Ensina-me A Ser Tua
62 Capítulo 62 - Limites...
Quinn saía da loja segurando o celular de Rachel:
Q: Pronto! Precisou apenas trocar a tela. Está funcionando normalmente.
A morena sorriu carinhosa e depositou um beijo delicado nos lábios da loira:
R: Obrigada, meu amor!
Quando Rachel atirou o telefone contra a parede, não pensou que ele se salvaria. Tudo o que ela queria era espatifá-lo em mil pedaços para não ter mais que ler qualquer mensagem irritada do Finn...
Santana não estava muito disposta a falar. Ao contrário dela, Brittany não parava de conversar com as amigas e de elogiar a cidade. Para ela New Haven era o lugar mais lindo que ela já havia conhecido.
S: Não precisa exagerar, Britt!
B: Não é exagero, Sant! Você já reparou como aqui tem muitas árvores? E árvores lindas! E elas estão pelas ruas. Não precisamos ir a um parque para vê-las! [dizia animada]
S: NY é muito mais que o Central Park, Britt!
B: Não conheço nada além daquilo... [deu de ombros]
Depois do café da manhã, Quinn se ofereceu para levar as amigas para passear e conhecer a cidade. A intenção principal era tirar Rachel de casa. Era passar o máximo de tempo possível distraindo a mente ainda triste da esposa. E ela estava conseguindo. De alguma forma ela sentia que estava conseguindo...
Caminhavam tranquilamente pelos arredores de Yale. Até Santana se mostrou encantada com a arquitetura e dimensão de tudo...
B: Vocês continuarão morando aqui depois que você se formar, Q?
Q: Eu não sei... [olhou para Rachel] Ainda não conversamos sobre isso e ainda temos bastante tempo para decidir, né?! [a morena assentiu] Se acharmos que é o lugar ideal para vivermos para sempre, não haverá razão para ir embora... Eu gosto daqui. É mais tranquilo que NY...
B: Com certeza!
Q: Mas a Broadway não é aqui... [sorriu suavemente] Precisamos pensar na Broadway...
O sorriso fraco de Rachel preocupou Quinn. Ela sabia que a alegria não a dominaria da noite para o dia, mas ela não poderia passar muito mais tempo fingindo que a Broadway foi colocada de lado na vida da morena e que, um dia, ela precisaria retomar...
Q: Muito cedo para falarmos sobre isso?
R: Um pouco...
Q: Ok... [apertou-lhe a mão] Não falaremos sobre isso então...
Um beijo na testa e Rachel suspirou. Ela não aguentava mais se sentir tão triste! Mas se havia algo capaz de colocá-la de pé, era o carinho de Quinn. Era a força que ela tanto precisava. Era o que a sustentava...
Chegaram ao restaurante onde almoçariam e logo Brittany puxou Rachel para o banheiro. Ela queria deixar Quinn e Santana a sós, para que a loira dissesse as verdades que quisesse à latina:
Q: Você é minha amiga... Mas não esqueça que você também é amiga da Rachel. Então mude essa cara fechada.
S: Você é minha melhor amiga! Ela não é...
Q: Mas é ela quem precisa de você agora. Não eu!
S: Ela não tinha o direito de te bater!
Q: Eu não sou uma criança, Santana! E você não é minha mãe! Eu sei me defender e, no entanto, não me defendi. E por quê? Porque eu não precisava de defesa. Eu não precisava porque ela não estava me atacando. Eu estava amortecendo a dor dela. Foi o que fiz. E farei quantas vezes for necessário!
S: Você não acha que é sacrifício demais?
Q: Não entendi!
S: Casar com ela. Pegar um empréstimo enorme para pagar as contas dela. Trazê-la pra cá e virar saco de pancada...
Quinn a olhou calma, muito calma, calma até demais!
Q: Eu não sei qual o seu conceito de casamento, Santana. Mas o meu conceito é esse: companheirismo... Eu não sei qual o seu conceito de amor. Mas o meu é esse: querer estar perto sempre. Se eu pude e posso estar com ela, eu não tenho o menor interesse em não estar. Ela é minha companheira. Meu lar. Eu tentei fugir desse sentimento, ela também... Até que percebemos que por mais que corrêssemos, jamais conseguiríamos ficar longe pra sempre e mais necessitadas ficaríamos uma da outra. Casar com ela, pegar um empréstimo, trazê-la pra cá... Nada disso foi sacrifício. Tudo isso foi a minha necessidade de tê-la pra mim, de tê-la comigo. Eu não sei o que você é capaz de fazer pela Britt, pelo seu relacionamento. E também não me interessa saber. Eu sou Quinn Fabray e o que eu faço não precisa ser igual ao que os outros fazem...
S: Mas seu rosto...
Q: Isso sara... [interrompeu] Essa ferida cura. Daqui a alguns dias já não haverá marca nenhuma. Mas o que ela está sentindo, essa confusão, esse vazio, eu não sei quando vai passar. E eu estarei aqui de pé para segurá-la.
S: E a sua dor?
Q: O que tem?
S: Você também está sofrendo.
Q: Estou! Estou sofrendo muito. Mas não é nada comparado ao sofrimento dela. Então eu não tenho que me preocupar comigo. Ninguém tem... [finalizou]
Rachel comia bem e isso fez Quinn sorrir. A falta de apetite da morena estava demorando a passar, mas naquele almoço ela parecia que iria se alimentar quase como antes. Era um avanço diante de tudo... A loira a beijou no rosto sem nada dizer. Foi um carinho singelo que fez Rachel corar um pouco... Santana as observava enquanto Brittany conversava com Quinn. A latina percebeu que Rachel não conseguia encará-la e se sentiu mal por aquilo. Ela, finalmente, sentiu pena da amiga e se arrependeu de estar agindo daquela forma arisca com ela...
Quinn fez questão de pagar a conta e as levou para continuar o passeio iniciado mais cedo:
Q: Você quer ir pra casa descansar ou prefere continuar passeando? [perguntou atenciosa]
R: Está tudo bem! Quando eu me cansar eu aviso... [sorriu suavemente]
Q: Ok...
Durante algumas horas elas conheceram vários lugares que Rachel ainda não conhecia. Mais do que entreter as amigas, Quinn queria mostrar à morena que elas poderiam ser felizes naquele lugar, como já tinham sido um dia, como acreditavam que seriam com Jeremy...
Brittany e Santana caminhavam de mãos dadas mais à frente, enquanto elas, também de mãos dadas, caminhavam sem pressa. Rachel sentia o calor da mão de Quinn e suspirava. Ela olhou para o rosto dela e sentiu seu coração apertar com o machucado provocado por ela... A culpa lhe dominou por completo. Como Quinn conseguia se manter tão calma e tão carinhosa depois da explosão da noite anterior e com aqueles machucados provocados por seu rompante de raiva?
R: Eu sinto que você me ama muito... [disse de repente]
Q: É? [sorriu surpresa] Então você está sentindo certo...
R: Eu sinto que é mais do que eu mereço... [disse triste]
Q: Agora você está sentindo errado... [brincou]
R: É sério! [insistiu]
Q: Não pode ser sério, Rach! [falou calma] Não sei de onde você tira isso...
R: É que você faz tanto por mim! Não tem como eu pensar que mereço seus sacrifícios.
Q: Sacrifícios? [olhou-a desconfiada] A Brittany falou com você sobre Santana?
R: Hã? [sentiu-se confusa] Não entendi...
Q: De onde você tirou isso de sacrifício?
R: Do que você tem feito...
Q: Não é sacrifício!
R: Eu vi a pilha de livros que você leva pra casa. Eu sei que você está se desdobrando demais para não se perder nos estudos e não deixar de cuidar de mim... Eu... Eu não sei se é certo...
Q: Somos casadas. E eu te amo. Nada é sacrifício. [disse séria]
A morena desviou o olhar para longe. Elas continuavam caminhando tranquilamente, sem perder o ritmo. A conversa não tinha assumido um tom mais sério. Em nenhum momento se aproximaram de se desentender... Quinn não permitiria isso.
R: Qual o limite do seu amor por mim?
A voz da morena estava baixa, mas Quinn ouviu muito bem. Ela não teve qualquer dificuldade em responder:
Q: Eu desconheço... [disse tranquila]
R: Mas tem que haver. Tudo tem limite!
Q: Não o que eu sinto!
R: Não faz sentido, Quinn... Você pode até jurar que é capaz de tudo por mim, por nós, mas você não sabe... Você não sabe até onde aguenta.
Quinn parou de caminhar. Rachel não entendeu o olhar que a loira lhe direcionou. Ela inclinou um pouco a cabeça para o lado demonstrando confusão diante do que ouvia. Mas logo a expressão dela mudou para um sorriso frio, quase triste...
Q: Acho que o problema não é você achar que eu não posso ter tanta certeza de que sou capaz de tudo por nós. O problema é você ser consciente de que você não é...
A morena se surpreendeu com o que ouviu. Sua mente deu um giro tão rápido que ela tinha certeza de que desmaiaria. Era como um choque de realidade. Um tapa na cara em forma de palavras. Ela precisava organizar seus pensamentos e formular uma frase coerente para não deixar que Quinn continuasse pensando daquela forma. Mas antes que ela falasse alguma coisa, seu celular começou a tocar. Não era Finn, não era Hiram, não era Leroy. Era uma ligação internacional e ela conhecia o número. Talvez Quinn não gostasse de saber quem era...
E talvez ela tivesse magoado a loira além da pele...
[CONTINUA...]
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