Notas iniciais
Ok, não sou boa com títulos... Tentei manter os títulos originais, e sério, como as pessoas liam isso há 10 anos??
Espero de coração que vocês gostem. Essa é a minha primeira história, a primogênita. Sejam carinhosos com as críticas! kkk
História não betada, então qualquer erro, me avisem.

Harry estava sentado na varanda d’A Toca durante o pôr-do-sol, como fazia todos os dias durante aquele um mês em que esteve ali.

Havia ficado apenas uma semana com seus tios na Rua dos Alfeneiros, quando recebeu uma carta de Dumbledore dizendo que ele seria buscado para passar as férias com os Weasleys. Sabia que o diretor tinha como ideia de que isso lhe alegraria, mas falhou miseravelmente em seu objetivo. Não havia muito que o alegrasse nos últimos tempos. Na verdade, chegava a pensar que nada o voltaria a fazer feliz pelo resto da vida, como se estivesse o tempo todo sob o efeito do ataque de um dementador.

Ficava olhando o céu, observando as manchas vermelhas e laranjas que davam lugar ao azul celeste e finalmente o preto. Isso havia se tornado como um ritual particular. Como se as cores do crepúsculo se mesclassem com as cores da sua alma. Todas as tardes olhava o céu e imaginava seu padrinho aparecendo, como num passe de mágica, assim que a primeira estrela começasse a brilhar, afinal, já havia visto a magia fazendo coisas que antes considerava impossíveis. Mas naquela noite, assim como em todas as anteriores, isso não aconteceu.

Tinha consciência de que estava deixando todos preocupados. Eles estavam preparados para lidar com a sua dor, lágrimas, desespero, tudo o que estivesse ligado á depressão ou angústia. Mas ninguém estava reparado para lidar com o seu silêncio. Claro que havia dor. Perdera seu padrinho em uma tentativa frustrada de resgatá-lo de um sequestro que nunca havia ocorrido. Sírius fora morto enquanto o salvava das garras dos Comensais da Morte, o que nunca teria sido necessário se ele não tivesse acreditado em uma ilusão criada em sua mente por Voldemort. E era por isso que mais do que a dor da perda, era a culpa que o estava matando por dentro. Por mais que Hermione lhe dissesse que qualquer um poderia ter cometido esse erro, e que na verdade ele havia sido muito corajoso ao invadir o Ministério, sabia que ela apenas estava tentando acalmá-lo.

Harry mal comia, quase não dormia e praticamente não conversava com ninguém, e por isso, seus amigos fizeram um voto de não deixa-lo sozinho. Ele ficava grato por saber o quão leal eles eram e o quanto queriam alegrá-lo, mas no fundo, sentia-se pior ainda, como se fosse alguém que precisasse de uma babá 24 horas por dia. Os únicos momentos em que ficava sozinho eram esses na varanda, e nas madrugadas em frente à lareira.

Quando não estava ajudando a Sra. Weasley nas tarefas da casa, jogava Quadribol com Rony, Gina e os gêmeos, que apareciam nas folgas da loja. Isso acalmava seus nervos um pouco, mas era na hora de dormir que seus problemas chegavam.

Por ter se mostrado um completo inútil nas aulas de oclumência, durante a noite tinha medo de dormir e deixar a mente aberta mais uma vez. E nos raros momentos de sono, mais um rosto assombrado aparecia em seus sonhos para acompanhar os dos seus pais e Cedrico. Era nessas noites em que se levantava e ficava pensando na poltrona junto à lareira. Era tão confortável e parecido com o salão comunal da Grifinória, que era o momento em que mais se sentia em casa. Sorriu ao se lembrar da noite anterior.

Tinha sido uma dessas noites em que seus medos o assombravam durante o sono, por isso, antes mesmo das 2 da manhã já estava na poltrona. Olhava pela janela imaginando quanto tempo levaria para amanhecer quando ouviu passos vindos pela escada. Estranhou, já que fora ele, ninguém na casa parecia ter hábitos noturnos. No entanto, não se surpreendeu ao ver Gina sentando-se ao seu lado. Haviam ficado muito mais próximos nessas férias, já que aparentemente ela havia perdido a timidez com relação a ele, provavelmente por serem companheiros no time de quadribol da Grifinória no ano anterior.

—-Por que não está dormindo Gina? – ele perguntou assim que ela se sentou.

—-Eu poderia fazer a mesma pergunta, se já não soubesse a resposta. – ela sorriu tristemente ao dizer isso, oferecendo a ele metade do cobertor que estava no canto da poltrona e cobrindo-os.

—-Como está Hermione? – ele estava preocupado com a castanha. Ela meio que havia surtado durante a última reunião da ordem antes do jantar, desde então não saiu do quarto.

—-Você a conhece tão bem quanto eu. – Gina olhava o fogo enquanto respondia – Ela é forte, determinada. Vai acabar superando isso, mas não vai esquecer.

—-Seria pedir muito que ela se esquecesse de todos os trouxas que estão sendo assassinados. – sentiu o peito apertar, então a ruiva lhe tocou a mão.

—-Não faça isso com você Harry! – ela o olhava nos olhos – Não pode assumir a culpa por todas as atrocidades que aquele monstro comete. Eu sei que tem todo esse negócio de O Eleito e tudo mais que você mantem em segredo com eles, mas não pode carregar o peso do mundo nas costas sozinho.

—-Eu não consigo evitar me sentir culpado, sem rumo. – ainda ficava impressionado com a facilidade que conseguia conversar com ela – Eu sinto que a culpa por tudo isso é minha, mas não sei que rumo tomar, não mais...

—-Eu sei que é difícil perder alguém que se ama, principalmente para você que já deveria ter atingido a sua cota de perdas na vida, mas você não pode desistir. – a ruiva apertou sua mão com mais força – Você ainda tem o Rony, que é um bobão atrapalhado, mas sabe que ele morreria por você. E a Hermione, cuja inteligência já te salvou antes e vai salvar novamente. E pode não parecer muito, mas eu também estou aqui Harry. – ela se aproximou e lhe tocou a face surpresa – Eu estou aqui para você.

Os lábios se tocaram de forma singela, pura. Mais nenhuma palavra foi dita. Eles ficaram apenas observando lareira até amanhecer, quando a ruiva foi para a cozinha começar a preparar o café.

Já estava na hora de entrar para jantar quando despertou de seus devaneios. Havia passado a maior parte do dia jogando quadribol com ela, mas nenhum dos dois disse nada sobre o ocorrido. Talvez ela estivesse lhe dando espaço para se aproximar, mas ele não fazia ideia do que fazer. Como aquela era a sua última noite de férias, deixaria para conversar com ela na escola.

Quando finalmente entrou na cozinha, o cheiro da maravilhosa sopa da Sra. Weasley lhe invadiu as narinas, assim como o som de vozes exaltadas vindas da sala. Encontrou Hermione tremendo e um Rony muito vermelho e raivoso segurando a mão dela. Do outro lado estava Remu Lupin.

—-Hermione, você precisa entender... – o mais velho tentava argumentar a respeito de algo.

—-Não, eu não preciso entender! – ela gritou se levantando. Mas tão logo disse isso, voltou a chorar e saiu do cômodo, indo para o quarto que dividia com Gina – Você me prometeu... – disse com um fio de voz, sem olhar para ninguém, antes de subir as escadas.

—-O que diabos está acontecendo aqui? – Harry entrou na sala, sentindo o clima estranho.

—-Hermione está meio sensível ultimamente. – Rony respondeu de cabeça baixa, tentando controlar a raiva. Queria poder protegê-la, mas não sabia como. Queria poder guarda-la em uma caixinha de veludo até o fim da guerra, para que nada mais pudesse machuca-la ou magoa-la, mesmo ela sendo tão mais forte do que ele na maioria das vezes.

—-Com o que exatamente ela se chateou agora? – o moreno perguntou sentando-se ao lado do ruivo.

—-Foi minha culpa. – Lupin respondeu sentando-se também. A cada dia que passava sua aparência piorava, demonstrando o cansaço que estava sentindo.

—-Explique então. – os olhos verde esmeralda fitavam o ex-professor.

—-Aquela jovem trouxa que eu resgatei noite passada... – o mais velho começou a falar, mas faltaram-lhe forçar.

—-Aquela que teve a família inteira morta em um ataque de lobisomens? – Harry perguntou começando a deduzir o que havia atingido a amiga.

Na noite anterior Lupin havia chegado devastado, e por isso seu relatório foi o último a ser ouvido. Já era para ele e os amigos terem deixado a sala para jantarem, mas como faltava só mais um relatório, a Sra. Weasley permitiu que eles ficassem. Havia sido uma luta para os três conseguirem permissão para assistirem as reuniões da Ordem. Apenas após uma carta de Dumbledore dizendo para que eles participassem como ouvintes, que isso pôde ser feito.

Antes tivessem ido jantar. Lupin, que estava infiltrado em um bando de lobisomens pela ordem do diretor para coletar informações, disse que havia tido um ataque. Uma família inteira mutilada, apenas a filha mais nova, de 8 anos, fora poupada. A notícia não saiu no Profeta Diário porque o ministro julgou de menor importância, já que não havia provas de que o ataque estava relacionado a Voldemort.

—-O que aconteceu com ela Lupin? – o moreno sentiu um calafrio. Tinha medo da resposta.

—-Apesar de eu não ter participado do ataque, fui submetido a um teste. – suas mãos tremiam ao lembrar-se do que fizera.

—-Que tipo de teste? – Harry sentiu a bile lhe subir pela garganta.

—-O alfa do bando me forçou a transformá-la para provar a minha lealdade. – o mais velho fechou os olhos, derrotado. Tinha nojo de si próprio.

—-COMO PÔDE FAZER ISSO! – agora era Harry que estava exaltado. Podia entender a repulsa da amiga – Você nos prometeu que ela ficaria bem.

—-Eu sei... – sentir a mágoa na voz daquele jovem que um dia o admirou doeu mais a Lupin do que o olhar reprovador de seus colegas.

—-O que Dumbledore disse? – o moreno perguntou voltando a se sentar, derrotado.

—-Foi ele que me deu a ordem para transforma-la. – ainda podia ouvir as palavras do diretor ecoando em sua mente – Ele me disse que se eu não a transformasse, provavelmente ela seria morta e meu disfarce estaria arruinado. – ele deu uma risada triste – Me disse que era para pensar que eu estava salvando a vida da menina. Que fazendo isso ela estaria viva para lutar mais um dia. Lutar pelo quê, eu me pergunto.

Harry não soube o que responder. Entendia a revolta dos amigos. Esperava-se que eles estivessem tentando salvar o máximo de vidas possível, e não as destruindo. Isso era a guerra? Será que seus pais e padrinho tiveram que passar por essas mesmas coisas na época deles? Tomar esse tipo de decisão? Ao mesmo tempo em que sentia uma revolta terrível contra o diretor, pensava entender o seu lado. Não imaginava como deveria ser para ele. Apesar de ser considerado O Eleito, aquele que iria derrotar Voldemort no final das contas, era em Dumbledore que todos colocavam fé. Às vezes uma fé cega de que ele teria a resposta para todas as perguntas, de que ele os levaria para a vitória, que seguraria Harry pela mão até que estivesse frente-a-frente com seu inimigo e que guiaria sua varinha para derrota-lo.

Harry aprendera no ano anterior que isso não era verdade, não era real e nem possível. O diretor, apesar de poderoso, inteligente e mais experiente, ainda era apenas um homem, sujeito á falhas e imperfeições, que tinha que carregar nos ombros a responsabilidade por todas as decisões tomadas, as certas e as erradas. Parou para refletir e descobriu que não sabia qual fardo era o mais pesado: o dele ou o seu.

Hermione não quis descer para jantar, por isso Gina foi comer com ela no quarto. Por mais que a situação tenha se tornado tolerável, Lupin recusou a refeição, dizendo que Tonks o esperava em casa mais cedo. Os demais comeram em silêncio. Nem mesmo Fred e Jorge que haviam fechado a loja mais cedo para poderem se despedir dos irmãos durante o jantar, fizeram qualquer piada. O Sr. e a Sra. Weasley trocavam olhares aflitos e preocupados, com certeza não dormiriam aquela noite, mas nada disseram até que todos já estivem na cama dormindo.

Aquela era mais uma das noites em que os sonhos sangrentos vinham lhe atormentar a mente, mas Harry não se surpreendeu. Não duvidava que isso fosse acontecer depois da conversa com seu ex-professor. Decidiu descer na cozinha para tomar água e esperar amanhecer, mas antes que chegasse à escada, ouviu vozes sussurrantes.

—-Sinto muito pelo horário, Molly, mas não podíamos arriscar. – era a voz da sua professora de transfiguração Minerva McGonagal.

—-Está tudo bem Minerva, não a esperávamos mais cedo mesmo. – ele identificou a voz da matriarca dos Weasleys.

Resolveu chegar mais perto para tentar entender o que estava acontecendo. Próximo à porta identificou quatro vultos. Dois que deveriam ser dos Sr. e Sra. Weasley, um da professora Minerva, e um outro, que ele não sabia a quem pertencia. Não era incomum membros da Ordem aparecerem durante a madrugada em caso de emergências, mas isso nunca acontecia de forma tão sigilosa como aquela.

—-Essa é a jovem sobre quem conversamos anteriormente. – a professora tomou a palavra enquanto apontava para o quarto vulto, que ao s aproximar mais da luz, mostrou ser um pouco menor do que os outros três. Mas seu rosto não era possível ser visto, uma vez que estava coberto pelo capuz da capa preta de viagem que usava.

—-Querida, seja bem vinda! – a Sra. Weasley disse puxando a jovem para a cozinha, enquanto a ajudava a tirar a capa – Deve estar faminta! Venha, vou esquentar um prato de sopa para você. – enquanto a jovem era arrastada para a cozinha, a única coisa que Harry pôde observar dela foi a ponta dos longos cabelos vermelhos como sangue.

—-Ao amanhecer alguém deve vir busca-la para escolta-la até o castelo. – Minerva disse se encaminhando para fora da casa.

—-Ela não irá de trem com os demais alunos? – foi a primeira vez que o Sr. Weasley se pronunciava.

—-O diretor achou melhor não. – a mulher suspirou cansada, como se esse tivesse sido um tópico de uma discussão anterior que obviamente ela havia perdido – Ele não achou que seria seguro. Se algum contratempo acontecesse, colocaria em risco todos os alunos.

—-Eu entendo. — o homem mais velho deu a conversa por encerrada, e assim que a professora se afastou, fechou a porta e juntou-se à esposa na cozinha.

Harry voltou imediatamente para o quarto, com medo de ser pego bisbilhotando. Não conseguiu dormir, apenas ficou formando hipóteses atrás de hipóteses, uma mais absurda do que a outra, para tentar entender quem era aquela jovem, e o que ela estava fazendo ali. E o principal: quem era ela para precisar de escolta particular de membros da Ordem?

Notas finais
Espero que tenham curtido.
Vou tentar postar um capítulo por semana, caso eu tenha algum leitor!! kkkk