Ensina-me A Ser Tua
10 Capítulo 10 - "O que você quer ser?"
Q: Retiro a proibição. Pode postar fotos e me marcar no facebook agora, Nick.
N: Não vai me contar porquê tinha me proibido antes?
Q: Não!
N: Você sempre foi chata assim?
Q: Desde que nasci... [disse com sarcasmo]
Quando Quinn chegou em Yale pela primeira vez, ela estava confusa. Tinha transado com Rachel e ido embora com tudo mal resolvido. Xingava-se mentalmente por ter se deixado levar pelo desejo. Lembrava que a morena era comprometida. Questionou a própria sexualidade, sem saber se sua atração, seu desejo, seu provável amor por Rachel significava que ela era gay.
No segundo dia de aula descobriu que o rapaz que sentava ao seu lado em todas as aulas se chamava Nicholas (apesar de só se referir a si mesmo como Nick), e que ele, coincidentemente, era seu vizinho. Quinn não quis ficar nos dormitórios de Yale e acabou conseguindo alugar um apartamento próximo à faculdade. O pai de Nick era o proprietário e acabou fazendo um preço camarada para a nova “colega” do filho.
Fazer amigas sempre foi difícil para Quinn. Sua beleza afastava um pouco as garotas que temiam a comparação com ela, então fazer amizade com os garotos era mais fácil. Claro que a maioria tinha segundas intenções, o que não era o caso de Nick, envolvido numa paixão platônica por uma das professoras.
Ter sido aceita em Medicina foi a melhor coisa que poderia ter acontecido a ela naquele momento, pois tinha muito o que estudar para ocupar seu tempo e tirar um pouco Rachel da cabeça. O que não significava que ela tinha desistido do plano de enfrentar a verdadeira guerra para manter a morena em sua vida. Mas qual era o objetivo dessa guerra? Ter Rachel, claro! Mas tê-la de que forma? Quinn não sabia se essa louca “relação” delas poderia se tornar algo de verdade. Não apenas pelo fato de a morena ter namorado e o amar, mas também porque ela mesma não sabe se teria coragem de assumir uma relação com uma garota. Mas uma certeza ela tinha: ainda teria Rachel em seus braços por muito tempo. Não era só uma questão de conseguir, de ir atrás, ou de esperar a oportunidade. Ela precisava fazer a morena entender que corria o risco perder o encanto. Quinn Fabray não sofre pelos cantos nem corre atrás. Quinn Fabray é desejada e disputada, ainda que ela precise manipular um pouco essa última afirmação.
N: Mas você vai me dizer quem é o carinha que você quer deixar com ciúmes?
Q: Não. [disse calma, sem nem olhar para ele]
N: Mas você quer deixá-lo com ciúmes, não é?!
Q: Não só ciúmes. Medo, insegurança... Entre outros sentimentos.
N: Eu preciso saber quem é esse cara! [disse sorrindo]
Q: Não enche Nick! Eu preciso estudar e você não me ajuda. Então, pelo menos, cale a boca.
N: Por isso que seus amigos da escola te chamavam de “Ice Quinn”, não era?!
Q: Eu não deveria ter contado isso a você...
Rachel estava saindo da aula de dança, sabendo que não tinha aproveitado muito dela, pois estava completamente distraída. Tinham se passado apenas dois dias desde a volta de Quinn para Yale, mas parecia que tinham se passado séculos. Nenhuma ligou para a outra ou fez algum tipo de contato. Estavam se segurando para ver se a outra cedia. E também continuavam constrangidas, claro. Interagir normalmente era difícil demais depois do grau de intimidade que tiveram.
A morena ainda se sentia mal por ter traído Finn. Mais de uma vez... Principalmente depois de ter ganho flores dele no domingo. Ela tinha saído do hotel de Quinn vestindo um sobretudo da loira sobre o vestido, já que foi convencida de que seu traje não era para se usar à luz do dia, pois chamaria muita atenção. Ao chegar em casa e entrar no quarto, demorou mais de uma hora para retirar o sobretudo do corpo. O cheiro de Quinn era forte demais e perfeito demais para se afastar. Não sabia ela que a loira havia feito isso de propósito. Ela queria estar na mente de Rachel o máximo que pudesse. A morena se despiu e visualizou as marcas que Quinn havia deixado em seu corpo. Eram muitos chupões, como se ela tivesse a intenção de marcar território. Rachel não teria nunca como arrumar uma desculpa plausível para Finn. Precisava escondê-los muito bem e ficar distante o máximo possível do namorado. Não teve muito tempo para pensar. Após o banho, surpreendeu-se com a chegada dele. Manter os cabelos soltos foi a solução imediata e a única possível naquele curto período. Ele tinha flores nas mãos, pedindo desculpas pela forma como tinha falado com ela ao telefone. Oh droga! Ele fez com que ela se sentisse ainda pior...
Dois dias depois, ela ainda precisava disfarçar as marcas em seu corpo, mas o que mais a perturbava era a distância e a falta de notícias sobre Quinn. Novamente... Só de pensar na loira ela já se excitava. Oh droga... Ela andava excitada o dia inteiro, então...
Durante todo o tempo, Quinn mantinha o celular por perto. A aula de histologia requeria uma grande concentração, mas estava sendo difícil manter a mente ali. Quando não estava em aula, a loira tentava buscar explicação para o que estava acontecendo entre elas. Não conversaram o suficiente, não esclareceram a situação, e isso foi culpa das duas. Não estabeleceram uma relação definida, e isso foi culpa das duas. Elas não sabem como agir depois de tudo o que houve. A única coisa que sabem, é que querem que tudo aconteça de novo... Oh droga! Era tudo o que elas queriam...
Nick se empolgou muito com a autorização de Quinn para marcá-la em fotos e publicações no facebook. De repente, ela passou a receber as notificações das marcações que ele fez. Eram fotos da turma em sala de aula. Fotos deles no refeitório. Fotos dela com vários livros ao redor.
Q: Se eu soubesse que você ia fazer essa festa de marcações eu não teria autorizado. [repreendeu]
N: Se você quer fazer o carinha sentir ciúmes, ele precisa ver que sua vida anda atribulada. [piscou-lhe]
Q: Ok. Talvez você tenha razão.
Quinn chegou exausta em casa e precisou expulsar Nick de seu apartamento para poder descansar. Ele era um excelente amigo, mas a loira ainda mantinha sua necessidade de ficar sozinha em alguns momentos. Tomou banho, preparou um jantar rápido e encheu uma taça de vinho. Sentou em frente ao computador e acessou o facebook. Seria a primeira vez que ela escreveria algo depois de dois meses. Mas o que escrever? Ela não tinha nada a dizer para o mundo, mas queria que Rachel tivesse acesso a ela, pois sabia que a morena iria fuçar a rede social. E era exatamente o que ela fazia naquele momento. Quinn postou um vídeo da música “Across The Universe” dos Beatles. Não era um recado. Era mais uma tentativa de se convencer. “Nada vai mudar meu mundo”. O problema é que Rachel já o mudou. Completamente... Oh droga!
A morena a viu online no chat. Quinn também a viu. Ambas congelaram. Não sabiam o que fazer. Desconectar parecia uma péssima ideia. Mas o que falar? Quando se despediram em NY estava tudo mais ou menos bem. Quinn deixou as coisas meio que no ar. Elas sabiam que iriam se contactar de novo para entenderem melhor o que estava havendo e saber como as coisas ficariam. Mas quem tomaria a iniciativa? Rachel estava curiosa para saber quem eram aquelas pessoas nas fotos e, principalmente, quem era o tal “Nick” que aparecia em quase todas elas, abraçando e beijando o rosto da loira, sorrindo ao lado dela e fazendo-a sorrir. Seu coração apertou. Estaria com ciúmes? Não... Não podia ser... Ou podia? Oh droga! Podia sim! Foi Quinn quem cansou de esperar. Respirou fundo e tentou parecer o mais tranquila possível. Era a hora de ser Quinn Fabray:
Q: Como pode ver, eu não sumi! ;)
O coração de Rachel disparou. Ela sequer pensou e seus dedos estavam agindo por conta própria:
R: Uma grande evolução... ;)
Q: Como anda NY?
R: Em dois dias pouca coisa mudou. ;)
Q: E você? Como anda?
R: Bem! E você?
Q: Também!
R: Preciso devolver seu sobretudo, mas guardarei para quando você vier novamente. Espero que ele seja um motivo para você vir, afinal, é um Marc Jacobs legítimo. :D
Q: Tenho motivos melhores para ir... [Rachel estremeceu]
R: Quais seriam?
Q: Eu até poderia dizer, mas fazer é muito mais interessante... [a morena estremeceu ainda mais]
R: Essa é a nossa interação normal? [perguntou sincera]
Q: Uma tentativa... Precisamos começar de alguma forma. Estamos indo mal?
R: Não! Acho que bem... Até demais! :)
Q: Ótimo! Eu não me perdoaria se fosse eu a que estragaria isso...
R: Posso fazer uma pergunta?
Q: Quantas quiser...
R: Quem é Nick Sanders? [Bingo! A loira conseguiu! Provocou ciúmes]
Q: Meu amigo. [sorria amplamente, protegida pela solidão do seu quarto]
R: Ele estuda com você?
Q: Sim. Ele é da minha turma. Por quê?
R: Só curiosidade...
Q: E como você sabe sobre ele?
R: Têm algumas fotos de vocês no seu mural.
Q: Ah sim... É verdade... [fingiu naturalidade]
R: Ele parece ser um cara bacana. [tentava manter-se neutra]
Q: Ele é maravilhoso! [Arrependeu-se de dizer isso. Talvez tivesse exagerado]
R: Maravilhoso?
Q: Sim...
R: Tem certeza de que ele não é mais que um amigo? [Oh droga! O ciúme venceu...]
Q: E se fosse? [provocou]
R: Responda à minha pergunta! [irritou-se]
Q: Não sei porque deveria. [insistia na provocação]
R: E por que não deveria?
Q: Porque estamos tentando interagir normalmente e não estou sentindo que esse caminho que estamos tomando seja normal.
R: Eu só fiz uma pergunta simples.
Q: E qual sua intenção ao fazer essa pergunta?
R: Não complica, Quinn!
Q: Não estou complicando. Eu só não entendo porque isso te importa.
R: Você sabe porquê.
Q: Sei?
R: Sabe...
Q: Prefiro que você me diga.
R: É melhor falarmos depois. [chateava-se]
Q: Não. Antes me diga...
R: Por que você está fazendo isso?
Q: Isso o quê?
R: Me torturando.
Q: Me diga de que forma eu estou te torturando.
R: Esquece... Nos falamos numa outra hora.
Q: O que você quer de mim, Rachel?
R: Como assim?
Q: O que você quer de mim quando conversarmos? O que você espera?
R: Eu quero o normal, Quinn. Quero saber como você está, como foi seu dia, o que tem feito. Essas coisas que amigas compartilham.
Q: Amigas...
R: É... Independente de qualquer coisa, somos amigas, não somos?
Q: Talvez ainda sejamos...
R: Talvez?
Q: Talvez...
R: Eu não sei como foram esses dois últimos dias para você, mas para mim foram bem confusos. Eu queria poder contar com você para me sentir melhor. Para desfazer essa confusão. Eu quero entender, Quinn. Eu quero nos entender... Nos ajustar. Sei lá...
Q: Tivemos alguns momentos de lucidez onde quisemos conversar. Mas nossas vontades não coincidiam. Agora estamos distantes e não sei se conversar por aqui ajudaria.
R: Eu não quero ser um “talvez” para você... [Estava, enfim, rendida]
Q: O que você quer ser?
R: Eu não sei...
Q: Se eu estivesse aí agora, o que você seria?
R: Eu seria “sua”... [desconectou]
Notas finais
Comentem e me façam mais feliz! :)
Beijos!
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