Enquanto você dormia...
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Nathan
– Onde eu estou? Que lugar é esse? – Fui abrindo os olhos meio desorientado
– Você está no hospital meu jovem. – disse um homem, nem tão alto, nem tão baixo, que aparentava uns cinqüenta anos, jaleco branco, prancheta em mãos, madeixas grisalhas, acho que posso descrevê-lo assim. O médico
– Espera – disse eu já recobrando a memória – Cadê a Lê?! – me sentei na cama do quarto – Onde ela está, eu quero vê-la!
– Descanse um pouco senhor Parker, amanhã já terá alta e então lhe contaremos a situação que a senhorita Jones se encontra – disse o doutor Marcus, pelo que identifiquei em seu crachá.
Dia seguinte
Acordei as 7:53h pelo que vi no relógio logo acima da TV na parede a minha frente. Estava me lembrando agora, um pouco mais sobre o acidente. Lembro-me de gritar inúmeras vezes o nome de Alexia – flashes de cenas do acidente me invadiam a mente — , eu via Alexia inconsciente e tentava acordá-la, mas ela não reagia, em seu braço esquerdo tinha um corte grande e profundo e sua testa sangrava. Sentei-me na cama, cobri o rosto com minhas mãos e coloquei-me a chorar, chorar muito, porém, silenciosamente, uns 20 minutos se passaram até uma moça de uns 27 anos entrar, pequena e delicada, cabelo castanho claro e olhos azuis acinzentados, a enfermeira. Ela me levou até a ala onde Alexia estava. Lá encontrei o doutor Marcus e recebi a pior noticia:
– Bom Nathan, temos que avisar que o estado de Alexia é gravíssimo, ela só está viva porque os aparelhos à fazem respirar mas, ela está em coma.
Comecei a chorar na hora, minha namorada e melhor amiga está em coma e pode nunca mais acordar e a última coisa que eu fiz com ela foi o que?! Brigar! Eu já estava tremendo, pedi para ver ela. Quando entrei eu a vi, minha pequena Alexia, tão indefesa e frágil, resolvi conversar com ela.
Alexia
– Amor, Lê, Bebê, Pequena, Minha, Bravinha, Lexi e muitos outros apelidos eu te dei. Sabe eu não queria ter brigado contigo, se eu tivesse aceitado ir ao shopping você não estaria aqui, sofrendo, por minha culpa. Lexi, daria de tudo para estar em seu lugar, eu te amo, você sabe muito bem disso, por favor não me deixe aqui, sozinho, você sabe o quão importante é para mim... – Eu ouvia tudo, mas não conseguia dizer nenhuma palavra, tinha muita dificuldade em inspirar e respirar, não conseguia mexer meus membros e nem abrir meus olhos só conseguia ouvir. Ouvir o que queria – Eu te amo Lê – e ouvir também o que não queria – Senhor Parker, a senhorita Jones teve um corte muito grave em seu braço esquerdo e então, tivemos que amputar – Isso doeu, eu queria chorar muito mas não conseguia, parece que este corpo não é meu, ele não me respeita. Essa não sou eu.
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