Enquanto o Sol se Pôr
15 Desfecho - Parte 1
Notas iniciais
Por motivos óbvios (excesso de criatividade do autor), o último capítulo (e o mais difícil de escrever), acabou por sair em algumas partes, bem distintas... uma mais parada, e uma mais corridinha e animada ! Bem... segue aqui a parte mais calma, pra aumentar ainda mais a curiosidade. Corro com a outra parte, que logo vem. Beijo, e ... (LÊ ATÉ O FIM)
Eu demorei a abrir os olhos naquela manhã... um sentimento me tomava por inteiro, uma sensação de que algo ruim estava por acontecer. Ali da cama eu podia ver o céu, cinza como nunca... me avisando da chuva que não demoraria a chegar.
Fazia uns quatro dias que eu não via mais o sol... não que eu não o procurasse... Parecia que era ele que não queria me visitar. Eu passava os dias, na minha janela, esperando que viessem me ver, o sol e todo o mundo, mas parecia que o universo estava contra mim. Eu não saía mais... minha mãe me dizia que era perigoso, e eu não podia questionar, as mães sempre estão certas.
Meus amigos mal iam me ver... desde que disse que eu iria embora... mas... eu tinha que dizer isso a eles, nem tudo na vida é do jeito que a gente quer. Eu não queria ir... eu não queria deixa-los, eu os amava, mas...
Cláudia entendeu mais rápido do que eu esperava, e desde o dia que a contei, ela não me procurava mais. Maria foi a que mais veio me ver... nos dois últimos dias, fora na minha casa algumas vezes, trouxera alguns biscoitos... e conversávamos muito... mas, eu percebi que ela evitava se aproximar demais. Estava certa. Eu iria embora mesmo... Mas havia um dia inteiro que ela não vinha me ver. Rodrigo... este veio me ver só uma vez, e pareceu não importar quando eu disse que iria embora. Rodrigo esconde os seus sentimentos... e isso me deixou mais triste ainda. Tinha medo de ir embora e nunca mais vê-lo.
O barulho da porta me fez saltar da cama, num gesto rápido.
_Marcos! – Era minha mãe
_Pode abrir. – Respondi esfregando os olhos
Ela abriu a porta e me olhou, analisando, como sempre faz... era nessa hora que ela sempre faz a mesma pergunta:
_Você está bem, querido?
_Estou vivo. – A resposta também era sempre a mesma
Minha mãe me olhou por um instante e foi fechar a janela, falando:
_Vai dar uma chuva hoje... Já ta ventando muito... Seu pai falou que até acabou a energia na casa da sua avó. Você sabe como eu tenho um medo dessas tempestades assim, rápidas...
Eu confirmei com a cabeça, realmente era uma história que eu conhecia, então repeti tudo devagar, como costumava escutar na infância:
_O tio Aquiles uma vez estava jogando futebol num campo aberto e caiu um raio bem no meio do campo, foi um barulho enorme e...
_... a maioria dos jogadores morreram, todos queimados, meu querido...
_... mas o tio Aquiles teve a sorte de saltar pra pegar a bola bem na hora que o raio atingiu o chão. E hoje ta aí, forte e cheio de vida, não é isso? – Disse olhando-a, ela me lançou um olhar desafiador
_Mas o que você não sabe é que a vovó, a mãe da minha mãe, sua bisavó... estava passando por debaixo de uma árvore...
_Deixa eu adivinhar, um raio atingiu bem na árvore, que queimou toda, e ela quase morreu? – Disse, cortando-a
_Não. Caiu uma frutinha na cabeça dela... Mas isso é uma outra história. – Ela respondeu recolhendo uns papéis no chão
_Mãe? – Eu perguntei assustado _O que isso tem haver com a chuva?
_A vovó gostava de dias de chuva. – E puxou a cortina da janela, escurecendo um pouco o local
Levantei e fui até a porta pra ligar a luz. O dia estava mesmo escuro. Lembrei que Maria e Cláudia costumavam ver filmes nos dias de chuva, como me faziam falta.
_Alguém me procurou? – Perguntei abrindo o guarda-roupas para pegar alguma coisa pra vestir
_Não, não... ninguém, ninguém mesmo. – Minha mãe mentia muito mal, tanto ela quanto meu pai
_E quem era, a Maria, o Rodrigo ou a Cláudia? – Insisti, vestindo uma camisa
Minha mãe respirou fundo, ela não gostava que eu visse os meus amigos mais, e não me respondeu, apenas saiu do quarto, dizendo, contrariada:
_Hoje vai chover, você não sai hoje!
Não fazia diferença, eu não saía era nunca mesmo. Me joguei na cama outra vez, e não iria sair de lá tão cedo. Devagar eu escutava as gotas baterem no vidro, leves... e cada vez ficando mais pesadas... até ficarem pesadas demais para gotas de água.
_Marcos! – A voz vinha abafada da janela
_Rodrigo? – Eu assustei, saltando da cama
Abri a janela e ajudei Rodrigo a pular, molhado e frio.
_O que é isso? A porta Rodrigo, a porta...
Rodrigo me olhou desconfiado e eu não entendi bem.
_Você nunca quer me atender. Tem muito tempo que chamo, e sua mãe disse que você não queria me ver... – Ele me disse, tirando a camisa molhada, os músculos rígidos à mostra
_Mas eu... – Disse _Ah... entendi.
Rodrigo me puxou com força e me beijou, passando o braço pela minha nuca, Eu me soltei em seu corpo frio e molhado, sentia falta daquilo, de tudo aquilo. Rodrigo tremia um pouco, e eu o apertava com toda a força que tinha.
_Marcos. Maria me falou que você vai embora amanhã... não é? – Ele perguntou, os olhos à alguns dedos dos meus, que brilhavam sem parar
_Eu... eu acho que sim, as coisas já estão nas caixas... e...
_Por que você vai fazer isso comigo? –As palavras saíram como num desabafo, seus dedos se soltaram sobre minha nuca
_Rodrigo... não é assim, você sabe que.. .que não é. Eu te amo, Rodrigo. Você tem alguma dúvida disso? Eu só... eu só... tenho que fazer o que meus pais mandam, entende?
_Não. –Ele respondeu seco, seus olhos fugiam dos meus _Se você me ama, como quer me deixar? Isso não faz sentido pra mim.
Respirei por um segundo. Rodrigo não entendia como as coisas funcionavam. As coisas nem sempre são como a gente quer, temos que ceder... pra tudo se reorganizar. Nos amávamos, disso eu sabia, mas... até onde aquilo daria certo? Não era um romance qualquer, as pessoas não entendem, não aceitam... E... já tínhamos tido problemas suficientes com aquilo. Pra mim bastava.
_Rodrigo...
_Já é a segunda vez que você quer dar um fim nisso tudo. Você sempre decide por nós... isso não é um jogo onde você decide sozinho as coisas, eu estou aqui também, sabia? Você sabe o que eu sinto em relação a isso, você acha que eu quero isso pra mim, que isso vai ser bom... pra mim? – Rodrigo me soltou e foi trancar a porta, para não me encarar mais nos olhos, eu aprendera com ele a encarar as pessoas nos olhos, e intimida-las, mas naquele momento eu sentia o Rodrigo mais “Marcos” do que ele mesmo, tímido, quieto, triste...
Eu o olhei, não tinha palavras. Eu não queria ser grosso, eu não queria magoar a pessoa que eu mais amava no mundo.
_Eu te amo...
_Então prova. – Rodrigo me olhou, os olhos desafiadores
_Eu não sei como. –Respondi, sincero
_Não vai embora, fica comigo... foge, sei lá... vem morar comigo, a minha mãe vai entender, você fica com a gente, mora na minha casa.
Eu aproximei de Rodrigo e tapei sua boca com o dedo indicador, as lágrimas começavam a brotar de seus olhos. Olhei-o calado, e ele também me olhou, os olhos claros, vivos nos meus. O sorriso completamente desfeito. Rodrigo ainda era lindo, mesmo nas suas piores caretas.
_Fica comigo hoje? – Perguntei recolhendo suas mãos
Ele me puxou pela camisa e me jogou na cama, como gostava de fazer quando estava cheio de vontade, o rosto tenso, mas insaciado. Passou as pernas sobre as minhas, sentando no meu colo, de frente pra mim, eu o olhava, hipnotizado. Era a primeira vez que Rodrigo estava me encarando sério, nem um mínimo sorriso.
Ele me olhava como quem esperava alguma reação, levei minhas mãos até o botão da sua calça, mas Rodrigo impediu que a abrisse. O que ele queria? Segurou minhas mãos na cama, como me prendendo. E me olhava, sem piscar, curioso.
Franzi a testa, eu estava com muita vontade, mas não o entendia. Rodrigo começou a mexer sobre o meu pênis, mesmo por cima da roupa aquilo me deixava louco.
_Rodrigo...
_Fica quieto!
O olhei, confuso, o que ele queria comigo? Continuou se esfregando e me olhando nos olhos, tentei soltar as minhas mãos, não conseguia, Rodrigo tinha o controle do momento. Soltou minhas mãos e deslizou sobre mim, saindo do meu colo e ficando de joelhos no chão, fiquei estático, observando-o, fora de si. Rodrigo mordeu minha coxa direita, sentia alguma coisa nova, um misto de tesão e dor, que eu nunca havia sentido. Devagar ele começou a passar a mão sobre meu pênis, ainda por cima da roupa, tentei tira-la, mas Rodrigo me mordeu mais forte, era ele quem mandava.
Rodrigo abriu minha calça vagarosamente enquanto me olhava pelo teto dos olhos, não tirava-os de mim um momento sequer, aquilo me fazia completamente descontrolado, a vontade aumentando a todo segundo.
Ele passou a mão pela minha cueca, e logo depois retirou meu membro, vivo e disposto. Rodrigo me lambia a parte debaixo da barriga, levantando um pouco minha blusa, e mordia uma vez ou outra, minhas pernas se contorciam muito, ele estava espetacular. E logo mais, me chupou, com vontade e sem pressa.
_Que delícia, Rodrigo, nossa...
Ele parecia não ouvir, mas me olhava de vez em quando, sem tirar a boca de mim, e se ele não parasse logo, eu terminaria ali, me transbordando, entraria em erupção ali mesmo.
Eu o puxei pelos ombros e beijei sua boca, quente... os lábios úmidos e macios. Rodrigo respirava forte, quando o joguei à cama, de costas para mim, arranhando suas costas. Ele gemia enquanto mordia o lençol.
Com pressa eu abaixei sua bermuda, e ele abria as pernas para facilitar o meu trabalho, olhava admirado, aquelas nádegas perfeitas que me chamavam. Corri o dedo por elas, e Rodrigo gemia com cada movimento.
_Você me quer? – Sussurrou Rodrigo me olhando pelo canto dos olhos
Ele sabia que sim, não precisava perguntar nunca, eu sempre o queria. Beijei suas costas com delicadeza, enquanto posicionava meu pênis, esperando a hora certa. Até que, com calma, penetrei Rodrigo.
_Ai Marcos... – Ele soltou, apertando meus cabelos e se soltando aos poucos
Comecei a penetra-lo devagar, mas logo entrei num ritmo forte, que me fez transpirar um pouco. Rodrigo sorria entre algumas caras de dor, nos tornávamos outros naquele momento, não existia problema algum no mundo sequer. Nos entendíamos, nos completávamos... Só aquilo era o suficiente.
Então caí na cama, exausto. Rodrigo mau saiu do lugar, a respiração ainda forte. Me olhava, procurando algo para falar, e fui eu quem disse primeiro:
_Eu te amo.
_Eu também. Pra sempre. – Rodrigo respondeu
A chuva caiu sem pressa lá fora, enquanto Rodrigo e eu nos admirávamos por alguns instantes, um momento em que queríamos que fosse a vida toda. E eu sentia o seu cheiro, o mais perfeito dos perfumes. Eu o queria pra sempre, mas sentia que não passaria daquilo, da vontade. Foi quando um novo estalo veio da janela, trazendo um arrepio nos meus ombros. O pesadelo real, começaria dali.
Notas finais
Reviews, por favor. Agradeço...
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