Ensina-me A Ser Tua
57 Capítulo 57 - Quase três...
Rachel sentava no sofá tremendo. Finn mostrava, finalmente, que não estava de brincadeira. Seu silêncio era mesmo estranho. Ela não podia pensar, em nenhum momento, que ele deixaria as coisas calmas como estavam. Quinn se aproximou dela e se sentou ao lado:
Q: Hey! Olha pra mim!
R: Ele quer tirar meu filho de mim, Quinn! Ele quer tirar de nós!
Q: Hey! Me escuta!
O tom de voz da loira foi sério. Ela sabia que tinha que fazer a morena focar no que ela ia dizer. Rachel a olhou um pouco assustada:
Q: Isso não existe, Rach! Fique calma! Ele não vai tirar o Jeremy de você. Os direitos dele sobre a criança só valerão quando nascer. Vocês não são um casal e ele não pode te obrigar a nada. Quando nascer, ele precisará ter motivos muito fortes para provar que é mais capaz de cuidar do filho do que você, o que nunca irá acontecer!
R: Como assim? [começava a chorar] Ele é o pai. Claro que ele tem direitos!
Q: Ele não vai conseguir o que supostamente quer. Ele só quer te assustar, meu amor!
R: Mas esse documento está assinado por um advogado!
Quinn tirou o papel das mãos dela e leu:
Q: É um documento extrajudicial. Não tem validade legal numa situação como essa.
R: Mas ele quer o Jeremy quando ele nascer! Ele vai tentar tirar o Jeremy da gente!
Rachel se levantou nervosa e começou a andar pela sala atordoada. Quinn já não entendia o que ela dizia. Era uma bagunça incoerente de palavras que só demonstravam a angústia que a dominava. A morena sentiu, de repente, os braços de Quinn a segurando. A loira a envolveu num abraço forte, tentando fazê-la recuperar a calma. Tudo o que ela sentia era seu corpo ir se acalmando diante do calor de seu amor. Era tudo o que ela precisava naquele momento.
Q: Eu não deixarei nada de ruim acontecer! Nada de ruim vai acontecer com vocês!
As palavras de Quinn não pareciam apenas palavras. Adentraram os ouvidos de Rachel e se instalaram em seu cérebro de forma intensa. Era uma promessa que a loira iria cumprir e cada palavra possuía a força de seu juramento.
Rachel dormia depois de Quinn ter tido muito trabalho em acalmá-la. Kurt não conseguia acreditar no que Finn tinha sido capaz de fazer. Tentou falar com ele várias vezes, mas ele não atendia ao telefone.
K: Eu preciso conversar com a Carol sobre esse comportamento insano do Finn! Ela não o criou para agir dessa maneira. [dizia irritado]
Q: Eu preciso que você fique de olho na Rachel...
Kurt a olhou confuso ao vê-la colocando o casaco, prestes a sair.
K: Aonde você vai?
Q: Não vou esperar que a Carol e o seu pai façam alguma coisa. O Finn é adulto, não tem que ser controlado por eles. A Rachel é minha esposa agora. É meu dever protegê-la!
K: Se ela acordar e perguntar por você?
Q: Diga que saí para comprar algumas coisas. Trarei comida.
Quinn caminhava apressada com Santana ao seu lado. A latina não fez qualquer pergunta quando a loira a ligou e disse que precisava dela. Antes, Quinn havia ligado para Nick e pedido mais um favor. Precisava de um bom advogado em Nova York e sabia que o pai dele conheceria algum. Recebeu uma lista extensa, mas não precisou se preocupar em escolher. Nick entrou em contato com o melhor deles e marcou uma consulta urgente.
A loira estava diante de um dos maiores advogados da cidade e estava disposta a pagar o que ele quisesse:
Q: Eu faço questão de pagar, Dr. Fallon. Pago qualquer valor!
Dr. Fallon: Não será necessário! Nick já se encarregou disso!
Q: Mas não é responsabilidade dele!
Dr. Fallon: Depois você conversa com ele. [disse calmo] Vamos ao que interessa: Sua namorada está grávida e o pai da criança está ameaçando requerer a guarda do bebê quando ele nascer... Correto?
Q: Ela é minha esposa! [corrigiu] E sim... Ele está fazendo essa ameaça.
Dr. Fallon: Não é tão simples assim! Ele precisará de provas de que a criança ficará melhor com ele. E, pelo que você me contou, não vejo qualquer razão para isso se concretizar. O fato de Rachel... É esse o nome da sua esposa?
Q: Sim! Rachel!
Dr. Fallon: O fato de Rachel não querer mais um relacionamento com ele e ter construído uma nova relação com você não é motivo para julgá-la incapaz de criar o filho. Isso é absurdo! Você não precisa dos meus serviços para impedir qualquer ação desse rapaz. Ele não conseguirá nada contra vocês.
Q: Disso eu sei! E não foi por isso que vim aqui. Eu quero que ele mantenha distância de nós. A gestação de Rachel tem sido muito atribulada. Ela já foi ao hospital por conta de estresse, correndo o risco de perder o bebê. Eu quero garantir que ela tenha paz até o fim da gravidez. Eu me divido entre New Haven e Nova York. Tenho medo do que possa acontecer quando eu estiver longe. Talvez eu deva vir pra cá de vez!
S: Não, Quinn! Não seja louca!
Q: E o que eu devo fazer, Santana?! [perguntou agoniada] Desde que ela descobriu a gravidez ela não teve um minuto de paz longe de mim! Coincidência ou não, as coisas só ficam tranquilas quando estamos juntas. Eu sei como acalmá-la, eu sei como fazê-la se sentir feliz diante disso tudo. Se eu me afasto, ela fica vulnerável. É minha responsabilidade cuidar dela!
S: Então a leve para New Haven! [disse séria] Você não pode mais negligenciar sua faculdade. É seu futuro que está em risco e, consequentemente, o dela. O de vocês juntas! Se alguém tem que fazer o sacrifício de parar de estudar, que seja ela. Por um tempo... Ela vai mesmo precisar disso quando o bebê nascer.
Dr. Fallon: Desculpem interromper essa discussão... Mas independente do que você decida, senhorita Fabray, eu preciso de mais elementos para requerer a um juiz esse afastamento do senhor Hudson!
Q: Além dele, tem os pais dela também. Eu quero que eles mantenham distância! Eles são nocivos ao bem-estar da Rach...
S: Você não acha que está indo longe demais, Quinn? [perguntou preocupada]
A loira olhou para Santana um pouco agoniada. De repente, a ideia de tentar afastar os pais de Rachel dessa forma fosse mesmo um pouco exagerada. Aquilo poderia causar muito mais estragos e ela não queria isso...
Q: Talvez seja... [murmurou preocupada] Ok! Apenas o Hudson! [disse decidida] Quanto aos elementos, posso conseguir cópias dos prontuários médicos, dos atestados e das receitas de cada vez que ela sofreu por causa de estresse. Quero deixar claro que ele não terá qualquer problema em participar da criação da criança. Rachel nunca teve e intenção de deixá-lo de fora quando o bebê nascer. Mas ela não pode ser obrigada a conviver com ele antes, principalmente se ele não é capaz de fazê-la se sentir bem, se é capaz de ameaçá-la.
Dr. Fallon: Ok! Encaminhe-me os documentos e adiantarei isso! Quero aproveitar a presença da senhorita Lopez para ouvi-la. É importante termos testemunhas de que o comportamento do senhor Hudson é nocivo à senhorita Berry. Alguma objeção?
S: Claro que não! Posso fazer uma lista enorme de motivos pelos quais o Hudson é nocivo. [disse segura]
Q: Desculpe-me por corrigi-lo, Dr. Antes o senhor me chamou de senhorita e agora a Rachel. Pode parecer bobagem, mas eu gostaria que o senhor não esquecesse de que como somos casadas, o senhor deve se referir a nós como senhoras.
O advogado sorriu suavemente:
Dr. Fallon: Desculpe-me! Não foi por mal. É que não sou muito adepto dessas convenções, principalmente se a vejo tão jovem. Incomoda se me referir a vocês pelo primeiro nome?
Q: Não! [sorriu educada] Acho que soa coerente.
Depois que Santana descreveu tudo o que se lembrava de ruim sobre Finn, indo, inclusive, além do necessário, ambas deixaram o escritório do advogado com a promessa de que em alguns dias, Finn receberia uma ordem judicial em casa que determinaria manter distância de Quinn e Rachel até o final da gestação da morena.
S: Vocês estão passando por uma barra difícil de aguentar!
Caminhavam em direção a um mercado para comprar as comidas que Quinn havia prometido. Ela não iria manter esse encontro com o advogado em segredo. Não! Ela só não queria que Rachel soubesse por Kurt. Assim que chegasse em casa, ela contaria tudo à morena.
Q: Muito difícil! [concordou] Mas é o meu papel fazer o que estiver ao meu alcance por ela.
S: Eu sei... Mas você ficará chateada se eu disser que acho que você não deveria estar passando por isso?
Quinn sabia que Santana nunca foi a maior fã do relacionamento dela com Rachel. Sabia que a amiga ainda não achava o casamento delas muito certo. Mas diante de tudo, isso já não incomodava mais a loira:
Q: Não vou ficar chateada... [disse calma] Você tem direito à sua opinião. Assim como tenho o direito de não levá-la em consideração. [permanecia calma] Eu sei que tudo foi muito rápido e intenso entre mim e ela. Eu entendo as implicações de tudo! Mas você precisa entender que eu a amo. E ela se tornou minha companheira. Ela se tornou a pessoa mais importante para mim. Então, é lógico que ela sendo o meu amor, minha pessoa, eu tenho que protegê-la, assim como ela tenta me proteger. Eu não espero que você entenda, nem aceite. Apenas respeite!
S: Eu respeito!
Q: Pronto! É o suficiente!
S: Mas...
Q: Não fale do Jeremy!
Santana se assustou com a precisão de Quinn. A loira foi enfática, como se tivesse lido seu pensamento:
Q: Rachel e eu estamos casadas. Dividimos uma vida agora. Então tudo é nosso! [encerrou a conversa]
Quando chegaram ao apartamento viram Rachel sentada à mesa, comendo cereais com Kurt. A morena ficou curiosa ao ver Santana, concluindo imediatamente que Quinn tinha saído para fazer mais coisa além de ir ao mercado. A loira se aproximou e a beijou delicadamente nos lábios:
Q: Pensei que fosse dormir mais! [disse suavemente]
R: Vai me contar o que foi fazer com Santana? [perguntou firme]
Quinn assentiu levemente com a cabeça, sentando-se à mesa:
Q: Fui a um advogado. Pedi que ele conseguisse uma ordem judicial para manter Finn longe da gente até o Jeremy nascer. [olhou-a em busca de irritação, mas a morena estava calma] Se você quiser, eu posso retirar o pedido. Você terá que assinar a solicitação, então eu entendo se você não achar que é a melhor forma de resolver isso. Eu só achei que é a única forma de garantir que você tenha paz no resto da gestação e...
R: Ok! [interrompeu]
Q: Ok? [perguntou confusa]
R: Sim! Eu acho que mantê-la longe é a única forma de eu ficar em paz. Ele demonstrou não ser de confiança. Não o quero perto da gente. Não enquanto eu puder evitar.
A calma de Rachel era completamente contrastante com o comportamento de logo cedo...
Q: Você está bem? [perguntou bastante confusa]
A morena sorriu suavemente e segurou a mão esquerda de Quinn, levando-a aos lábios:
R: Sempre estarei bem enquanto tiver você... [sorriu suavemente] Desculpe meu desespero logo cedo, mas fui tomada por uma enorme insegurança. E você fez o medo passar... Como eu posso não estar bem se você me faz dormir e quando acordo, recebo a informação de que você saiu para comprar comida? Você cuida de mim melhor do que eu poderia pedir. Você cuida do nosso relacionamento melhor do que eu poderia desejar. E então você não só traz comida como traz a notícia de que foi cuidar da minha paz... [olhou-a encantada] Eu tenho você, então, é óbvio que estou bem! [sorriu apaixonada]
Quinn a puxou para um abraço. Kurt as olhava encantado, enquanto Santana estava um pouco constrangida. Não pela cena, mas por não ter sido ainda capaz de entender a intensidade daquela relação. Estava muito claro que as duas se completavam e que não havia nada de errado naquele casamento. Por alguns segundos ela sentiu vontade de sair dali e comprar uma aliança para oficializar sua relação com Brittany. Elas moravam juntas e não tinham os problemas que as amigas precisavam enfrentar. Talvez fosse a hora de provar à namorada que ela a queria mesmo para sempre. Dividir uma vida de verdade, com tudo o que se tem direito...
Quinn chegava correndo e comemorava não ter perdido o horário! Rachel sorria na frente do consultório do médico:
R: Eu disse que você não precisava vir! Fiquei aqui com meu coração na mão imaginando você correndo na estrada!
Q: O importante é que cheguei inteira! [puxou-a para um beijo] E eu não poderia perder o dia em que vamos saber que o Jeremy é mesmo Jeremy!
Rachel gargalhou com a alegria da loira! Só Quinn a fazia feliz daquela forma. Só Quinn!
R: Está perdendo quantas aulas hoje?
Q: Não se preocupe com isso! [piscou-lhe, puxando-a pela mão para entrarem no prédio]
A morena estava deitada na maca, enquanto o médico passava o gel no aparelho de ultrassonografia. Quinn segurava em sua mão, ansiosa por ver a imagem do bebê, tendo certeza de que veria Jeremy ali, diante de seus olhos:
Dr. Morrison: Prontas para saber o sexo do bebê?
R: Sim! [respondeu animada]
Aquela não era a primeira vez que Quinn acompanhava Rachel numa consulta. Lembrava perfeitamente de quando ouviram o coração do bebê bater pela primeira vez:
“Quando o médico passou a deslizar o aparelho no ventre de Rachel, Quinn lhe sorriu. A loira observava quão maior já estava a barriga dela. A morena não tirava os olhos da tela até que o som se fez presente. As batidas rápidas do coraçãozinho ressoavam e ela não se conteve. Chorou emocionada como não imaginava que choraria. Sabia que era um momento especial, mas não sabia que iria se sentir daquela forma. Sua felicidade se tornou ainda maior ao ver Quinn chorando junto com ela. A loira já não tinha os medos que a atormentavam quando esteve grávida. Ali, naquela sala, ela poderia se sentir feliz de verdade...”
Naquele dia, a emoção era quase a mesma. Estavam prestes a saber sobre a saúde bebê, mas também sobre o sexo. Elas já o tratavam como Jeremy e sentiam que era quem ele era...
Dr. Morrison: O bebê está se desenvolvendo bem, Rachel. Precisamos de mais exames para saber como está o ambiente do seu útero para ele, mas o que posso ver é que ele está indo bem. [sorriu] Mas lhes adianto que hoje não será possível dizer o sexo. A posição em que ele descansa não permite ver...
R: Não acredito! [reclamou]
Q: Olha, meu amor... Olha a coluninha dele... [dizia emocionada]
R: Nosso bebezinho... [sorriu emocionada]
Q: Nosso...
Rachel olhava cada detalhe de seu bebê e sentiu seu coração se encher de amor. E ela sabia que só conseguia se sentir daquela forma porque tinha Quinn consigo...
Na semana seguinte a rotina delas se repetia. Quinn chegava de New Haven e Rachel a recebia feliz. A loira havia passado os dias todos preocupada com ela. Discutiu calorosamente com Nick, mais uma vez, tentando convencê-lo a dizer quanto pagou pelo advogado. Ela não queria ter mais dívidas com ninguém. Bastava a dívida que havia assumido com o pai dele, mas o rapaz continuava irredutível. Disse que não aceitaria que ela pagasse. Que ela tinha que aceitar como um presente de amigo. Mas Quinn era teimosa e orgulhosa. Foi preciso vencê-la pelo cansaço. Nick se sentou diante da TV e fingiu que não a ouvia mais. Até que a loira foi embora do apartamento dele, voltando uma hora depois pedindo desculpas. Mas ele não estava chateado. Muito pelo contrário. Ele já a conhecia muito bem para saber que ela não gostava de depender de ninguém. Que ela sabia e gostava de saber se virar sozinha...
Rachel a abraçava, beijando-a o pescoço. Sentiu as mãos da loira a envolvendo e aquele era, sem dúvida, o melhor lugar do mundo...
R: Senti sua falta! [murmurou sobre a pele branca]
Q: E eu a sua...
Quinn se afastou um pouco para capturar os lábios carnudos, enquanto acariciava a barriga de Rachel. A morena se deixou envolver naquele beijo e gemeu. O 1º dia de Quinn em casa era sempre de descanso, mas Rachel estava com vontade quebrar as regras...
R: Será que... [calou-se corada]
Q: O quê?
R: Você está muito cansada?
Q: Um pouco... Dormi bastante tarde ontem... Por quê?
R: Nada não... [disse desanimada] Vou esquentar sua comida. A cama já está pronta para você descansar...
Enquanto a morena se afastava em direção à cozinha, a loira a segurou pelo pulso:
Q: O que houve?
R: Hã?
Q: Por que você ficou triste de repente? Aconteceu alguma coisa que eu não saiba?
R: Não! [respondeu rapidamente] Tudo sob controle! Sem notícias do Finn, dos meus pais ou de qualquer outra coisa que fosse capaz de me tirar do sério. [garantiu] Santana veio aqui todos os dias que você mandou. Trouxe a Britt, que me deixou bem animada! [sorriu] Kurt tem sido um ótimo espião para você! Todos já conversaram como Dr. Fallon. E como você já sabe, eu também. Então a ordem judicial deve ser expedida a qualquer momento. Jeremy tem se comportado e estou confiante de que nos deixará ver que ele é mesmo um garotão na próxima consulta. [sorriu suavemente]
Q: Então qual o problema?
R: Você está cansada... [disse mais baixo]
Q: E?
Quinn esperou que Rachel concluísse o pensamento, mas não precisou de muito tempo para entender... A morena estava levemente corada. Logo, a loira entendeu onde ela queria chegar. Sorriu suavemente e a puxou com calma para o quarto:
R: O que você está fazendo? [perguntou confusa]
Q: Não estou tão cansada assim...
Quinn fechou a porta do quarto, guiando Rachel até a cama...
R: Não precisamos fazer agora. Você precisa comer e descansar. Eu posso...
A boca de Quinn a impediu de continuar. A loira a beijou apaixonadamente, cortando qualquer pensamento...
Q: Eu preciso de você... [sussurrou sobre os lábios carnudos] Você é tudo o que preciso...
Sentir os lábios de Quinn passeando por seu corpo era, de longe, a melhor sensação que Rachel poderia sentir. Desde a primeira vez, até aquela, Quinn a havia levado à loucura todas as vezes em que explorou cada pedaço de sua pele. A loira ia ficando cada vez melhor, expulsando da mente da morena qualquer pensamento ruim. Ela a fazia feliz...
A língua de Quinn trabalhava à perfeição em sua intimidade, enquanto as mãos da loira se encarregavam de acariciar seus seios. Esperar dias para aproveitar um momento como aquele era pura tortura. Ela precisava da loira todos os dias. Ela a queria o tempo inteiro... Quinn estimulava o clitóris de Rachel com fome, fazendo a morena gemer alto. Não demorou para que o orgasmo chegasse e ela sentisse o corpo da loira deslizando sobre o dela com cuidado, tentando não fazer peso sobre a barriga. Os lindos olhos verdes a encararam cheios de amor:
Q: Eu nunca estarei cansada o suficiente para não conseguir fazer amor com você, entendeu?!
Rachel assentiu com a cabeça e a puxou para um beijo... Ficaram na cama. Quinn não queria sair dali para comer, nem queria que a morena saísse em busca de comida. Ela poderia esperar mais um pouco... Estavam nuas e suas peles grudadas causavam a perfeita sensação de pertencimento. Quinn acariciava os cabelos negros enquanto contava sobre seus dias em New Haven. Ela sabia de cada passo dado por Rachel nos dias em que não estava com ela. Era um cuidado que a morena já havia se acostumado a sentir...
R: Eu quero ir para New Haven com você... [disse de repente]
Q: Quando? [perguntou tranquila]
R: Quando você for...
Q: Mas será segunda...
R: Não importa! [levantou a cabeça para olhá-la] Eu quero ir! De vez!
Q: Hã? [surpreendeu-se] De vez?
Rachel se moveu para se sentar. Olhou para Quinn séria e continuou:
R: Eu não quero mais essa nossa vida dividida. É muito ruim ficar longe de você nos dias em que estamos longe uma da outra. Eu quero estar em casa todos os dias quando você chegar.
Q: Mas e NYADA?
R: Vou trancar! [disse decidida] Estou cheia de faltas e você é mais importante! Jeremy e nosso casamento são mais importantes! Eu não estou com cabeça para continuar tendo aula. Não estou com cabeça para ver como serão as coisas quando tiver que me afastar de NYADA por um tempo. Quero fazer isso agora.
Q: Rach... [sentou-se] Você tem certeza disso?
R: Você tem sido maravilhosa! Tem feito sacrifícios enormes por mim!
Q: Não são sacrifícios! [disse séria] Meu amor, nada do que eu faço é sacrifício! Faço o que acho certo! Faço por amor!
R: Mesmo assim... É muito esforço e eu preciso fazer a minha parte!
Q: De onde vem tudo isso? Não é muito esforço! Eu não reclamo! Tem sido a nossa rotina e a faço com prazer!
R: Eu andei pensando e me decidi! Quero que moremos em um único lugar e quero que seja lá. O nosso lar, onde nós três seremos felizes!
Q: Nós três... [sorriu]
Na verdade, Rachel havia conversado com Santana e a latina deixou escapar que Quinn poderia largar New Haven a qualquer momento. Ela não permitiria que isso acontecesse.
R: Essa decisão é definitiva! Vamos viver juntas em New Haven e nossa família crescerá lá!
A morena não parecia insegura. Mas Quinn estava. Não tinha certeza de que Rachel estava realmente certa do que fazia, mas sabia que não a convenceria do contrário. Nem queria... Tê-la todos os dias parecia um sonho...
Q: Tem mesmo certeza disso?
R: Total! [garantiu]
Na manhã seguinte, Rachel acordou disposta. Arrumou-se antes de Quinn e a acordou para acompanhá-la a NYADA. A loira foi rápida e logo estavam caminhando de mãos dadas pela rua.
Q: Ainda não me acostumei ao fato de estar com o carro e deixá-lo na garagem...
R: É mais fácil se locomover a pé por Nova York. Ou metrô. Você sabe...
Q: Mas o carro veio de Lima para facilitar nossa vida.
R: E tem facilitado. Faz você chegar mais rápido! [sorriu] E vai facilitar ainda mais quando estivermos em New Haven de vez!
Rachel assinou o pedido de trancamento da matrícula em NYADA sem o menor remorso. Ela não parecia mesmo ter qualquer dúvida sobre aquilo...
Atendente: Senhorita Berry, há um pedido protocolado ontem em aberto. Foi assinado por Hiram Berry... Aqui ele solicita o bloqueio de sua matrícula, pois, como responsável pelos pagamentos, não mais os realizaria. Esse pedido ainda procede?
Ouvir “senhorita” não incomodou Quinn dessa vez. Afinal, a atendente não tinha como saber que Rachel Berry agora era uma senhora casada. Mas ouvir o que ela estava falando, realmente a havia incomodado. Como aquele homem tinha sido capaz de tentar bloquear a matrícula de Rachel? Olhou para a morena e viu o semblante triste dela ao se dar conta do quão egoísta seu pai poderia mesmo ser. Ele havia ameaçado e ela não havia duvidado de suas palavras, mas sentir na pele que ele realmente realizou o que havia dito era muito doloroso... Quinn assumiu as rédeas da situação:
Q: Pode arquivar esse pedido do senhor Berry. [disse calma] Rachel agora é casada e não precisa mais da ajuda de seu pai. Por isso ele fez o pedido. [tentou amenizar] Viemos aqui solicitar o trancamento provisório e não o bloqueio.
Atendente: Ok! Tudo bem! Arquivarei o pedido do senhor Berry e atualizarei o cadastro da senhorita Berry!
Q: Senhora! [corrigiu] Senhora Berry Fabray!
Atendente: Desculpe... [sorriu constrangida] Falha minha! Preciso da certidão de casamento para atualizar. E do pagamento da taxa de trancamento.
Q: Pois não... [retirava a certidão de uma pasta e o talão de cheques da bolsa] Qual o valor da taxa? [estendia a certidão para a mulher]
Atendente: 17 mil dólares.
R: O QUÊ? [assustou-se] Que valor absurdo!
Quinn engoliu em seco. Aquele valor estava bem acima do que ela esperava... Mas estava disposta a pagar...
Q: Calma, Rach... [dirigiu-se à atendente] Você poderia explicar o porquê desse valor?
Atendente: Para garantir que a vaga da senhora Berry Fabray não será preenchida por outro aluno, precisamos segurá-la e isso nos dá prejuízo, tendo em vista que as mensalidades deixarão de ser pagas.
Q: E por quanto tempo a vaga poderá ficar trancada?
Atendente: Por um ano.
Quinn olhou para Rachel para saber se ela queria perguntar mais alguma coisa:
R: Estou achando muito caro! [disse desanimada] Nós temos esse dinheiro?
A loira lhe sorriu suavemente. Apesar de ser um valor muito alto, ainda estava dentro do valor que ela havia pedido emprestado ao pai do Nick.
Q: Se é o que você realmente quer, nós temos sim esse dinheiro. [garantiu tranquila]
R: Eu quero!
Quinn passou a deslizar a caneta sobre o cheque e o preencheu sem qualquer hesitação. Destacou do talão e entregou à atendente.
Q: Faça constar no cadastro que Lucy Quinn Berry Fabray é a nova responsável por qualquer pagamento referente à vaga de Rachel Barbra Berry Fabray em NYADA. Aqui estão todos os meus contatos e o nosso endereço. [anotava em um formulário] Toda e qualquer comunicação deverá ser enviada a nós duas, exclusivamente. Certo?
Atendente: Sim! Tudo certo!
Enquanto a atendente ia regularizando os dados de Rachel, a morena olhava para Quinn com puro encantamento. Como ela poderia ser tão perfeita, assumindo com tanta responsabilidade as decisões mais sérias de sua vida? Aproximou-se de seu ouvido e sussurrou:
R: Eu te amo...
A loira sorriu e murmurou um “eu também te amo”...
K: Então você vai me deixar?
Estavam jantando no apartamento e Quinn havia chamado Santana e Brittany para informá-las que Rachel iria se mudar de vez para New Haven com ela.
R: Não fica chateado... [tentava amenizar, preocupada com o amigo]
K: Estou brincando! [sorriu sincero] Quero que você esteja onde se sentir mais feliz. E eu não tenho dúvidas de que isso só acontecerá em New Haven, por enquanto.
B: Acho que San e eu iremos visitá-las em breve. Podemos ficar no seu apartamento, Quinn?
Q: Claro, Britt! Você pode ficar no NOSSO apartamento! [corrigiu]
B: Claro! [sorriu de volta] No apartamento de vocês!
R: Todos vocês serão sempre muito bem-vindos!
K: Você já vai nessa segunda?
R: Já. Não preciso levar tudo de uma vez. E tenho consultas marcadas aqui em Nova York. [acariciava a barriga] Antes de ter meu próprio obstetra em New Haven, precisarei vir algumas vezes. Isso te incomoda?
K: Claro que não! Venha sempre!
Q: Continuaremos dividindo o aluguel com você, Kurt. Pelo menos, por enquanto. Não se preocupe!
K: Não estou preocupado com isso. É verdade que não conseguirei manter esse aluguel sozinho, mas eu poderia ir para um apartamento menor. Em outro lugar.
Q: Não! Você adora esse apartamento. E não é sua culpa se vamos sair. E queremos ter para onde vir quando quisermos.
S: Pelo que vejo, Fabray continua sendo bem articulada e organizada com tudo. Pensou em cada detalhe!
R: Ela é assim... Perfeita! [sorriu encantada]
Q: Pedi ao Nick para encher a geladeira de comida saudável.
R: Não precisava... Ele já fez demais por nós! A gente compraria quando chegasse.
Q: Ele precisa de ocupação. É hiperativo. Se ficar sem ter o que fazer, faz besteira.
Batidas fortes na porta foram ouvidas. Não era difícil imaginar quem poderia ser. As alternativas eram poucas. Quinn não deixou que Rachel se levantasse. Olhou para Santana que logo entendeu. A latina se levantou e foi em direção à porta, enquanto a loira fez o mesmo. Hiram entrou enfurecido assim que viu espaço. Carregava na mão um papel completamente amassado. Leroy vinha logo atrás, tentando conter a fúria do marido:
H: Você mandou arquivar meu pedido de bloqueio da sua vaga em NYADA e pediu a um juiz que o Finn se mantenha distante de vocês por, no mínimo, 500 metros?!
Quinn o segurou antes que ele se aproximasse de Rachel:
H: Me solte! [gritou com ela]
Q: Contenha-se! [gritou de volta]
Leroy puxou o marido para trás:
L: Mantenha a calma!
R: O que vocês estão fazendo aqui?
H: Tentando entender o que aconteceu com você!
R: Em que sentido?
H: Em todos! [gritou] Você não é mais a nossa filhinha! Eu desconheço você! Não a criamos para ser assim!
R: Assim como?
H: Uma vergonha!
A morena sentiu o nó se formar em sua garganta. Era incrível como Hiram se tornava especialista em magoá-la cada vez mais...
R: Saia da minha casa! [disse firme] Saia e nunca mais me procure!
H: Eu vou sair! Não se preocupe porque eu nunca mais vou te procurar. Não nos procure quando o cheque dessa víbora for devolvido sem fundos. [olhou para a loira] Contei à sua mãe do seu casamentozinho ridículo. Se você pensa que terá dinheiro para cobrir qualquer coisa que você tenha prometido a ela [apontou para Rachel], está muito enganada! Você não têm nada, nem ninguém para apoiar essa loucura toda!
R: SAIA DAQUI!
O grito da morena foi o mais alto de todos já proferidos naquele dia. Quinn se aproximou dela imediatamente:
Q: Vá para o quarto. Por favor, vá para o quarto e não se estresse! Nós não precisamos deles e você sabe disso... [olhou-a firme nos olhos chorosos]
R: Eles contaram à sua mãe sobre o nosso casamento. Você queria contar pessoalmente. Eles não tinham esse direito.
Q: Eu não me importo! [garantiu] Acredite em mim! Eu não me importo! Está tudo bem!
Na verdade, Quinn se importava um pouco. Ela sabia que Judy não apoiaria seu casamento, mas ela queria ter a chance de explicar a ela. Talvez existisse a chance remota de sua mãe, mesmo contra, não a abandonar. Mas diante disso tudo, tendo sido Hiram a pessoa que a fez saber a verdade, era quase impossível que Judy ainda a quisesse em sua vida.
Q: Por favor, saia desse ambiente e vá para o quarto! [pedia com calma]
Rachel assentiu e se moveu, mas Hiram avançou em sua direção e a puxou pelo braço:
H: Volte aqui! Ainda dá tempo de você desfazer isso tudo! Largue essa loucura toda e venha conosco! Eu prometo que pago tudo o que você quiser. Darei tudo a essa criança, mas você precisa voltar a si!
R: Me larga!
H: É sua última chance!
R: Me larga! [gritava]
Hiram segurava o braço de Rachel com tanta força, que nem Leroy e Santana juntos foram capazes de fazê-lo soltar. Quinn começou a esmurrar o braço do homem, na tentativa de fazê-lo soltar, mas ele não soltava. Rachel usou toda a sua força para se desvencilhar e girou o próprio braço, conseguindo, com jeito, livrar-se de seu pai. Mas não foi uma tarefa fácil, terminando de um jeito que ela não poderia prever. A morena se desequilibrou e caiu no chão. Quinn foi rápida e se abaixou para ajudá-la. Rachel se contorceu. A loira se assustou e a viu levando a mão ao ventre.
R: Hospital... [murmurou]
Quinn logo entendeu e a ergueu do chão, como se toda a força do mundo estivesse nela.
L: O que está acontecendo? [perguntou assustado]
Q: Ela está sangrando...
Santana avançou sobre Hiram e o encheu de tapas. Ninguém tentou impedi-la...
Quinn carregava Rachel no colo até o carro. A morena se agarrava a ela com força. A loira a colocou no banco do carona, ajeitando o cinto de segurança:
Q: Vai ficar tudo bem! Aguenta firme!
Rachel a olhou chorando e negou com a cabeça:
R: Não foi na queda... Foi antes...
A loira a beijou na testa e só conseguia repetir a mesma coisa:
Q: Vai ficar tudo bem! Vai ficar tudo bem...
Ela não tinha certeza disso...
Quinn correu o máximo que pôde, sem se preocupar com qualquer multa de trânsito. Era irrelevante... Rachel chorava de dor:
R: Eu estou perdendo, Quinn. Eu sinto...
Q: Não fala isso! Vai ficar tudo bem! Você já sangrou antes e ficou tudo bem...
Quando parou em frente ao hospital, a loira correu para o lado de Rachel, gritando para que trouxessem uma cadeira de rodas. Quando retirou a morena do carro, viu que o banco estava ensopado de sangue. Ela estremeceu de medo. Não deixou que Rachel olhasse para trás e saiu a empurrando hospital adentro.
Os minutos seguintes passaram quase que em câmera lenta. A morena não demorou a ser atendida. Não foi por isso... Mas era impossível Quinn não relembrar tudo o que passaram para chegar até ali. Todas as roupinhas compradas, todos os sonhos que elas passaram a fazer juntas. De alguma forma ela sentia como se o bebê também fosse dela também. E, o mais importante: Rachel era dela! E todas as dores eram das duas...
A morena foi colocada numa maca e levada à emergência. Quinn não soltava a mão dela por nada no mundo:
R: Não me deixa! Não me deixa sozinha...
Q: Não deixo, meu amor... Nunca deixarei...
Por sorte, havia um obstetra plantonista à disposição e logo se aproximou com os aparelhos necessários. O primeiro passo seria escutar os sinais vitais do bebê. O sangramento era grande e todos ficaram assustados. O médico buscava incansavelmente e o olhar de Rachel não parava de buscar o de Quinn. A loira segurou a mão dela com força e beijou quantas vezes foi possível...
Elas não haviam escutado nada, a não ser o médico murmurando algumas coisas ininteligíveis. Até que a voz dele se fez mais alta:
“Sinto muito...”
Elas não precisavam ouvir mais nada...
Quinn olhava ao redor e não havia ninguém conhecido ali. No desespero, ela levou Rachel ao hospital sem esperar que qualquer amigo as acompanhasse. Elas estavam sozinhas ali... Sozinhas como nunca estiveram na vida. Rachel não esboçou nenhuma emoção imediatamente. Parecia que estava imersa num pesadelo. Ela iria acordar a qualquer momento e tudo ficaria bem... Tudo parecia silencioso de repente. Elas não escutavam mais nada além de seus próprios corações acelerados. Elas faziam parte de uma equação cujo total era três. Tinham se acostumado a pensar que seriam assim. Tudo estava se desenhando para uma vida com Jeremy. Elas seriam felizes. Eram quase três... Agora eram duas de novo e elas já não sabiam mais ser assim...
Rachel desmaiou...
[CONTINUA...]
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