Ensina-me A Ser Tua

18 Capítulo 18 - Ciúmes...


Rachel cantarolava baixinho enquanto preparava o café-da-manhã de Quinn. Ela nunca havia preparado um para Finn, e concluiu (mais uma vez) que estava completamente apaixonada, pois já tinha preparado um jantar especial, e agora caprichava numa refeição reforçada para agradar a loira. Preocupou-se com o horário e quando pensou em voltar ao quarto para acordá-la, ouviu a voz suave adentrar a cozinha:

Q: Bom dia!

R: Bom dia! [respondeu sorrindo]

Q: Por que eu só te pego no flagra na cozinha, Berry? [perguntou divertida]

R: Porque você é ótima em estragar as surpresas que tento fazer para você. Vá se arrumar que você tem aula. [ordenou com um sorriso travesso]

Q: Eu pensei em não ir. Não quero te deixar sozinha. Podemos passear pela cidade.

R: Quinn, você faz medicina. Eu sei que é um curso difícil e que exige muito. Você não tem que ficar faltando aula. Eu não vou deixar. Você vai e depois nós passeamos, ok?!

Q: Ok... [preferiu não discutir]

Rachel viu Quinn se afastar em direção ao quarto e voltou a preparar o suco. Surpreendeu-se ao sentir o corpo da loira colar em suas costas:

Q: Esqueci uma coisa... [sussurrou enquanto deslizava o nariz pelo pescoço descoberto, graças a um rabo-de-cavalo]

R: O quê? [perguntou amolecida]

Quinn não respondeu. Puxou delicadamente o rosto da morena para o lado e, de forma igualmente delicada, beijou seus lábios. Rachel moveu-se para virar o corpo inteiro, mas foi impedida. Quinn manteve a posição, roçando levemente os lábios sobre os dela, enquanto deslizava a ponta dos dedos pelas costas da morena, sobre a blusa...

Q: É muito difícil sair para qualquer lugar quando tenho você aqui... Seu corpo me atrai com uma força magnética descomunal... [sussurrou em seu ouvido, sentindo o estremecer do corpo moreno]

Minutos depois, o rosto de Rachel mantinha um sorriso intenso. Ela estava vivendo um romance nos moldes que sempre tinha sonhado. O carinho matinal, o cuidado em preparar o café, a lembrança da noite anterior impressa em sua pele, através dos dedos ágeis de Quinn... Ela vivia um romance quase perfeito... Balançou a cabeça para afastar os pensamentos ruins. Concentrou-se, novamente, no romance, na loira, nelas...

Quando Nick bateu à porta, Quinn terminava de comer e correu para escovar os dentes, enquanto Rachel abria para ele:

N: Bom dia, Rachel! [cumprimentou sorridente]

R: Bom dia, Nick! [devolveu o sorriso]

N: A princesa chata está pronta? [perguntou alto]

Q: Estou aqui, engraçadinho! [respondeu revirando os olhos, chegando à sala com o material em mãos]

N: Então vamos embora!

A despedida virou um grande mistério para Quinn. Oh droga! No dia anterior ela se despediu com um beijo quente e perfeito. Agora, na presença de Nick, ela não sabia como se portar.

Q: Por favor, fique completamente à vontade! E se precisar de alguma coisa, pode me ligar a qualquer momento! [seu nervosismo era visível e Nick se divertia com a timidez da loira, pois ele sabia o que estava rolando ali]

Não havia jeito confortável de se despedir. Ela estava corada. Isso era fato! Tão sem jeito, que não percebeu o sorriso de Rachel ao vê-la dessa forma. Onde estava toda aquela imponência da Cheerio que não se deixava abalar por ninguém? Onde estava aquele furacão na cama? Mas, resolvendo todo o problema, a morena se aproximou ainda mais dela e rodeou seu pescoço com os braços, sentindo o corpo da loira estremecer antes de enrijecer. Incapaz de recusar qualquer aproximação, Quinn se deixou beijar. Carinhosamente, Rachel a beijou, sentindo os lábios dela corresponderem imediatamente. A morena sorriu durante o beijo, fazendo com que a loira relaxasse:

R: Tenha um ótimo dia de aula, Dra. Fabray! [disse com um sorriso lindo ao cortar o beijo, com o rosto ainda muito próximo do dela]

Antes que Quinn pudesse dizer alguma coisa, ouviu Nick pigarrear atrás de si, encostado no batente da porta:

N: Essa cena é muito excitante! Eu não queria ser o babaca a interrompê-la. Mas precisamos ir princesa chata. Depois vocês se beijam mais na minha frente! [mantinha um sorriso sarcástico]

R: Ele é a versão masculina da Santana? [perguntou sorrindo, antes que a loira respondesse a ele irritada]

Q: A versão quase perfeita! Com a diferença de que Santana é inteligente! [disse com um olhar matador para o amigo que apenas continuou sorrindo]

Quando caminhavam pelo corredor do prédio, Nick continuou provocando:

N: Vai negar agora que Rachel é o “carinha”? [provocou]

Q: Não é da sua conta! [respondeu rápido] Nick, pelo amor de Deus, não faz estardalhaço disso. [pediu] A Rachel tem namorado! [advertiu]

N: UOU! [ergueu os braços em surpresa] Você está destruindo um lar, princesa?

Q: Que lar? Ela tem namorado e não um marido. [defendeu-se]

N: De qualquer forma, você está se metendo entre um casal.

Q: Vai me criticar? [perguntou incisiva]

N: Não. Claro que não! Mas isso é um fato. [disse tranquilo]

Q: Ela vai terminar com ele. [avisou] Ela tem que terminar com ele... [era mais um desejo do que uma certeza]

N: Princesa chata arrasando corações... [cantarolou]

Q: Cala a boca! [revirou os olhos]

Rachel sabia que não deveria ter beijado Quinn na presença de Nick. Não ainda... Mas ela queria beijá-la. Simples assim. Como na última noite em Lima, elas já não faziam mais o que deveriam... Faziam o que queriam. E tudo o que a morena queria, envolvia a loira. Seu sorriso iluminou-se ao ouvir o som de mensagem em seu celular e descobrir que era Quinn. Oh droga! Ela poderia ficar mais derretida?

Graças a você, Nick não me deixa em paz. Se eu já era um brinquedo para ele, agora ele me considera uma novidade. Um brinquedo de última geração. ;) Mas eu não posso reclamar... Beijar você faz isso valer a pena... Q”

Hahahaha Bom... Eu espero que ele saiba que você é MEU brinquedo! ;) Só meu... R”

Como se tivessem ensaiado, como se tivesse sido perfeitamente combinado, ambas estremeceram. Nunca se sentiram assim com ninguém e mesmo sabendo que estavam anulando em suas mentes a verdadeira realidade dos fatos, não poderiam deixar de viver esse encanto que dividiam naquele momento. Para Quinn, não importava se Finn era o namorado oficial, pois ela sabia que era só questão de tempo para ele deixar de ser. Sua preocupação era não saber quanto tempo demoraria... Para Rachel, pensar na volta para Nova York era como armar uma bomba-relógio. Ela sabia que teria que terminar com ele e ela faria isso. Como e quando eram suas dúvidas. E não sabia como conter Quinn durante isso. Não sabia, sequer, como se conter...

Horas depois, Rachel abriu a porta para Nick, que estava à procura de Quinn:

R: Ela não estava com você? [perguntou confusa]

N: Estava, mas ela disse que ia resolver umas coisas e saiu. Mas pensei que já teria chegado. [disse entrando no apartamento e se sentando no sofá]

R: Que coisas?

N: Eu não sei. Princesa chata não se preocupa em me dar detalhes da vida dela. Ela se mete na minha, mas não deixa eu me meter na dela. Não há democracia nessa amizade. [disse sorrindo]

R: Bem... [estava encabulada] Falando nisso... Eu queria pedir a você que...

N: Não se preocupe! [interrompeu] Eu sei que você tem namorado.

R: Sabe? [surpreendeu-se]

N: Sei. Mas se você me permite dizer alguma coisa, eu gostaria de falar.

R: Pode falar...

N: Eu não sei quem é esse cara com quem você namora, mas se você está aqui é porque Quinn é tão importante quanto ele, ou mais. Eu acho que ela não tem tanta certeza de que você terminará com ele e eu já passei por isso. Até hoje espero a garota terminar com o namorado e isso nunca aconteceu. Conheço a Quinn há dois meses, mas parece que a conheço a vida inteira, como se ela fosse minha irmã. Então, se eu puder dizer alguma coisa realmente séria, eu peço que não a desaponte. Termine logo com o cara, porque ela é um excelente partido.

R: Eu sei. Eu sei disso...

A porta do apartamento se abriu, revelando uma Quinn segurando várias sacolas de um mercado de comidas naturais. Tudo para agradar a morena. Estranhou quando viu Rachel sentada no sofá com Nick ao seu lado. Eles estavam bem próximos. Claro que não fazia sentido sentir ciúmes dos dois. Mas desde quando ciúme precisa fazer sentido? Lógico que ela tentou disfarçar o incômodo:

Q: Hey! O que faz aqui? [forçou um sorriso tranquilo]

N: Vim atrás de você, mas só encontrei a companhia agradabilíssima da Rachel. [disse sorrindo, provocando um sorriso doce na morena]

Q: Ok... [respondeu seca enquanto se dirigia à cozinha para arrumar as compras]

N: Não quer saber o que eu queria com você? [perguntou se aproximando da cozinha]

Q: Pode falar... [não deu muita importância]

N: Meu pai ligou e vai ter um jantar lá em casa amanhã. Quer dizer, na casa dos meus pais... E eu preciso que você vá comigo! [pediu]

Q: Pra quê?

N: Eu não gosto dessas festas de “riquinho”. Você sabe! Eu preciso de alguém comigo!

Q: Leve a professora! [provocou sorrindo]

N: Eu queria muito! [suspirou falsamente triste] Mas só resta você!

Q: Sou o resto? [fingiu se sentir ofendida]

N: Não seja chata, princesa chata! [aproximou-se para abraçá-la] Venha e traga Rachel. [virou-se para olhar animado para a morena, que lhe devolveu um sorriso em apoio]

Q: Depois a gente conversa, ok?!

N: Pense com muito carinho! [beijou-lhe o rosto, piscou para Rachel e saiu do apartamento]

A loira voltou a arrumar as coisas em silêncio. Rachel estranhou esse comportamento, mas sabia que eram ciúmes. Só não esperava que ela iria demonstrar. Resolveu puxar conversa para ver até onde ela iria com isso:

R: Você ainda vai me levar para conhecer a cidade? [perguntou tranquila]

Q: Hum hum... [limitou-se a responder]

R: Ótimo! [respondeu sorrindo]

Q: Sobre o que vocês conversaram? [não aguentou nem três minutos sufocando os ciúmes]

R: Sobre você. Sobre o que mais seria se você é o único assunto em comum entre nós?

Q: Não sei... [deu de ombros, permanecendo de costas para a morena]

Rachel sentou-se sobre o balcão da pia e ficou olhando para ela, esperando alguma reação. A mão direita de Quinn estava muito próxima da coxa da morena, mas ela se segurava para não fazer qualquer movimento. Seu olhar era atraído para as pernas de Rachel como um ímã, mas a loira resistia.

R: É impressão minha ou você ficou com ciúmes? [perguntou calma, olhando para ela]

Q: E se fiquei? [manteve o olhar baixo]

R: Você acha que precisa?

Q: Não sei... Preciso?

R: Depois de tudo o que temos passado e conversado, eu acho que essa pergunta fica um pouco sem sentido, não acha? [mantinha a calma a todo custo]

Q: Eu não sei... [fechou os olhos e respirou um pouco mais forte]

R: Eu queria achar fofo o fato de te ver enciumada, mas estou vendo que isso te incomoda de verdade. Mais do que me envaidecer, me preocupa. [seu tom era de extremo carinho]

Q: Deixa pra lá. Foi bobagem... [abriu os olhos, tentando sorrir]

R: Você tem razão. Foi mesmo uma bobagem! Ele é seu amigo. A forma como ele fala de você é linda e dá pra ver o quanto ele se preocupa e gosta de ter você por perto. Eu quem deveria sentir ciúmes, mas eu já vi que não preciso. Não com ele. Então, não faz sentido você sequer pensar em sentir ciúmes de mim com ele também.

Q: É difícil não sentir ciúmes de você com qualquer pessoa... [confessou]

R: Qualquer pessoa? [surpreendeu-se]

Q: Sim... Quer dizer... [tentava explicar] Não se trata só de quem possa parecer uma ameaça para mim, mas da noção de que por mais que tenhamos conversado e feito coisas, não somos, na verdade, nada definido.

R: Você quer definir agora? [perguntou calma, disposta a conversar]

Q: Você sabe que não podemos fazer isso agora.

R: Então o que você quer que eu faça? Eu estou aqui com você. Eu vim atrás de você.

Q: Termine com ele. [disse rápido, de uma vez]

R: Eu vou fazer isso. Você sabe que eu vou fazer isso...

Q: Quando?

R: Você quer mesmo conversar sobre isso agora?

Q: Eu não sei... Estamos vivendo como se tudo já estivesse certo, mas a verdade é que você vai voltar pra lá e eu não estarei por perto. E eu vou ficar me perguntando o tempo inteiro o que estará acontecendo. Odiando cada segundo em que pensarei que você estará com ele.

R: E o que te faz pensar que comigo será diferente? Por que você acha que eu não ficarei pensando em você o tempo inteiro? Como já tenho feito há muito tempo...

Q: Esquece isso... [tentou finalizar a conversa, sabendo que Rachel tinha razão] Foi só um momento de insegurança, eu acho...

R: Não. [interrompeu, puxando-a para ficar entre suas pernas] Eu vou terminar com ele, porque eu não posso ficar com vocês dois. [começou a acariciar o rosto da loira] E eu não posso, nem quero ficar sem você. Porque eu estou apaixonada. E você sabe disso... [trocaram um olhar cúmplice, de quem dividia o mesmo sentimento] Os ciúmes vêm no pacote. Mas não deixe que ele fale mais alto do que a razão...

Q: Desculpa. Eu só... [passou a deslizar as mãos pelas coxas da morena]

R: O que seremos, Quinn? [interrompeu]

Q: O quê? [não entendeu]

R: Quando eu terminar com ele, o que eu serei sua? [era uma pergunta sincera]

Q: Namorada?! [foi uma pergunta, mas soava mais como uma resposta]

R: Bom... Bom saber... [sorriu suavemente]

Q: Pensou que seria diferente? [preocupou-se]

R: Não. Pensei que assim que deveria ser. Só não sabia se você pensava o mesmo.

Q: E por que não pensaria?

R: Ser “sua” é uma coisa. Ser sua namorada, é outra coisa.

Q: Então meus ciúmes estarão justificados se formos namoradas?

R: Eles se justificaram a partir do momento em que você disse que eu sou sua...

Q: Porque você é! [disse séria]

Rachel a puxou pelo pescoço e a beijou. Mas antes que as línguas entrassem no jogo, a morena cortou o beijo e deslizou o nariz por todo o rosto da loira:

R: É tudo o que quero ser...

Notas finais
Espero que gostem!
Comentem! :)
Beijos!