Ensina-me A Ser Tua
39 Capítulo 39 - "Ficando ao seu lado..."
Quinn voltou para New Haven por insistência de Rachel, pois precisava recuperar o tempo perdido. A loira percebeu que estava à beira de um colapso em Yale quando se deu conta da quantidade absurda de conteúdo que tinha para estudar. Elas se falavam todos os dias, várias vezes, com Skype obrigatório em todas as noites. Precisavam se ver. Finn não dava notícias e Kurt tentava fazer a morena se abrir, mas ela preferia recorrer ao silêncio. A ideia de mudar os horários em NYADA parecia a mais acertada, ela teria mais tempo para estar com Quinn, pelo menos durante quatro dias por semana. Isso poderia atrasar sua formação, mas ela não teria que abrir mão de nada. Pelo menos, por enquanto... Mas não era tão fácil resolver as coisas. Tudo precisava de tempo para acontecer. A resposta de NYADA, as decisões sobre o bebê... Sem avisar Quinn, Rachel foi ao médico e ouviu que não poderia demorar a decidir se teria o bebê ou não. Mas ela já tinha decidido, mesmo que sem perceber... Ela não teria coragem de tirá-lo. Nesse dia, ela voltou para casa em prantos. A realidade era bem mais pesada do que parecia. E já parecia pesada demais... Chorou sozinha, no escuro do quarto.
Era difícil tentar manter um sentimento constante. A cada momento ela se via presa numa bagunça de sensações: medo, angústia, solidão... Quinn queria estar com ela, mas ela precisava ficar um pouco só. Ela não queria ser sozinha, mas precisava do seu próprio silêncio para avistar soluções. Não encontrou nenhuma além das que havia pensado. Kurt resolveu respeitar seu silêncio e decidiu se fazer presente sem falar, com abraços... Era ela quem deveria decidir a hora certa de agir diferente.
R: Ela não tirou... [murmurou]
Kurt não entendeu de início. Estavam sentados à mesa, jantando, no silêncio que já havia se tornado tão comum naquele apartamento e, de repente, a voz quase inexistente de Rachel se manifestou. Ele precisou esperar que ela repetisse para acreditar que ela havia falado:
R: Ela não tirou... [repetiu, dessa vez mais alto]
K: Do que você está falando?
R: Quinn... Ela era mais jovem, mais confusa. E mesmo expulsa de casa, ela não abortou. Como eu poderia ter coragem de fazer isso com um exemplo desse em minha vida? [sua voz estava falha]
K: Vocês são pessoas diferentes! As atitudes de uma não significa que serão as da outra.
R: Nesse caso sim! Eu fui criada de uma maneira que não justificaria retirar essa criança, já que eu fui totalmente responsável por sua geração. Ou irresponsável... [fechou os olhos] Como preferir! Eu causei isso! Que espécie de pessoa eu seria se eu simplesmente tirasse? [abriu os olhos marejados]
K: Esse é o tipo de coisa que não se julga, Rach! [estendeu a mão para segurar a dela] Ninguém sabe ao certo a dor do outro. Só você pode saber o que pode suportar.
R: Ela não tirou... [murmurou]
K: Eu já disse...
R: Eu a amo! [interrompeu] E isso não é um simples “eu a amo”. Pensar em perdê-la me deixa sem ar, como se eu estivesse me afogando. [começou a chorar] Meu corpo precisa dela. E ela está disposta a ficar comigo. Você tem noção do que isso significa?
K: Eu não sei onde você está querendo chegar.
R: Ela entregou Beth para adoção. Como ela vai conseguir ficar ao meu lado, cuidando de um filho que não é dela? [o choro se intensificava] Por mais que ela me ame, vai ser impossível ela não associar à filha dela. Isso vai amargurá-la e vai ruir nosso relacionamento.
K: Você está se precipitando, tentando prever algo que é difícil de acontecer.
R: Por que você acha que é difícil?
K: Porque ela ama você.
R: Isso não basta!
K: Então o que falta?
R: É preciso mais do que amor para passar por isso.
K: E por que você pensa que ela não passará? Que ela não tem o que é preciso para passar por isso com você?
R: O pior é que não sei... [respirou fundo] Ela é perfeita pra mim! [o choro diminuía] Mas até que ponto ela vai aguentar? Até que ponto ela vai aceitar as limitações que essa situação irá impor a tudo? A nós?
K: Ela te ama!
R: Eu sei... E eu a amo!
K: Onde você quer chegar, Rachel? Vai me dizer que vai terminar com ela?
R: Eu não vou terminar com ela. [garantiu] Eu não posso fazer isso. Simplesmente não posso! Não posso! Não posso...[repetia] Não posso viver sem ela. Nunca pude... Desde que a conheci eu não sei o que é não sentir algo tão forte. Não tenho como explicar! Não sei como! Só sei que passamos tanto tempo fingindo que não sentíamos nada! Não posso voltar ao que era antes. Não vou voltar! [disse firme] Se eu tiver que ficar sem ela, que seja porque ela não me quis mais. Eu nunca vou desistir de nós. Eu não posso desistir...
K: Então está tudo certo! Tenho certeza de que ela não desistirá de você nunca!
Quinn demorava mais tempo em Yale do que antes. A biblioteca parecia um lugar neutro, onde seus pensamentos poderiam se focar mais nos estudos. Seu apartamento ainda mantinha o cheiro de Rachel e todas as noites ela era obrigada a conviver com isso. Na Universidade ela tinha alguns poucos momentos de paz... Quase isso:
Q: Virou minha sombra, Nick? [perguntou sem afastar os olhos da leitura, só por sentir a aproximação do amigo]
N: Não vou deixar você sozinha aqui. [sentou-se]
Q: Você deveria estar em casa estudando. Temos prova amanhã.
N: Vou estudar aqui com você! [abriu os livros]
Q: E se eu quiser ficar sozinha? [finalmente o encarou]
N: Vai ficar querendo... [deu de ombros]
Q: Você é atrevido!
N: Sou seu amigo... [piscou]
Q: Eu sei... [sorriu fracamente]
N: Evitar conversar comigo sobre o que está acontecendo não vai fazer o problema sumir.
Q: Eu sei... [murmurou]
N: Eu sinto muito por meu pai não ter conseguido nos transferir para Columbia agora! Mas no próximo semestre poderemos ir.
Q: Você sabe que não é por isso que não vou.
N: Mas ela vai acabar mudando de ideia. Eu quero morar em NY e eu não vou sem você! [disse animado]
Q: Como você se apegou a mim dessa forma se eu te dou tanta patada? [sorriu confusa]
N: Meu pai tem algumas fazendas. Estou acostumado com isso!
Rachel e Kurt não esperavam ninguém e estranharam o som da campainha. A surpresa foi grande ao encontrarem os dois Berry parados à porta:
H: Você acha bonito sumir desse jeito, Rachel Barbra Berry? [perguntou irritado]
R: Papai?! [assustou-se]
H: Você nos fez desbancar até aqui por causa da sua irresponsabilidade! [apontou o dedo para ela]
L: Calma, Hiram! [tentava acalmar as coisas em vão]
H: Calma nada! A gente liga, escreve, faz o que tem que fazer e ela não retorna, não responde! Quer nos deixar loucos? [o seu tom de voz aumentava]
R: Calma, papai! Eu posso explicar... [pedia nervosa]
H: Pode? Então comece com o seu namoro com Quinn Fabray, por favor!
R: O quê?! [surpreendeu-se]
H: Queremos saber que palhaçada é essa?
R: Não é palhaçada nenhuma! [protestou] E como vocês sabem?
H: Finn...
R: Eu não acredito! [levou as mãos à cabeça]
H: Eu quero que você nos explique!
R: Eu não tenho que explicar nada! Ele não tinha nada que ter contado pra vocês. Isso não é assunto dele.
H: É assunto dele sim! Você o traiu e o trocou pela sua inimiga. E agora quer criar o filho dele com ela. É claro que é assunto dele.
R: Oh meu Deus! [sentava-se atordoada]
L: Calma, Hiram! Vamos ouvi-la!
H: Calma nada, Leroy! Essa não é nossa menina. Não a criamos assim! Eu exijo uma explicação, Rachel! [gritava]
R: O que está acontecendo? [começava a chorar] Cadê todo aquele carinho e toda a compreensão que me deram no hospital? Cadê o apoio que me prometeram?
H: Apoiar você é uma coisa. Apoiar sua loucura é outra. Você precisa parar com essa brincadeira e levar sua vida a sério.
R: Que brincadeira?
H: Com a Quinn.
R: Não é uma brincadeira! [irritou-se]
H: Isso não pode ser sério!
R: Mas é sério!
H: Vocês não são gays. Pelo menos você eu sei que não é.
R: E como você sabe disso?
H: Esqueceu que sou gay?
R: E isso te faz especialista?
H: Você que não é!
R: Ah sou! [sorriu sarcástica]
H: É? [incomodou-se]
R: Tenho certeza de que a Quinn tem uma coisinha ou duas pra dizer sobre o meu desempenho na cama! [provocou]
L: RACHEL! [repreendeu]
R: Eu não vou admitir que vocês venham aqui me recriminar. Eu não sou mais uma criança!
L: Não estamos te recriminando, minha filha!
H: Estamos sim! Você acha que vai poder criar esse filho sem pai? Você acha que vai poder privar o Finn dos direitos dele?
R: Isso quem resolve sou eu!
Kurt estava completamente sem ação. Não sabia se saía ou ficava. Ficou... Sabia que Rachel precisava dele.
H: Viemos para colocar juízo na sua cabeça! E só sairemos daqui quando você estiver agindo corretamente.
R: E o que você quer dizer com agir corretamente?
H: Pensar em como vai ser seu futuro que você estragou. Terminar esse namoro estranho com a Quinn.
R: NÃO! [gritou]
H: Você não quer que acreditemos que vocês se amam, não é?! Você só pode estar fazendo isso para provocar o Finn. Vocês se odiavam até um dia desses.
R: Nós nos amamos sim!
H: Eu não acredito!
R: DANE-SE! Eu não tenho que te convencer de nada. Não tenho que convencer ninguém de nada!
H: Como é que é?!
L: Parem já com isso! Não vamos resolver nada dessa forma!
R: Não tem o que resolver. A vida é minha e eu faço o que eu quiser! Da maneira que achar melhor! Não se metam!
H: Somos seus pais. Temos o direito de nos envolver!
R: Vocês não têm! Eu pensei que tinha apoio, mas estou vendo que não!
H: Você acha justo sabermos das coisas através do Finn?
R: Não. Não é justo, nem é certo! [passou as mãos pelos cabelos, nervosa] Porque eu contaria tudo o que deveria ser contado na hora em que eu julgasse ser a hora certa. Ele não tinha nada que se adiantar.
H: Ele nos pediu ajuda. Pediu para intervirmos nessa sua loucura de deixá-lo de fora. Saber que isso é por causa da Quinn nos deixou decepcionados.
R: Não é por causa dela! Vocês não entendem! Não é por causa dela!
H: Claro que é!
Rachel sentou. Tudo começou a girar ao redor dela e nada mais era ouvido além de sussurros. Hiram continuava reclamando e Leroy tentava apaziguar as coisas. Ela parecia que iria desmaiar quando Kurt sentou ao seu lado e a tocou. Ela estava suando frio. Alguns segundos depois e tudo o que ela conseguiu registrar era que estava no banheiro vomitando. Sentia-se como se tivesse comido toneladas de comida estragada. Como se não fosse parar de vomitar nunca. Ainda era possível ouvir que algo era conversado na sala. Hiram continuava reclamando alto, enquanto Leroy tentava mantê-lo calmo. Depois de um tempo tentando se recuperar, com a ajuda do amigo, ela saiu do banheiro. Seus pais lhe encararam curiosos. Rachel respirou fundo, tentou manter-se firme:
R: Se quiserem dormir aqui, podem se instalar aqui na sala. [respirava fundo e falava calma] Temos cobertores. Se vocês já pretendiam ir a um hotel, eu peço que me deixem descansar agora.
L: Mas...
R: Por favor, pai... [pediu apática]
H: É muita falta de educação sua nos tratar assim!
R: Me trate da forma que quer ser tratado, papai... E ficaremos bem...
Leroy se aproximou dela, ignorando tudo o que tinha acontecido ali:
L: Vamos deixar você descansar. Nos desculpe!
R: Não é o senhor quem tem que se desculpar.
H: Eu não vou me desculpar!
R: Eu sei disso!
L: Nós já vamos! [garantiu desanimado] Eu te amo, filha!
R: Eu sei...
Rachel chorava no colo de Kurt em sua cama. Sabia que se não tivesse o apoio dos pais seria muito mais difícil de seguir em frente.
K: Ele só está preocupado com você e demonstrou isso de uma forma equivocada. Vai acabar tudo bem, você vai ver!
R: Meus pais nunca se decepcionaram comigo, Kurt! Nunca...
K: Vai passar!
Antes que a conversa continuasse o celular de Rachel começou a tocar. Ela não precisava ver quem era para saber que era Quinn. Kurt lhe deu um beijo na testa e saiu. A morena respirou fundo e atendeu:
R: Oi, meu amor... [tentou disfarçar a voz cansada]
Q: Rach? [preocupou-se] O que houve?
R: Hã?
Q: Sua voz... Você estava chorando?
R: Não foi nada de mais... Só um desentendimento com meus pais. Bobagem... [tentava amenizar]
Q: Não deve ter sido bobagem. Você chorou!
R: Estou sensível. Você sabe... [sorriu nervosa] Choro com qualquer coisa.
Q: Não mente pra mim, Rachel! Liga o Skype.
R: Não estou mentindo... Vamos só nos falar pelo telefone hoje? Não estou bonita.
Q: Que absurdo, meu amor...
R: Vamos falar sobre o que importa. Como foi seu dia? [tentou desconversar]
Q: Estudei o dia inteiro. Como foi o seu?
R: Enjoei...
Q: Foi?
R: Sim... Se continuar vomitando como vomitei vou acabar desaparecendo. [sorriu tentando diminuir a tensão]
Q: Marque um médico e me diga o dia. Eu vou com você. Disse séria]
R: Não precisa. Isso é normal.
Q: Faça isso!
R: Como está o Nick?
Q: Não desconversa...
R: Quero falar sobre outra coisa. Por favor...
Q: Ok...
O silêncio era pesado, mas ouviam suas respirações. E era tudo o que Rachel precisava naquele momento: da respiração de Quinn. Mas ela a queria em sua nuca, em seu pescoço, em seu ouvido...
Q: Eu estou com você... [disse carinhosa, porém firme]
R: Eu sei... [respirou fundo]
Q: Não esqueça isso! [insistiu]
R: Não esqueço... [garantiu]
Q: Posso não estar onde você pode ver, mas estou com você... Estou com você o tempo todo!
R: Está... [começou a chorar]
Q: Hey... Não chora... [pediu carinhosa]
R: Não tô chorando...
Q: É claro que está! Eu estou te ouvindo!
R: É impressão sua... [sabia que não conseguia disfarçar]
Q: Canta pra mim!
R: Eu não consigo cantar agora...
Q: Então eu vou cantar pra você...
R: Vai?
Quinn limpou a garganta e começou a fazer sons com a boca, imitando os instrumentos. Ouviu a risada gostosa e uma gargalhada estrepitosa de Rachel. Preparou-se para cantar “Etta James – I Want To Make Love To You”:
“I don't want you
To be no slave
I don't want you
To work all day
But I want you, to be true
And I just wanna make love to you
Love to you
oooooh oooooh
Love to you…”
A cada palavra, Rachel se apertava mais ao telefone. A voz rouca de Quinn estava ainda mais rouca, tentando se aproximar do timbre original da cantora. Era doce demais ouvi-la...
R: Eu te amo... [sussurrou]
Q: Eu também te amo...
R: Não... Você não me entendeu...
Q: Não?
R: Eu te amo! [disse mais alto] Isso significa que eu não quero uma vida sem você. Significa que só você é capaz de me fazer feliz.
Q: E o que faz você pensar que quando eu digo que te amo eu não estou dizendo exatamente isso que você acabou de falar?
R: Eu não sei... Só sei que meu corpo e minha mente precisam de você...
Q: Queria estar aí agora...
R: Queria estar aí agora...
Q: Amanhã você estará...
R: Sobre isso... [tomou coragem] Eu não poderei ir neste fim de semana. [disse triste]
Q: Por quê?
R: Meus pais... Eles estão aqui em Nova York.
Q: Pensei que tivessem se desentendido por telefone.
R: Não... Eles vieram aqui.
Q: Então você está me escondendo alguma coisa...
R: Não se preocupa com isso, meu amor...
Q: Rach...
R: Por favor...
Q: Eu não vou aguentar tanto tempo sem te ver...
R: Vai... Temos que aguentar...
Rachel passou o dia inteiro vomitando. Kurt deixou de ir à aula, preocupado com ela. Desde a noite anterior, quando desligou a ligação com Quinn, a morena não parou de se sentir mal. Recusou-se a ir ao médico e só se sentiu um pouco melhor depois de tentar dormir um pouco. Hiram e Leroy não tinham dado notícias o dia inteiro e aquilo a fez estranhar. Por orgulho, não ligou para eles. Já estava anoitecendo quando eles reapareceram em seu apartamento. As coisas não pareciam que seriam diferentes do que foram no dia anterior:
R: Vocês almoçaram como Finn? [indignava-se]
H: Sim. Precisávamos ouvir o lado dele.
L: Não é bem isso, Hiram! [tentava consertar]
H: É, Leroy!
R: Parem de se meter! Eu não vou voltar pra ele. [disse irritada]
H: Você não nos deixa outra escolha! Temos que nos meter. E não queremos que você volte pra ele. Só queremos que você entenda que ele é o pai e você não pode impedi-lo de participar disso.
R: ISSO É PROBLEMA MEU! [gritou]
A irritação de Rachel a impediu de ouvir o toque da campainha. Sua voz sumiu quando viu Kurt abrindo a porta e a figura de Quinn aparecendo. A loira lhe sorriu suavemente e ela soube que a confusão ia ser ainda maior. Hiram e Leroy seguiram seu olhar e ficaram surpresos ao ver que Quinn estava ali. A loira, por sua vez, não se intimidou com a presença deles e se aproximou rápido da morena para abraçá-la. Deu-lhe um beijo carinhoso no rosto e se afastou para olhá-la:
Q: Como você está hoje? [perguntou atenciosa]
R: Be... Bem... [tentava responder nervosa]
Q: Ótimo! [sorriu ternamente] Senhores Berry... [acenou com a cabeça] Prazer revê-los! [sorriu educada]
H: Não posso dizer o mesmo... [respondeu visivelmente incomodado]
Q: Algum problema específico?
H: Que tal seu namorico com a Rachel?
Quinn arqueou a sobrancelha, mas não perdeu a postura firme. Direcionou calmamente o olhar para a namorada:
Q: Então eles sabem... [perguntou calma]
R: Finn contou...
Q: Huuuum... Que bom! [sorriu] Agora não precisamos esconder mais. Estamos livres.
R: Tudo bem? [estranhou]
Q: Claro! [levou a mão ao seu rosto e acariciou]
H: Não está tudo bem não! Rachel está grávida e está querendo deixar o pai da criança de fora de tudo, provavelmente porque você fez a cabeça dela. [acusou]
R: PARE COM ISSO! [gritou]
Q: Hey! Calma! [segurou o rosto dela com as duas mãos] Calma, meu amor... [encarou-a com carinho] Você precisa se manter calma...
H: Meu amor?! [resmungou]
Q: Sim! [virou-se para olhá-lo] Meu amor! [enfatizou] Algum problema, Hiram? [desafiou]
H: Todos os problemas! Você está mexendo com a cabeça dela num momento tão delicado!
Quinn sentia Rachel tremendo junto a seu corpo e aquilo estava lhe deixando furiosa, mesmo que mantivesse uma postura segura.
Q: Vamos fazer assim... [disse calma, fria] Vocês vão sair por aquela porta e só vão voltar aqui quando estiverem dispostos a conversar com ela civilizadamente.
H: O quê? [surpreendeu-se]
Q: Vou dizer de novo, com outras palavras... Saiam daqui! [ordenou entre dentes] E não voltem até que vocês se tornem de novo pessoas benéficas à Rachel. Enquanto vocês só conseguirem deixá-la nesse estado, tremendo e nervosa, eu sugiro... E entendam que quando eu digo que sugiro eu estou na verdade mandando... Que vocês fiquem longe! [finalizou]
H: Quem você pensa que é? [ofendeu-se]
Q: Eu sou a namorada dela! A pessoa que está ao lado dela e que continuará. [respondeu tranquila] Sou a pessoa que preza pelo bem-estar e pela saúde dela e do bebê agora...
H: Nós somos os pais dela!
Q: Isso não faz diferença pra mim! Enquanto vocês só fizerem mal a ela, mantenham distância.
L: Você tem razão, Quinn... [disse vencido]
H: O quê? [olhou incrédulo para o marido] Rachel! [chamou irritado] Você não vai dizer nada?
R: Eu preciso de paz, papai... [murmurou triste, sem conseguir encará-lo]
H: E é essa vigarista que te dá paz? [apontou furioso para Quinn]
Q: OK... [gritou] Chega! Pra fora agora! [deslocou-se até a porta abrindo para eles]
H: Hã?
Q: A-GO-RA! [ordenou]
H: Mas...
L: Vamos Hiram! [tentava puxá-lo]
H: Rachel! Rachel! [chamava irritado, esperando que ela o olhasse, mas ela não conseguia erguer a cabeça] Se sairmos por esta porta você estará sozinha! [ameaçava] Entendeu? Pode esquecer nossa ajuda para se manter aqui. Isso não é jeito de tratar seus pais! [indignava-se] Pode esquecer NYADA!
Q: Já saíram?! [chamou a atenção dos dois]
H: Não espere nada de nós!
Assim que a porta se fechou Rachel desabou a chorar. O corpo quente de Quinn logo a acalentou e naquele segundo, o mundo parecia em paz. A loira beijava o topo de sua cabeça e aquilo parecia a coisa mais perfeita do mundo. Ficaram um bom tempo em silêncio. Só o que se ouvia era o choro da morena, que se acalmava aos poucos...
R: O que você está fazendo aqui? [o som saiu abafado]
Q: Ficando ao seu lado... [respondeu tranquila]
R: Você tem provas para estudar...
Q: Trouxe todos os livros dos quais vou precisar.
Rachel se apertou ainda mais a seu corpo, buscando a certeza de que ela estava mesmo ali...
Q: Você não está sozinha... Você nunca estará sozinha... Eu sempre estarei com você!
Notas finais
No próximo capítulo Rachel pedirá à Quinn pra fazê-la esquecer algumas coisas... ;-)
Comentem!
Beijos! :-)
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