Ensina-me A Ser Tua
19 Capítulo 19 - Fuga...
A água ainda estava morna e o perfume que pairava no ar era uma mistura perfeita do cheiro das duas. Rachel tinha Quinn entre suas pernas, encostada confortavelmente em seus seios, traçando desenhos aleatórios em suas coxas e em seus joelhos, numa paciente carícia singela. Dois dias incrivelmente longos e perfeitos que mais pareciam uma vida inteira. Perfeitos porque dividiam uma realidade só delas e porque aceitavam o que sentiam sem precisarem questionar nada. Os lábios carnudos da morena deslizavam devagar pela pele molhada do pescoço da loira, dividindo espaço com o calor de sua respiração preenchendo os poros, arrepiando-a por completo. O som baixinho emitido pela garganta de Quinn, todas as vezes em que ela repetia os movimentos, soava como música em seus ouvidos. Como alguém poderia ser tão perfeita? Até nos gemidos mais discretos e secretos... Nos mais específicos detalhes... Os movimentos dos dedos da loira tornavam-se ainda mais erráticos na pele morena, quando Rachel desenhava pequenos círculos com a ponta da língua na base do pescoço dela. Estavam submersas num universo de paciência e sensações. Era tudo tão simples e tão intenso...
R: O sabor da sua pele é indescritível... [disse baixinho, enquanto provava o gosto da nuca de Quinn] Me dê horas infinitas e eu não me cansarei de provar você...
Sentiu o aperto das mãos de Quinn em suas coxas. A loira nunca tinha ouvido nada parecido. E mesmo que tivesse, sabia que não seria comparável. Havia muito mais do que sensualidade na voz de Rachel, muito mais do que desejo. Havia uma sinceridade absurda de quem compactuava da mesma verdade. Da mesma ligação... Havia segurança e conforto, furacão e calmaria... A redescoberta do corpo, a libertação da alma...
R: Posso fazer uma pergunta? [mudou o tom de voz, fazendo Quinn sair do seu transe]
Q: Quantas quiser... [respondeu rouca]
R: Quando você deixou de me achar esquisita?
Q: Eu nunca te achei esquisita...
R: Mas você sabe que disse coisas ofensivas a mim e sobre mim.
Q: Eu sei... [havia arrependimento em sua voz] Mas nenhuma daquelas coisas era verdade.
R: Então você sempre me achou bonita?
Q: Não... Eu sempre te achei linda!
R: Nosso passado parece bem confuso para mim agora...
Q: Você disse que ele não importava.
R: E não importa mesmo. Eu só queria saber quando você passou a me ver com outros olhos.
Q: Eu te vejo com os mesmos olhos de sempre. O que mudou foi a minha forma de aceitar.
R: Posso confessar uma coisa?
Q: Deve...
R: Eu nunca escondi que sempre te achei linda. Eu te disse isso em várias ocasiões... Mas eu desejava que você me achasse bonita também.
Q: Eu achava... Eu não vou saber explicar meu comportamento contraditório, porque nem eu entendo, mas eu posso te garantir que sempre a vi linda... Sempre!
R: Olha pra mim...
Quinn se virou para ela. Rachel subiu em seu colo e se encaixou em seu corpo. As mãos da loira foram para sua cintura, arranhando o local carinhosamente. A morena traçava um caminho lento de beijos ternos por cada pedacinho do rosto perfeito. Quinn sentiu seu corpo esquentar e abocanhou o pescoço dela, chupando a pele morna com leve gosto pêssego.
Q: Você é tão gostosa... [sussurrava sobre a pele, provocando arrepios em Rachel ao sentir a vibração da voz rouca] Toda gostosa...
Os dedos da loira caminharam em direção à intimidade da morena, que soltou um gemido longo ao sentir o carinho em seu clitóris. Cravou as unhas nos ombros de Quinn, que aumentou a força com que sugava a pele sedosa. Teriam continuado naquela gostosa comunicação excitante, não fosse o celular de Rachel tocar. Mais uma vez, não precisavam ver a tela para saber quem era. Quinn paralisou por alguns segundos e respirou fundo. Seus dedos se afastaram e voltaram para a coxa da morena. Deu um selinho no ombro dela e começou a se afastar. Rachel a segurou, impedindo de se separar:
R: Eu não vou atender. Não se preocupe. Eu não vou atender. [garantiu rápido, preocupada em enfurecer Quinn]
Q: Você tem que atender. [respondeu demandante]
R: Eu não entendo. [demonstrou sua confusão diante da reação da loira]
Q: Ele é seu namorado e não faz ideia do que está se passando. É crueldade ignorá-lo assim.
R: Mas eu pensei que...
Q: Eu te quero só para mim, mas eu não quero escondido. Eu não quero que você o engane.
R: Já estou fazendo isso. [sorriu triste]
Q: É diferente.
R: Diferente como?
Q: Quando você o ignora assim, não está respeitando o que ele sente por você. E você não é assim...
R: O que você está falando?
Q: Eu odeio que você esteja com ele. Eu odeio que ele seja seu namorado. E eu gostaria de odiá-lo. Mas eu não posso permitir que você pense que agir assim é o certo. Ou que é bom para a gente. Não atendê-lo não muda a realidade de que ele é o seu namorado. E você deve alguma satisfação a ele.
R: Certo. Eu vou retornar a ligação. [disse desanimada]
Enquanto Rachel saía da banheira, Quinn optou por ficar mais um pouco. Preferiu não ouvir a conversa deles dessa vez. Mas a demora a impediu de não ouvir. Quando já estava no quarto, trocando de roupa, ouviu a risada da morena, que parecia se divertir com alguma coisa muito engraçada dita por Finn. Sentou-se na cama e fechou os olhos. Continuou ouvindo... Rachel falava para ele sobre a beleza de New Haven. E ela não mentia. Poderia não ter feito nenhum passeio, mas quando chegou à cidade e quando saiu para fazer as compras para o jantar de Quinn, pôde ver a bela arquitetura do lugar... “Tortura” definia bem os minutos quase eternos daquele telefonema, porque não parecia que Rachel estava incomodada ou pouco interessada. Da certeza de que havia sido sensata ao convencer a morena de que deveria falar com ele, Quinn passou para um estado de arrependimento ciumento que tentava conter. Se arriscasse expressar, corria o risco de se comunicar aos gritos, resultando em Rachel voltando para Nova York mais cedo. A loira precisava ser sensata, ainda que isso lhe custasse uma parte de sua paz... Deitou-se e se cobriu, ficando de costas para o lado em que a morena dormiria. Não... Não era birra. Era apenas uma forma de controlar aquele incômodo. Ouviu um “eu também” e entendeu que a ligação havia terminado. “Eu também...” Ela não precisava perguntar o que significava. Oh droga... A realidade não era tão doce quanto a vida perfeita que tentaram viver nesses dois dias.
Quando Rachel entrou no quarto, viu Quinn deitada com os olhos fechados. Quando olhou para o relógio se assustou ao perceber o quão longa foi a conversa com Finn. A loira não queria conversar e rezava para que a morena não tomasse essa iniciativa. Rachel quis, mas não agiu. Deitou-se calma e se cobriu. Quinn não se mexeu. A morena apagou a luz do abajur e fitou o teto. A luz fraca que adentrava o quarto através da fina cortina lhe dava uma pequena distração. A loira ouvia a respiração dela. Queria se virar, mas não o fez. Manteve-se quieta. Os minutos passavam e nenhuma das duas dormia de verdade. Rachel não era boba e sabia que Quinn estava incomodada. Mas não iria forçá-la a verbalizar isso. Falar com Finn foi natural. A forma como ele direcionou a conversa, contando algumas coisas que a fizeram rir, por um momento, por um breve momento, fizeram com que ela esquecesse que precisava terminar com ele. Não. Não significa que ela ficou em dúvidas. Ela apenas se deixou levar pela facilidade do relacionamento deles. Leveza que, há tempos, ela já não sentia com ele. Sabia que terminar seria uma tarefa difícil. Mas agora tinha a certeza de que seria mais doloroso do que pensava...
Naquele momento, ela não poderia resolver tudo e tinha duas opções. Escolheu a que lhe pareceu mais acertada. Abraçou Quinn por trás. Sentiu o corpo da loira estremecer ao seu toque. Percebeu que ela não dormia. Respeitou seu silêncio. Deu-lhe um beijo abaixo da orelha e sussurrou um “boa noite” em seu ouvido. Quinn entrelaçando seus dedos foi a única resposta que recebeu...
O dia seguinte foi estranho. Nick passou o dia inteiro com elas. Quando Rachel acordou, ele já estava no apartamento e permaneceu lá por todo o dia. Incrivelmente, ele tinha assunto de sobra para não tornar sua presença estranha. Os livros espalhados e os termos médicos repetidos frequentemente não convenceram a morena de que os dois estavam mesmo estudando. Era sábado e ela estava lá. Nick almoçou com elas, puxou assunto com ela e se fez presente por horas. Já se aproximava da hora do jantar e todo o carinho que ela e Quinn trocaram durante o dia foi um selinho que a loira lhe deu no meio da manhã. Rachel não era mesmo boba, e sabia que Quinn estava fazendo de tudo para evitar conversar. Nick era o obstáculo. Não seria mais...
R: Nick, desculpe minha indelicadeza, mas eu preciso falar a sós com a Quinn. Você poderia nos dar licença? [a loira gelou]
N: Não me diga que você não quer ir ao jantar... [disse desanimado]
R: Não é isso. [assegurou com um sorriso doce] Nós vamos sim. Eu só preciso de um tempinho com ela antes de irmos, já que será daqui a pouco. Pode ser? [perguntou suavemente]
Quando a porta se fechou não havia uma parte do corpo de Quinn que não estivesse congelada de medo. Ela sabia que não conseguiria se conter se conversassem, e não queria estragar as coisas.
R: Você fugiu de mim o dia inteiro. [afirmou]
Q: Eu não...
R: Não precisamos conversar. [interrompeu] Você não quer e eu não vou te forçar. [disse calma] Eu só acho que foi um desperdício de tempo você passar o dia inteiro tentando evitar uma conversa comigo, quando eu só tenho mais um dia aqui com você. Hoje passaremos boa parte da noite num jantar com pessoas que eu não conheço e não poderemos nos comportar como eu gostaria. [disse calma e séria]
Q: Eu só...
R: Só me ouça, Quinn! [interrompeu novamente] Eu estou completamente apaixonada por você e espero que você seja capaz de manter isso em mente, porque as coisas serão mais complicadas daqui pra frente. Eu entendo a forma como você deve estar se sentindo e não tiro sua razão. E eu sinto muito por isso. Eu te quero e resolverei as coisas para ficar só com você. Mas preciso que você confie em mim e não me dê as costas quando se sentir incomodada.
A sinceridade da morena e a forma calma com que falava, só fizeram Quinn se arrepender de ter fugido durante o dia todo.
R: Vou tomar banho e me arrumar...
Rachel poderia simplesmente caminhar até o quarto e deixar a loira pensando nas coisas que ela falou, mas antes de fazer isso, deu os poucos passos que as separavam e a beijou. Poderia ter sido um beijo calmo, mas a sede que estavam pela escassez de carinho naquele dia, fez com que ele se aprofundasse. Quinn sugava a língua de Rachel com necessidade. Alimentava-se dela, como se fosse sua única fonte de energia...
R: Você disse que eu sou sua. Então aja como quem me possui... [disse encarando os olhos verdes]
A morena se afastou e foi, finalmente, para o quarto. Quinn acompanhou todos os seus passos com o olhar. A loira entendeu o recado: não deveria ficar passiva diante das coisas que a chateassem. Rachel estava no meio de um furacão emocional e ela deveria segurá-la com todas forças. Quinn Fabray não a perderia por nada...
Notas finais
Obrigada pelos comentários! Não parem de comentar! :)
Beijos!
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