Ensina-me A Ser Tua

60 Capítulo 60 - Vai ficar tudo bem?


Quinn estava sentada na biblioteca de Yale cercada de livros e papéis, fazendo anotações em seu caderno em uma velocidade que parecia humanamente impossível. Ela sabia que estava atrasada nas matérias e tinha plena consciência de que seria um trabalho quase milagroso. Era bem possível que ela perdesse alguma e precisasse repetir, mas não queria pensar naquilo naquele minuto. Ela tentaria recuperar o máximo que estivesse ao seu alcance:

N: Assim você vai acabar desmaiando.

A loira ergueu o olhar e viu um copo de café acompanhado de donuts trazidos por Nick. Pegou o copo e se manteve em silêncio bebendo o líquido quente que ativava um pouco mais seus neurônios naquele momento...

Q: Eu prefiro chá... [disse após alguns goles]

N: Contente-se com esse café... [sorriu suavemente] Posso ajudar em alguma coisa?

Q: Estou perdida! O conselheiro estudantil me disse que estou pendurada em quase todas as matérias e que eu não tirar um A nas provas eu serei reprovada e terei que repetir.

N: O ano inteiro?

Q: Não... As matérias que eu perder, claro! [olhou-o cansada] Ele me disse que já era para eu ser reprovada pela minha quantidade de faltas, mas que estão me dando um voto de confiança tendo em vista o meu destaque na admissão. Eles acham que sou inteligente e uma boa aluna. Se eu provar isso nas provas eles desconsiderarão minhas faltas...

N: Isso é ótimo! [comemorou]

Q: Não tão ótimo assim... [voltou a escrever] Não sei como vou tirar A em todas as matérias sendo que perdi tantas aulas que nem sei... Nem sei quantas foram...

N: Vai dar tudo certo!

Q: Tem que dar!

Foi difícil para Quinn sair de casa. Rachel ainda não estava bem e ela não queria deixá-la só. Mas a morena não permitiu que ela faltasse mais uma vez. Ela fazia Medicina, afinal... Era um curso pesado e que exigia muitas horas de dedicação. Rachel sabia que a loira já tinha feito muito sacrifício por ela. Era sua vez de mostrar que era capaz de se sacrificar também. Convenceu-a de que estava bem e que ela deveria ir à aula. Tão logo a porta se fechou, ela deitou-se novamente e se deixou chorar por muito tempo...

Em NY, Santana estava uma pilha de nervos. Brittany tentava deixá-la mais calma, mas a latina se sentia impotente tão longe das duas...

S: Elas precisam da gente! Eu não fui muito legal com a Rachel e eu quero que ela saiba que pode contar conosco!

B: Ela sabe disso, San! Ela sabe, amor... [dizia calma]

K: Elas sabem! [corrigia] Se a Quinn precisar de nós, ela vai nos procurar!

S: Você falou com a Rachel?

K: Liguei, mas ela não atendeu.

S: Viu? [bateu na mesa] Ela precisa da gente!

B: Talvez ela queira privacidade agora, San! Ela quer ficar lá só com a Q! Não podemos ser invasivos num momento como esse. Tem que deixá-la viver no espaço que ela quer.

S: Não! [levantou-se irritada] Não aceito isso! A Quinn está sendo mais forte do que qualquer pessoa seria, mas eu sei que ela pode desmoronar a qualquer momento. E ela não vai fazer isso sozinha com a Rachel. Ela precisa de um espaço só dela para cair. E eu quero estar lá para levantá-la!

B: O que você quer dizer com isso?

S: Que vamos à New Haven!

K: Eu não sei se é uma boa ideia...

S: Fique, então! [disse séria] Eu e a Brit vamos! Não vamos? [olhou-a temerosa]

Brittany se levantou e se aproximou mais dela, abraçando-a com carinho:

B: O que você quiser, meu amor... O que você quiser...

Finn caminhava apressado pelas ruas de NY com o telefone ao ouvido. Era a 17ª mensagem de voz que ele deixava para Rachel. Desde que soube da perda do bebê ele ficou transtornado. Ninguém saberia dizer ao certo qual o sentimento que o assolou, mas era algo que parecia próximo da loucura. A cada chamada que ela não atendia, ele deixava uma mensagem aos gritos dizendo que ela tinha a obrigação de falar com ele. Também não perdeu a chance de insultar Quinn e dizer que exigia encontrá-la na ausência da loira.

Hiram tinha entrado num estado de apatia extrema, onde mal conversava com Leroy. Tinham voltado para Lima e a relação deles já não era mais a mesma. Havia um abismo entre eles, mesmo que fosse um abismo menor do que aquele que os separava de sua filhinha. Agora eles não tinham mais qualquer contato ou controle sobre ela. Sequer tinham o endereço de Quinn. Kurt não quis dizer onde elas moravam agora, mesmo sendo ameaçado por Hiram de levar um soco no meio da cara. Se havia algo que ele achava que poderia fazer por sua amiga naquele momento era deixá-la em paz...

Rachel terminava de ouvir a última mensagem deixada por Finn. Ele havia chamado Quinn de vaca, vadia, dissimulada e destruidora de lares. Disse ainda que se não fosse pela loira o bebê ainda estaria vivo e bem... Enfatizou o quanto pôde que a vida dela não teria se tornado aquele inferno se Quinn não tivesse se metido... Ela respirou fundo. Olhou calma para o aparelho por alguns segundo e utilizou toda a sua força para atirá-lo contra a parede, ouvindo o trincar da tela se partindo com a pancada. Ela não queria mais ter contato com Finn. Ela não queria ter contato com ninguém que a fizesse mais infeliz do que ela já estava.

Quinn dirigia mais apressada do que deveria. Ela havia tentado ligar para Rachel algumas vezes, na esperança de ouvir sua voz mais animada, mas só caía na caixa-postal. Não havia nada que ela pudesse fazer para eliminar a preocupação que surgiu além de ir embora correndo para casa. Para trás ela deixava mais uma aula à qual deveria, mas que não iria assistir...

O elevador continuava quebrado, então ela subiu as escadas correndo. Ignorou o ar que ia se esvaindo de seus pulmões. Ela precisava chegar logo ao apartamento e nada a impediria, nem a fraqueza nas pernas por sua alimentação precária.

Abriu a porta rápido sentindo, finalmente, o quão ofegante estava. Abaixou-se, levando as mãos aos joelhos. Caiu antes que pudesse dar mais um passo...

O toque delicado em seu rosto e a umidade da toalha que deslizava por sua testa a fez acordar. Rachel estava incrivelmente calma enquanto esperava que ela acordasse:

Q: O que aconteceu? [perguntou baixinho]

R: Suponho que você subiu as escadas correndo e, por isso, desmaiou. Você não come, Quinn... [disse suavemente] Como você acha que pode fazer tanto esforço sem se alimentar direito?

Q: Você...

Quinn se sentou bruscamente, segurando o rosto de Rachel com as mãos:

Q: Você está bem?

R: Sim... Estou bem... [sorriu carinhosa] Foi você quem desmaiou!

Os lábios de Quinn colaram aos da morena. Ela precisava senti-la. Precisava daquele beijo para ter certeza de que estava tudo bem...

Q: Eu te liguei. Eu te liguei várias vezes e seu celular estava desligado. Não me assusta assim! [dizia agoniada]

R: Ele está quebrado.

Q: Quebrado?

R: Eu o joguei na parede depois de receber algumas mensagens do Finn.

Surpreendentemente Rachel se levantava e ajudava a loira a se levantar com uma calma totalmente contrária à tristeza que sentia quando estava sozinha.

R: Foi um momento de fúria. Me desculpe... [constrangeu-se] Mas eu estou bem!

Q: Eu fiquei preocupada!

O olhar de Quinn analisava Rachel com cuidado. Ela temia encontrar algo na expressão na esposa que indicasse que ela estava mentindo, de que não estava tão bem como tentava fazer parecer.

R: Me desculpe... Já passou! Vamos à cozinha. Vou preparar algo reforçado para você comer.

Q: O que ele... O que ele queria?

R: Não importa mais... Era bobagem.

Q: Mas deixou você furiosa!

R: Não estou mais furiosa. Você está aqui e, por isso, agora estou calma e feliz...

Rachel preparou panquecas, sanduíche e suco. Não sossegou até ver Quinn comendo cada coisa que ela preparou:

Q: Você é uma excelente esposa! [sorria satisfeita] A melhor de todas!

A morena sorriu de volta e saiu da cadeira onde estava vendo-a comer. Deu dois passos e sentou em seu colo beijando suavemente sua testa. Em silêncio fazia o carinho do qual Quinn precisava naquele momento. Rachel sabia que toda aquela situação não dizia respeito apenas a ela. Sabia o quanto a loira estava envolvida e o quanto era doloroso para ela também. Sabia que ela estava em uma situação preocupante em Yale, assim como sabia que ela não estava comendo direito. Quinn estava vivendo o sofrimento das duas com toda a sua existência, ela precisava de descanso. Ela precisava de amor...

Q: Você tem certeza?

A pergunta não era vaga. Ela realmente precisava saber se Rachel estava pronta. A morena a guiou até o quarto e iniciou uma sessão de carícias que as levou até estarem seminuas. A rotina delas estava mais para remédios, carinhos inocentes e mais remédios. Rachel estava se recuperando ainda, então Quinn não tentava nada além do que parecia perfeitamente aceitável. Sexo naquele momento não parecia ser algo que passava pela cabeça da morena. Ela viu que estava enganada...

R: Tenho... [respondeu aparentemente tranquila] Em quero sentir seu gosto de novo...

Quinn realmente precisava daquilo e só se deu conta do quanto precisava quando sentiu a língua da esposa dando-lhe prazer... Tê-la novamente entre suas pernas dava uma falsa sensação de que tudo estava bem e a forma como Rachel a degustava reforçava essa ideia de normalidade. Mas não era tão simples assim. O enorme desejo latente entre elas continuava firme como sempre e a loira assumiu seu lugar de comando na cama. Após um orgasmo delicioso, ela achou que seria sua vez de dar à morena aquela sensação maravilhosa que elas só sentiam juntas.

Rachel sentia os beijos carinhosos por seu corpo. Quinn não estava sendo carnal. Estava sendo atenciosa e muito carinhosa. Havia mais amor e desejo em doses perfeitamente iguais... As mãos da loira acariciavam com destreza a nua pele macia da morena, extraindo dela gemidos suaves e delicados...

Diante dos olhos de Rachel uma série de imagens pareciam se formar, numa mistura delirante de passado e futuro. Foi após Quinn sugar seus seios e se direcionar a seu ventre. Imagens turvas de Jeremy sendo o que nunca viria a ser. Finn. Seus pais. Quinn a defendendo. Quinn a amando. Sangue... Moveu-se rapidamente como se tivesse levado um choque em alta voltagem, afastando seu corpo do contato com a loira. Quinn a olhou preocupada:

Q: O que houve? Eu te machuquei? [perguntou aflita]

Rachel apenas acenava negativamente enquanto se encolhia no canto da cama. A loira se aproximou para tocá-la, mas a sentiu se retrair mais ainda:

Q: Hey... Sou eu! Sou eu, meu amor! [dizia com a voz carinhosa] Sou eu! Está tudo bem!

Quando finalmente Rachel deixou que ela a tocasse, Quinn sentiu o quanto ela tremia. Envolveu-a amorosamente em seus braços e as cobriu com o lençol:

Q: Shhh... Está tudo bem...

R: Me desculpe! Por favor, me desculpe!

Q: Está tudo bem...

O choro da morena se fez presente em um pranto quase silencioso. Não... Não estava tudo bem!

Santana resmungava enquanto guiava Brittany pelas escadas:

S: Fabray merecia morar em um prédio onde o elevador funcionasse.

B: Temos corpos atléticos, San! Não acredito que você está reclamando de alguns degraus!

S: Milhares de degraus, Britt! E eu não acho que deva gastar meu fôlego com escadas quando podemos gastar com algo muito melhor!

A loira gargalhou ao sentir a namorada a empurrar contra a parede e atacar seu pescoço com beijos ardentes:

B: Pare, San! Não quero que ninguém nos veja assim!

S: E daí? Ninguém nos conhece mesmo!

B: Vem! [desvencilhou-se] Mais tarde podemos fazer isso entre quatro paredes, sem o perigo de ninguém nos ver...

S: Estraga-prazeres... [resmungou baixinho]

Rachel estava quase pegando no sono quando a campainha tocou. Quinn pensou que fosse Nick. Beijou delicadamente a testa dela:

Q: Tente dormir... Eu volto já!

Vestiu-se rapidamente e acelerou o passo quando a campainha voltou a tocar. Abriu a porta rápido com uma expressão de raiva. A raiva logo passou ao ver os rostos familiares de suas duas melhores amigas.

Talvez as coisas pudessem melhorar...

[CONTINUA...]

Notas finais
Espero que gostem! Comentem! Beijos!