Ensina-me A Ser Tua

32 Capítulo 32 - "Ensina-me..."


Quinn beijava as costas de Rachel, sentindo o perfume da pele perfeita e macia que tinha acabado de tocar. Não se importaram em conversar. Assim que a morena entrou no apartamento, a saudade falou mais alto e se entregaram ao desejo desenfreado. A morena não conseguia falar. A única coisa que ela queria era sentir os lábios rosados da loira sobre os seus. Quinn estava completamente entregue nos braços da morena, que possuiu seu corpo perfeito com extrema sensualidade. Fizeram amor com intensa paixão...


Antes de chegar, Rachel não fez uma boa viagem. Durante todo o caminho sentia-se mal. Lembrou que não havia comido e a péssima sensação deixada por seu último encontro com fim, fazia seu estômago embrulhar. Por sorte, conseguiu se manter firme e abstrair o mal-estar.


Q: Você mudou de hidratante? [deslizava a língua pelas costas macias]

R: Não sei. [virou com um sorriso confuso] Usei um dos que tenho. Por quê? Estranhou o cheiro?

Q: O gosto. [passou a língua sobre os lábios] Está diferente... [voltou a beijar seu corpo]

R: Não gostou? [perguntou confusa]

Q: No dia em que eu reclamar do gosto de sua pele, pode me internar, porque estarei completamente insana... [beijou-lhe os lábios]

R: Senti tanta falta da sua boca... [confessou]

Q: Aproveite! Ela está aqui à sua inteira disposição... [sorriu travessa]

R: Eu preciso te falar uma coisa... [disse sem graça]

Q: O que?

R: Você não vai gostar... [diminuiu a voz]

Q: É melhor você me dizer logo... [enrijeceu, sentando-se]

R: O Finn me beijou. [finalmente disse]


O semblante de Quinn fez Rachel estremecer. E não por um bom motivo... A loira se virou e saiu da cama, catando suas peças de roupa para se vestir.


R: Quinn... [a loira não respondia] Quinn, fala comigo. [pediu preocupada] O que você está fazendo?

Q: Estou me vestindo. [respondeu seca] Eu preciso estar pronta para sair daqui.

R: Você não vai sair! [sentou-se] Você precisa me escutar.

Q: Você beijou de volta? [encarou-a com raiva]

R: Não! [respondeu rapidamente]

Q: Não minta pra mim! [elevou a voz]

R: Eu não estou mentindo! [defendeu-se] Ele me beijou e eu fiquei sem ação, mas logo depois eu o afastei. Eu disse que amo outra pessoa e ele saiu transtornado. [explicava]

Q: Você disse o nome da “outra pessoa”?

R: Não. Mas...

Q: Eu não quero mais ouvir! [encaminhava-se para a porta]

R: Pra onde você vai? [perguntou agoniada]

Q: Eu vou dormir na sala.

R: Quinn! [chamou]

Q: E não venha atrás de mim. Me deixe sozinha. Por favor!

R: Quinn, para com isso!

Q: Não!


A loira foi pra sala furiosa, sem qualquer intenção de conversar. Sabia que se ouvisse o que Rachel tinha a dizer, iria acabar cedendo ao pedido de desculpas que ela faria e ficaria sufocada de raiva. Ainda que não estivesse desabafando, gritando, ou qualquer outra coisa, pelo menos estava sozinha e poderia extravasar de alguma forma. Chorar foi inevitável... Quinn se encolheu no sofá e chorou baixinho, dominada por um ciúme incontrolável. Rezava para que Rachel atendesse ao seu pedido e não aparecesse por lá. No quarto, a morena também chorava. Perguntava-se se contar à namorada sobre o beijo tinha sido mesmo uma boa ideia. Mas ela não aceitava a hipótese de esconder isso dela. Achava que seu relacionamento se baseava em sinceridade e que nada deveria ser escondido, independente de qualquer coisa. Não foi fácil, para ela, segurar-se e não ir à sala. Mas antes de insistir numa conversa, tinha que respeitar o espaço do qual Quinn precisava. Por mais difícil que fosse...


Mal tinha amanhecido o dia e Rachel decidiu sair do quarto. Vestiu uma roupa qualquer da loira e foi até a sala. Devagar, procurando não fazer barulho, constatou que ela estava dormindo. Aproximou-se e se sentou na beira do sofá, olhando-a num sono sereno. Nem parecia que tinha ido dormir angustiada. Seus dedos foram diretamente à testa de Quinn, afastando alguns fios loiros que caíam sobre seus olhos. Admirava sua beleza e suspirava, tendo a certeza de que a amava... A loira se moveu e despertou, percebendo a presença da morena ao seu lado. Rachel não lhe lançava um olhar culpado ou coisa do tipo. Seu olhar era terno, carinhoso. Saudoso, talvez. A expressão de Quinn se fechou. Estava pronta para brigar, mas a morena se adiantou:


R: Eu amo você! [disse intensamente, completamente sincera]

Q: Tem certeza? [perguntou fria]

R: Absoluta! [assegurou]

Q: Então por que você cede a ele? [foi impossível não perceber a agonia em sua voz, que saiu quebrada]

R: Eu não cedo a ele...

Q: Você transou com ele e agora vocês se beijaram... [fechava os olhos com força, falhando ao tentar segurar as lágrimas que ameaçavam cair]

R: Foram situações completamente diferentes. [defendia-se, sabendo que elas nem namoravam ainda quando eles transaram]

Q: Ainda assim ele te tocou... [reclamou baixinho]

R: O que realmente te incomoda? Ele me beijou, mas eu não retribuí. [justificava-se, tentando manter a calma] Por que isso é um problema tão sério a ponto de você vir dormir na sala?

Q: Você não está me perguntando isso mesmo, está? [surpreendeu-se]

R: Estou sim. Eu não entendo...

Q: Ele te tocou, Rachel! [disse ríspida] Independente da razão, a boca dele beijou a sua. A SUA BOCA, que só deveria ser beijada por mim! Isso é um namoro. Um relacionamento. Você só deve beijar a mim.

R: Foi só um beijo, Quinn. Não significou nada!

Q: Um beijo! Um beijo! [gritou] Isso deveria ser exclusividade minha, você não acha?! Eu não sabia que estávamos num relacionamento moderno. Você vai beijá-lo novamente, ou não será ele? O Puck, talvez? Algum colega seu de NYADA? Eu vou saber o escolhido antes, ou você só vai me contar depois que o beijo “sem significado” acontecer?

R: Do que você está falando? [ofendia-se] Não transforme isso numa piada!

Q: É você quem está transformando em piada. Você que está dando pouco valor a mim. [reclamava chorosa]

R: O quê?!

Q: Se beijo significa tão pouco pra você, eu não sei o que nosso namoro pode significar.

R: Isso é um absurdo, Quinn! [irritava-se]

Q: Absurdo é você dar pouca importância a isso. Isso é desrespeitoso!

R: Eu não tive culpa!

Q: Teve! Provavelmente ele pensou que tinha espaço para te beijar. E teve!

R: Ele estava fragilizado e não tinha discernimento e...

Q: Dane-se! [levantou-se bruscamente] Eu não quero mais ouvir você justificar as atitudes dele ou sentir pena. Eu não sou uma palhaça. Não vou me submeter a um namoro assim!

R: Assim como?

Q: Vulnerável. Você vem, faz o que quer comigo e volta para Nova York aberta a aceitar qualquer investida dele. [chorava sem sentir vergonha]

R: Não fale assim! Você está sendo injusta! [machucava-se]

Q: Injusta? Você me traiu! [gritou]

R: Eu não te traí! [gritou de volta]

Q: Você beijou outra pessoa. Isso é traição.

R: Ele me beijou! [corrigia]

Q: É o que você diz! [apontava-lhe com raiva]

R: Eu te contei achando que estava fazendo o certo. Agora você está fazendo eu me arrepender!

Q: O que foi? Preferia me esconder? Me trair pelas costas?

R: Não foi traição, pelo amor de Deus! [levava as mãos à cabeça]

Q: Então é por isso que você prefere vir pra cá? Por isso você não me quer por lá? Para poder me trair à vontade?

R: Não! Não seja ridícula! Eu só acho que aqui podemos ficar mais à vontade! Mais tranquilas!

Q: Escondidas, você quer dizer... Longe dos olhos do seu namoradinho!

R: PARE! Pare com isso! Pare de me provocar! [começava a chorar]

Q: Vai se fazer de vítima agora?

R: Eu não vou mais discutir com você! [virou-se para voltar ao quarto]


Percebendo que a morena não voltaria, Quinn a seguiu e percebeu que ela se vestia para ir embora:


Q: Para onde você vai? [perguntou bruscamente]

R: Vou embora! Me desculpe! [chorava mais] Eu realmente não tive culpa... [juntava as coisas para sair]

Q: Você não vai a lugar nenhum! [disse firme]

R: Por que não nos poupamos logo e terminamos de uma vez? [começava a soluçar]

Q: O quê?

R: Não é o que vai acontecer? Você vai continuar me acusando de traição e mentira, vai dizer que não pode confiar em mim morando longe, que não vai se submeter a viver dessa forma e dizer que o melhor é que eu saia da sua vida? Não vai ser assim? Então por que não nos poupamos logo e adiantamos para essa parte? Eu pego logo um trem mais cedo e saio da sua frente. [falava com dificuldade por causa do choro]

Q: Sente-se!

R: O quê?

Q: Largue essas coisas e se sente! [ordenou]


Rachel se sentou confusa...


Q: Estamos brigando. [disse mais calma] Uma briga feia, com certeza! Mas eu não vou dizer essas coisas que você enumerou. Nós não vamos terminar. Eu estou chateada, furiosa, agressiva, mas porque estou morrendo de ciúmes. Você é a minha garota e eu não suporto a ideia de qualquer outra pessoa tocar você. [havia dor em sua voz] Principalmente ele! Eu tenho o direito de me sentir mal, de extravasar essa raiva e dizer as coisas que eu falei. Tenho o direito! Pois estou dominada pelos ciúmes. Outro direito que tenho: o de sentir ciúmes... Então não tente facilitar as coisas saindo daqui. As coisas não são tão simples para serem resolvidas com uma simples fuga. Fique e assuma as consequências de seus atos. [manteve a firmeza]

R: E quais seriam?

Q: Me ver surtar, por exemplo. Me ver chorar como chorei antes de dormir. Me convença de que a porcaria desse beijo foi uma merda e que você não teve mesmo culpa. Me convença de que eu sou a única pessoa que você quer beijar.

R: Você é! Só você! [disse chorando]

Q: Então cresça, Rachel! Você está num relacionamento comigo e não com ele. É a mim que você deve satisfações e consideração. Eu não sou imatura. Não vamos terminar por qualquer coisa. Mas vamos brigar. Vamos nos ofender. E vamos nos entender depois. Se você me ama mesmo, vai passar por isso comigo.

R: Claro que eu te amo! É Claro!

Q: Então troque de roupa logo e vamos tomar café! [enxugava as lágrimas que haviam caído] Vista a que você estava antes. Estarei na cozinha.


Rachel ficou parada por um tempo, tentando entender o que estava acontecendo. Se elas não iam terminar, então por que estavam brigando? Fez o que a loira disse e se trocou, saindo logo em direção à cozinha. Lá chegando, seu coração apertou ao vê-la de costas, preparando o café silenciosa, mas chorando. Por mais discreto e silencioso que fosse seu choro, era impossível não perceber as lágrimas que escorriam por seu rosto e as fungadas que ela dava. A morena se aproximou temerosa e a envolveu num abraço por trás, rezando para que ela não a afastasse:


R: Me desculpe! Eu sei que estou errada e por isso peço desculpas! Eu te amo! Só você! Por favor, me desculpe! [pedia sofrida]

Q: Você precisa entender que você é minha! [disse firme, sem se soltar do abraço]

R: Eu sei disso! Eu sou sua! Eu não quero ser de mais ninguém!

Q: Mas às vezes... [virou-se no abraço para encará-la] Às vezes parece que você não sabe ser minha.


Rachel a olhou carinhosa e a beijou. Em nenhum momento Quinn pensou em cortar o beijo. Cedeu facilmente à língua da morena que pediu passagem. Aplicaram força naquele beijo, como se tivessem medo de se separar. Como se precisassem provar, através dele, que se pertenciam...


R: Esse é o único beijo que me interessa. Sua boca é a única que me importa, que me enlouquece... [disse sobre seus lábios, voltando a tomá-los para si]

Q: Droga! Eu te amo... Tanto! [murmurou assim que seus lábios se separaram]

R: Eu te amo demais! Tanto que nem sei dizer o quanto... [deslizou o nariz sobre o dela]

Q: Então aprenda a ser só minha!

R: Eu sou só sua!

Q: Não parece...

R: Se você pensa assim... Então me ensine! Ensina-me a ser tua!



[CONTINUA...]



Notas finais
Uma briga inevitável... No próximo capítulo vamos ver de que forma Quinn pretende começar a ensinar a Rachel a ser dela... ;)
Espero que gostem!
Comentem, please! :)