Ensina-me A Ser Tua

30 Capítulo 30 - Dia das namoradas (parte 2)...


Horas haviam passado e elas continuavam na cama. Parecia que aquela era uma ótima opção de passar aquele dia. Ótima? Era a MELHOR opção!


R: Você se supera a cada vez... [murmurou exausta, depois de Quinn levá-la ao orgasmo mais uma vez]

Q: Nos superamos... [corrigiu enquanto beijava-lhe a têmpora]

R: Eu não sei o que você planeja para hoje... [aconchegou-se mais] Mas se quiser continuar nessa cama eu não reclamarei...

Q: Huuum... É uma excelente opção! [sorriu] Mas eu gostaria de te levar pra jantar.

R: Vai me levar pra jantar? [ergueu-se animada]

Q: Vou levar minha garota pra jantar! [afirmou sorridente]

R: Preciso de roupa! [disse se levantando] Saí de casa tão apressada que não trouxe nada.

Q: Deve haver algo meu que dê em você.

R: Eu não vou ao nosso primeiro jantar romântico usando algo seu. Eu preciso te surpreender! [piscou-lhe]

Q: É?! [arqueou a sobrancelha sorrindo] Eu já disse que já te vi em sua melhor forma. Inclusive, estou vendo agora. [olhou o corpo nu da morena por inteiro] Você não precisa se produzir para mim.

R: Mas eu quero! [sorriu corada]


Enquanto Rachel saiu sozinha para comprar um vestido e procurar um salão de beleza, Quinn ouvia o sermão de Nick por ter faltado aula mais uma vez. As matérias iam se acumulando e a loira estava, realmente, precisando correr. Mas era uma ocasião especial, ela poderia pensar na faculdade depois. Nick estava feliz por ela. Por elas, aliás, e se prontificou a estudar com Quinn quando Rachel fosse embora. Graças à influência da família do rapaz, a loira conseguiu reserva num dos melhores, mais caros e mais disputados restaurantes de New Haven. Rachel merecia um encontro perfeito.


Quinn estava pronta no apartamento de Nick, esperando que a morena a avisasse que poderia voltar ao seu. Tinha recebido ordens expressas de deixá-la se arrumar sozinha. Quando recebeu a mensagem autorizando sua volta, a loira correu sem sequer piscar os olhos. Ao abrir a porta do apartamento, sentiu o perfume de Rachel na sala. Sinal de que ela tinha passado por ali há pouco tempo.


Q: Rachel? Rach? [chamou calma, vendo-a surgir pelo corredor]


Quinn perdeu o ar. Rachel perdeu o ar. Ao se olharem viram como estavam lindas. A loira usava um vestido vermelho com um decote em “V” tanto na frente como nas costas, com a saia plissada, até a altura dos joelhos. Mantinha a mesma maquiagem que escondia o arranhão provocado pelo tapa de Rachel, o que não era difícil, por ter sido bem superficial. A morena usava um vestido mais curto preto, tomara-que-caia, com os cabelos presos numa trança lateral solta, deixando seus ombros livres para a completa admiração de Quinn.


Q: Eu não quero mais jantar! [sua voz era rouca de desejo ao admirar o corpo perfeito à sua frente]

R: Isso foi um elogio? [perguntou tímida, sentindo-se nervosa, com um sorriso lindo]

Q: Totalmente! Você está linda! [dizia hipnotizada] Desculpe dizer, mas você está incrivelmente gostosa! Faz com que eu me esqueça de que há um mundo lá fora... [disse se aproximando e puxando-a pela cintura]


Rachel deu-lhe um beijo delicado nos lábios, enquanto suas mãos passaram a acariciar a nuca de Quinn:


R: Acredite que eu queria ficar aqui. Queria tirar esse seu vestido e mostrar o quando eu te desejo agora. O quanto te desejo sempre... [sussurrou sobre seus lábios, fazendo Quinn se arrepiar] Mas poderemos fazer isso mais tarde... Agora eu quero ver o mundo lá fora com você...


Rachel estava impressionada com o restaurante escolhido. Era lindo! Durante todo o tempo Quinn não tirou os olhos dela. Toda a atenção da loira estava voltada para a morena. Não havia uma pergunta que ela não respondesse ou um comentário ao qual ela não reagisse. Rachel nunca se sentiu tão ouvida, tão apreciada intelectualmente. E sabia que Quinn não fazia aquilo apenas para agradá-la. A loira realmente gostava de ouvi-la falar. A troca de olhares era intensa e a música ambiente era gostosa. O vinho escolhido para o jantar era perfeito. E quando Rachel pensou em comentar sobre o quanto o restaurante deveria ser caro, a loira lhe calou a boca ao beijar sua mão carinhosamente. Quinn era a princesa com atitudes mais cavalheirescas do mundo. Rachel se derretia por isso.


Aproveitaram que a noite não estava muito fria e caminharam um pouco quando saíram do restaurante. A paisagem verde de New Haven deixava Rachel encantada. Ter Quinn a seu lado a deixava encantada...


Q: Se seu salto incomodar, me avise que pegaremos um táxi. [disse atenciosamente calma]

R: Não vai incomodar. [tranquilizou-a sorrindo]

Q: Posso? [perguntou temerosa ao tocar a mão da morena]

R: Claro que pode! [sorriu amplamente]


Quinn juntou suas mãos e entrelaçou seus dedos. Esse pequeno gesto encheu as duas de calor. Era algo tão simples, mas com um significado tão imenso, tão intenso... Duas lindas garotas caminhando de mãos dadas pela rua, agraciadas por uma brisa confortável e as luzes da noite. Ninguém as incomodava, ninguém as olhava com estranhamento. Era como se estivesse mais do que claro que aquela era a mais sincera expressão do amor puro. E assim era...


R: Eu moraria aqui... [disse calma, olhando ao redor]

Q: Deixaria Nova York e todo aquele barulho ensurdecedor? [sorriu surpresa]

R: Deixaria. [respondeu segura] Seria perfeito se a Broadway fosse aqui!

Q: Não é longe. Quem sabe, no futuro, você não vem morar aqui? [sorriu animada] Então aqui seria sua casa e Nova York seu trabalho.

R: Me parece uma excelente ideia... [apertou sua mão]

Q: Com certeza é... [devolveu o aperto]

R: Mas, sabe... Lá também tem excelentes hospitais! Quem sabe você não resolve morar lá? [disse tímida]

Q: Já pensei nisso... [confessou]


Falavam sobre o futuro implicitamente. É claro que pretendiam estar juntas...


R: Nunca te perguntei por que você escolheu medicina. Você sempre se imaginou médica?

Q: Já me imaginei sendo muita coisa, mas sempre gostei de pensar que poderia ser médica. Quando sofri o acidente, acabei gostando mais. Gosto de cuidar, gosto do controle. Gosto de resolver e consertar as coisas. Gosto de ser útil. Claro que não é só isso. Mas essa é uma forma simples de explicar. [dizia calma]

R: Você não é simples... [sorriu] Como se imagina daqui a dez anos? [olhou-a curiosa]

Q: Com você! [respondeu simples] Eu me imagino com você... [insistiu]


Rachel ficou corada e sentiu seus joelhos tremerem. Quinn a havia pego completamente de surpresa. Uma conversa simples havia se tornado uma declaração de amor. Singela, discreta, sincera...


R: Podemos andar mais rápido? [perguntou ansiosa]

Q: Frio?

R: Não! Desejo... [respondeu firme]


Só não correram porque os saltos não permitiam, mas andavam o mais rápido que conseguiam. Estavam, praticamente, atropelando os outros casais na rua. Era um dia especial para muita gente, então era óbvio que a cidade estava cheia de pessoas tentando demonstrar romantismo aos quatro cantos. Mas nenhum casal estava dividindo algo tão especial. Elas eram o casal mais especial daquela noite...


Quando chegaram ao apartamento, Quinn logo puxou Rachel para si, tomando-lhe um beijo urgente, cheio de desejo...


R: Espera... [pediu com dificuldade, já que não queria cortar o beijo tão cedo]

Q: O que foi? [perguntou confusa]


Rachel se afastou um pouco, com um sorriso nos lábios, o que indicava que não havia qualquer problema. Foi até o quarto, deixando Quinn sozinha na sala. Voltou rapidamente com uma caixinha de presente em mãos.


R: Feliz dia das namoradas! [estendeu-lhe a caixa]

Q: Um presente? [surpreendeu-se]

R: Sim. Quando eu vi hoje cedo, vi que era o presente perfeito!


Quinn abriu ansiosa e se encantou com o lindo relógio de platina.


Q: Oh meu Deus! Rachel, é lindo! [retirava da caixa para colocá-lo no braço]

R: Ele tem um alarme. Eu já o programei. Todos os dias, quando ele tocar, você vai me ligar para me dar boa noite... [disse com um sorriso doce]

Q: Todos os dias... [sussurrou em tom de promessa] Bom... Já que é a hora dos presentes... [foi até o quarto buscar o que havia comprado para ela]

R: Você já pagou o jantar, Quinn! [repreendeu]

Q: O jantar não era um presente. [justificou] Não tive muito tempo para comprar. Só o tempo em que você ficou fora. Mas espero que goste... [disse docemente]


Quando Rachel abriu o presente, sentiu seu coração bater descompassado. Uma linda pulseira de ouro com um discreto pingente de uma nota musical estava numa elegante caixa.


Q: Eu procurei por uma estrela, mas acredite, eu não encontrei. Então esse pingente foi o que mais se aproximou de você.


Rachel se atirou em seus braços. Sabia que aquela pulseira tinha sido cara. Sabia que o jantar tinha sido caro. Não que essas coisas materiais fossem importantes. Mas se sentia feliz ao ver que Quinn tentava agradá-la de todas as formas.


R: Eu amei! Amei! [agradecia em seu ouvido] Eu te amo...

Q: Eu te amo...


Antes que voltassem ao calor de antes, o celular de Rachel começou a tocar. Foi então que ela percebeu que não o havia levado ao jantar. Ao se aproximar do aparelho viu que era Finn. A expressão de seu rosto fez Quinn entender. Buscou forças onde não sabia que tinha e se aproximou da morena:


Q: Estarei no quarto... [beijou-lhe levemente os lábios, dando-lhe espaço para atender, caso quisesse]


O telefone parou de tocar. Só então Rachel viu que havia cerca de vinte ligações de Finn. Ele devia estar desesperado. Voltou a ligar. Ela sentiu que não havia outra saída, senão atender:


R: Alô... [atendeu temerosa]

F: Rach? [demonstrava toda sua ansiedade]

R: Oi, Finn... [respondeu cansada]

F: Hoje é dia dos namorados. [disse rápido] Onde você está? [perguntou preocupado] Kurt não quis me dizer. Por favor, eu preciso te ver!

R: Finn, nós terminamos ontem. [disse calma, respirando fundo]

F: Você não pode levar isso à frente. Hoje é dia dos namorados, Rach... [insistia]

R: Finn... Não faz isso! [pedia chorosa] Terminamos. Hoje não é mais um dia “nosso”.

F: Não faça isso, Rach! [começava a chorar] Eu preciso de você, meu amor... Eu prometo fazer tudo ficar perfeito! Como era antes... Por favor, me diz onde você está. Me dá uma nova chance.

R: Pare, Finn! Por favor, pare! [suplicava] Eu sinto muito, mas acabou. Por favor, entenda!

F: Eu não posso entender! [chorava mais] Eu não quero entender! Eu não posso, nem vou ficar sem você! Eu te amo, Rach! E eu sei que você também me ama! Você só está confusa. Mas nós vamos resolver isso.

R: Me perdoe, Finn. Mas acabou... Desculpe! [finalizou a ligação, desligando o telefone por completo]



Sentou-se no sofá e seu choro se intensificou. Já esteve naquela situação antes, naquele mesmo sofá. Era óbvio que as coisas não estavam perfeitas. Estar em New Haven lhe dava uma breve sensação de que as coisas estavam bem. Mas é claro que não estavam. O término com Finn era muito recente. Por mais que para ela o namoro deles já estivesse acabado há mais tempo, não era algo tão simples de se considerar. Eles tinham feito planos juntos. Ele mudou os planos por causa dela. Ele havia sido tudo o que ela tinha por um bom tempo... Ele tinha sido aquele que ela havia pensado ser o amor de sua vida... Novamente, Quinn apareceu para lhe acalentar. A loira a puxou para o quarto carinhosamente. Só então Rachel percebeu que ela havia trocado de roupa. Quinn estava de pijama e tinha separado um para ela também. É claro que a loira havia entendido que elas não teriam mais sexo naquela noite. Não havia mais clima. Enquanto Rachel estava ao telefone, ela não conseguiu evitar ouvi-la. Sentiu-se feliz por ver a recusa da morena, mas se sentiu profundamente triste ao ver o quanto ela estava agoniada. Mais uma vez, ela seria o que ela precisava que ela fosse. E ela sabia que tudo o que ela precisava era de carinho...


Rachel chorava em seus braços. Quinn sabia que não podia fazer nada para que ela se sentisse melhor. Então, dava-lhe o conforto de seu abraço protetor. Nos toques delicados sobre a pele, na carícia singela em suas costas, dizia que estava com ela para tudo...


R: Me desculpa... [pediu envergonhada]

Q: Você não tem que se desculpar... Vai ficar tudo bem! [dizia carinhosa, com a voz doce]

R: Eu não sei explicar como me sinto. [chorava menos] Estou arrasada por fazê-lo sofrer, ao mesmo tempo em que nunca estive tão feliz em toda a minha vida, como estou com você. [esclarecia] Eu sinto essa dor em meu coração, de quem mentiu, de quem traiu, de quem abandonou... Mas sinto esse calor dos seus braços, de seus beijos... E me conforta. E me diz que não sou uma vilã...

Q: Você não é uma vilã! [beijava-lhe carinhosamente o ombro]

R: Eu te amo... Me desculpe estragar esse dia! [voltava a chorar mais] Mas eu preciso que você não tenha dúvidas quanto a isso: Eu te amo! Não importa o quanto eu chore por magoá-lo. Não importa quantas vezes você me pegar com o pensamento distante... Eu sempre estarei te amando. [disse firme] Não há nada que eu queira mais do que estar com você. E só Deus sabe o quanto isso me faz feliz. O quanto você me faz feliz! [insistia]

Q: Shhhh... [tentou calá-la] Não se preocupe! [beijou-lhe delicadamente os lábios] Eu entendo... Vamos dormir! [puxou o cobertor sobre elas, apertando-a mais em seus braços]

R: Desculpa! Deveríamos estar comemorando... [murmurou chorosa em seu pescoço]

Q: Teremos muito tempo para isso... [beijou-lhe a testa, voltando a abraçá-la como antes]

R: Mas hoje é dia das namoradas... [disse tímida]

Q: Deixa eu te contar um segredo? [mantinha um suave sorriso]

R: Qual? [olhou-a esperançosa]

Q: Todos os dias serão nosso dia... Porque eu te amo, ok?!


E Rachel Berry era, definitivamente, amada como sempre sonhou...



Notas finais
Como prometido, aqui vai mais um capítulo hoje... ;-)
Espero que gostem!
Para quem também acompanha "Você Sempre Estava Em Mim (parte 2)", aviso que ainda vou concluir o novo capítulo, por isso, não garanto que postarei hoje. Tentarei. Mas, caso não consiga, ele será postado nesta madrugada ou amanhã bem cedo.
Beijos e comentem! :-)