Notas iniciais
Olá :) Vocês vão notar que eu fiz uma modificação: ao contrário da obra mestra, em minha história Harry e Rony voltaram para Hogwarts a fim de concluir seu último ano letivo. Espero que gostem!


Prólogo.

Último dia de outono, início de inverno. Dia 17 de Novembro, Hogwarts – Escócia


Amanhecera tão frio quanto na noite anterior. Uma brisa gélida rondava o castelo, e alguns pinheiros já estavam com seus topos cobertos por uma fina camada de geada. Uma coruja marrom cruzou o céu cinza, arriscando-se em pousar sobre uma árvore verde-esbranquiçada. Tudo em Hogwarts despertava lentamente, como se seguisse o ritmo preguiçoso da neve que agora começara a derreter.

Rebeca estava deitada em sua cama, no Salão Comunal da Grifinória. Uma pilha enorme de cobertores dourado e vermelho a cobriam, fazendo com que a garota praticamente sumisse de vista – salvo a um espesso emaranhado de cabelos castanhos que cobriam boa parte do travesseiro que usava. A jovem virou o rosto de forma preguiçosa para o lado, procurando olhar as horas em seu relógio. Como o aparelho estava levemente voltado para o lado oposto, pôde apenas ver que já passavam das sete. Espreguiçou-se um pouco e viu Hermione de pijamas atravessando o dormitório feminino, sonolenta.

– Não dormiu bem, Mione? – perguntou, fitando-a de forma interessada. A jovem bruxa colocou uma mexa de seu cabelo desalinhado cor chocolate atrás da orelha e suspirou.

– Como posso dormir com as provas finais chegando? – perguntou, abrindo seu malão. Rebeca riu.

– Calma Hermione! Você é tão inteligente que nem precisa estudar. – respondeu, procurando acalmá-la. A jovem usou toda sua força de vontade para abrir os olhos e sentar-se na cama, ignorando os pêlos de seus braços que se eriçavam com a mudança brusca de temperatura. Se tinha uma coisa que Rebeca odiava na Europa, era o inverno. Pensar naquilo fez a menina bufar.

Hermione, que estava muito concentrada relendo pelo o que Becky pensava ser a quinta vez a mesma página colorida do livro de Poções, parou e a olhou como se ela estivesse dizendo para jogar-se de um precipício.

– Mas é claro que preciso! Você sabe tão bem quanto eu que as N.I.E.M’s são muito mais complicadas! – respondeu, usando como argumento seu dedo sobre um capítulo qualquer do livro. Rebeca não conseguiu ler o que a página dizia, mas a quantidade enorme de passos e ingredientes indicava que a poção era, no mínimo, complicada. Então arqueou as sobrancelhas

– Eu sei, eu sei… – ela afirmou com a cabeça – Mas você deveria se deixar relaxar às vezes. – comentou, percebendo de imediato que havia cometido um enorme erro. A bruxa respirou fundo e preparou-se para o sermão sobre a importância das N.I.E.M’s na vida de um bruxo.

– Relaxar? – perguntou, depositando o livro sobre seu malão semi-aberto – Me pede para relaxar com as provas finais chegando? Francamente! As N.I.E.M’s vão nos mostrar nossas aptidões. São importantes até para conseguir um trabalho. – pausa. A morena fechou o livro e a encarou novamente – E você, devia estar fazendo o mesmo. – terminou, apontando o dedo ameaçadoramente para ela.

– E eu vou. – afirmou, levantando-se da cama – Só que mais tarde. Agora vou ver o Harry.

Rebeca girou o corpo e começou a se despir ao passo que a amiga revirava os olhos nas órbitas, desaprovando a situação. Ela não admitia que a morena se deixasse levar por uma paixonite e “parasse” de estudar.

– Estar apaixonada não vai te fazer tirar o total na prova de Poções, sabia? – a voz de Hermione soou levemente irônica enquanto abotoava a própria saia. Rebeca esperou conseguir fazer a cabeça passar pelo suéter cinza e dourado da casa para lhe responder.

– Ah Hermione, que isso! Você sabe que eu estudo. Além do mais – começou, com um sorriso malicioso – Vai dizer que não anseia pelas horas de privacidade com Ronald Weasley? – a jovem perguntou abraçando o próprio travesseiro e o beijando. As demais garotas à esta altura já estavam de pé, e começaram a rir da cena.

– Fica quieta e vai se vestir! – foi tudo o que a Granger respondeu, atirando em Rebeca seu próprio travesseiro.

As duas se apressaram e Hermione desceu na frente, fazendo Becky jurar que não a atrasaria para o café. Tudo parecia perfeito até ali: Lord Voldemort finalmente se fora, a escola estava sendo reconstruída e tudo respirava a calmaria de mais um inverno.




– Bom dia! – cumprimentou cantarolando, descendo as escadas do dormitório, minutos mais tarde.


Lá em baixo, Harry e Rony conversam próximos a lareira e Hermione estava sentada em uma poltrona rubro, lendo um livro qualquer que havia pego na biblioteca no dia anterior, só para se distrair. O moreno vestia o uniforme de Quadribol, pois naquela manhã haveria treino. Harry amava aquele esporte e havia voltado à equipe após a derrota de Lord Voldemort. Rebeca sorriu, pois adorava vê-lo com aquele uniforme. Harry, antes um simples garoto magrelo, agora exibia um corpo bem trabalhado por causa do esporte e seus olhos verdes estavam salientes aquela manhã. Mas, assim que a viram, calaram-se.

– Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou, pestanejando. Estava estranhando a situação. Harry nunca lhe escondera nada. O que havia de errado?

Os dois amigos se entreolharam. Hermione afundou a cabeça no livro, mais concentrada do que nunca em sua leitura silenciosa.

Rony caminhou até o buraco da parede, sem dizer uma só palavra. Rebeca ficou preocupada. Poderia estar acontecendo alguma coisa com Harry. Ou com Rony. Talvez, Voldemort estivesse por perto. Mas não.. Não havia como ele voltar, não com todas as Horcruxes destruídas. A morena balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. Era idiotice imaginar aquilo.

– Você vem, Hermione? – o ruivo perguntou, por fim. Hermione fez que sim com a cabeça e, levantando-se, seguiu o monitor. O buraco da parede abriu-se, revelando a saída. Eles saíram, deixando os namorados a sós no Salão.

Fez-se silêncio. Um silêncio que parecia a consumir. Estava acontecendo alguma coisa, ela sabia. Podia-se sentir no ar.

– Harry.. Por que Rony estava daquele jeito? O que houve? – perguntou, indo ao seu encontro.

– Não… Não é nada. – ele respondeu, desencostando-se da parede.

Silêncio.

– Está me escondendo algo? – perguntou novamente, parando em sua frente.

– Não… – ele respondeu, puxando-a pela cintura com ambas as mãos – Por quê?

Rebeca reparou em como seus olhos verdes estavam sérios por trás daquela armação redonda. Sérios demais.

– Não sei. Você me parece estranho. O que houve?

Harry hesitou em falar. Parecia estar escolhendo as palavras certas. Depois de alguns segundos, afastou uma mecha do cabelo dela e disse:

– Nada de mais. Só que, depois do café, queria conversar com você.

A bruxa não entendeu o motivo, mais naquele momento sentiu uma onda fria rolar por seu corpo, desabrochando-se em seu estômago. Ela apenas assentiu com a cabeça e eles saíram para o Grande Salão.