Ensina-me A Ser Tua

5 Capítulo 5 - "Você pensou em mim?"


A reação de Rachel não foi das melhores. A quem Quinn queria enganar afinal? Como que seria possível um encontro entre elas não ser tenso? Desde o momento em que ela viu a morena na festa, sentiu que não tinha como ser um encontro “normal”. Mas o que ela teria que fazer? Ignorar a presença dela não era opção. Nunca seria. Mesmo que quisesse, jamais conseguiria. Poderiam não se buscar, mas se repelir já era algo bem diferente... Sua cabeça estava uma bagunça. Dois meses fingindo que estava tudo bem não foi tempo suficiente. Dois meses apenas parecem nada, mas 61 dias é muita coisa! São dias intermináveis quando se está obcecada no mesmo pensamento, na mesma necessidade. Foram eternos 61 dias sem Rachel...

A cabeça ainda doía, mas não poderia ser diferente: passar a noite chorando só poderia resultar nisso. A luz do sol parecia queimar sua córnea. Droga! Já era dia e Rachel não fazia ideia de como lidar com a presença de Quinn na cidade. Claro que o fato de ser Nova York era determinante para que elas não se encontrassem, afinal, a cidade era grande o bastante para garantir que não se vissem nunca mais. Mas para que mentir para si mesma? Lógico que ela não conseguiria se segurar... Finn tinha dormido ao seu lado, preocupado com seu estado. Como ele poderia ser tão inocente e acreditar que seu choro sem fim era de saudade dos pais? Rachel sentia-se cada vez pior por ele.

A morena preparou seu próprio café, além de preparar um belo café da manhã para Finn. Ele merecia, afinal... O rapaz acordou ainda preocupado, mas se sentiu aliviado por vê-la melhor. Extremamente carinhoso, conseguiu fazer com que ela retribuísse suas carícias, mas não insistiu em nada mais íntimo. Com o tempo, ele aprendeu o momento de parar de insistir. Ele não entendia porque já não faziam sexo desde que chegaram em Nova York. A última vez que haviam transado estavam em Lima e Rachel estava carinhosa e receptiva. Todas as vezes em que ele tentou algo mais na nova cidade, ela tentava justificar a recusa com inúmeras desculpas que já estavam difíceis de engolir. Ele não queria, mas começou a se preocupar com a existência de um motivo maior por trás disso e não sabia quanto tempo mais aguentaria sem pressionar a namorada a lhe dizer o que realmente se passava.

Já havia passado da hora do almoço e Kurt tinha saído com Brittany para fazer compras. Finn tinha saído com Puck para enfrentarem a fila quilométrica do grande jogo de baseball que esperavam séculos para ver. Rachel precisou insistir muito para que Finn fosse, pois ele queria ficar com ela, para ter certeza de que estava tudo bem, mas ela garantiu que ele poderia ir. Ela ficaria bem... Ficaria mesmo?

Quinn não saía de sua cabeça. O que esse fato tinha de diferente dos outros dias? Agora ela estava ao seu alcance... Precisou de um banho demorado e de umas três xícaras grandes de café. Concluiu que seria mais prático beber direto da cafeteira. Na próxima vez, lembraria disso...

Batidas na porta a tiraram de seus devaneios. Deixou a última xícara de lado e foi abrir. Oh droga! O deslizar da imensa porta do loft revelou a figura lindamente perfeita de Quinn à sua frente. As duas petrificaram. Mas, como sempre, a loira mantinha uma pose mais segura. Quinn Fabray era especialista nisso.

Q: Posso entrar? [perguntou com sua linda voz suave]

R: Sim... Claro! [afastou-se dando-lhe passagem]

Q: Excelente lugar! [disse olhando o espaço à sua volta]

R: Foi Kurt quem decorou. [conseguiu disfarçar o nervosismo na voz]

Q: Ele tem talento! [sorriu suavemente]

R: Como... Como soube o endereço? [perguntou confusa]

Q: Kurt...

R: Oh...

Q: Conversamos bastante quando você saiu da festa. [disse naturalmente]

R: Er... Quanto àquilo, desculpe pelo que eu disse. [falou constrangida]

Q: Não. [disse calma] Desculpe fazer você se sentir daquela forma. Nunca foi minha intenção. Vim aqui me desculpar.

R: Se desculpar... [não conseguiu disfarçar seu desapontamento por ser essa a razão de ela estar ali]

Q: Sim. Achei que deveria. [esclareceu]

R: Desde quando fazemos o que devemos?

Foi impossível não rirem da ironia dessa pergunta.

R: Quer café? Fiz litros. [ofereceu apontando a cozinha]

Q: Não. Obrigada! [sorriu levemente]

R: Chá?

Q: Aceito.

Rachel estava nervosa. A presença de Quinn era pura eletricidade para ela. Sentia-se nua em sua presença. Arrepios constantes... Sentia os dedos da loira em seu interior. Oh droga!

Quinn percebia o nervosismo da morena. Sentia-se igual, embora soubesse disfarçar melhor. Rachel estava linda. Aos seus olhos, estava magnífica. O jeito caseiro despojado de se vestir não escondia a mudança de visual. O corte de cabelo havia mudado. O andar estava um pouco diferente. Devia ser por causa das aulas de dança. Uma mudança artística de postura, talvez...

Q: Gostei do seu novo visual! [disse de repente]

Oh droga! Rachel derrubou a xicara. Quinn se apressou para ajudá-la a limpar, mas não foi rápida o suficiente para evitar que a morena se cortasse.

Q: Espera! Precisa lavar. [disse enquanto levava a mão da morena à pia]

Tinha sido o primeiro toque após 61 dias. Já tinha passado tempo suficiente para totalizar 62? Não sabiam. Estavam entorpecidas demais com a sensação de suas peles se tocando novamente. Não queriam cortar esse contato.

Q: Você tem curativo?

R: Sim... Eu tenho. [disse se afastando para pegar]

Não foi um corte profundo. Logo estava protegido por um curativo com desenhos infantis. “Tão Rachel Berry”, Quinn pensou...

A loira servia-se do chá oferecido por Rachel, enquanto a morena tentava ocupar-se com algo que evitasse seu inevitável olhar sobre ela. Mas Quinn era mais surpreendente do que ela pensava:

Q: Brincamos com fogo, não foi?! [disse com um sorriso que camuflava seu nervosismo]

R: O quê? [perguntou um pouco confusa]

Q: Não pensamos mesmo nas consequências... É difícil lidar com elas, não?!

R: O que você... [demonstrou nervosismo com o assunto]

Q: Ok, Rachel! Entendi... Não vamos falar nisso. Desculpe! Posso conhecer o resto do apartamento? [tentou dissimular]

R: Claro! [disse enquanto a levava para conhecer cada canto]

O seu quarto foi o último lugar. Quinn olhava ao redor e se encantava com cada detalhe do ambiente. Tinha, praticamente, todos os ícones que caracterizavam Rachel. Era um quarto aconchegante. Seus olhos pararam no calendário na parede. A morena gelou. Quinn se aproximou dele e logo entendeu que aquele período de tempo correspondia ao tempo que não se viam. Não imaginou que significava os dias em que estava na cabeça de Rachel. Aquele calendário lhe doeu.

Q: Adorei seu apartamento! [voltou a olhá-la com ternura] Eu preciso ir! [caminhou em direção à porta do quarto]

R: Você pensou em mim? [soltou]

Q: O quê? [assustou-se com a pergunta]

R: Em algum momento, durante esse tempo, você pensou em mim? [seu tom era sofrido]

Q: Você não deveria me perguntar isso.

R: Por que não? Você acabou de ver o meu deprimente controle dos dias em que pensei em você! [mantinha o tom]

Oh droga! Então era isso que significava...

R: Você pensou em mim uma única vez? [insistiu]

Q: O tempo inteiro... [respondeu vencida, olhando-a nos olhos]

Rachel diminuiu a distância entre elas e se colocou à sua frente. Quinn estremeceu. Estavam tão próximas que a loira sentia a respiração da morena em seu queixo.

R: Me beije! Por favor, me beije! [pediu necessitada, fechando os olhos]

Talvez não fosse a coisa certa a se fazer. Talvez fosse a segunda maior loucura de sua vida, mas Quinn fez! Puxou Rachel pela nuca e a beijou. O desejo entre as duas era tão forte que a morena agarrou-se imediatamente a seu corpo. Sentir a língua de Quinn invadir sua boca de novo era como se sentir viva novamente, depois de 61 dias (ou 62?) indiferentes e inexpressivos. Sentir os lábios de Rachel de novo era a redenção para Quinn Fabray. Depois de noites mal dormidas, noites não dormidas e dias intermináveis, tinha em seus braços, novamente, a pessoa que a levava à loucura.

O desejo as levou para a cama. As mãos de Quinn voltavam a se fazer presentes no corpo de Rachel, enquanto as mãos da morena se agarravam aos cabelos loiros só um pouco mais longos do que da última vez em que estiveram juntas dessa forma. A loira devorava os lábios carnudos com extrema adoração e chupava a língua de Rachel com propriedade, como se fizesse aquilo todos os dias desde que nasceu. Estavam entregues novamente. Mais de sessenta dias depois, davam continuidade ao momento que nunca deveria ter sido deixado para trás. A blusa de Rachel foi retirada e o sutiã voou junto com ela. Os lábios de Quinn voltaram a tocar a pele do colo moreno, fazendo-a gemer de prazer. Rachel revirava os olhos enquanto suspirava entre gemidos. A sincronia entre a boca de Quinn em seus seios, chupando-os e lambendo-os, com a mão direita da loira invadindo a calça de moletom que a morena usava, estava levando-a à beira da loucura. Quando a mão de Quinn invadiu sua calcinha e sentiu seus dedos deslizarem por sua entrada, Rachel soltou um gemido rouco e abriu os olhos para se deparar com o olhar intenso dos olhos verdes que a derretiam.

K: BARBRA! Você está em casa? [os gritos de Kurt ecoavam pelo apartamento]

Oh droga! Por que logo agora? Oh meu Deus! Ele iria entrar a qualquer segundo...



[CONTINUA...]


Notas finais
Estou empolgada com essa fic. :) E fico muito feliz por ver que estão gostando mesmo!
Quero aproveitar e dizer aos leitores de "Você sempre esteve em mim" que não estou deixando a fic de lado. NUNCA! Não postei ainda o último capítulo da fase porque estou aperfeiçoando. Está sendo mais difícil do que eu pensava. Peço que me perdoem se não conseguir postar hoje. Até porque, hoje é um dia complicado. Dia de festa. Mas, no mais tardar, amanhã, "Você sempre esteve em mim" estará postada.
Aguardo reviews! :)
Qualquer dúvida, podem mandar mensagem inbox.
Beijos!