Ensina-me A Ser Tua
31 Capítulo 31 - Distância, beijos, saudade...
Ela andava apressada pela rua, reclamando internamente pela quantidade irritante de pessoas em seu caminho. Parecia que sempre que tinha pressa, a cidade inteira se juntava num complô para atrapalhá-la. Queria chegar em casa logo, arrumar suas coisas e viajar novamente. Rachel tinha voltado para Nova York e já passava de uma semana sem ver Quinn. O “dia das namoradas” tinha sido maravilhoso, apesar de sua crise de culpa após a ligação de Finn. Mas lembrar de como Quinn tinha sido perfeitamente compreensiva, enchia seu coração de orgulho. Naquele dia, elas dormiram, mas no dia seguinte, a loira estava dominada pelo desejo latente que tinha adormecido apenas naquela noite. Fizeram amor várias vezes antes de Rachel pegar o trem de volta. Para a morena, era uma demonstração de amor, de carinho, de desejo. Tudo muito natural. Para a loira, era muito mais do que isso... Quinn precisava que Rachel sentisse falta dela, que não houvesse qualquer possibilidade de voltar para Finn. Então ela fazia tudo direitinho. Deixava suas marcas no corpo moreno, e ligava todo santo dia para ela, como combinado. O que Rachel não sabia era que o humor de Quinn estava péssimo. Ela conseguia dissimular muito bem ao telefone, mas era Nick quem sofria as consequências. A loira estava amarga e completamente perigosa. Qualquer pessoa que cruzasse seu caminho corria o risco de ser esmagada por sua fúria animalesca causada pela saudade e pelos ciúmes. Mas ela não dava o braço a torcer e Rachel sempre tinha uma agradável, carinhosa e gostosa conversa com ela antes de dormir. Namoro à distância era complicado...
Rachel estava driblando Finn de todas as formas: recusando ligações, ignorando mensagens, evitando encontrá-lo... Ela se sentia mal por isso, mas tinha pedido espaço ao rapaz. Ele deveria entender, por mais difícil que fosse, que ele não tinha o direito de pressioná-la daquela forma. Mas ele continuava insistindo. Queria conversar, tentar fazê-la mudar de ideia. Mas não conseguia. Kurt atendeu ao pedido da amiga e negava a Finn a possibilidade de entrar no apartamento sempre que ele pedia. Era chato, parecia maldade, mas ele precisava de um freio.
Pensar nos toques de Quinn em seu corpo deixava Rachel animada e agoniada. A distância era foda! A mesma coisa acontecia com a loira...
Ainda correndo, Rachel entrou no apartamento chamando por Kurt. Não houve resposta. Adiantou-se até o quarto e se surpreendeu com Finn sentado em sua cama. De novo! “Merda!” Pensou... Ela esqueceu que pedir a chave dele de volta.
F: Eu sei que é ridículo eu estar aqui depois de você se recusar a falar comigo tantas vezes, mas eu não vou aceitar que você continue me ignorando. [disse sério]
R: O que você quer de mim, Finn? [perguntou calma] Eu já deixei claro que acabou e preciso que você entenda! [tentava ser o mais doce possível, mas falhava]
F: Como você quer que eu entenda? [irritava-se] Até pouco tempo você supostamente me amava. Nosso namoro estava bem. Você me ligava pra dizer que tinha saudade, fazia planos para nossa vinda. Você me ajudou a arrumar minhas coisas e dificultou a preparação das minhas malas porque você tinha tesão. A gente transava normalmente em Lima. Então, quando chegamos aqui, você de repente não queria mais transar, mas cedia aos meus carinhos. Eu entendi que você estava passando por uma fase de mudanças e respeitei. Por mais difícil que tenha sido, eu respeitei, claro! Então você me ligou num dia e estava completamente triste, mas me pediu pra fazer amor com você. E eu fiz. Estar com você naquele dia foi como sentir que tudo estava bem de novo... Eu sentia falta de ter você daquela forma. De sentir seu corpo tremer sob o meu. [olhava-a carinhoso, porém triste] Eu estava feliz e, no entanto, você veio me acusar de não prestar atenção em você. Desculpe se eu sou lento, se eu estava tão animado por ter você de volta que fiquei cego para a possibilidade de você não estar gostando da nossa transa. Só me desculpe...
R: Pare, Finn! Não se trata disso... [tentava explicar, mas não conseguia]
F: Não! Eu não vou parar! Eu não posso simplesmente aceitar que você termine com tudo. E se não se trata disso, se trata de quê? Não faz nem três meses que saímos de Lima, Rachel. Não faz nem um mês que a gente transou de novo. Como as coisas podem mudar tão rapidamente? [ele precisava entender, precisava ouvir alguma explicação clara]
R: Não importa, Finn! O que importa é que mudaram. [tentava fugir da conversa]
F: Importa! [elevou a voz]
R: Pelo amor de Deus, Finn! [seguiu o tom] Eu não quero brigar! Eu não quis te magoar, mas eu não posso ficar com você só para não ferir seus sentimentos. Isso é pior do que terminar.
F: Não. Não é! [começava a chorar]
R: É sim! [sentia um aperto no coração] Eu não quero mentir pra você, nem pra mim. Eu sei de tudo o que fiz. Tudo o que falei... Mas as coisas já não são como eram antes e eu sinto muito que você não queira entender. [sua voz se quebrava, indicando que também choraria]
F: Não é que eu não queira entender. Eu simplesmente não posso entender porque você não me explica. [levantou-se] Você só me diz que acabou e pronto. Eu quero saber em que momento. O que eu fiz ou não fiz para você deixar de me querer?
Rachel não respondeu. O silêncio que começou a se formar tornava-se gigante entre eles. Finn a olhava de forma sofrida. O coração da morena se quebrava. O rapaz deu dois passos temerosos em direção a ela e sentiu dor ao perceber que ela recuava.
F: Não faz isso... [pediu baixinho] Não se afasta de mim! [a morena desviou o olhar para o chão]
Ele continuava indo em direção a ela, e ela continuava recuando até encostar-se à parede.
F: Não faz isso comigo... [pediu com um pouco mais de intensidade]
R: Vamos parar por aqui, Finn... [pediu sem encará-lo]
Em frente a ela, ele a segurou pelo queixo e, delicadamente, forçou-a a olhar para ele:
F: Eu amo você, Rach! Eu fiz planos de futuro com você e não vou abrir mão disso. [disse firme]
R: Já não há mais um futuro comum que nos envolva, Finn. Cada um segue seu caminho agora... [disse triste, demonstrando a ele que não era fácil para ela também]
F: Eu amo você! [seus olhos brilhavam] Amo! Você entende isso? Você é a mulher que eu amo! Você é minha!
R: Por favor, pare! [pedia com os olhos marejados] Não faça isso! [aquela afirmação dele era mentirosa. Ela não era dele. Ela era de Quinn. E só dela ela queria ser]
F: Eu te amo! [insistia]
R: Pare! [elevou a voz]
F: Te amo mais do que tudo! Eu te amo!
R: Por favor, pare! [pediu sofrida]
Finn a beijou... Oh droga! Por mais que ela não quisesse beijá-lo, ela se deixou beijar. Era mais uma ausência de reação do que uma retribuição. Os lábios dele se moviam e movimentavam os dela. Ele intensificou o beijo. Invadiu a boca da morena com sua língua e reclamou a posse de seu corpo, puxando-a pela cintura. Ele a segurava como sempre fez. As mãos dela continuavam soltas ao lado do corpo e daquela forma permaneceram. Mas ele não precisava que ela o segurasse. O coração do rapaz acelerava. O dela estranhava. Houve um dia em que estar naquela situação a fazia feliz. O beijo dele, as mãos dele, o corpo dele... Houve um tempo em que aquele era um momento gostoso. Mas agora, tudo o que ela conseguia sentir era que havia lábios se movimentando sobre os dela e um abraço estranho que ela já não identificava... Tudo o que ela sentia era saudade de Quinn, porque os toques da loira eram fogo em sua pele. Os beijos da loira era a perfeição. Tinham significado. O único significado que importava...
As mãos de Rachel resolveram agir e, levemente, colocaram-se sobre o peito de Finn, afastando-o devagar.
R: Pare! [disse baixo, porém séria]
F: Me dê uma razão...
R: Eu não quero beijar você!
F: Por que não?
R: Porque eu amo outra pessoa...
Finn se afastou dela como se tivesse levado um choque. Parecia a coisa mais absurda que ele poderia ouvir. Simplesmente porque não conseguia enxergar outra pessoa em seu caminho. Mesmo que tenha perguntado a ela se havia outro cara quando terminaram, ela era “sua” Rachel, e ele saberia identificar se outra pessoa estivesse tomando seu lugar na vida dela.
Ele poderia perguntar quem era e exigir saber o nome, querer quebrar a cara do sujeito. Mas tudo o que ele fez foi olhá-la de uma forma dolorosa e sair do quarto, do apartamento, do prédio...
Ela sentiu frio. Sentiu-se sozinha e culpada novamente. Ela chorou. Ela não queria o beijo que recebeu, mas sentiu o quanto ele colocava sentimento nele. Finn realmente a amava e o simples fato de tocá-la o fazia feliz. Ela sabia disso, porque era como se sentia quando estava com Quinn. Não havia qualquer dúvida em qualquer parte de seu corpo e mente sobre seus sentimentos pela loira. Ela a amava. Mais do que imaginava. Mais do que queria amar, inclusive. E a cada minuto que passava, de cada dia, ela tinha mais certeza e mais noção do quanto seus sentimentos eram fortes. Ela deveria estar com a loira naquele momento. Ela queria estar com ela. Respirou fundo. Respirou novamente. Foi tomar um banho rápido e se apressar para pegar o trem que a levaria até a namorada. Naquele dia não haveria a ligação noturna de Quinn, afinal, elas estariam juntas dentro de poucas horas. Quando saiu do banheiro, apressou-se em pegar o celular e digitar uma mensagem:
“Estou a caminho... Estou morrendo de saudades! Você pode me esperar acordada? Antes que eu me esqueça de dizer: Eu te amo! R”
Quinn vibrou ao receber a mensagem e respondeu imediatamente:
“Estarei acordada! Minha ansiedade não me deixaria dormir nem que eu tentasse... Venha com calma! Tem uns beijos em seu nome aqui te esperando! ;) Te amo! Q”
Rachel jogou algumas coisas na mala e saiu correndo do apartamento. Ela precisava buscar seus beijos. Os únicos que ela queria. Os que ela realmente precisava...
Notas finais
Comentem! :)
Beijos!
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