Ensina-me A Ser Tua
1 Capítulo 1 - A verdade...
Notas iniciais
Chovia torrencialmente em Lima, mas mesmo assim todos escolheram manter o encontro no Breadstix. Para alguns faltavam poucos dias para embarcarem para as faculdades fora de Ohio, mas para Rachel e Quinn, faltava menos de 24 horas. Seus voos estavam marcados em horários próximos, mas com destinos diferentes. Finn, que chegaria em Nova York alguns dias depois, dividia sua atenção entre Rachel e os amigos, mas a morena não estava se importando. Naquela noite, ela já não se incomodava se Finn só tinha olhos para ela, se ele a amava, se eles se casariam, se teriam filhos... Naquela noite, ela não se importava. Seus olhos eram magneticamente direcionados à Quinn, que estranhamente não havia lhe direcionado nenhum olhar a noite toda. A loira mantinha uma conversa particular com Santana e sorria quando algum de seus amigos dizia algo realmente engraçado. Mas Rachel sabia que a mente dela não estava ali. Naquela noite, ela daria tudo para entrar na cabeça de Quinn.
A chuva não passava, o que fez com que a volta para suas respectivas casas fosse um pouco mais complicada. Os que tinham ido a pé, precisaram se espremer nos poucos carros ali. Finn e Rachel se separaram por questões logísticas e restou à morena ir no carro de Quinn. Mercedes desceu primeiro. Depois Brittany e Santana. Silêncio... Agora estavam sozinhas no carro: Quinn e Rachel. Tudo o que elas não queriam. Ou seria o contrário? A loira logo ligou o rádio e deixou que o som de qualquer música invadisse todo o espaço. O destino só poderia estar brincando: Barbra Streisand ressoou nos alto-falantes. Nunca, em toda a sua vida, Quinn tinha ouvido Barbra no rádio. Por que, justo naquele momento, ela foi agraciada por essa ironia? Rachel sorriu. Um sorriso singelo, porém sentido em toda a atmosfera que as envolvia.
Demoraram o dobro do tempo para chegar. Quinn dirigia mais devagar, precavida, devido a chuva, mas a verdade não era bem essa. Dirigir devagar só prolongava aquela sensação que não queria nomear.
Quando o carro parou, parecia o fim da linha de alguma coisa. Mas do quê, afinal? Tinham muito o que dizer, talvez... Mas poderiam dizer?
R: Obrigada pela carona, Quinn! [agradeceu educada] Espero que você seja muito feliz em Yale! [disse sincera]
Q: E eu sei que não preciso te desejar sorte em NYADA. Sei que verei seu nome nos letreiros logo logo... [sorriu suavemente]
Q: Espero que use o passe de trem para me visitar...
R: Claro... [limitou-se a dizer, embora quisesse dizer muito mais]
Finalmente, os olhares se cruzaram. Se tivessem uma faca naquele momento, poderiam cortar, dividir, picotar facilmente a tensão no ar que as dividia... Rachel respirou fundo e abriu a porta. A chuva despencava sobre ela. Qualquer pessoa teria corrido para casa, mas ela apenas caminhava, atravessando seu jardim. Queria olhar para trás, mas não tinha certeza se deveria. Não tinha ouvido o som do carro de Quinn indo embora. Podia ainda escutar o motor funcionando. Continuou andando. Quando sua mão, enfim, tocou a maçaneta, sentiu que se a girasse, estaria dando as costas definitivamente para alguma coisa realmente importante. Mas o que era aquilo? Valia mesmo a pena? Conseguiria uma resposta? Dane-se! Girou em seu próprio eixo e refez o caminho de volta. Seguia para o carro que não havia se movido nenhum milímetro. Do seu interior, Quinn perdia a respiração. Vê-la voltar estava fora de seus planos. Vê-la voltar poderia estar dentro... Não teve tempo para raciocinar mais. A porta se abriu rapidamente e Rachel voltou a ocupar o banco novamente. Completamente molhada. Não conseguia encarar Quinn. Fechou os olhos e tentou normalizar a respiração que nem tinha percebido estar pesada. A loira apenas esperava. Sua respiração não estava diferente. Havia algo a se resolver. Aparentemente, elas não tinham mais como fugir...
R: Por que você insistiu para que eu não casasse com ele? [finalmente perguntou, ainda com os olhos fechados e a respiração irregular]
A pergunta acertou Quinn em cheio. Não queria responder. Não queria ser sincera. Mas sabia que não tinha como fugir:
Q: Eu já te disse mais de uma vez. [limitou-se a dizer]
R: Eu não aceito aquela resposta! [disse cortante, abrindo os olhos]
Q: Você não tem que aceitar nada! [disse ríspida]
R: Não aceito! Você é complexa demais para me justificar um conselho com “você é jovem demais para se casar” e “ele não te ajudará a crescer”... Não pode ser só isso!
Q: Eu não sei o que mais você quer ouvir de mim. [disse tentando parecer fria]
R: Quero ouvir a verdade! [levantou o tom de voz]
Q: Eu disse a verdade! [levantou da mesma forma]
R: Quero a verdade completa! [disse mais alto]
Q: Não tenho mais nada a acrescentar. [disse baixo, calma, fria]
Rachel a olhou incrédula e se arrependeu de ter voltado àquele carro. Fechou os olhos com força, respirou fundo novamente e pôs a mão na porta para abri-la novamente:
R: Eu não devia ter voltado... Só... Saiba que não teremos outra chance... Pensei que você tivesse mais coragem...
Em uma fração de segundos o que Quinn via era Rachel correndo para casa. Dessa vez, a morena precisava sair de lá o mais depressa possível. Viu a porta da casa se fechar. Rachel já não estava mais em seu campo de visão. Recostou-se no banco apertou os olhos e soltou o ar que estava preso em seus pulmões. Pôs o carro em movimento. Queria chegar em casa logo e dormir. Queria não mais pensar. Queria voltar... É... A verdade mesmo era que queria voltar. Deu marcha a ré. Arrancou a chave da ignição rapidamente e quando viu, já estava em frente à porta dos Berry. Completamente molhada. Um, dois, três... Respirava. Um, dois, três... Novamente... Bateu. Rachel não tinha se movido, desde que tinha entrado e se deixado cair nos primeiros degraus da escada, chorando, sem ter certeza do porquê... A casa estava vazia, seus pais tinham ido antes para NY, para deixar o apartamento da morena pronto para quando ela chegasse. Ela estava sozinha... Rachel abriu a porta com violência.
O momento em que se encararam foi estranho. Nenhuma das duas entendia o que estavam fazendo ali. Na verdade, entendiam sim... As palavras não se formavam para Rachel. Ela não conseguia se mover, nem dizer nada. Quinn deu dois passos e se colocou dentro da casa, fazendo a morena recuar naturalmente. Seus olhos não se separaram em nenhum momento.
Q: Você quer coragem? [cortou o silêncio]
R: Preciso... [respondeu convicta]
Q: Eu não sou covarde, Rachel! [disse firme, dando um passo na direção dela]
R: Prove! [desafiou]
Cada passo de Quinn, era um passo que Rachel recuava, até chegarem à parede. A loira estava muito perto... Seus olhares chocavam-se com intensidade...
Q: Você quer ouvir o porquê de eu ter insistido para você não casar com ele? [perguntou desafiante]
R: Quero! [desafiou no mesmo tom]
Q: Você realmente não sabe? [duvidou]
R: Não tenho certeza... [demonstrou insegurança pela primeira vez]
Q: O que eu vou ganhar se disser a verdade?
R: Talvez ganhe o que você realmente deseja... [disse com um olhar cheio de esperança]
Quinn se moveu. Espalmou as duas mãos na parede, prendendo Rachel entre seus braços. Não que a morena pretendesse fugir. Seus braços esticados começaram a dobrar. Seus cotovelos agiam a seu favor. Rachel não se movia. Pagou para ver. Na verdade, para sentir...
Q: Amanhã vamos embora e tudo vai mudar...
R: Talvez tudo mude hoje...
Quinn assaltou seus lábios e Rachel, enfim, entendeu o que significava “ver estrelas”... Havia urgência naquele beijo. A loira não esperou para ver se a morena realmente retribuía e invadiu sua boca com uma intrépida língua sedenta, que caçava a da morena e deslizava por seus dentes e céu da boca. Suas mãos permaneciam espalmadas na parede, mas as de Rachel agiram sabiamente, puxando-a pela blusa molhada, fazendo-a ficar ainda mais perto. Precisaram de ar e Quinn soltou seus lábios. Permaneceu com seus rostos colados, respirando sobre o dela. Só então percebeu que Rachel agarrava sua blusa com força, deixando claro que elas queriam exatamente a mesma coisa. Sentiu a morena buscar seus lábios de novo, num movimento travesso de puxar seu lábio inferior com os dentes. Não havia outra possibilidade, não havia outro caminho senão se deixar levar...
Q: Preciso dizer mais alguma coisa para você entender? [perguntou ainda com os lábios sobre o dela]
Rachel não respondeu. Encarou-a com segurança, deslizou a mão até a dela e segurou firme, fazendo-a se mover para andar:
R: Vamos subir...
[CONTINUA...]
Notas finais
Principalmente os leitores da minha outra Fic. "Você Sempre Esteve Em Mim".
Aguardo reviews...
Beijos!
Fale com o autor