Ensina-me A Ser Tua

24 Capítulo 24 - Além do amor...


“R: A resposta para todas essas suas perguntas é essa: Por amor! Foi por amor que eu te pressionei. Por amor eu insisti que você cedesse. Por amor eu te provoquei a voltar à minha casa. E por amor eu tenho transado com você... Eu sei que estou errada, mas eu não entendo como você não consegue enxergar o que é tão óbvio... Eu te amo!”



A voz de Rachel era o som mais perfeito que Quinn já havia escutado. Ela não seria capaz de encontrar qualquer pessoa que tivesse tanto talento quanto ela. Quando a morena cantava, nada mais importava, nada mais tinha cor. Tudo se resumia nela. Descobrir o som dos sussurros e gemidos ao pé do ouvido foi entender que a perfeição poderia ser ainda maior. Mas nada, absolutamente nada, poderia se comparar ao som de um sincero “eu te amo” sendo produzido por suas cordas vocais. Era o som mais doce do mundo...


Seu corpo se eletrizava como nunca antes. Era, talvez, o momento mais realizador de sua vida. Descobrir que era amada. Não que ela não soubesse ou não pensasse que Rachel sentia isso. A entrega da morena em seus braços já gritava essa possibilidade. Mas apesar de ser Quinn Fabray, ela nunca tinha ouvido um verdadeiro “eu te amo”. E aquilo... Aquilo mexeu com ela como nada já foi capaz de mexer.


Rachel a olhava expectante, na esperança de ouvir que também era amada. Não que ela também não soubesse, mas precisava que tudo ficasse definido. Cada segundo parecia uma eternidade... Sua declaração havia calado todos os demônios de Quinn. Naquele momento, nada mais importava. O corte em seu rosto, a existência de Finn, a distância geográfica, a discussão de antes, o mundo inteiro... Naquele momento, Quinn Fabray apenas se sentia alguém importante. Naquele momento ela se sentia privilegiada porque alguém como Rachel Berry a amava. Naquele momento, a raiva perdeu a luta...


Qualquer pessoa que estivesse de expectadora daquela cena, diria que o olhar de Quinn levantando em direção aos olhos de Rachel aconteceu em completa câmera lenta. Que alguém com uma audição aguçada poderia ouvir o som das pálpebras da loira batendo. Não houve mais espera...


Quinn não esperou Rachel repetir. Seu corpo foi rápido em decidir o que fazer. Não havia outra alternativa: a loira avançou os passos que lhes separavam e tomou a morena em seus braços. Segurou seu rosto com as duas mãos e a beijou com paixão. O impulso de seu corpo contra o dela as levou até a parede. O gosto dos lábios carnudos aveludados era a mais perfeita expressão do amor... A textura da língua intrépida que respondia aos seus avanços... Quinn estava possuída pela completa necessidade de se embriagar com o sabor de Rachel Berry.


Tinha sido uma tremenda reviravolta naquela confusão. Quinn tinha dito que não queria mais vê-la. Rachel havia causado dor física e emocional na loira. Agora, estavam dividindo o beijo mais significativo de suas vidas. A saliva da morena era néctar para a loira, assim como seus dentes eram passatempo para Rachel. Brincavam, desesperadas, dentro de suas bocas, explorando-se, completando-se, entregando-se de vez à mais pura verdade emocional em que poderiam estar mergulhadas.


Não havia orgulho, não havia rancor... Suas mãos dominaram seus corpos. Quinn segurava com força o pescoço de Rachel com a mão esquerda, enquanto a direita já havia se encarregado de deslizar pelas curvas da morena.


Rachel sentia seu corpo todo estremecer. A sensação de ser beijada por Quinn era a melhor que já havia sentido. Toda sua sexualidade, toda sua sensualidade, toda sua feminilidade se potencializavam ao menor toque da loira em sua pele. Não havia necessidade de respirar. As mãos de Quinn tremiam e isso entregava seu nervosismo.


Naquele instante em que Rachel nomeou seus sentimentos, tudo o que estavam vivendo ganhou um significado mais real. Deixou de ser apenas uma possível aventura secreta, um libertar de desejos... A morena, finalmente, entregava seu coração nas mãos de Quinn, assim como fizera com seu corpo.


A loira sugava a língua da morena com força, como se quisesse conferir que aquilo era verdade, que ela estava ali. As mãos de Rachel seguraram com força a blusa de Quinn... Estavam de volta ao primeiro beijo...


A intensidade de sensações foi demais para a loira. Sentir a pele quente da morena a estava deixando completamente maluca. Seu coração disparado parecia um novo coração. Era verdade... A mais pura verdade o que diziam sobre o amor: ele era tudo!


O beijo parou de repente. Foi Quinn a que deu fim a ele, mas seu corpo permaneceu no mesmo lugar. Mantinha seu rosto encostado ao de Rachel, respirando ofegante sobre a pele morena. Aquela que falasse primeiro teria que dizer algo que não estragasse aquele momento. Era responsabilidade demais para uma hora tão emocional! Quinn permanecia em silêncio, no mesmo lugar, com os olhos fechados, respirando fortemente, fazendo Rachel sentir cada vibração de sua respiração. A morena estava com medo do que se passava na cabeça da loira. Temia que ela estivesse em dúvidas... Não sabia ela que tudo o que Quinn fazia naquele momento era aspirar seu cheiro. A loira precisava ter certeza de que o perfume de Rachel jamais sairia de sua memória, de seu corpo, de sua existência. Naquele momento, sentir o cheiro dela, permitia que soubesse que tudo era real. Ela não estava em dúvidas. Ela estava numa prece silenciosa, de quem agradecia aos céus por ter sido agraciada pelo amor...


E Rachel voltou a falar:


R: Eu te amo... [disse baixinho] Eu te amo, Quinn Fabray! [repetiu]


A reação do corpo de Quinn foi espetacular para a morena. Ela estremeceu completamente, como nunca tinha estremecido. Nem em seu orgasmo mais intenso. Perceber que sua voz e aquela frase causavam aquilo na loira, deu-lhe uma sensação nova de poder, que precisava durar para sempre...


R: Eu te amo... [passou a deslizar os lábios pelo canto dos lábios de Quinn] Eu te amo... [seguiu pela bochecha] Eu te amo... [beijou delicadamente o corte estúpido que havia provocado] Me perdoa... [pediu com um nó na garganta]


Quinn ainda não tinha falado nada... Precisava olhar nos olhos castanhos da morena. Perdeu-se neles... Seu olhar era tão penetrante que Rachel era capaz de descrever cada risco de cores do verde de sua íris. Os olhos de Quinn Fabray eram parte fundamental dos inúmeros exemplos da perfeição que o corpo da loira possuía. Mas foi estranho quando ela os fechou, voltando a abri-los com uma expressão diferente, dando passos para trás e se sentando na cama. Rachel ficou confusa e, por um momento, pensou que não sairia feliz daquele quarto. Começou a sentir um frio em seu interior, como se a solidão de uma possível rejeição já tivesse se instalando nela...


Q: Eu não sei se consigo falar de amor com você. [finalmente falou]


Era oficial: Rachel estava assustada. O tom de voz não era dos melhores e aquela frase não parecia caminhar para um desfecho feliz...


R: O que você quer dizer com isso? [perguntou confusa, segurando o choro que ameaçava cair]

Q: Que eu não sei se consigo falar de amor com você... [repetiu]

R: Eu não estou entendendo, Quinn. [a voz estremecia] Desculpa, mas...

Q: Eu nunca ouvi um “eu te amo” nesse contexto. [interrompeu] E eu não sabia como reagiria ao ouvir. Até que você falou. E eu desejava que você falasse. Eu só queria ouvir isso de você. E eu ouvi... [confessou]


Rachel a ouvia calada, tentando entender como isso acabaria...


Q: Eu posso dizer que te amo, mas eu não quero!

R: O quê? Por quê? Você não me ama mesmo? [perguntou agoniada, com os olhos marejados]

Q: Claro que amo! [sorriu suavemente, pela primeira vez nas últimas horas] Mas o que sinto não pode ser resumido em amor. Vai muito além disso... Eu posso te garantir! Eu posso dizer que te amo, mas não será suficiente. [fechou os olhos] Porque eu enlouqueço quando você está perto. Eu enlouqueço quando você está longe. Eu enlouqueço ao pensar em você... Eu preciso da sua pele, do seu gosto, dos seus beijos... Não é só um querer, um desejo intenso... É uma necessidade visceral. Como respirar... Meu corpo se alimenta do seu. Eu me alimento da sua existência. E isso... Isso é muito mais do que o amor pode resumir. [lágrimas silenciosas deslizavam por seu rosto] Eu te entreguei meu corpo completamente e me apossei do seu... Isso me deu uma nova perspectiva da vida. Já não existe nada que valha a pena sem você... Eu te odiei por transar com ele, eu te odiei quando ele te beijou e te amei ainda mais nesses momentos. Eu te amei muito mais quando você me disse que tinha dormido com ele, porque meu corpo precisava entender que apesar daquilo, você seria minha... Quando ele te beijou mais cedo, eu te amei de forma dolorida. Eu te amei ao precisar esquecer aquela cena. Ao tentar afastar da minha mente aquela imagem. Eu te amei porque eu ainda podia sentir que você era minha, mesmo que eu tenha dito o contrário. [abriu os olhos e buscou os dela] E agora, neste exato momento, eu te amo como jamais serei capaz de expressar em palavras. Como nunca saberei nomear...


Durante toda a declaração de Quinn, Rachel manteve-se de pé, olhando para ela. Suas pernas a sustentavam misteriosamente, porque ela já deveria ter desabado ao ouvir tudo aquilo. Era intenso demais! A vontade sufocante de se jogar em seus braços desde o começo, foi contida com muita dificuldade. Em sua cabeça, se ela se aproximasse, poderia acuar a loira e destruir a chance de ouvi-la com toda sua sinceridade. Mas era chegada a hora de se mover e ela não iria mais esperar por nada. Avançou até ela e sentou-se ao seu lado. O rosto da loira virou em sua direção, mas seus olhos verdes já haviam acompanhado todos os movimentos da morena. Rachel não havia se dado conta de que chorava também. O mais profundo carinho estava impresso no olhar de Quinn... A morena ficou muito perto e encostou a testa em seu ombro, tentando recuperar o ritmo correto de sua respiração. Tentando organizar seus pensamentos. O medo de não ouvir um “eu te amo” de volta, transformou-se na avassaladora surpresa de ouvir Quinn dissecando a anatomia de seus sentimentos. A loira era mais, muito mais do que qualquer pessoa conseguiria ser em sua vida. Na verdade, ela sempre foi...


R: Se eu disser que me sinto igual, não terá o mesmo efeito. Vai soar como um simples “eu também”... [ergueu a cabeça e voltou a encará-la] Mesmo assim, eu preciso que você saiba que eu me sinto... Sua presença está impressa em mim, na minha pele... Não há um segundo em cada dia que se passa que eu não precise ser tocada por você. E não falo só de sexo. Falo da necessidade de sentir que eu continuo em você... Você é minha continuidade... [emocionava-se] Eu não posso ficar sem você. Eu abro mão de tudo, de qualquer coisa para ter você comigo... Para ser completamente sua... [a voz ficava embargada] Me desculpa! Eu me odeio por ter ferido você de tantas maneiras... [chorava] Eu nunca quis te magoar...

Q: Você ainda o ama? [perguntou temerosa, não conseguindo esconder o pavor de ouvir que sim]

R: Você me fez ver que não existe outra forma de amor além do que eu sinto por você. [respondeu calma] Então, não. Eu não o amo... E me pergunto se realmente posso chamar de amor o que eu sentia. Mas meu coração só me responde que não...


Quinn avançou sobre ela, derrubando-a no colchão. Tomou seus lábios com intensa entrega, necessidade violenta de provar seus beijos. Despiu-se de seus medos, de sua raiva, de suas lembranças ruins, de sua roupa... O mesmo fez com Rachel. Contemplou a nudez da morena com o olhar mais profundo que já havia lhe dado. Aquele corpo era seu paraíso... Deus! Ela era linda! Santana iria tentar matá-las ao ter certeza de que transaram em seu apartamento, mas Britt a impediria de fazer isso... Santa Britt!


Rachel sentia seu corpo sendo tomado pelo prazer mais gigantesco que já havia provado. Havia saliva de Quinn por cada canto de sua pele. Seus seios eram sugados com a mais absoluta paixão. A língua da loira brincava com o bico, girando ao seu redor. E sugava tudo novamente. A morena gemia, sem conseguir conter os efeitos que tudo aquilo provocava em si. Os dedos de Quinn já conheciam toda a intimidade de Rachel com perfeição. A morena se debatia ao senti-los em seu clitóris, ao mesmo tempo em que a loira chupava com força a pele de seu pescoço. Rachel tentava mover suas mãos pelo corpo de Quinn, mas a loira estava indomável. Movia-se com desejo predador. Penetrou-a com dois dedos e manteve um intenso ritmo constante, quente... Rachel estava excitada, mas também estava agoniada:


R: Espera! Espera! Pára, Quinn! Espera um pouco... [pediu ofegante]

Q: O que foi? [preocupou-se] Eu te machuquei? [retirou os dedos de dentro dela]

R: Não... [moveu-se para se sentar fazendo Quinn sair de cima dela, confusa]

Q: O que foi, então? [permanecia preocupada]

R: Eu acho que devemos ir mais devagar. [olhou-a com carinho]

Q: Devagar?

R: Eu quero fazer amor, Quinn... Eu quero que façamos amor sem pressa...

Q: Desculpa! Eu...

R: Shhhh [beijou-a levemente nos lábios] Você nunca terá que se desculpar por me tocar. Selvagem ou suave, eu sempre irei gostar. Meu corpo sempre responderá... Eu só acho que hoje, quando tivemos coragem assumir o que sentimos, devemos ter mais calma. Eu também quero explorar todo seu corpo...


Quinn entendeu perfeitamente o recado. Voltaram a se beijar, mas dessa vez, era tudo mais suave. Deitaram-se novamente e deram início a uma nova sessão de amor. Já tinham falado como se sentiam, era a hora de seus corpos conversarem. Como deveria ser...



[CONTINUA...]



Notas finais
Desculpem! Não deu para postar antes! Não tive a intenção de fazer vocês sofrerem como falaram nos comentários! hahahaahaha Não foi de propósito. :)
Espero que gostem!
Comentem! ;)
Beijos!
P.S.: Para quem acompanha, aviso que vou atualizar "Você Sempre Esteve em Mim (parte 2)" neste fim de semana.