Notas iniciais
Beem, se alguém ainda não tinha entendido o porque da fic ser classificada para maiores de 18 anos, éé, vai entender agora! Fiquei temeroso de postar este capítulo, porque realmente, a coisa pega fogo aqui... mas gostei, e por isso postei. Bem, queria que fosse maior, e não terminasse onde terminou, mas bem, leiam e se divirtam. (LÊ ATÉ O FIM)
Eu não podia crer no que via. Era mesmo o carro que deixara Maria à porta de casa no dia em que ela sumiu. E ele me olhava, com os olhos pelo meu corpo inteiro, me medindo.

_Olá Marcos. – Ele me cumprimentou, sorrindo pro meu lado

_Oi Flavinho. – Respondi, acenando tímido para o meu primo

Mas então era ele quem deixara Maria em casa, talvez o último a ver Maria além de mim, o último a conversar com ela. Eu já me esquecia que ele, antes de mim, já era amigo dela, como eu podia me esquecer?

O carro parou. Nós também.

_Você viu a Maria por aí? – Ele me perguntou, me olhando sério, ainda não me acostumara em vê-lo com os narizes limpos, sem um vestígio de sangue

_Maria... sumiu. – Ele já devia saber daquilo, porque ele mal se assustara, estava fingindo, e muito mal por sinal

_Sumiu? Pra onde? Viajou? Ainda não deu notícias? – Ele insistiu

Eu o encarei, sério, eu sabia que ele tinha haver com o desaparecimento de Maria. Ele era esperto? Eu também.

_Sumiu. – Eu respondi _Mas já estamos descobrindo onde ela está. Não vamos demorar pra encontra-la, você vai ver...

Tentei ser o mais ameaçador que eu podia. Aprendia a dar aqueles olhares nos filmes. Aquele tom de voz também. A mãe de Rodrigo me olhava, estranhando. E Flavinho também, mas parecia estar com menos temor do que eu queria que ele estivesse. A minha ameaça não estava funcionando.

Logo Flavinho sumiu, com o carro, pela rua. Seguimos pela rua até a casa de Rodrigo. Sentia um frio estranho na barriga, encarei o jardim e a varanda, temendo pelo que podia me acontecer. A mãe de Rodrigo me sorria, querendo passar uma coragem.

Foi ela quem abriu a porta, e chegamos à sala, vazia. Silenciosa.

_Ele está lá em cima... Pode ir.

_Sozinho? – Perguntei

_Não. – Foi a resposta, arregalei os olhos _Pauline está com ele.

Eu me despedi dela, apertando sua mão, subi as escadas, pensando no meu discurso, no que eu iria falar, mesmo sabendo que sairia completamente diferente. Cheguei até a porta e bati, esperando vê-lo ali, feliz, como costumava vê-lo.

A porta deu um estalo e se abriu. Rodrigo apareceu ali, ou pelo menos o que restara dele. Estava com olheiras profundas, como duas grandes rosquinhas em volta dos olhos, escuras. Os olhos inchados, ele parecia ter chorado muito. E não sorria, me parecia triste, como se fosse sempre assim. Mas eu sabia que não era.

Os papéis se invertiam, enfim. Rodrigo era uma cópia exata do que eu fora um dia. E eu... bem, eu era aquele que deveria estar ali para dar força, para libertar o amigo da depressão, e não o depressivo. Meus olhos se encheram de lágrimas quando o vi, inerte, sem vida, sem expressão.

_Rodrigo... – Eu disse, esperando uma reação dele _Você, não... não sentiu saudade?

Rodrigo havia morrido, em pé, com os olhos abertos, só podia.

_Rodrigo. Rodrigo. – Eu insistia, uma lágrima correra dos meus olhos, aquela cena me corroia por dentro, meu Deus o que eu fizera? Eu transformara a pessoa que amara... naquilo

_Rodrigo, Rodrigo! –Era a voz de Pauline, lá atrás, repetindo de algum lugar

Eu o olhei, sem poder acreditar.

_Me desculpa. – Disse, chorando aos soluços, eu não iria agüentar encara-lo daquela forma, por mais um segundo que fosse, abracei-o, forte, com toda força que tinha, me prendendo a ele, me mostrando ali, com ele, pra nunca mais sair

Rodrigo chorou, eu também, estávamos realmente muito tristes com aquilo tudo.

_Eu te amo. – As palavras saíam da minha boca, junto às lágrimas

_Eu... eu sabia, eu nunca duvidei disso. – Ele respondeu, aos meus ouvidos, a voz ainda fraca

_Não duvide. Não duvide! – Eu segurava a sua cabeça, encostando a minha testa na dele, encarando seus lindos olhos azuis, ainda sem brilho, sobre os meus, o beijei, como se fosse nosso último beijo, não me importava com Pauline, ou qualquer um que podia estar por ali

Entramos pro quarto, Pauline estava encostada em uma parede. Me sorriu e eu a respondi, com outro sorriso. Peguei-ae levei-a até a porta, para que saísse. Fechei a porta, Pauline ficara no corredor, sozinha, mas eu precisava de ter Rodrigo só pra mim.

_Temos pouco tempo. Pouco tempo. – Disse pra Rodrigo, puxando-o pela cintura, seu sorriso parecia voltar

Abracei-o, num laço forte. Ele me beijou, se soltou do abraço e enfim me jogou na cama, com a vontade que só ele tinha. Estava com saudade daquilo. Ele pulou sobre mim, beijando o meu pescoço, aquilo me deixava louco, ele sabia disso. Os beijos subiam até minha orelha, arrepiando todos os pêlos do meu corpo. Segurei seus cabelos loiros com a mão direita, prendendo sua cabeça, e mordi seu queixo, ele não agüentava aquilo. Gemeu, baixo, enquanto arranhava a parte de dentro da minha coxa.

_Marcos. Eu te quero. – Ele dizia, baixo

_Você me quer? – Perguntei, sorrindo, um sorriso malicioso, ele me entendia _Você me tem.

E Rodrigo arrancou minha bermuda, o mais rápido que conseguia, a cueca ia junto, ela sempre ia. Puxei a sua camisa, e a joguei num canto qualquer. Olhei-o, aquele peito, o abdômen, me faziam falta. Beijei-os, beijei Rodrigo por inteiro, os arrepios o consumiam. Ele me queria, e eu sabia o quanto.

E ele me virou na cama, me deixando de costas para ele, a boca sobre o travesseiro. Rodrigo beijava a minha nuca, com uma fúria que desconhecia. Sentia o seu órgão, quente, sobre mim, me pedindo o que eu estava prestes a dar-lhe.

A língua de Rodrigo, enfurecida, corria as minhas costas, eu me contorcia, apertando os olhos, meu Deus, que coisa louca. Aquilo era muito bom. Ele segurou minhas pernas, para que eu não me mexesse, eu estava mesmo me contorcendo.

_Eu te quero, Rodrigo, te quero... – Eu gemia, com medo de ser alto demais, o suor já tomava conta do meu corpo

Rodrigo sussurrou, no meu ouvido:

_Você me quer? – Eu não via, mas sabia que naquela hora aparecia o sorriso malicioso _Você me tem.

E Rodrigo me penetrou. Com todo o desejo que tinha. Nunca tivemos tanto prazer, o mundo, naquele momento, se resumia a nós dois e àquela cama. Ficamos ali, por uma eternidade, que nos durou alguns minutos, pelo menos era o que parecia. Logo era eu quem possuía Rodrigo, duma forma que eu não fizera antes.

E só paramos quando estávamos muito cansados. Nos olhávamos, admirados. O rosto de Rodrigo, apesar de cansado, ainda triste, era lindo. Ficamos ali, sem pressa.

Vestimos nossa roupa um tempo depois, e abrimos a porta. Pauline, por ali, dormia tranqüila no chão. Rimos.

_Eu vou embora, Rodrigo. – Disse

_Não Marcos, fica aqui essa noite. – Ele me disse, fazendo uma cara de criança implorando

Eu ri, mas respondi, sério.

_Seu pai pode aparecer, e eu não sei do que ele é capaz, você conhece ele.

Ele me olhou, e mesmo que insistisse, eu deveria ir... era melhor não arriscar mesmo. Dei-lhe um beijo, e caminhei para a escada, quando ouvi, lá de baixo:

_O muleque ainda não saiu daquele quarto? – Aquela voz grossa, era muito familiar, e eu não estava gostando nada dela

Olhei Rodrigo, entrando à porta, ele também me olhou, um pingo de desespero nos olhos.

_Meu pai.

Eu não sabia o que fazer, Rodrigo me chamou pro quarto. Entramos, e ele trancou a porta. Meus olhos ainda estavam arregalados.

_E agora? E agora? – Comecei a tremer, quando escutei os passos pesados pelo corredor

Rodrigo me mostrou a cama, corri para esconder debaixo dela.

Pancadas fortes na porta. Parecia um touro, ele arrebentaria a porta se continuasse naquele ritmo. Meu coração acompanhava as batidas irritadas à porta. Só pensei em rezar, mas não conseguia. Meu Deus, se ele me encontrasse ali, ele me mataria.

_Rodrigo! Rodrigo! Abre essa merda! – O pai dele gritava, realmente enfurecido, deveria estar bêbado denovo

Onde estava a mãe do Rodrigo quando a gente precisava? Com certeza ele já a desmaiara lá embaixo. Não duvidava daquilo. Pauline chorava sobre a cama, compulsivamente, aos berros.

Rodrigo correu até a beira da cama, e agachando, sussurrou pra mim, eu só via os seus pés:

_Eu vou abrir.

_Não. – Realmente, eu ia morrer

_Eu tenho que fazer isso, fica quieto aí, ele não vai te achar.

Eu não podia ficar ali, ele ia me encontrar, ele ia me ver. Eu queria chorar, mas não podia fazer barulho. Saí dali debaixo, Rodrigo quase deu um grito, mandando eu voltar. Eu não ia conseguir, ele ia me ver...

Olhei pra todos os cantos. O armário? Não. A janela, lá aberta, eu devia estar ficando louco, mas iria ter que fazer aquilo mesmo. Era o segundo andar, muito alto pra pular... Mas eu iria fazer.

Os murros na porta estavam cada vez mais alto, e eu me apoiei no parapeito da janela, analisando a altura. A grama lá embaixo, estava tão longe. Pedi forçar à Deus, eu ia pular, me sentei na janela.

Rodrigo, a mão na fechadura, me olhava, com os olhos cheios de lágrimas.

_Já vou abrir, já vou abrir...

Eu não vi mais nada. Fechei os olhos e pulei... um frio na barriga.

Notas finais
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