Notas iniciais
Aproveite!

Dia 13/08/1993 — Libertação.

Depois de um belo jantar, um casal chegou a casa com alegria de sobra. Por enquanto. Só faltava ver a querida Sunny, que já deveria está em sua cama. A babá, Berlinda, deveria estar na sala, esperando o casal.

Assim que o casal abriu a porta, deparou-se com o silencio e a paz do lugar, em vez de encontrar Berlinda.

O lugar parecia abandonado. Uma casa grande, cercada por árvores mortas, no mínimo assustadoras.

Mynd, a esposa, foi até o quarto de sua filha, no segundo andar. Queria dar uma olhada em sua adorável filha. Marcos, o marido, foi direto a cozinha, imaginando que encontraria a babá Berlinda ali. Chegando ao cômodo, percebeu marcas de sangue pelo chão. Decidiu seguir tais marcas... E acabou se deparando com uma cena que o deixou em choque.

Poucos segundos depois, o marido escuta um grito de tormento. Assustado e ainda chocado com o ocorrido, Marco correu até o quarto de onde veio aquele grito agudo e atormentado.

Quando o homem chegou ao quarto, a mulher começou a gritar mais. Sua filha estava morta, nos braços de sua mulher, que chorava e gritava insanamente, talvez numa tentativa de gritar "Socorro!".

─ O que... O que aconteceu? ─ disse o homem lentamente, ainda chocado. Mynd não conseguia falar, parou de gritar para ficar chorando e abraçando sua filha. ─ Berlinda esta morta, atirada na cozinha ─ disse baixo, mas foi o suficiente para ser ouvido. A mulher começou a se afogar em lagrimas e gritos, novamente. Marcos sabia que deveria ser forte, mas lágrimas desceram involuntariamente.

Marcos resolveu ligar para a polícia, mas após passar a mão sobre o bolso percebeu que tinha esquecido o celular no carro. Foi até o telefone que fica no andar debaixo para tentar ligar, mas os fios do telefone haviam sido cortados. Tentou fugir através da porta, o que não foi um ato muito eficaz, pois a maçaneta tinha sido tirada. Suspirou por um momento, olhou para trás e...

Mynd escutou um barulho, descrevendo-o como o barulho como um corpo caindo no chão. Correu até a porta do quarto e a trancou, foi à janela e começou a gritar, apesar da mesma estar trancada.

A porta antes trancada começou a tremer, tremer cada vez mais, e mais, e mais forte, até que...

Parou. Novamente ela se deparou com a paz e o silêncio.

Mynd não podia ficar ali, parada. Abriu a porta e desceu as escadas, foi até a porta da frente e a primeira coisa que notou foi o chão totalmente ensanguentado.

Mas não tinha ninguém ali.

A esposa não pensou duas vezes: pegou uma cadeira e quebrou a janela da sala, conseguindo, assim, fugir.

Foi até a casa da frente e tentou explicar o acontecido, pedindo para ligar para a polícia.

A polícia chegou, analisando o local.

─ Encontramos um único corpo ─ disse um policial muito simpático. Mynd ficou muito assustada com as palavras que o guarda disse. Deveriam ser três corpos, não deviam?

A mulher, ainda espantada, afastou-se dali do policial, indo para o meio da rua.

Parou por um instante, começando a pensar. Pensou que não viu Berlinda morta, que sua filha não tinha marcas de ferimentos. Quando saíra de casa, lembrou-se de ter avisado à babá que os alarmes estavam ativados e que tudo estava bem, então essa era a única explicação:

O único modo de o assassino ter conseguido matá-la seria se ele estivesse já dentro da casa.

Abruptamente Mynd foi atropelada. O motorista passou direto sem prestar socorros. O carro não possuía placa. As pessoas chegavam aos montes, ficaram em volta dela e em seu ultimo suspiro de vida, viu o rosto de sua filha e seu marido. Não era só o rosto deles, eram eles. Ela não entendeu o que viu, não entendeu o que aconteceu.

Marcos fugiu com Sunny. A polícia não percebeu nada.

Seis anos depois, Sunny já tinha 14 anos e decidiu que o pai dela estava errado em não assumir a culpa dos assassinatos. Ela não aguentava mais.

“Passei seis anos da minha vida fugindo de algo que eu não fiz” ─ pensou. ─ "Por que devo levar a culpa disso tudo?”.

─ Oi, minha princesinha – disse seu pai.

─ Como vai, meu rei? – disse enquanto se aproximava dele. Seu pai estava costurando.

─ Veja o que eu acabei de fazer para você ─ disse eufórico. Sunny aproximou-se do seu pai, colocando uma faca em seu pescoço.

─ Papai, eu estive pensando. Sabe onde você nunca me levou? A um circo. Eu sempre amei palhaços, e me surpreendo que você não saiba disso ─ revelou, deixando um sorriso desenhar-se sobre sua face. ─ Mas é claro que você não sabia disso... ─ sussurrou, enquanto cortava o pescoço de seu pai. ─ Você só queria sentir prazer, não é? Prazer em matar as pessoas. Deve adorar a sensação do sangue! Agora sou sua filha, seu palhaço.

Tudo que ela queria era continuar o “negócio” que seu pai começou. A verdade é que aquela garota queria sentir o mesmo que ele e, depois de tantos anos, conseguiu.

Uma verdadeira assassina estava aperfeiçoada. Começou a fazer o que o pai dela amou, o que ela ama.

E é assim que eu, Sunny, o perfeito palhaço conta sua origem.

Betas: Felipe Martins e Isla Kiepper.

Notas finais
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Espero que tenha gostado e obrigado por lê!

@lucasfariasf