Ensinando a Beijar
10 Orgulho x Orgulho (Parte 2)
Mello encontrava-se no jardim
Esperando dar a hora
Estava a mil
Não sabia o que pensar
O que aconteceu de errado?
Ele sabe
Sabe o que aconteceu de errado
Ele podia ter deixado Near no lugar dele
Mas não
Tinha que ir falar com ele
E deu no que deu...
.
.
.
FLASHBACK ON
.
Ele girou a maçaneta
E entrou
Abrindo a porta
Ele viu o albino sentado na sua posição normal
Montando um quebra-cabeça
Quase como se não tivesse ninguém ali
Mas tinha
— Olá Mello. – disse apenas, nem ao menos se virando para o louro
— Oi – foi só o que conseguiu dizer. Afinal não sabia por que estava ali
— O que deseja? Achei que depois do ocorrido na biblioteca você com certeza não iria querer me ver – falava Near, enquanto encaixa mais uma peça em seu quebra-cabeça
— Bom... – Mello não sabia como responder essa pergunta, já que o motivo de estar ali nem ele mesmo sabia – Eu só queria saber o motivo de você não... ter ido ao café, só isso. – falou, simplesmente
— Jura? – disse Near, enquanto virava sua cabeça e mirava seu olhar no louro – Você veio aqui só para me perguntar isso?! – falava Near, com um sacana meio sorriso na boca
O que era algo raro de se ver
— Sim, só por isso – respondeu Mello, da forma mais medíocre que existe
— Bom, eu não acredito, mas... – Near falava, voltando sua atenção ao quebra-cabeça – eu não fui porque simplesmente não estava com fome e acordei tarde, apenas isso. Será que isso foi capaz de te saciar? – disse, não deixando de soltar uma risada
Bom, Mello não gostou nada de ser comparado a um animal
— Olha aqui – falava enquanto se aproximava do garoto alvo – Eu vim aqui querendo saber se houve alguma coisa contigo e você me trat-
— Por que iria querer saber se aconteceu algo comigo? – disse Near, cortando a fala de Mello – Afinal você não gosta de mim mesmo. Sou seu rival lembra? Acho que você ficaria até feliz se me encontrasse morto quando abriu aquela porta! – apenas disse, com sua voz fria de sempre, como se essas palavras não fossem nada para ele
— Eu nunca ia desejar isso! – Mello disse, conseguindo a atenção do albino para si — Claro que tenho vontade de te enforcar e te estrangular algumas vezes mas não posso fazer isso porque... – ele pausa – porque eu ainda não te venci – concluiu, virando seu rosto para o lado
Near não se surpreendeu com a resposta
Não era como se ele esperasse algo a mais
Ele aprendeu a não se deixar levar de novo
— E também vim aqui porque se acontecesse alguma coisa com você eu ia ser o primeiro suspeito – disse, se virando de costas para Near
— Ok. – Near disse, voltando novamente sua atenção ao quebra cabeça – Bom, agora que você já tem sua resposta já... Pode ir eu suponho
— Sim, eu posso. – falava, se encaminhando para a porta
Mas ainda não tinha acabado
— Mello. – chamou-lhe Near, fazendo o louro até se surpreender já que pensou que já tinha acabado
— O que foi?
— ... – nada lhe respondeu Near
Mello não estava com paciência
— Fala! Você me chamou a toa?! Agora eu sei que não esqueci nada! – esbravejou Mello para Near
— O que faltou? – perguntou-lhe Near, ainda com sua atenção para o quebra cabeça
— Como assim? – Mello não compreendia a dúvida de Near
— O que faltou? Você disse que não tinha gostado – Near apenas disse
— Não tinha gostado do quê? – falou Mello, estressado quase partindo para cima do albino
— Ah... – nesse momento ele levantou e foi em direção a Mello – O que faltou no beijo Mello? Você disse que não tinha gostado
Mello congelou
Como assim?
Como assim o Near estava lhe perguntando isso?
— A-ah... – ele não sabia o que responder – Ma-ais que RAIOS de pergunta é essa?! – Mello esbravejou
— Voce disse que não tinha gostado – Near enquanto falava dava um passo em direção a Mello, e o mesmo deu um passo para trás – Quero saber o que faltou para você ter gostado do beijo
— Mas por que você quer saber disso? – Mello literalmente gritava
E o albino continuava se aproximando
— Diga-me o que faltou, diga-me o que você não gostou – falava Near a Mello, com uma total calma
E ele continuava se aproximando
— Mas, mas...- Mello falava e ao mesmo tempo tentava se afastar do albino
Que continuava se aproximando
Até que ele não tinha mais para onde ir
Já que a porta no momento o impedia de continuar
— Em, Mello? Vai me responder? – falava com calma ao contrario de Mello que não estava entendendo nada com nada
— Mas... – Mello não estava gostando daquela aproximação toda
Principalmente porque não tinha mais para onde ir
Até que não agüentou mais:
— O que você quer de mim? – perguntou Mello zangado
— Quero que me ensine a beijar! – Near falou
.
.
.
O silêncio reinou por um tempo
Até que tudo voltasse aos lugares certos
— Como? – foi simplesmente isso que Mello disse, em um tom calmo e normal
O que era muito estranho devido à situação
— Eu quero que você me ensine a beijar – repetiu Near calmamente
— ... – Mello ficou estático
Não sentiu nem raiva
Nem ódio
Nem nada
Acho que foi um grande choque
— Então, o que você acha? – disse Near, como se estivessem tratando de um simples contrato
— Não! C-como você me pergunta alguma coisa assim? – esbravejou Mello – Eu não vou fazer isso!
Ouve-se o silêncio por um momento
Até que o outro se pronuncia:
— Nossa, eu achei que você iria aceitar... – disse Near fazendo uma cara de desapontado – Que você não iria deixar essa oportunidade passar... – falava enquanto se virava e ia em direção a cama
— Que oportunidade? – perguntava Mello alcançando o objetivo de Near
— Bom eu estaria, em primeiro lugar, deixando você me ensinar alguma coisa. Isso para mim é ultrajante – falava Near enrolando uma mecha de cabelo
Mello parou e refletiu sobre o que o albino acabou de lhe dizer
Afinal ele não estava errado
Quando Mello teria essa oportunidade de novo?
— Mas como você já disse não – Near falava e se encaminhava para a porta, abrindo-a – Você já pode ir e seguir com sua vi-
Nesse momento a porta foi fechada com força
Por ele
Por Mello
— Voce não decide por mim – disse apenas
— Mas você já tomou sua decisão, não é? – provocava Near. Quando queria podia tirar qualquer um do sério
— Por que quer isso? – questionou Mello
— Como assim?
— Por que quer passar por uma coisa tão “ultrajante” assim como você diz? Por que quer que eu te ensine isso? – falava Mello olhando-o nos olhos
— Meus motivos não são revelantes – respondeu apenas Near
Esses meninos têm essa mania de dar respostas medíocres
— Não são? – exclamou Mello – Você me pede para te ensinar a beijar e diz que os motivos não são revelantes? – dizia, com um sorriso sacana nos lábios
— Ah... – suspirou Near – Já que você quer saber... Simplesmente por que eu odeio saber de uma coisa que eu não saiba fazer certo. Eu sei que não su bom nos esportes, e em várias outras coisas que eu sei que você é melhor do que eu, mas a minha cabeça não aceita isso. Eu odeio saber de algo que você sabe fazer melhor que eu – respondeu-lhe Near
É, parece que eles não são tão diferentes assim afinal
Quem diria, não é?
— Nossa. Eu nunca ia imaginar que o número um da Wammy’s também se sentia assim – Mello disse
— Ninguém gosta de perder, Mello – respondeu Near – Tá, agora eu já lhe respondi. E você? O que vai me responder? – questionou-o Near
Mello abaixou a cabeça e não se pronunciou
Tinha uma guerra dentro dele
Uma guerra de orgulho
.
De um lado tinha a parte do orgulho dele que dizia que fazer isso era uma boa,
Ele iria ser superior a Near se fizesse isso
Ele iria passar seus conhecimentos a ele
Tem vitória melhor do que seu inimigo lhe pedir sua ajuda?
Para Mello não
Isso significava que Near tinha se rebaixado
Perante ele
Seu orgulho inflava
.
Porém
Tinha outra parte do orgulho que também falava coisas
Dizia que ele iria ser um otário se fizesse isso
Iria se rebaixar
Iria se inferior a ele
Iria deixá-lo provar de algo intimo seu
Iria deixar seu inimigo te tocar de uma maneira que ele jamais pensara
Nem conseguia imaginar
Seu orgulho o esmagava por isso
.
Tinha uma guerra dentro dele
E durante algum tempo
O silêncio reinou mais do que nunca
Mas como em toda guerra
Para um lado vencer
Outro tem que ceder
E um cedeu
Deixando o outro vencer
E Mello, decidido
Falou pelo lado que venceu
.
— Quando podemos começar?
.
.
.
FLASHBACK OFF
.
.
Sim, ele concordou com aquela loucura
Pois como sempre
Seu orgulho falou mais alto
Pelo menos parte dele
A parte triunfante
Mas agora tinha que se concentrar
Para mudar de posto
Não seria mais general
Seria professor
.
.
.
CONTINUA...
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