rasgo, ou até mesmo um pedaço do corpo faltando. O pessoal iria se assustar se soubessem que perdeu o braço por causa de Dio.
“Se me soltar, eu não vou precisar apelar.”
“Deixe de ser medroso, imortal. É fácil, deite-se e deixe que eu faço tudo se estiver com vergonha.”
Sieghart teve um acesso de raiva. O suficiente para conseguir se soltar de Dio apenas com sua energia concentrada.
“Não brinque assim. Eu vou ir dormir na praia.”
Dio viu o moreno vestindo a bermuda diretamente e a regata, saindo às pressas do quarto. Dio fechou a expressão, estava irritado.
Sieghart estava suando, descia as escadas com pressa e algo abatia seu peito. Mais uma convulsão? Mais um infarto?
“Dio filho da puta!”
“OLHA A BOCA POR AQUI, SIEGHART!” Foi o que ouviu antes de sentir uma cotovelada na nuca.
“Itte!”
Elesis o olhava com as mãos na cintura. Todos estavam reunidos na beira da varanda. Sieghart parou um pouco antes da porta quando Elesis estava entrando para pegar mais bebida.
“Se sair lá fora assim vai assustar todo mundo.” Avisou Elesis.
“Assim como?!” Sieghart se alterou profundamente irritado com tudo o que estava acontecendo.
“Comestível.”
Sieghart arqueou a sobrancelha.
“Me poupe, olhe-se no espelho. Parece que você vai ser comido por alguém.”
Sieghart avermelhou dos pés a cabeça.
“O QUE?!”
“Quero dizer... Você está tão vermelho, bêbado, irritadinho e ‘duro’. Vai assustar todo mundo.”
Sieghart olhou para baixo. MERDA.
O moreno voltou para os quartos ignorando os comentários pervertidos de Elesis. Ela era muito machona para falar assim, tão cru.
No caminho das escadas encontrou novamente Dio. Sieghart deu meia volta, mas dessa vez Dio o pegou pela camisa e o arrastou para seu quarto.
“NÃO!”
Dio praticamente o lançou contra a cama. E ao cair de cara no travesseiro, Sieghart tentou se virar, mas Dio era mais rápido.
Sua garra já tinha envolvido toda a nuca de Sieghart e o moreno paralisou, as mãos apertando a colcha preta.
“Eu vou mostrar porque é que os asmodianos não ligam de transar com homens.”
Sieghart mal teve tempo de conter qualquer som, mas a mão do maior apalpou uma das nádegas por cima da bermuda.
“Dio. Pára.”
Dio apertou as garras na pele macia da nuca envolvida pelos cabelos, mais um pouco, um corte e o cheiro de sangue ia começar a surgir.
“Não. Seja bonzinho e quem sabe eu vire você pra cima.”
Sieghart retesou os músculos das coxas. Dio brincou com os dedos, adentrando-os pela saída da perna na bermuda, acariciando a traseira das coxas brancas.
Seus joelhos estavam separados dos lados das panturrilhas de Sieghart. Sua mão apertou a carne bem perto da bunda livre do rapaz, fazendo-o morder o lábio e enfiar o rosto no travesseiro.
Sieghart segurou o gemido em sua garganta. Dio não media forças para machucar com seus agarres violentos, uma marca ficou visível embaixo do traseiro do gladiador no formato de sua mão.
Não demorou muito para que Dio se cansasse daquela bermuda atrapalhando seus movimentos e a abaixou com força, fazendo o botão arrebentar.
Sieghart mal conseguia pensar com a mente turva pelo álcool. Mas com certeza sua raiva por Dio era mais forte para mantê-lo acordado em tal situação. Ele não se deixaria dormir enquanto o asmodiano o violentava.
“SEU DESGRAÇADO, MALDITO, PARE OU VOCÊ VAI VER DO QUE EU SOU CAPAZ!”
Dio riu baixinho e das coxas seus dedos deslizaram para o meio das pernas de Sieghart, sendo inevitável o que viria em seguida.
“A-ah...”
Dio abaixou seu corpo o suficiente para roçar pelas costas de Sieghart. A maciez deixava sua pele arroxeada repletas de arrepios, o cheiro do imortal era indescritível, o deixava extasiado.
“Te matar será uma das coisas mais excitantes que farei nessa vida.” Comentou Dio afundando o nariz pelos fios negros, enquanto a garra arranhava bem de leve a área do pescoço, e sua outra mão tocava os testículos do moreno.
Sieghart estava praticamente esmagado pelo corpo de Dio. Ele por um momento se sentiu apavorado pelo que poderia acontecer, pela consequência disso após ter exposto suas fraquezas.
Mas o prazer que corria era, de fato, mais do que havia sentido alguma vez na vida.
Dio respirava levemente perto do ouvido do mais velho, os olhos prata se apertavam para se privar daquela situação.
Sieghart conseguiu mordeu o lábio tão forte a ponto de sangrar quando Dio passou o braço em torno de seu corpo, tocando seu tórax com a garra e a mão livre agarrou todo seu membro com violência.
“Nã-”
Dio começou a movimentar os dedos pela extensão firme. Sieghart era de seu tamanho, os dois pelos padrões humanos tinham 18 anos e eram coincidentemente “machos”, da mesma altura, com a mesma força, Sieghart perdia em peso por infelizmente não ser do tipo de guerreiro peso pesado, mas do tipo ágil. Agora Dio tinha o corpo formado, malhado, essencialmente forte e masculino, muito SEME mesmo.
Sieghart balançou a cabeça, mas foi incapaz de revidar as ações do maior.
A temperatura e a imposição do asmodiano sobrepunham suas necessidades e ultrapassavam os limites que Sieghart mesmo tinha se imposto.
“AH!”
Dio sorriu sussurrando baixo perto do rosto do moreno.
“Não grite tanto... Eles podem ouvir.”
Sieghart sabia que estava vermelho e entregue. Mas o que poderia fazer? Como o próprio Dio havia dito, ele não sabia aproveitar as oportunidades que apareciam. Ele era “dos tempos antigos”, ele era mesmo um “quadrado” e tinha preconceito e medo.
Mas se estava tão bom, porque lutar contra? Bem, Dio poderia estar fazendo para simplesmente irritá-lo, usar como uma arma no futuro.
“Você tem que se concentrar. Eu só quero prazer também... Não pense que isso também não mancha a minha reputação.”
Sieghart rosnou junto com um gemido enquanto Dio forçava o membro até o imortal despejar o orgasmo.
O moreno arfou uns segundos... Ele nunca havia tido um orgasmo enquanto estava profundamente irritado, não era uma das sensações que conhecia, mas era algo terrivelmente incômodo apesar de ser bom.
“Se mancha a sua reputação, porque insiste tanto?! Eu já disse que não quero!”
Sieghart fechou os olhos quando sentiu o baque de suas costas contra o colchão. Dio o tinha virado para cima, mas desta posição o imortal conseguiu enxergar o que estava havendo ali.
“Se conseguir tirar ‘isso’ de mim apenas com a mão, eu paro.”
Sieghart engoliu em seco. Ele tinha muitas dúvidas, muitas dúvidas MESMO. Ele uma vez se envolveu com uma asmodiana... Foi em meio à guerra, mas ela não queria estar ali, ela traiu o grupo e se juntou aos que se opunham, e ela se deitou com Sieghart (afastar o estresse da batalha uahaha).
O moreno nunca esqueceria o quão difícil era satisfazer uma mulher daquela raça. Ele tremeu... Imaginava como seriam os asmodiaNOS.
“No que está pensando? Quer que eu passe essa parte e termine com você de uma vez sem preparação nenhuma?”
“P-PREPARAÇÃO?!”
Dio não conseguiu não dar um soco na cara de Sieghart, ficando uma marca gigante e vermelha na bochecha esquerda (Se a mão sem garra é a direita e eles estão frente a frente, a bochecha acertada é a esquerda).
“Dio, prepare-se para entrar no caixão...” Resmungou Sieghart.
Antes que o imortal tivesse tempo pra se recuperar do baque, ele sentiu algo úmido em sua boca, o cheiro forte e a respiração ofegante de Dio.
Sieghart abriu os olhos minimamente, vendo Dio envolvendo seu corpo possessivamente e o beijando com força, mas suavemente.
Ao mesmo tempo em que o imortal levava as mãos aos ombros do mais novo para afastá-lo, Dio o apertava com mais força, quase esmagando sua cintura, introduzindo a língua dentro de sua boca.
Sieghart não conteve a mordida. Ele precisava dá-la. Era apavorante estar desse jeito com o Leviatã.
Dio, ao contrário do que pensou, deu um sorriso malicioso e expôs a língua pra fora, uma marquinha de sangue nela aparecendo. Ele se inclinou até a orelha de Sieghart, impondo-se.
Os dois estavam praticamente provando suas forças, mas Sieghart estava perdendo. Dio alcançou sua orelha e prendeu-a nos dentes, lambendo-a.
“H-m! M-Me solta!”
O quadril do rapaz esfregou-se no seu provocando-o. Dio era um filho da puta, brincando com ele assim.
“Seu...”
Dio riu baixo, a risada tipicamente demoníaca. Sua garra apertou-se no peito de Sieghart, afastando-se.
O asmodiano observou de cima a posição de Sieghart. Submisso. Excitado. Tenso. Raivoso. Apetitoso.
Dio não conseguia conter sua fúria jovial. Estava com os hormônios à flor da pele, apenas olhando o rosto envergonhado, o movimento das pernas para se defender, os braços tentando se movimentar em busca de alguma saída.
Sieghart era de todas as formas aquilo que todos queriam. Não só por sua aparência. Suas reações eram provocantes. Ele tinha ímpetos inocentes também, apesar de ser claramente um homem.
Sabendo disso, Dio sentiu um alívio tomar conta de seu corpo. Ele não precisava se preocupar com nada. Se Sieghart não quisesse que acontecesse, ele o pararia.
O asmodiano avançou passando a garra lentamente pelo peito, descendo em direção ao abdômen. Sieghart segurou o ar para que nenhuma das garras machucasse seu corpo, porém, Dio sentindo-o recuar com a força, forçou mais os dedos, deixando cinco finas linhas brancas que avermelharam após terem passado.
Sieghart rangeu os dentes de raiva. Quanto mais resistia, mais o maldito o forçava e quando deixava de lutar, o maldito o obrigava a resistir.
“Você está marcando nossos dias de guerra.” –sibilou olhando severamente para o maior.
Dio deu de ombros e aproximou da boca de Sieghart e lambendo o lábio superior, prendendo-o nos dentes, chupando-o um segundo. Sieghart estava com os mamilos eriçados e não era necessário olhar para saber que já estava ereto.
O membro de Dio roçava no seu ao tempo que investia a língua dentro de sua boca e retirava, privando-os de longos e satisfatórios beijos, pois sempre que começavam, acabava virando uma guerra pelo domínio, e Dio não queria arriscar perder o domínio, pelo menos não dessa vez.
“Sieghart, eu com certeza vou matá-lo.”
“Como se isso importasse agora.” Pensava irritado com tudo.
Dio envolveu as costas de Sieghart e o trouxe ao colo, tirando um gemido reprovador do moreno. Sieghart não estava nada feliz, mas ao mesmo tempo estava entre o prazer e o ódio.
O que poderia fazer? Dio ia arrancar um órgão seu fora se tentasse fugir. Ele não poderia implorar ou se humilhar batendo punheta pro asmodiano. Nunca!
“Ora, você continua pensando besteiras?”
“CALE A BOCA!”
Dio riu longamente, mal se importando de fazer Sieghart gritar ali pra alguém aparecer. As mãos do moreno se fecharam em seus ombros roxos claros, apertando-os quase a ponto de torna-los pó.
O brilho nos olhos do maior faziam os seus se prenderem de forma irresistível. Sieghart erroneamente acreditava que olhando-o nos olhos conseguiria superá-lo e acabar com tudo, mas foi o contrário. Foi como se tudo em volta adormecesse, os olhos normalmente afilados de Dio pareceram estranhamente relaxados, para um asmodiano, e sua cor era viva, tranquila, faiscante, mas contida.
Ele não estava nem forçando. Sieghart deixou seus dedos desfazerem o contato rude e parou um segundo.
Era isso que ele queria dizer? Não só parar um pouco na vida para observar, mas parar um pouco com seu espírito guerreador? Ele era teimoso, cabeça-dura e sempre cheio de energia. Mas quando ficava com tédio...
Ele respirou fundo. Deixou os braços caírem do lado do corpo, suas mãos lentamente resvalando pela pele do rapaz.
-Tudo bem. Eu realmente não quero, Dio. Me solta... Por... Por favor.
Dava pra ver que ele estava suando pra dizer.
Dio suspirou, fitando-o cada vez mais profundamente. Parecia realmente decepcionado.
-Hm, se você não falar sério comigo não vai conseguir se safar... Então quanto mais fizer essa cara de uke, mais eu vou te prender aqui.
Um calo saltou na testa de Sieghart e pronto pra dar uma murrada no asmodiano, Dio o agarrou com força, segurando os lados de sua cabeça enquanto forçava um beijo verdadeiramente longo, molhado e erótico.
Sieghart perdeu o ar logo no começo, tentando explicar mentalmente o porquê daquilo estar acontecendo tão repentinamente.
A língua de Dio se encontrou com a sua fora da boca, fazendo com que o imortal percebesse que estava gostando e cedendo. Contudo... Quanto mais lutasse, mais se afundaria. E mesmo Sieghart nunca fugia de uma luta, nem nessa.
Os braços brancos envolveram as costas do maior. Era estranho estar sobre o colo do “príncipe das trevas”, o fazia se sentir muito mal ainda que fosse prazeroso com o passar dos minutos.
“Desde quando eu comecei a reagir a isso?” Pensava já entregue a boa sensação que era estar ali.
Seu corpo estava abrigado no asmodiano, sua boca e seu espírito quentes e calmos. Parecia tudo estar indo mais lentamente, ao seu tempo, com carinho e respeito, mesmo estas características serem brutas e apressadas nos padrões asmodianos.
Mas de alguma forma, Sieghart as sentia e se sentia bem. Se sentia menos entediado. Se sentia um pouco mais amado.
Uma companhia que ultrapassaria os outros. É... Dio tinha grandes chances de ser seu maior companheiro e rival, por muito tempo, o que provavelmente conseguiria chegar mais perto de alcançar a eternidade em Ernas.
Quando a vida finalmente acabasse, Sieghart seria levado pra junto dos deuses, ou ainda, dependendo de seus desejos, mandado para outros universos, mandado para o Hades junto dos outros.
Realmente não sabia. Mas até aí, o que mais importava que nessa era, nesse mesmo segundo, ele estava esparramado em uma cama desfrutando de mais um das virtudes dos asmodianos.
Luxúria.
“Ahhnn... A-Ah-Nhh...”
Seu membro era agarrado com tanta força que acreditava que quando ele soltasse o canal, o orgasmo iria espirrar.
Sua mão empalidecida cobria sua boca enquanto sua expressão ruborizada mostrava os olhos carentes e invertidos em prazer. Dio era o mestre dos pecados.
“Sieghart, olhe.”
Sieghart desviou os olhos. Não precisava acatar os desejos dele. Estava todo encolhido, suas pernas grossas, apesar de macias e roliças, flexionadas, seus dedos dos pés estavam forçando o colchão, suas coxas rentes a cintura máscula do asmodiano.
Sieghart conteve um engasgo ao se dar conta. Uma das mãos grandes do arroxeado massageavam entre suas pernas, nos testículos, envolvendo-os e puxando-os, levando os dedos algumas vezes até o ânus avermelhado.
Os olhos afilados de Dio não se distraíam da bela cena, nunca. Sieghart apertou seus olhos gordos, fazendo seu rosto pender para o lado.
Dio, passou uma mão pela lateral do pescoço, afastando os fios que caíam já úmidos. Ele se aproximou, masturbando-se junto com o moreno. Sua boca emparelhada ao ouvido do menor.
“Você está muito nervoso, acalme-se.”
“Como vou me acalmar desse jeito?” Resmungou em sussurros tentando controlar o nervosismo das pernas.
Dio ainda segurava sua saída, não queria que ele soltasse agora, mas Sieghart estava ficando impaciente e incapaz disso. Se remexia sem perceber e o desejo começava a subir-lhe a cabeça.
“V-Você queria tanto, agora termine l-logo. Eu não preciso ficar aguentando sua enrolação.”
Dio riu sarcástico, forçando o moreno a se calar com um dedo pressionando o canal.
“Enrolação. Tudo bem, eu terminarei o mais rápido possível com você. De costas.”
Sieghart puxou um travesseiro interpondo-o entre os dois.
“Não.”
Dio tirou o travesseiro com violência e agarrou a nuca de Sieghart com uma mão, puxando-o para o meio de suas pernas. Sieghart avermelhou novamente. Ele não sabia como Dio conseguia tirá-lo de seu estado normal.
Era diferente “delas”. Ele sentia-se muito envergonhado por estar fazendo isso.
“Pare de demorar então, não temos a noite inteira. Estamos aqui há uns quinze minutos e nem nos beijamos direito.”
Sieghart deixou que a franja cobrisse seu rosto envergonhado. Estava perdendo as palavras, Dio era muito mais cru que Elesis, porque era sexualmente um macho.
Ele não gostava de estar submisso, mas não teve outra escolha pois Dio forçou sua cabeça contra seu membro.
Sieghart sentiu a glande tocar seus lábios e a temperatura esquentou sua boca, estava sentindo a saliva aumentar. Que diabos...
Ele entreabriu os lábios e devagar sua boca envolvia-o, depois soltava-o. A sua mente reproduzia aquele movimento e toda vez que chegava na base, Sieghart sentia sua própria saliva adentrando a boca novamente, a pele eriçada e enrugada tocava suas bochechas internas, sua língua serpenteava em volta e o sabor era carnal e vívido.
Dio sentiu que finalmente tudo daria certo.
“Ahh... Sieg.”
Sieghart pôs suas mãos em volta do membro, sentia os dedos de Dio afastarem seus fios de cabelo, agarravam-se quase no couro cabeludo e o prendia ali. O moreno afundou-se nas pernas de Dio, chupando-o com uma vontade enlouquecida, sua saliva escorria e o calor em sua própria virilha aumentava, fazendo-o se remexer por cima do colchão, tentando esfregá-la.
Seus olhos estavam bem cerrados, impossíveis de se ver a cor prateada. Dio achava desperdício, mas o prazer que sentia era comparável ao do menor, porque na coloração do rosto e nas ações, podia ver que Sieghart era como ele.
Doce, solitário e desejoso.
As coxas de Dio fecharam-se um pouco ao sentir o orgasmo, ele não fechou os olhos como queria. Ele observou, Sieghart se engasgou e deixou que quase metade expelisse para fora de sua boca. O líquido esbranquiçado escorria por seu queixo, grudento, pelo rosto suado e corado.
Dio encarou Sieghart com intensidade. Os olhos enevoados dos dois indicavam que não havia muitas coisas que quisessem fazer além de se juntarem naquela hora e se satisfazerem.
Foi quando ouviram um som de relógio.
Foi rápido e durou um segundo. Sieghart olhou para um despertador ao longe, em cima de uma escrivaninha: 1:00pm. Ele juntou as sobrancelhas e resmungou: “Foda-se”.
Virou-se para o asmodiano e se inclinou até estar à altura. Envolveu o pescoço do rapaz e juntos seus rostos, seu nariz encostado ao nariz do arroxeado.
Eles ficaram assim, Sieghart estava de olhos fechados outra vez. Estava exausto.
“Vamos...”
Dio colocou a mão na cintura magra, apoiando-o e o abaixando. Com a outra posicionou o membro e foi lento a partir daí.
Sieghart esticou a cabeça para trás uns segundos e gemeu alto. Sua boca abriu-se e dela saiu sons bem indescritíveis.
O membro desaparecia entre as nádegas do mais velho, havia um arrombo se formando, Sieghart não conteve as lágrimas de escorrerem, mas não gritou.
Ele já havia sentido dores muito mais gratificantes, ainda que aquela fosse nova. Seu canal se abria forçadamente e por um grande momento provou da sensação amarga e incômoda.
Era difícil manusear o sexo entre homens. Ele tinha que rebolar por cima do maior, seu membro pedia atenção, sua boca salivava muito e suas lágrimas se misturavam aos gemidos. Era totalmente descontrolado e sem fundamento. Por que era tão bom então?
Seria por causa do rosto de Dio apoiado em seu ombro ou seus braços tomando suas costas? Ou a respiração ofegante dele mostrando que estava se contendo para não machucá-lo ainda mais?
Sieghart apertou os fios de cabelo roxos, rangendo os dentes ao sentir-se invadido inteiro. Estava arranhando e por enquanto não havia nenhum sinal de momento bom. Uma de suas vontades era questionar em que parte disso era bom o sexo entre homens. Outra delas era permanecer assim por um bom tempo... Por que sem perceber, aquilo parecia durar pouco, mas na realidade durava extensos minutos.
Poucos minutos que ele podia se distrair. Ele gemeu novamente sentindo uma leve movimentação em seu interior.
Tudo parecia se encaminhar para um extenso e forte sexo. Sieghart tentou se distrair nesse tempo de todas as maneiras, com beijos quentes, agarros, chupões. E como sempre, aquela coisa violenta parecia cada vez mais amorosa e leve.
Um agarro em sua coxa e um beliscão em sua nádega. Ele gemeu e pediu mais, não sabendo porque sentir aquilo com “ele” era tão gostoso.
Foi uma mordida e o entrelaçar de seus dedos, seus quadris se movimentando tão rápido que Sieghart perdia o compasso da respiração, seu coração acelerado podia ser ouvido em todas as partes de seu corpo.
Dio o fitava com a expressão que ele nunca conseguiu decifrar. Aquilo devia ser o que os asmodianos possuíam escondidos em seu canto mais escuro da mente. Aquilo que era característico dos humanos, mas que não pode ser mostrado por ser considerado a pior das fraquezas.
Foi aí que Sieghart sorriu, mas sorriu alegremente. Seus olhos estavam expressando um alívio enorme. Seus corpos ficaram embalados juntos, o som do mar se movimentava junto com eles e com suas respirações.
Era lento, calmo, tranquilo. Ainda que violento, cheio de paixão e desejo.
Acima de tudo, intenso. Tocava os dois no íntimo. Dio percebeu quando estava há muito tempo sobre Sieghart apenas se esfregando com ele, quase sem estocar direito, apenas ali com ele, mas os satisfazia.
Sieghart não estava com tanto sono, as bebidas perderam seu efeito quando notou que a cama não fazia barulho.
Eles suavam, seus cabelos se juntavam, suas bocas se grudavam e desgrudavam, seus ofegos e gemidos baixos o faziam se concentrar nos toques das peles.
As coxas de Sieghart umedeciam a cintura de Dio e os braços deste apoiavam a nuca deitada de Sieghart, que envolvia os ombros do maior por trás. Estavam meio encolhidos, mesmo com o calor.
E sem quererem atrapalhar o único bom momento entre si, seus olhos cansados se fitavam uma vez ou outra, tentando se comunicar. Dio percebia que Sieghart nem pensava mais. Ele também não.
Seria ótimo se a eternidade fosse assim não é? Igual as ondas do mar, sempre diferentes, algumas vezes tranquilas, algumas vezes impiedosas.
Seria bom ficar abraçado com alguém. Podia ser um desconhecido. Podia ser a pessoa que você menos gosta.
Mas passar a eternidade sozinho... Era muito pior.
Foi quando pela primeira vez um ofego rompeu da boca de Sieghart e seu ser inteiro relaxou.
“Foi como se você tivesse morrido. E ironicamente... Pareceu ter sido maravilhoso.”
Foi isso o que Dio disse quando Sieghart abriu os olhos uns segundos depois.
Parados e entrelaçados desajeitadamente um sobre o outro, sem motivo algum, sorriram e se deixaram embalar-se um no outro, às 3 horas da manhã.
Em um outro amanhã eles poderiam se matar... Tinham muito tempo para gastarem juntos antes da Eternidade acabar.
Fim
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