Enquanto existir o amor...
3 Na Floresta Proibida
Notas iniciais
Olá leitores fantasmas!!!! kkkkk
Apesar de não ter nenhum comentário, algumas pessoas estão acompanhando a história, então, espero que gostem desse capítulo!
Capítulo não betado, qualquer erro me avisem!
— Isso parece terrível! – Rony estava atento a cada palavra que saía da boca da jovem, tentando descobrir alguma coisa – Nunca ouvi falar de uma escola que fizesse isso.— É uma escola pequena, reservada. – a ruiva apenas sorriu, enquanto percebia a tática utilizada. Já imaginava que alguma coisa do tipo aconteceria, afinal, Harry tinha visto-a sendo escoltada por membros da Ordem, mesmo no período tão delicado em que estavam – Assim como aqui, as crianças recebem uma vaga assim que nascem, geralmente dentro da família de ex-alunos. Mas o ensino é muito bom, apesar de não ter como ser comparado com o daqui, já que as duas escolas possuem objetivos diferentes. Mas é bem bonita e no inverno os alunos fazem competição de patinação. – ela sorriu com nostalgia, mesmo contra a sua vontade – Eu costumava ser capitã do meu time, como meu pai.— Então é a mesma escola em que seus pais estudaram? – a cada minuto em que passava, Harry sentia-se mais verdadeiramente curioso do que desconfiado.— Meu pai estudou lá, minha mãe não. – não gostava daquele assunto, era melhor encerrá-lo de uma vez.— Por quê? – Hermione estava ligeiramente curiosa, mas percebeu uma leve mudança nas feições da ruiva. Talvez fosse um assunto delicado.— Ela não tinha o perfil da escola. – não ter o perfil era pouco, mas Angélica realmente não queria dar continuidade na conversa.— E por que eles a transferiram para cá? – Hermione entendia como era ser a aluna diferente. Passara grande parte do primeiro ano tentando convencer aos outros e a si mesma que Hogwarts era o seu lar, e desde então não conseguia se imaginar em outro lugar. Não sabia o que faria se tivesse que ir para outra escola.— Eles não puderam opinar no assunto. – Angélica encerrou o assunto de forma brusca. Aquele era o máximo que ela poderia aguentar. Mesmo depois de todo o treinamento que recebera, ainda não tinha superado verdadeiramente algumas coisas que haviam acontecido na sua vida, e alguns assuntos ainda eram mais do que podia suportar e fingir que estava tudo bem.Ninguém mais teve como falar alguma coisa, pois nesse momento chegaram à sala, onde Angélica entrou sem pestanejar, deixando os três um pouco para trás.— Ainda parece que tem alguma coisa errada nessa história. – Rony comentou, puxando um pouco os amigos para longe da porta, antes de entrarem.— Eu não sei Rony, ela me parece autêntica. – Harry comentou, criando teorias a partir do que ela disse. Mas uma coisa ficou bem clara para ele, mesmo que ainda decidisse não dividir com os outros dois – Se ela fosse má pessoa, não teria sido acompanhada por dois membros da Ordem até a casa da sua família. E ela não estava sendo tratado como alguém perigoso.— Por que vocês simplesmente não perguntam a ela? – Hermione estava ficando cansada daquilo – É mais fácil do que ficar criando um monte de ideias idiotas.— Se não fosse nada de mais, por que ela não nos contou, em primeiro lugar? – o ruivo questionou analisando a situação como se fosse uma partida de xadrez.— Porque não era para ninguém ficar sabendo. – Harry olhou para o amigo com o rosto corado – Nós apenas sabemos porque eu estava escondido, espiando um assunto que não era da minha conta.— Eu não sei... – Rony ainda não tinha se dado por vencido, mas talvez ele estivesse sendo exagerado – Por que eu senti que ela não queria falar dos pais?— Porque nem todo mundo vem de uma família grande e feliz como a sua, Rony. – Harry estava com a cara fechada, tentando não pensar na própria vida – Muitas pessoas possuem uma infância difícil, e não é legal ser lembrado sobre isso.Dando o assunto por encerrado, pelo menos por ora, resolveram finalmente entrar na sala. Harry e Rony foram para o fundo, nas suas típicas carteiras, enquanto Hermione procurava Angélica com o olhar. Quase caiu de susto ao ver que ela havia sentado-se à mesa da frente de onde estava ninguém menos do que Draco Malfoy.— Algum problema, Hermione? – Angélica perguntou coma expressão mais inocente que conseguiu forçar. Claro que sabia que havia algum problema. Antes de ser matriculada na escola tinha feito suas pesquisas, era parte do seu trabalho. Além da típica rivalidade entre as casas Grifinória e Sonserina, o famoso trio de ouro e o grupo formado por Malfoy e seus capangas tinham um longo histórico de problemas. Havia escolhido cuidadosamente o seu lugar, por mais que soubesse que isso podia ser um problema para os colegas. Mas o tempo era curto e tinha trabalho a fazer.
Hermione ficou encarando o lugar por algum tempo. Claro que havia esquecido que a partir de agora a maioria das aulas que teria seriam com alunos de todas as casas, já que a escolha das turmas era conforme a nota nos exames do ano anterior. Deveria ter imaginado que Draco estaria matriculado na maioria das matérias que ela estava. Apesar de ser estranho vê-lo sem estar rodeado pelos abutres costumeiros. Provavelmente eles não atingiram notas suficientes. Mas a grande questão era: tinha algum problema? Além é claro, de o último encontro deles ter sido terrível. Mas, pensando bem, provavelmente fariam a maioria das rondas juntos naquele ano, devido às suas posições. Então cedo ou tarde teria que encará-lo mesmo. Olhou para ele, que mantinha um pequeno sorriso presunçoso nos lábios enquanto a encarava, e viu a mesma pergunta estampada em seus olhos: Algum problema, Hermione?— Não, nenhum problema. – disse enfática ao se sentar. Não iria fugir ou se esconder. Se teria que conviver com ele, era melhor já ir se acostumando, e deixando bem claro que ele não a amedrontava.Draco sorriu de lado. Assim que viu a ruiva entrar, sabia que ela viria logo atrás. Por um momento achou mesmo que ela iria para outro lugar, mas ao encará-la viu a determinação se formar em sua face. Maldita coragem grifinória!Draco não conseguia se concentrar na aula, e aparentemente não era o único, já que Hermione deixara de responder duas perguntas que a Profª McGonagal havia feito. Não sabia se o que estava tirando sua concentração era o sono, já que não conseguiu dormir durante a noite, ou o aroma de baunilha que se desprendia dos cachos perfeitos da morena sentada à sua frente. Ficava repassando em sua mente o ocorrido no dia anterior. Durante a noite, que havia sido longa, decidiu que o melhor a se fazer era ser verdadeiro, ao menos com si próprio. Tinha muitas coisas para fazer naquele ano, coisas que ele sabia que o mudariam para sempre, mesmo que não concordasse. Não tinha escolha. Então, a única maneira de se prender a quem ele era no momento, era não se enganar. Por várias vezes imaginava um desfecho diferente daquele que havia ocorrido, um em que de fato ele tocava nos cabelos dela e descobria o quanto eram macios, ou que ao invés de medo, ela o olhava com desejo, querendo que ele a tocasse. Isso era ridículo, ele sabia. Não apenas o fato de que estava imaginando esse tipo de coisa, mas também o fato de que desejava secretamente que isso fosse verdade. Ainda estava com o sorriso idiota nos lábios, ao ver a determinação dela em não se deixar intimidar. Mas no fundo sabia que esse era o problema.Na hora do almoço, Hermione quis aproveitar o tempo livre para ficar sentada embaixo de uma árvore, na beira do lago. A manhã havia passado como um borrão, sem que ela conseguisse entender nada. Quando deu por si, estavam saindo para comer. Decidiu que era melhor colocar as ideias em ordem antes de ir para o próximo período, afinal, não podia se dar ao luxo de não prestar atenção nas matérias. Mas isso seria mais difícil do que imaginava, já que toda vez que deixava a mente vagar, ela tomava um rumo diferente daquele que gostaria. Sempre acabava naquela maldita cabine, e nem sempre era focado nas provocações ou ofensas, e era isso que a assustava. Cada vez que voltava a pensar nisso, lembrava-se menos do que ele havia lhe dito, e mais no calor que emanava do seu corpo, no cheiro amadeirado de sua pele e da sensação gostosa que sua respiração causava contra o seu rosto.— É melhor parar com isso, Hermione Granger! – repreendeu-se – Ele é um Malfoy, e você nunca deveria pensar nele dessa forma! – tentou falar de forma ponderada e sensata consigo mesma, como se isso fizesse algum sentido – Você só ficou sensível pela situação, qualquer pessoas ficaria, e isso não significa nada, nada mesmo! E além do mais... – mas sua linha de raciocínio se perdeu quando ouviu o barulho de passos. Não precisou se virar para olhar, pois conhecia aquela voz tão bem quanto a sua própria.— Então esse é o segredo da insuportável sabe-tudo? Falar sozinha! – Draco sempre usava o mesmo tom de deboche quando falava com ela. Não tinha vindo ali para fazer isso, só queria um tempo para pensar, mas quando a viu sozinha, não conseguiu se impedir de ir até ela, da mesma forma que não conseguia controlar as ofensas na sua presença.Hermione se levantou, sem perceber que sua varinha havia caído de suas vestes, encarando-o.— O que eu faço ou deixo de fazer não lhe diz respeito, Malfoy. Mas de fato conversar sozinha pode ser bem útil quando se quer a opinião de alguém inteligente, mas não espero que você possa entender esse tipo de coisa, já que no seu não seria uma conversa muito longa e produtiva, não é mesmo? – ela usou o máximo de sarcasmo que pôde para responder, olhando-o de forma irônica.— Estamos com a língua afiada hoje, não é?! – ele riu gostosamente, enquanto se aproximava lentamente, obrigando-a a ficar encostada na árvore atrás de si para evitar que seus corpos tivessem contato – Palavras muito corajosas para alguém que está sozinha aqui fora, sem nenhum dos seus amigos para te proteger do terrível Draco Malfoy. – Ele pronunciou seu nome em um sussurro, aproveitando a sensação de vê-la corar.— Eu não tenho medo de você! – ela praticamente cuspiu as palavras na cara dele, mais para convencer a si mesma do que a ele. Era difícil manter alguma coerência com ele se aproximando dela daquela forma. Amaldiçoou-se por ter corado quando ele sussurrou seu nome, e por estar arfando pela proximidade. Teve que reunir toda a sua força de coragem para continuar falando sem gaguejar – E ao contrario de você, que precisa de um bando de abutres ao seu redor, eu posso me cuidar sozinha! Você é o fraco aqui!Aquelas palavras o atingiram como um soco no estômago, e antes que pudesse perceber, estava em cima dela, prensando seu corpo contra o dela, segurando as mãos dela juntas contra a árvore, logo acima de sua cabeça, enquanto segurava seu rosto para que ela o olhasse nos olhos.— Você não sabe nada sobre mim, entendeu! – suas palavras foram sussurradas, mas a garota pode sentir toda a raiva por trás delas – Você fica sustentando essa pose de santa em cima de um pedestal, achando que tem o direito de julgar as pessoas ao seu redor, decidindo quem é ou não merecedor de salvação! – suas palavras eram puro veneno. Nunca conseguiu entender como ela conseguia sempre despertar o que havia de pior dentro dele – Você não é ninguém! – notou que algumas lágrimas começavam a brotar nos olhos da garota, mas naquele momento não se importou. Ela estava com medo, e era isso o que ele queria – Você se acha melhor do que as outras pessoas, mas você não é! Você não é nada, Hermione Granger, se não uma menina frustrada e medrosa, que sente orgulho em fingir que é superior, que essa sujeira toda não faz parte da sua vida, mas você não é! Você é tão imunda quanto o resto de nós!Ela não podia ouvir mais nada daquilo. As lagrimas já estavam nublando completamente sua visão, seu peito ardia por não conseguir respirar. Seus pulsos estavam doloridos nos lugares onde ele estava apertando e sua cabeça estava girando. Não soube dizer de onde tirou forças, apenas que de alguma forma conseguiu soltar as mãos e empurrá-lo para longe. No segundo seguinte, percebeu que estava correndo. Não sabia para onde, apenas que precisava correr para o mais longe possível, de preferência, para nunca mais voltar.Draco ficou ali, estático, sem conseguir falar ou fazer alguma coisa. Só podia vê-la correr, ao que parecia, na direção da floresta. Por que tinha dito aquelas coisas para ela? Não conseguia entender. Nunca havia sentido tanta raiva que não fosse dirigida ao seu pai. Claro que sabia o que tinha inflamado todo aquele ódio. Ela disse as palavras imperdoáveis, aquelas que o pai sempre usava enquanto o torturava física e psicologicamente: “Você é fraco!”. Mas ela não era o seu pai. E assim que a viu sair correndo, desolada, arrependeu-se de sua atitude. Sabia que ela nunca o perdoaria por isso, sabia antes mesmo de dizer que a magoaria, mas mesmo assim o fez. E sabia principalmente que isso não deveria importar para ele. Então, por que importava? Por que estava ficando angustiado por vê-la na borda da floresta, ainda correndo. Não correndo, fugindo, fugindo do monstro que ele era. Não conseguiu evitar as lágrimas que começaram a escorrer por sua face. É melhor assim! Foi o que disse a si mesmo, tentando se convencer. Era melhor afastá-la, do que arriscar se aproximar demais. Tinha coisas a fazer, não poderia se dar ao luxo de se envolver, por menor que fossem os sentimentos. Não. Não podia arriscar mais nada. Era melhor assim.
Hermione não percebeu onde estava até bater em uma árvore. O impacto fez com que ela caísse no chão, e finalmente olhasse em volta. Um calafrio percorreu sua espinha quando percebeu que estava dentro da floresta. Enquanto se levantava, tentando se recompor, cogitou a ideia de se virar e sair de lá, já que ainda estava bem na borda. Mas quando olhou para traz, viu que Malfoy continuava exatamente no mesmo lugar, apesar de não conseguir vê-la, já que a escuridão da floresta a protegia. Mas com certeza veria se ela saísse de lá. Estava pensando no que fazer quando avistou uma trilha. Decidiu que a seguiria até algum ponto próximo, onde esperaria alguns minutos até que ele fosse embora. Não queria ter que encará-lo naquele momento, e nem sairia de lá como uma covarde, para dar a ele mais motivos para zombar dela.Assim que começou a seguir a trilha, percebeu que era uma péssima ideia. Estava muito escuro e os barulhos que vinha de mais do fundo da floresta a faziam pular toda hora. Instintivamente, levou a mão até o bolso da veste, para alcançar a varinha. Seu coração perdeu uma batida quando percebeu que a varinha não estava lá. Parou de caminhar por um instante, assimilando a ideia. Agora teria mesmo que voltar, nem mesmo o seu orgulho a faria encarar a floresta desarmada. Imaginou que pudesse tê-la derrubado enquanto corria e teria que voltar para procurá-la. Mas antes que pudesse dar seguimento ao plano, ouviu um barulho de galho quebrando às suas costas. Mais sentiu do que viu a forma de algo se movendo atrás de si, e antes mesmo que pudesse gritar, começou a correr desesperadamente.A floresta era escura, e as raízes das árvores a faziam tropeçar a todo momento. Ainda podia ouvir a criatura correndo atrás dela, e como o som estava ficando cada vez mais alto, sabia que seja lá o que fosse, estava chegando perto. O rosnado à suas costas a fez virar para olhar. O que viu, antes de cair e bater a cabeça, foram grandes presas amarelas. Sentiu algo cortando a sua pele na altura da coxa e a sensação morna do sangue escorrendo. O grito de dor morreu em sua garganta, pois ao cair, além de bater a cabeça em uma pedra, bateu também as costas, o que tirou todo o ar de seu pulmão. Antes de perder a consciência, teve a impressão de ouvir alguém chamando o seu nome, mas não conseguiu responder.Draco ainda estava ali parado, quando percebeu que Hermione havia entrado na floresta. Ficou esperando que ela saísse, afinal, por mais magoada que tivesse, não seria tão tola a ponto de entrar lá sozinha. Mas ela não saiu. Começou a caminhar até lá, tentando ter algum vislumbre dela, que talvez, apenas estivesse ali perto da borda. Seu coração se apertou quando chegou mais perto e não viu nem sinal. Sentiu uma pressão na boca do estômago, tirando-lhe o ar, quando ouviu barulho de passos e uma sombra se movimentando rapidamente por uma trilha perto de onde estava.— Granger!!! – sussurrou desesperado antes de sair correndo naquela direção.Sua varinha iluminava o caminho á sua frente, mas por mais que tentasse ouvir alguma coisa, sua respiração martelava em seus ouvidos, fazendo com que ele tivesse apenas o instinto como guia naquele labirinto de árvores emaranhadas. O sentimento de culpa era esmagador. Apesar de ela ter sido idiota o suficiente para entrar ali, ele havia deixado-a transtornada para início de conversa. Se alguma coisa acontecesse com ela, nunca iria se perdoar.Depois de alguns minutos correndo, um rosnado alto bem à sua frente, chamou sua atenção. Parecia o barulho que uma fera produzia antes de atacar. Acelerou a corrida e chegou a uma espécie de clareira, a tempo de ver um lobo saltando em cima da morena.— Granger! – o seu grito desesperado assustou o lobo, que saiu correndo, fugindo da luz que emanava da varinha de Draco, voltando a fundir-se com a escuridão.Ele chegou perto de onde ela havia caído rápido o suficiente para ver a luz deixando seus olhos, enquanto ela era levada pela escuridão. Ajoelhou-se ao seu lado, chamando o seu nome, mas ela não respondeu. Ergueu suas costas, apoiando sua cabeça desfalecida em um de seus joelhos, para que pudesse vê-la melhor. Seu coração perdeu uma batida quando sentiu algo quente e viscoso escorrendo pela mão que estava apoiando a cabeça dela. Ela estava sangrando! Não era de se surpreender que tivesse desmaiado. Levou vários minutos, fazendo o melhor que podia naquele escuro, para fechar o corte profundo que a pedra havia feito em sua cabeça. Enquanto trabalhava, não pode deixar de notar, mais uma vez, o cheiro delicioso que o cabelo dela tinha. E como seu rosto parecia sereno, como se ela estivesse sonhando.— Com o que será que ela sonha? – tal pensamento o pegou de surpresa. Por que estava interessado? Por que essa fascinação por alguém que até a alguns minutos estava se esforçando tanto para assustar? – Talvez seja porque eu não tenha sonhos serenos...Quando finalmente conseguiu estacar o sangramento da cabeça, percebeu que a sua saia também estava manchada de sangue. Ficou sem saber o que fazer. Por um lado, pela quantidade de sangue, o corte da coxa deveria ser bem fundo, mas por outro, como se explicaria caso ela acordasse enquanto ele erguia a sua saia? E ser por algum milagre alguém aparecesse exatamente naquele momento? Claro que o acusariam primeiro e perguntariam depois. Mas como o sangue não parava de escorrer decidiu que seria melhor pelo menos dar uma olhada, e tentar descobrir o que podia fazer.Ergueu cuidadosamente a barra da saia destruída da garota, tentando ao máximo evitar entrar em contato com a pele morna e aveludada de sua coxa. Como temia, o corte era realmente bem fundo, e na verdade, haviam três deles. Por sorte, as garras do lobo não haviam acertado uma artéria, ou a situação realmente estaria crítica. Analisando cuidadosamente mais de perto, chegou á conclusão de que mesmo que conseguisse fechar completamente os cortes, Hermione havia perdido uma quantidade muito grande de sangue, e não conseguiria andar até o castelo. Mas ele também não podia deixá-la ali para ir buscar ajuda. Teria que carrega-la. Mesmo assim ainda seria perigoso, porque estava ficando tarde, e as criaturas da floresta começavam a se agitar. Resolveu usar a tática que foi indicada aos competidores do Torneio Tribruxo na última tarefa: lançou fagulhas vermelhas para cima. Com sorte, alguém poderia ver e tentar acha-los.Feito isso, voltou a atenção aos profundos cortes da coxa da garota. Usou todos os feitiços que conhecia para tentar fecha-los. Funcionou mais ou menos. Não estava mais sangrando, mas ainda estava bem inchado. Precisaria de uma boa quantia de pomada cicatrizante, que com muita explicação, detenções e provavelmente a expulsão dos dois, poderia conseguir na Ala Hospitalar. Enquanto percorria os dedos levemente por toda a extensão dos cortes, para ver se estavam realmente todos fechados, não pôde deixar de notar a suavidade de sua pele, seu cheiro de baunilha, que, mesmo com todo aquele odor metálico e salgado do sangue, ainda podia ser sentido. Pegou-se imaginando em como seria acariciá-la ali em outras ocasiões, com ela acordada e aproveitando seu carinho. Olhou para seus lábios, que estavam entreabertos, e imaginou como seria beijá-la. Parou abruptamente. Era melhor sair de lá antes que começasse a dar ouvidos à sua imaginação, que nesse momento, seguia um rumo que provavelmente levaria à sua completa destruição. Usou um feitiço reanimador para acorda-la e sentou-se ao seu lado, aguardando.Por que o mundo está girando tanto? Foi a primeira coisa que Hermione percebeu quando abriu os olhos lentamente. Sua cabeça doeu quando tentou se lembrar de onde estava ou o que havia acontecido. Quando finalmente focou o olhar, lembrou-se que estava na floresta e que havia sido atacada. Sentiu uma onda de pânico invadi-la. Tentou sentar, olhando para os lados, mas sentiu muita tontura e teve que voltar a fechar os olhos.— Eu não iria com tanta pressa se fosse você. Bateu a cabeça com bastante força. – uma voz veio do seu lado, assustando-a. Mesmo naquele estado, reconheceu-a.— O que faz aqui, Malfoy? – sua voz não saiu tão dura como o planejado, e sim apenas um sussurro.— Salvando a sua vida. – seu tom fez parecer como se aquilo fosse óbvio – O que mais poderia ser? – estava tentando ser tranquilo e casual, mas os barulhos ao redor estavam começando a incomodar.— Não sei, talvez sua seção de insultos ainda não tenha acabado! – estava mais magoada do que imaginava, e isso transpareceu na sua voz. Não havia virado para olhá-lo ainda, e decidiu que não o faria a menos que fosse extremamente necessário. Tentou mais uma vez se levantar, mas uma nova onda de náuseas a atingiu. Teria caído no chão se Draco não tivesse sido mais rápido e segurado-a, apoiando uma das mãos em sua cintura e usado a outra para puxa-la contra seu peito. A sensação quente da proximidade foi tão forte, que por um momento ela se esqueceu de tudo e ficou apenas ali, aproveitando o conforto de seus braços fortes, e estranhamente, sentindo-se segura.— Eu disse que era para você ir com calma! – a voz de Draco saiu mais irritada do que ele planejava, fazendo com que ela o olhasse, com os olhos voltando a marejar – Você bateu a cabeça em uma pedra, não dá para saber se houve algum dano mais profundo, então, vá devagar, ok! – ele disse isso de forma mais calma, tranquilizadora, soltando-a de seu aperto, apesar de não querer, para que pudesse se apoiar sozinha.Ela afastou-se com cautela, mas também sem vontade alguma, do garoto. Seu rosto estava queimando. No que estava pensando? Sentir-se segura com ele? Nos braços dele? Quando a culpa por ela estar ali foram as palavras cruéis que ele lhe havia dirigido? Com certeza estava com algum problema. Ou realmente havia batido a cabeça com muita força! Isso a fez lembrar da sensação do sangue escorrendo em suas coxas, e imediatamente foi olhar a perna para avaliar o estrago. Esquecendo-se da presença do loiro momentaneamente, ergueu um pouco a saia, procurando o corte, que deveria estar doendo, mas não estava. No entanto, a única coisa que encontrou, foram alguns pequenos riscos cor de rosa, inchados, mas quase sumindo.— Como...? – ela não conseguiu entender o que havia acontecido com seus ferimentos, então virou-se para Malfoy com um olhar inquisidor, reparando que ele desviou os rosto imediatamente, ficando com as bochechas mais vermelhas do que as orelhas do Rony quando estava com raiva.— Eu não podia deixar você sangrar até a morte, não é?! – tentou soar o mais indiferente possível, mas o fato de sentir suas bochechas ardendo, não ajudava. Havia observado tempo demais as coxas da morena que o olhava de forma intensa. Quase pôde ouvir os pensamentos dela enquanto lembrava-se dos ferimentos e erguia um pouco a saia para vê-los. Pôde até mesmo sentir a textura aveludada de sua pele, quando seus dedos traçaram os riscos do machucado recém curados, traçando o mesmo caminho que seus próprios dedos haviam feito horas antes. Sentiu até mesmo um formigamento na ponta dos dedos, quando imaginou o calor que a pele dela emanava. Isso já estava indo longe demais. Teria que tirá-la da floresta, dizer alguma coisa ofensiva, e ir embora. Afastar-se dela era o melhor para ambos. Não sabia o que estava acontecendo com ele, mas tinha certeza de que não era bom. Não era uma boa ocasião para se envolver assim com ninguém, nem com amigos, nem com namoradas e principalmente com ela.Hermione ficou extremamente vermelha ao entender o que as palavras dele significavam. Ele havia curado seus cortes. Mesmo depois de todas as coisas horríveis que disse sobre ela, ele havia entrado na floresta, salvado sua vida e curado seus ferimentos. Isso não combinava com o Malfoy que ela conhecia. Era na verdade, a imagem do Draco que ela havia construído em sua mente, e que havia sido destruída naquele box de banheiro, na tarde anterior. Mas, e se realmente tivesse mais nele do que os outros percebiam? Ela tinha que descobrir. Tinha que ultrapassar aquela máscara que ele cuidadosamente usava e saber quem ele era. E nesse momento, soube que faria tudo para descobrir quem era de verdade Draco Malfoy.— Bem, se é esse o caso, muito obrigada. – tentou ser gentil, afinal, isso funcionava com a maioria das pessoas.As palavras dela o pegaram desprevenido. Esperava uma onda de raiva ou coisa assim, afinal, era sua culpa ela ter ido parar ali. Não sabia o que responder, então tentou ser o mais neutro possível.— Você ainda precisa ir para a Ala Hospitalar assim que voltarmos. Não se deve brincar com pancadas na cabeça, e esses cortes vão precisar de pomada cicatrizante. – ele nunca soube o que o fez continuar, mas também não conseguiu se impedir – Além do mais, você precisa comer. Não foi almoçar, e quase não comeu no café da manhã.
— É claro, devo ir até lá o mais rápido... – antes de terminar a frase, seu cérebro processou o resto do que ele havia dito, e então ela o olhou de forma interrogativa – Como você sabe que eu não almocei e a quantidade que comi no café da manhã? Anda me vigiando? – ela queria soar um pouco mais séria, mas essa informação a pegou tão de surpresa que não pôde deixar de rir no final.Ele desviou o olhar. Não era para ter dito aquilo, e nem para ela perceber o que isso implicava. Esperou uns dois segundos antes de responder. A risada dela o havia feito perder o ar. Ninguém ria daquele jeito! Como se fossem bolhas do melhor champanhe estourando em seus ouvidos. Como queria fazê-la rir novamente. Então era assim que ela ria com seus amigos? Não era de se espantar, então, que o Weasley agisse feito um imbecil. Ele próprio estava tentando em falar algumas besteiras apenas para ouvi-la rir novamente.— Não ando te vigiando! – tentou esconder as bochechas ruborizadas e falar de forma confiante – E além do mais, já estamos aqui há algumas horas, e qualquer pessoa ficaria com fome nesse período!O som alto de galho quebrando fez com que ambos ficassem alerta e em silêncio. Um rosnado veio de algum lugar mais perto, e inconscientemente, Draco aproximou-se mais da morena, que num súbito momento de pânico, aconchegou-se nele, deixando que seus braços lhe envolvessem.Draco sentiu o coração palpitar com o calor que emanava do corpo dela. Sentiu uma necessidade urgente de protegê-la. Sabia que devia tomar cuidado. Precisava se afastar logo. Ela tinha o talento de despertar o pior dele, mas também podia despertar o seu melhor, e isso era algo terrível e imprudente em tempos como esses.— É melhor irmos embora agora. – sua foz saiu firme, enquanto olhava nos olhos dela. Aqueles olhos que transbordavam medo. Aquilo o envenenava por dentro de alguma forma. Ele colocou uma das mãos em seu rosto, para que ela não pudesse desviar o olhar – Eu não vou deixar nada acontecer com você, entendeu?— Entendi... – suas palavras mal saíam de sua boca. Quem era esse loiro que estava ali na sua frente? Da forma em que estavam o vento soprava em seus cabelos platinados e a intensidade em seu olhar quando disse que a protegeria, fez seus olhos faiscarem. Naquele momento, ele era o retrato perfeito dos antigos deuses pagãos da beleza, e ela era a sua sacerdotisa. Não conseguia imaginar o que aconteceria a seguir, mas não se importava.Mas ele se afastou. Não conseguia entender a forma como seu corpo e suas palavras estavam tomando vida própria, mas nos poucos instantes de sanidade que teve, foi para o mais longe dela possível, iluminando o caminho para fora da floresta com a sua varinha, olhando para trás apenas uma vez para ter certeza de que ela o seguia.Hermione não conseguia entender as oscilações de humor dele, que andava com passos firmes um pouco a sua frente. Num minuto, ele era todo meigo e gentil, e no outro, lá estava o antigo Malfoy novamente. Estava ficando confusa, não só com as suas variações de humor, como também com os seus sentimentos com relação a isso. Por que se importava tanto? Não seria mais fácil simplesmente esquecer tudo isso e seguir em frente, aceitando as coisas como elas são? Mas não era do seu feitio simplesmente aceitar sem questionar.Tinham andado apenas alguns poucos metros quando os joelhos de Hermione cederam. Estava mais fraca do que imaginava. O pouco exercício que havia feito já foi o suficiente para sentir o peito doendo pelo esforço para conseguir oxigênio. Por alguns instantes, tudo o que podia ouvir eram as batidas frenéticas de seu coração, martelando em seus ouvidos. Sua cabeça começou a girar e pôde sentir sangue fresco escorrendo de suas mãos, nos pontos em que elas atingiram algumas pedras quando elas as usou para se apoiar, ao cair de joelhos. Não sabia se era a escuridão da floresta ou se seus olhos estavam embaçados.— Hermione, você está bem? – Draco voltou correndo ao ouvir o barulho dela caindo. Ajoelhou-se ao seu lado, preocupado, enquanto tentava ver como ela estava. É claro que não devia ter deixado-a para trás! Estava tão irritado consigo mesmo pela forma como ela o afetava que havia esquecido o quão fraca ela deveria estar. Ela estava arfando. Podia apenas imaginar como aqueles poucos passos deveriam ter sido difíceis para ela. Pegou em suas mãos e percebeu que elas sangravam. Usou a varinha para fechar os pequenos cortes, enquanto ela o fitava.— Estou bem... – sua resposta pareceu fraca demais até mesmo para seus próprios ouvidos – Acho que só preciso descansar um pouco. – ela o olhava curar suas mãos, mais uma vez sem saber como reagir á sua mudança súbita de humor. Ele parecia tão irritado antes, mas correu até ela com os olhos transbordando preocupação. E havia lhe chamado de Hermione, e não de Granger.— Não é um bom lugar para você descansar. – ele disse quando terminou de fechar os cortes. Mas antes que ela fizesse algum movimento para levantar, ele a pegou no colo e voltou para a trilha.— O que você está fazendo? – por mais que estivesse tentada a entender esse novo Draco que se apresentava para ela, nunca na sua vida havia sequer cogitado a hipótese de ser carregada por ele – Eu posso andar! – e é claro que ainda era uma grifinória orgulhosa.— Não, você não pode. E não tem nenhum cabimento ficarmos aqui por mais tempo para esperar que você se recomponha, está ficando tarde. – no fundo, ele tentava se convencer de que estava carregando-a para não precisar ficar mais tempo na floresta, ao invés de apenas querer senti-la próxima ao seu corpo pela maior quantidade de tempo possível.Hermione sabia que o rubor em suas bochechas e o fato de estar lutando para respirar naquele momento, nada tinha haver com seus machucados, e sim com o fato de mais uma vez estar tão próxima dele. Podia sentir a força de seus braços enquanto ele a carregava, a respiração dele fazendo cócegas no topo de sua cabeça, uma corrente elétrica que percorria sua pele nos pontos em que ela entrava em contato com a pele dele. Por um momento, desejou que isso nunca acabasse. Mas então a compreensão caiu sobre ela. Eles estavam na floresta, longe dos olhos de todos, e apenas por isso ele estava agindo assim. Afinal, ele sempre seria um Malfoy e ela uma sangue-ruim. Talvez ele só estivesse agindo assim, de forma tão preocupada, por medo de que ela fosse até a Profa. McGonagal e lhe contasse sobre as suas ofensas... Não que ela o faria, é claro. Mas talvez ele só quisesse prevenir algumas detenções que a professora certamente aplicaria. Então sentiu-se como um balão de ar murchando. Uma tola. Sempre havia sido admirada por usar a sua lógica brilhante e ali estava ela, agindo como uma menina dos seriados de colegial ruins da televisão dos trouxas, acreditando que Draco Malfoy era, no fundo, uma pessoa gentil e corajosa, e que o problema é que ninguém nunca havia se dado ao trabalho de olhar além de sua fachada. Isso soava extremamente ridículo até em seus pensamentos. Precisava fazer alguma coisa para afastar esses pensamentos e as lágrimas que ameaçavam escorrer de seus olhos.— O que você gosta de fazer no seu tempo livre? – ela decidiu que conversa fiada era sempre a melhor alternativa para distrair a cabeça.A pergunta o pegou de surpresa. Achou estranho o fato de que ela tinha alguma curiosidade sobre seus gostos. Talvez conversar fizesse sua mente parar de pensar no calor do corpo dela e em como seus lábios eram convidativos para um beijo.— Gosto de jogar quadribol, ficar sentado perto do lago e ler... – respondeu pensativo. Omitiu o fato de que gostava de atormentá-la, apenas para ver suas bochechas ficando vermelhas de raiva, o que, pensando agora, é adorável – E você?— Gosto muito de ler,... – ela fingiu que não o viu revirar os olhos e murmurar “Sério? Nem notei!” antes de continuar – De assistir os meninos jogando quadribol, cozinhar, viajar e ficar sentada perto do lago para pensar.— Quadribol? – ele perguntou surpreso, afinal, não era novidade para ninguém que Hermione Granger e uma vassoura são coisas que não se misturam.— Sim! – ela respondeu um pouco ofendida – Não gosto de jogar, mas assistir é bem divertido!O tom ofendido na voz dela quebrou todo o seu autocontrole, e ele começou a rir gostosamente. A risada dela se juntou a sua, a ambos ficaram ali, se olhando e rindo, até chegarem à borda da floresta. O céu já estava escuro, e as janelas do castelo estavam brilhando.— Não imaginei que fosse tão tarde. – Hermione olhou preocupada para Draco – Ficamos fora desde a hora do almoço! Como vamos nos explicar?— Depois pensamos nisso, primeiro, vou te levar até a Ala Hospitalar – ele estava tão preocupado quanto ela com relação às explicações que teriam que dar. Isso se não fossem expulsos! Mas naquele momento, o mais importante era leva-la até a enfermeira. Então virou-se para seguir até o castelo, mas teve seu caminho impedido por uma sombra que pareceu materializar-se na sua frente.Com a ajuda da luz da varinha de Draco, quando o vulto aproximou-se deles, puderam discernir quem era.— Como...? – perguntaram juntos, com os olhar espantado.
Notas finais
Bem, vou tentar manter o ritmo de um capítulo por semana, ok?!
Até mais!!
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