Ensina-me A Ser Tua
6 Capítulo 6 - Brincando com fogo...
Nunca Quinn tinha sido tão rápida em toda a sua vida. Nem mesmo quando era impecável como capitã das Cheerios. A sensação de abandono repentina sufocou Rachel ao perceber a loira se afastando de seu corpo. As duas respiravam com dificuldade e trocaram olhares intensos que diziam mais, muito mais, do que qualquer palavra. Não deu tempo de Kurt chamar outra vez, nem deu tempo de falarem alguma coisa... Quinn saiu do quarto, deixando a morena completamente perdida sobre a cama, sem saber o que fazer. Correu para se vestir.
K: Quinn?! [surpreendeu-se ao colidir com ela quase na porta do quarto de Rachel]
Q: Você me chamou ontem para conhecer o apartamento, lembra? [disfarçou perfeitamente com um tom completamente natural]
K: Claro! [sorriu imensamente] É um prazer tê-la aqui! Cadê a Rachel?
Q: Decidiu trocar de roupa. Ela quebrou uma xícara e se sujou de chá. [ninguém dissimulava como ela]
K: BARBRA! [gritou] Saia logo desse quarto e venha ver o que comprei! Vem comigo, Quinn! Quero te mostrar os livros que comprei para adornar nossa imensa estante. Acho que você adoraria lê-los! [puxou-a animado]
O coração de Quinn estava disparado, tanto quanto o de Rachel. A morena já havia se vestido, mas tentava recuperar a calma sentada em sua cama. A consciência de que não conseguia resistir à presença de Quinn era tão devastadora quanto a consciência de que a loira sentia o mesmo. Tê-la ali era tudo o que ela havia desejado nos últimos tempos... Sentia sua pele queimar novamente. A sensação dos toques de Quinn era tão intensa que os sentia em seu corpo mesmo depois do afastamento da loira. Desejava profundamente que Kurt não tivesse aparecido. Ouviu mais um chamado gritado do amigo. Tinha que sair daquele quarto logo.
R: Já estou aqui, Kurt! Pare de agonia! [dirigiu-se à sala, sem conseguir encarar o olhar de Quinn]
Q: Eu... Eu tenho que ir... [moveu-se para ir até a porta]
Então, o olhar de Rachel a caçou. Podia perfurar sua alma, tamanha intensidade. Quinn lhe devolvia o mesmo olhar. Havia algo inacabado. Algo muito importante. Mas o momento havia passado...
Q: Obrigada pelo chá, Rachel! [sorriu suavemente] Adorei o apartamento, Kurt!
K: Fica mais um pouco, Quinn! Acabei de chegar! [pedia]
Q: Ainda tenho que passar um tempo com Santana e Brit. Nos vemos depois, ok?! [disse ao amigo, mas desviando o olhar para Rachel]
Havia alguma mensagem subliminar naquele olhar? Ela quis dizer alguma coisa a mais? A morena ficou confusa. Interagia automaticamente com Kurt, fingindo atenção nas coisas que ele tinha comprado, mas sua cabeça tinha ido embora junto com Quinn. Oh droga...
No fim da tarde, Brit ligou animada para Kurt, chamando-o, juntamente com Rachel para jantar com Santana e ela, pois o apartamento ainda estava uma bagunça da festa, não havia a menor chance de se comer decentemente por lá. Normalmente, a morena recusaria, reclamando de Santana, mas sabia que o lógico era que Quinn estivesse presente. Precisava ir!
Ao chegarem ao restaurante japonês escolhido por Brit, Rachel viu que tinha razão. Quinn estava sentada ao lado de Santana, concentrada no menu. A loira estava linda: cabelos presos num rabo-de-cavalo suave, bem diferente do modelo apertado que usava quando era Cheerio, uma calça jeans na cor clara, uma bota preta de cano longo, uma blusa com mangas compridas branca e um belo decote em “V” e uma curta jaqueta de couro preta deitada ao seu lado. Os joelhos de Rachel fraquejaram, mas não mais do que Quinn salivou ao levantar os olhos e ver o vestido curto azul que a morena usava. Ela não conseguiu prestar atenção aos detalhes do modelo, pois era impossível raciocinar depois de ver as pernas de Rachel Berry expostas daquela forma. Enfim, a morena sentiu-se satisfeita e viu que valeu a pena estressar-se tanto com a escolha do vestido.
Não foi de propósito, mas o único lugar que restou para Rachel sentar, foi ao lado de Quinn, já que Kurt se atirou ao lado de Brit para continuar os vários assuntos que começaram na tarde de compras. A morena percebeu o desconforto de Quinn quando ela sentou ao seu lado e precisou se segurar para não sorrir quando a loira perdeu alguns segundos olhando o seu cruzar de pernas.
Estavam tranquilas? DE JEITO NENHUM! O nervosismo que se fazia presente todas as vezes em que elas se encontravam estava ali firme e forte. Era doloroso ficarem tão perto sem saber se iam se tocar de novo. Mas o desejo que as dominava e o momento interrompido durante a tarde as envolvia numa atmosfera atrativa impossível de se desfazer.
S: O Hudson não vem, Berry?
Oh droga! Santana tinha que estragar o momento. Quinn enrijeceu ao seu lado tão logo o nome de Finn foi mencionado. Rachel queria partir a cara de Santana em duas, mas optou por um singelo sorriso antes de responder:
R: Não. Ele foi ao jogo com o Puck!
S: Oh sim! Aquele estúpido jogo! [comentou recordando o que já sabia]
B: Vamos pedir? Estou faminta!
A conversa fluiu normalmente. O que era incrível para as duas. Protegidas pela presença dos amigos, conseguiram, inclusive, conversar sobre Yale e NYADA. Ninguém percebia que havia algo mais na forma como se olhavam, no modo como suas vozes soavam entre elas. Santana perceberia facilmente, se não estivesse ocupada acariciando as coxas de Brittany por baixo da mesa.
Rachel havia se obrigado a despir-se da culpa. Não queria pensar em Finn. Naquele momento, só Quinn lhe interessava. Brittany convenceu Santana e Kurt a irem a uma boate, mas Quinn não quis ir. Rachel também não tinha a mínima vontade. Inevitavelmente se viram caminhando lado a lado pelas ruas de Nova York...
Q: Eu te acompanho até em casa. [disse de forma protetora] Apesar de já estarmos tão perto. [sorriu suavemente]
R: O apartamento de Santana é antes do meu. [disse um pouco nervosa]
Q: Eu continuo no hotel. [afirmou]
R: Continua? [surpreendeu-se]
Q: Sim. O apartamento dela está inabitável! [sorriu]
R: Imagino... [devolveu um sorriso tímido] Em que hotel você está?
Q: Naquele! [apontou para o outro lado da rua]
R: Posso subir? [perguntou rapidamente, sem se permitir pensar]
Q: Você acha que é uma boa ideia?
R: Você tem outra ideia?
Q: Definitivamente não! [respondeu segura]
Elas sabiam que não deveriam fazer aquilo. Sabiam que o melhor teria sido Rachel seguir para seu apartamento. Mas as pernas dela não deixavam Quinn pensar, assim como o pescoço da loira distraíam a morena o tempo todo.
O tempo que passaram no elevador foi completamente desprezível. O fato de ter um ascensorista presente impediu qualquer interação entre elas. As mãos de Quinn estavam levemente trêmulas ao abrir a porta. O interior de Rachel estava em chamas. Ambas sabiam que estavam ignorando toda a sanidade do mundo, que estavam se atrevendo a ignorar as regras de conduta e as decisões corretas. Estavam ignorando os gritos de seus corações. Estavam dando vazão ao desejo desenfreado que as conduzia até ali. Que as reaproximava inevitavelmente.
Já dentro do quarto, Rachel olhou ao redor e viu tudo arrumado metodicamente. Quinn continuava como sempre foi: completamente organizada.
R: Aqui tem uma bela vista. [disse nervosa, sem ao menos ter se aproximado da janela]
Q: Você não viu nada! [sorriu com a gafe da morena]
R: Mas eu sei... Eu... [atrapalhava-se]
Q: Eu não quero conversar! [aproximou-se dela]
R: Nem eu...
Dois longos passos e Quinn a imprensava na parede. Seus lábios se encontravam mais uma vez. Suas línguas se misturavam. Novamente os dedos de Rachel se prendiam aos cabelos dourados, soltando-os, enquanto sentia seu vestido ser levantado pelas ávidas mãos quentes da loira. Rachel gemeu dentro da boca de Quinn ao sentir os dedos da loira puxarem sua calcinha para o lado e lhe invadirem mais uma vez. Era delicioso sentir o movimento preciso que ela aplicava em sua intimidade. A morena estava tão molhada que a lubrificação facilitava as investidas famintas de Quinn:
Q: Abre um pouco mais as pernas! [sussurrou em seu ouvido]
É claro que Rachel obedeceu imediatamente. A morena gemia sem parar e isso estava deixando Quinn descontrolada. A loira a puxou e colocou na cama. Ouviu o protesto caprichoso de Rachel ao sentir os dedos de Quinn lhe abandonando momentaneamente. Foi impossível a loira não sorrir. Arrancou-lhe a calcinha, salivando ao deslizá-la pelas pernas perfeitas da morena... Tirou rapidamente a própria roupa e ficou completamente nua diante do olhar libidinoso de Rachel. Não sentiu qualquer constrangimento. Deitou sobre ela levantando o vestido para retirá-lo completamente. Mais uma vez, desfez-se de seu sutiã de forma habilidosa. Enquanto apertava o seio direito macio de Rachel com a mão esquerda, deslizou a direita até sua intimidade, esfregando vagarosamente o feixe de nervos da morena, que revirou os olhos de prazer. Levou os lábios até seu ouvido:
Q: Estamos brincando com fogo de novo, Berry! [disse provocante]
R: Hum hum... [murmurou com dificuldade]
Q: Você escolheu esse vestido de propósito, não foi?!
R: Hum hum... [murmurou mais uma vez]
Q: Você queria esse momento não queria?!
R: Hum hum... [murmurou novamente]
Q: Você sabe que é gostosa, não sabe?!
R: Não! Me... me diga! [provocou]
Ela pôde sentir os lábios de Quinn formando um sorriso na cartilagem de sua orelha, diante de sua jogada esperta em forçá-la a dizer:
Q: Você é completamente gostosa! Seus seios, sua pele, sua boca... Eu quero enfiar minha língua em você e sentir seu gosto de novo... [sussurrou rouca] Você vai gozar pra mim, como ele nunca será capaz de fazer você gozar...
Ok. Quinn estava possuída LITERALMENTE pelo desejo. Se ela tivesse dito mais duas palavrinhas, Rachel teria atingido o orgasmo facilmente, naquele segundo. A morena sentiu a língua da loira deslizar por seu corpo, descendo apressada. Quinn chegou às pernas perfeitas, e estopim de 90% de sua excitação naquela noite, e distribuiu beijos e chupões na parte interna da coxa. Ela se deliciava com a pele cheirosa e saborosa de Rachel, estimulando-se ainda mais ao ouvir os gemidos da morena.
Mas como assim a Quinn está tão tranquila entregue a esse momento?! Bom... Tranquilidade é algo que não existe entre elas. Apesar de tudo, ainda sentem um medo voraz do que sentem. Mas, desde o momento em que se provaram pela primeira vez, tornou-se fisicamente impossível resistirem às suas presenças. Quinn sabia que ao voltar para Yale, teria várias outras noites difíceis. Sabia que Rachel continuaria em sua cabeça. E se pensar na morena era algo inevitável, escolheu ter mais um momento de entrega para lembrar. Se terá que sofrer as consequências de sua decisão, que leve consigo o prazer que ela lhe trouxe também.
Quinn olhou para cima e a imagem de Rachel se contorcendo, agarrada ao travesseiro era algo lindo para ela. Lambeu toda a extensão da intimidade da morena de uma vez. Oh droga! Ela estava mesmo perdida... Rachel pedia por mais e ela obedecia. Mais do que lamber, passou a chupar cada pedacinho, prendendo o feixe de nervos entre os dentes, sugando-o de forma voraz. Usou seus dedos para ajudá-la a circular o clitóris de Rachel com a ponta da língua. A morena gritou. Uma e outra vez... O desespero veio quando sentiu a língua de Quinn penetrar-lhe. Aquilo foi S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L. Rachel ficou sem ar. Seus pulmões esforçavam-se loucamente para disponibilizarem o oxigênio necessário para aguentar aquele prazer. Oh minha nossa! Quinn Fabray era sensacional na cama! Rachel já sabia disso, mas era sempre bom continuar provando, não é mesmo?! A loira movia a língua dentro da morena, que sentia o músculo deslizar por suas paredes. Se Rachel morresse naquele momento, morreria feliz. Quinn sentiu as contrações da morena, as paredes se fechando e retirou a língua para sugar, novamente o feixe de nervos, estimulando seu clitóris com a ponta da língua. Não demorou e Rachel atingiu o orgasmo de forma avassaladora. Seus gemidos eram intensos e altos. Quinn fez questão de sugar o líquido que ela liberava. Aquele foi o momento mais sexual da vida de Rachel Berry. Quinn Fabray estava se alimentando do prazer dela. Mais uma vez...
Rachel tremia dos pés à cabeça e sentiu que poderia ter outro orgasmo ao ter de volta o calor do corpo de Quinn sobre o dela.
Q: Abre os olhos! [ordenou sobre seus lábios]
A morena abriu com dificuldade... Os olhos da loira brilhavam como nunca.
Q: Eu quero mais de você... Você acha que aguenta? [perguntou com a voz rouca, sem conseguir esconder sua preocupação com a respiração precária de Rachel]
R: Sim... [sugou o ar] Eu aguento! [sugou novamente]
Quinn resolveu ser um pouco mais paciente. Beijou-lhe levemente os lábios, depois deslizou o nariz pela mandíbula da morena, uma e outra vez, de forma extremamente carinhosa. Rachel sentiu uma chupada prazerosamente vagarosa em seu pescoço. Soube na hora que ficaria a marca. “Dane-se”, foi o que pensou. Quinn Fabray poderia marcar seu corpo todo. Ela tinha esse direito e deveria exercê-lo. A calma com que a loira a degustava, fez com que sua respiração se estabilizasse. Quer dizer, quase... Sentiu o lóbulo de sua orelha ser sugado e a voz mais sexy do mundo falar com ela novamente:
Q: Eu vou entrar em você de novo...
O aviso foi apenas uma formalidade, pois ela não esperou autorização. Enfiou dois dedos em Rachel, fazendo a morena arquear as costas de prazer. Quinn a penetrava intensamente, deixando-a completamente desnorteada. Por mais que Rachel quisesse retribuir aquele prazer. Por mais que quisesse penetrá-la também, ela já não tinha mais controle sobre seu corpo. Não tinha noção de como mover suas mãos se não fosse apenas para segurar com força os cabelos da loira.
Q: Você me enlouquece, Berry! [sussurrou em seu ouvido] Você me deixa completamente louca...
Rachel gemia, perdida no mar de prazer em que Quinn a afogava.
Q: Goza pra mim, Berry! Goze por mim... [sussurrou sensualmente em seu ouvido]
A morena agarrou-se ainda mais forte nela, enquanto sentia os dedos de Quinn penetrando-lhe. Foi impossível se segurar. Outro orgasmo lhe atacou, enquanto cravava seus dentes no ombro da loira...
Tudo o que se ouvia no quarto eram suas respirações completamente ofegantes. Rachel tinha ficado tão entorpecida pelo prazer que Quinn lhe proporcionou que não tinha percebido que a loira tinha lhe acompanhado em cada orgasmo.
Quinn se transformou. Beijou Rachel com ternura, de uma forma completamente romântica, derrubando suas defesas. Deixando para trás a silenciosa e implícita regra principal de não haver romance. Sua língua deslizava delicadamente sobre a língua da morena, enquanto suas mãos deslizavam carinhosamente pela lateral do corpo suado de Rachel. Quinn as girou na cama, ainda mantendo o beijo, sentindo que Rachel a puxava para mais perto, como se fosse possível uma maior proximidade. Não era possível. Fundiriam seus corpos caso se aproximassem mais. Seus seios se tocando causavam um arrepio forte na espinha da loira... Entrelaçou suas pernas, sentindo em sua coxa que a intimidade de Rachel continuava molhada. As mãos de Quinn passaram a acariciar as costas da morena, e seus lábios acariciavam o pescoço.
R: Não me pede para ir embora. Por favor! [pediu baixinho, insegura]
Q: Você não vai embora! Eu quero você aqui... [disse firme]
Estavam quebrando todas as regras que nunca impuseram. Ultrapassando os limites que nunca conheceram. Mas precisavam disso. Precisavam se atirar de cabeça naquele momento, porque sabiam como era a vida separadas, sabiam o quanto doía. Mergulhar nessa realidade passageira só delas, era uma saída para reunir forças e enfrentar o que estava por vir...
Notas finais
Quem acompanha a minha outra fic, pode perceber as diferenças entre Rachel e Quinn daqui e Rachel e Quinn de lá. Como também deve ter percebido que há uma diferença no vocabulário. Aqui eu uso uns termos não tão românticos que nunca aparecem em "Você nunca esteve em mim".
Respeitando as diferenças, espero que gostem das duas.
Aguardo reviews e agradeço, de coração, aos comentários já deixados.
Feliz 2013 e até o próximo capítulo!
Beijos! :)
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