Ensina-me A Ser Tua

67 Capítulo 67 - Entendendo Rachel...


Rachel beijava o pescoço de Quinn devagar, deslizando os lábios suavemente sobre a pele macia e cheirosa... A febre havia quase desaparecido e a loira parecia não estar tão frágil como antes... Havia um tempo em que não ficavam daquela maneira, tão suave, tão calma... Ela tinha a nudez da loira de novo em suas mãos. Elas faziam amor novamente... Como ela tinha sentido saudade daquilo! Saudade do ronronar baixinho que Quinn emitia quando ela a beijava no canto abaixo da orelha. Da língua da loira entrando em sua boca e se deliciando por lá... A morena se encantava com a pele da loira se arrepiando ao mínimo toque de sua pele. Os seios perfeitos, o cheiro intoxicante... Como ela pode pensar que conseguiria viver sem aquela intimidade? Como ela conseguiu acreditar que conseguiria ficar sem Quinn? Não... Ela não conseguiria. Ela não queria. Ela não ficaria...

R: Eu te amo... [sussurrava em seu ouvido] Eu te amo...

As coisas não estavam perfeitas, mas elas tinham a esperança de que ficariam... Rachel levou Quinn a Yale. Garantiu que estava bem o suficiente para dirigir e fazer as compras da casa. Tudo correu bem. Ela se sentiu aliviada por terem passado mais um dia juntas sem brigar. Estava feliz por terem feito amor, por não ter sentido qualquer tensão enquanto tocava o corpo da esposa... Sentiu-se bem por sair de casa e ver pessoas nas ruas, ver trânsito, barulho de vida, céu azul, árvores frondosas, por respirar ar puro... Voltou para casa se sentindo satisfeita por ter se movido além do que vinha fazendo nos últimos tempos. Por ter tentado dar à Quinn certa leveza e carinho... Ouviu a porta bater e se surpreendeu com Nick em sua porta:

R: Você não tem aula?

N: A aula de hoje terminou mais cedo. A Quinn ainda não chegou?

R: Não... Pensei que ela estivesse com você.

N: Ela disse que tinha que ir ao Conselho Estudantil e não quis minha companhia.

R: Devo ficar preocupada?

Nick a olhou confuso e deu de ombros:

N: Creio que não... Eu volto depois, então. [moveu-se para sair]

R: Eu sei que você deve estar me odiando.

O rapaz se virou para olhá-la:

N: Claro que não!

R: Tem certeza?

N: Não sou nenhum idiota, Rachel! [disse atencioso] Não vou diminuir seu sofrimento porque não faço ideia do quão doloroso foi para você passar por tudo o que passou...

Rachel indicou o sofá para que ele sentasse e sentou ao lado dele. Demorou um pouco para começar a falar, então ele apenas esperou que ela começasse:

R: Eu estava sufocada pelo desejo que sentia por ela. Eu a via pelos corredores, nas salas de aula, no refeitório, na quadra, no campo, na sala do glee, no auditório... E em todas as vezes em que a via eu perdia a noção do que estava acontecendo ao meu redor. Eu só a enxergava. Ela era tudo o que eu queria enxergar... Eu queria tocá-la, beijá-la, senti-la perto... Quando ela se aproximava eu puxava todo o ar que podia para que o perfume dela entrasse em mim... [fechou os olhos como se sentisse tudo de novo] Eu estava ficando louca com tudo aquilo... Se o Finn me beijava eu tentava imaginá-la no lugar dele. Eu não o queria mais, embora ainda o mantivesse em minha vida. [olhou-o firme] E eu sabia que ela também me queria, mas também sabia que ela não assumiria isso, que ela não daria o primeiro passo. Quinn já tinha cometido muitos erros na vida dela e ela achava que eu seria mais um. Então a coerência com que ela tentava agir a impedia de aceitar que ela sentia o mesmo que eu. Então eu a provoquei, eu exigi que ela se entregasse a mim e ela assim o fez. Senti-la tão perto de mim, sentir o beijo dela finalmente... [sorria nostálgica] Foi o momento mais feliz da minha vida! Tudo passou a fazer sentido. Eu respirei novamente... Eu enlouqueci por ela desde a primeira vez que a vi. Enlouqueci de diversas formas que pareceram outras coisas, mas desde sempre era o desejo de tê-la para mim, mesmo que eu não entendesse isso... Ela tem sido toda a força que eu não consegui ser diante de tudo o que aconteceu. Ela amou o Jeremy como se fosse dela. [a voz embargou] Eu o fiz ser dela também, porque tudo meu, tudo em mim, pertence a ela. Eu pertenço a ela de uma forma que eu não sei explicar. É visceral demais! [encheu os olhos de lágrimas] Chega a ser patológico, eu acho... E talvez por isso eu tenha pensado em me afastar um pouco. Porque eu cheguei a pensar que não consigo raciocinar direito perto dela. Eu sou tomada por esse desejo desenfreado, essa necessidade absurda de ser possuída por ela e de pertencer... Pertencer a ela de todas as formas... Como eu me senti no carro dela quando a pressionei para ficar comigo. Eu precisava tanto tê-la comigo, tê-la em mim, que eu não raciocinei sobre as consequências daquilo. Era tão difícil me controlar perto dela! Tão sufocante! A vida tão perto e tão longe dela era tão claustrofóbica! Ela me dá o controle que eu não consigo ter sozinha... E eu não sei como eu pude pensar que eu tinha o direito de me afastar dela mesmo que fosse por pouco tempo. Mas em nenhum momento foi por falta de amor. Em nenhum momento. Eu a amo tanto, mas ela não tem a menor noção do tamanho desse amor. Porque eu não sei explicar, nem demonstrar da forma como ele realmente é. Porque parece uma loucura. Parece muito maior do que é possível... E o tanto que ela abriu mão por mim, o tanto que ela vem se dedicando a mim, a nossa relação, só me prova que ela merece tudo o que eu sinto, ainda que eu não saiba demonstrar da melhor forma... Ainda que agora eu tenha criado dúvidas nela do que eu sinto. Do que eu sou capaz de fazer por nós duas. Por ela...

N: Você não me deve explicações, Rachel!

R: Devo sim! Você tem sido um excelente amigo para ela e para mim! Tem feito coisas incríveis, assim como seu pai! Eu sei que você arrumou o apartamento retirando as coisas que me lembrassem do Jeremy quando eu chegasse. Você encheu a geladeira como ela pediu. Você ficou lá embaixo esperando por nós para me carregar escada acima... Eu estava quebrada! Vazia... E ainda estou! Eu e Quinn sonhamos com Jeremy e a vida que levaríamos com ele. Então perdê-lo significou também perder o futuro que estávamos desenhando... Eu fiquei perdida e ainda estou... Mas eu não posso e não vou me perder dela. Ela não se perdeu de mim quando podia ter se perdido. O amor dela por mim falou mais alto. Então o meu amor por ela vai continuar me guiando... Eu não vou me perder dela... E eu vou me encontrar de novo. Eu vou me preencher e vou me consertar... Com ela ao meu lado! Por ela! Por nós! Por Jeremy...

N: Não me deve, mas tudo bem! Eu entendo... Acho que entendo... Penso se você não deveria procurar um psicólogo, ou algo assim. Vocês passaram por algo muito complicado e são jovens demais para lidar com isso sozinhas! Se eu puder dar um conselho, digo que procure um psicólogo para vocês duas. Para ajudar a superar isso tudo sem destruir vocês, nem o que vocês têm...

Aquelas palavras de Nick fizeram algum sentido. Tanto que Rachel se viu pensando seriamente naquilo...

Quinn chegou em casa uma hora depois que a conversa entre Rachel e Nick havia acabado. A morena estava assistindo televisão quando a loira abriu a porta. Seu semblante era um misto de seriedade e calma estranha. Ela caminhou até o sofá e se sentou, colocando a mochila no chão. Pegou um envelope branco de dentro dela e descansou as costas no encosto. Rachel esperou que ela dissesse alguma coisa, mas o silêncio imperava. Não conseguiu esperar mais:

R: Como foi seu dia?

Quinn respirou fundo e abriu o envelope, colocando os papéis sobre as pernas:

Q: Yale me deu um ultimato. Ou eu tiro A em todas as provas ou eu terei que repetir o ano inteiro por minhas faltas. Mas eu posso assinar o termo de desistência e me afastar das aulas que ainda faltam, voltando no próximo ano letivo sem precisar repetir duas matérias, que são as únicas em que eu não estou pendurada...

Rachel não gostou de ouvir nada daquilo, mas se manteve calma para entender o que se passava na cabeça de Quinn:

R: OK... Você já conseguiu pensar no que quer fazer? [perguntou com cuidado]

Quinn negou com a cabeça. Nenhuma das opções parecia boa para ela:

Q: Eu não sei o que decidir... Talvez eu deva desistir... Assinar esse termo e voltar para lá no ano que vem. Eu quero ser uma grande médica e não uma medíocre. Eu quero estudar de verdade e fazer o curso bem feito. Estou em Yale. Não é qualquer universidade. Eu consegui sozinha entrar lá. Eu consegui com as minhas notas, com minhas atividades extracurriculares. Todos os anos como capitã das Cheerios serviram para mostrar no meu currículo espírito de liderança e disciplina. Mas eles não enxergam isso em mim. Não quando eu falto às aulas e perco provas... Eles têm tanto a me oferecer e eu não aproveitei tudo isso! E agora eu pareço um péssimo investimento para eles! Eu quero aproveitar com calma e acho que não tenho essa calma agora.

A culpa que abateu Rachel não poderia ser controlada. Sem que ela percebesse, estava chorando. Silenciosamente. Como se seus olhos produzissem lágrimas sem avisar ao seu cérebro. A situação em que Quinn se encontrava na faculdade era, para ela, claramente sua culpa. As aulas não vistas, a provas não feitas, tudo aquilo só tinha acontecido porque a loira estava com ela quando deveria estar cuidando da própria vida...

A morena se levantou, chamando a atenção de Quinn que, até então, não tinha percebido que ela tinha chorado:

R: Você tem até quando para decidir?

O alerta da loira foi ligado e logo seu rosto se transformou em preocupação. Levantou-se rapidamente e se aproximou de Rachel:

Q: Por que você está chorando?

R: Porque eu me sinto culpada por você estar passando por isso. [passava a mão no rosto para limpar as lágrimas] E eu quero te ajudar de alguma forma e preciso de tempo para pensar sobre o que posso fazer por você. O que posso fazer para consertar isso?

Q: Hey... [levou as mãos ao rosto dela] Não é culpa sua. Eu fiz minhas escolhas. Diante das circunstâncias eu fiz minhas escolhas.

R: Mas fez por minha causa! [choramingou]

Q: Fiz porque tinha que fazer. E não me arrependo de nenhuma decisão que tomei. Eu teria feito tudo de novo!

A segurança com que Quinn dizia aquilo fez Rachel estremecer e chorar ainda mais. A loira a puxou para um abraço e passou a fazer carinho nas costas dela:

Q: Estamos seguindo em frente, não estamos? [sentiu a morena balançar a cabeça em afirmação] Então nada de culpa. Nada disso! Vamos seguir em frente...

R: Até... [moveu-se para olhá-la] Até quando você tem que dar essa resposta?

Q: Até sexta.

R: Então, por favor, me dê esse tempo! Eu preciso pensar em como te ajudar nisso!

Q: Eu não acho que haja algo a se fazer, Rach...

R: Por favor... [choramingou] Por favor!

Q: Ok... [beijou-a suavemente nos lábios] Tudo bem...

Rachel a abraçou forte. Ela tinha muito em que pensar até encontrar uma saída. Até lá, ela não queria que nada a distraísse. Muito menos as 5 ligações não atendidas de Shelby, nem as 12 do Finn...

Estavam deitadas na cama, com Rachel deitada sobre o peito de Quinn, que acariciava os cabelos escuros, como nos velhos tempos...

R: O que você acha de conversamos com um psicólogo ou uma psicóloga sobre o que aconteceu ou sobre como nos sentimos agora? Não sei... Eu só...

Q: Se você acha que vai ajudar, tudo bem... [respondeu calma]

Rachel se moveu para olhá-la e subiu um pouco mais para ficarem cara a cara:

R: Isso não incomoda você?

Q: Um psicólogo?

R: A ideia de conversar com um... Não lhe parece que estou querendo jogar nossos problemas nas mãos de outra pessoa? Não lhe parece que não confio em nós duas para resolver nossos assuntos? [perguntava insegura]

Q: Não... Se for nos ajudar, não vejo problema nenhum... Se é o que você quer...

R: Precisa ser algo que você também queira!

Q: Não... Você não precisa que eu queira para saber se é o que você precisa.

R: Mas eu não quero ir só. Eu quero ir com você!

Q: Como uma terapia de casal? [perguntou temerosa]

R: Não! Como uma forma de superarmos juntas algo que passamos juntas. Você esteve comigo o tempo todo e eu não quero fechar isso sem você.

Q: Ok... [disse compreensiva] Podemos procurar um psicólogo... Ou uma psicóloga...

Mais uma vez o celular de Rachel registrava uma chamada não atendida...

O som do aeroporto chamava por seu voo. Era a última chamada. Não podia mais esperar. Desligou o telefone e colocou na bolsa. Já fazia um tempo que ela não voltava aos Estados Unidos. Talvez aquela fosse mesmo a hora certa...

[CONTINUA...]

Notas finais
Quinn e Rachel estão tentando se ajustar de novo. Será que vão conseguir? Espero que gostem! Comentem! Beijos!