Notas iniciais
Oi gente linda!Essa é a minha primeira One Nejiten, que por acaso é um dos meus casais favoritos :3 Espero que gostem, e desculpem aí qualquer coisa >.

Enquanto a Chuva Cai:

A Thousand Years

And all along I believed I would find you,

(O tempo todo eu acreditei que te encontraria,)

Time has brought your heart to me

(O tempo trouxe o seu coração ao meu)

I have loved you for a thousand years,

(Eu te amei por mil anos,)

I'll love you for a thousand more...

(Eu te amarei por mais mil...)

– Aonde você estava? — Neji perguntou assim que sua mulher adentrou a casa. Tenten fechou a porta e encarou o marido, que estava em pé, apoiado na bancada da cozinha.

– Eu avisei a você mais cedo. Saí com as meninas. — Tenten respondeu largando as chaves e a bolsa em cima da mesa.

– Isso é hora de voltar? — Neji questionou, apontando para o relógio pendurado na parede da sala, que marcava quatro e vinte da manhã. Tenten encarou o Hyuuga, incrédula.

– O que deu em você, Neji? Hoje é sábado, e eu saí com as minhas amigas, nada de mais. — Ela disse tirando os brincos e os colocando também na mesa.

– Já é a quarta vez que você saí de noite com suas amigas. — Neji disse com semblante frio.

– Se divertir nunca é de mais, Neji. — Ela disse tirando os sapatos e os jogando na sala.

– Tem certeza que foi com suas amigas que você passou essas noites? — Ele questionou, erguendo uma sobrancelha.

Tenten congelou, não acreditando na acusação feita à ela.Ele soltou a bancada e foi em direção à ela, que estava parada ao lado do sofá.

– Eu não acredito que você disse isso, Neji. — Tenten se aproximou dele, ficando os dois na sala de jantar, com seus olhos já marejados.

– Por quê? Descobri o seu "segredinho"? — Ele perguntou irônico e fazendo aspas com as mãos.

– Quem cala con... — Ele foi interrompido pelo tapa em seu rosto.

O rosto de Tenten já estava molhado, devido às lágrimas grossas que saíam de seus orbes vermelhos, sua respiração descompassada e seu coração apertado.

– Não vou escutar você falando isso de mim, Neji. — Tenten disse adentrando a casa e seguindo para seu quarto.

– O que pensa que está fazendo?! — Neji gritou a seguindo, com uma mão sobre o lado do rosto, agora vermelho.

Tenten o ignorou. Pegou uma mala em cima do guarda-roupa, abrindo o mesmo, e começou a jogar as roupas dentro da mala.

– NÃO ME IGNORE! — Ele gritou segurando um dos braços de Tenten.

– Neji, me solta, você tá me machucando! — Ela gemeu, tentando soltar-se de Neji.

– Aonde você pensa que vai? — Ele perguntou, claramente furioso.

– Não vou discutir com você nesse estado. Quando você se acalmar, eu volto.

– VOCÊ NÃO VAI À LUGAR NENHUM! — Ela gritou apertando ainda mais o braço dela, que gemeu e se ajoelhou.

Ao perceber o que estava fazendo, Neji largou o braço da Mitsashi, aterrorizado.

– Mudei de ideia, não irei voltar. — Ela disse se levantando e saindo do quarto.

– Tenten, espera! — Ele foi atrás dela, mas ela deu as costas para ele.

– Se você tocar em mim de novo, chamarei a polícia. — Ela disse com um semblante tão frio quanto o dele.

– Adeus, Neji. — Ela simplesmente saiu do apartamento, batendo a porta atrás de si.

A ficha caiu para Neji. Ele desabou no sofá, só aí percebendo a grande merda que ele fizera.

A acusou injustamente, gritou com ela, e o pior, a agrediu.

– Eu sou um monstro... — Ele sussurrou para si mesmo. As lágrimas já saiam involuntariamente, enquanto ele apertava a própria cabeça.

– IDIOTA! — Ele gritou se levantando e chutando um vaso que antes estava sobre a mesinha de centro da sala, mas que agora era apenas um amontoado de cacos.

– O que foi que eu fiz? — Ele questionou, jogando-se novamente no sofá, agora chorando como um bebê.

– O que foi que eu fiz? — Ele se deu conta do que acontecera. Ele acabara de perder a mulher de sua vida.

–--

– Me desculpa. — Ele pediu encostado na porta.

– Tarde demais. — Ela respondeu secamente.

– Tenten, por favor, vamos conversar. — Neji insistiu batendo na porta mais uma vez.

– Eu já disse, Neji, não tenho mais nada para conversar com você. — Ela respondeu do lado de dentro da casa.

Neji suspirou e sentou-se na calçada. Faziam quase quarenta minutos que ele insistia para a morena abrir a porta da casa de sua mãe, mas ela estava disposta a não fazê-lo. Qualquer pessoa que conhecesse o Hyuuga, pelo mínimo que fosse, não acreditaria que era ele quem estava ali, na porta da mãe da atual ex-mulher, implorando para que ela abrisse a porta.

Eles se conheciam desde o jardim de infância, sempre foram amigos. Ele com seu jeito antissocial e frio, e ela com seu jeito extrovertido e alegre. Como sempre, ele não foi homem o suficiente para admitir seu tombo sua queda por ela, então, no segundo ano do ensino médio, ela o fez. Mesmo depois da confissão da parte de Tenten, o orgulho do Hyuuga só o permitiu retribuir o feito dias mais tarde.

Três anos depois de saírem do colégio, novamente, Tenten o pediu em casamento, pedido que desta vez, foi aceito no momento. Três meses de casados e tudo começou a mudar. Ele ficara mais distante e mais frio. Ele desconfiava e fazia acusações à ela, nunca deixava ela se explicar, e sempre passava por cima de qualquer sentimento ou pensamento que a Mitsashi pensasse em expor.

Ele insistia em controlar a vida da mulher, queria a monitorar vinte e quatro horas todos os dias."Eu sou sua mulher, Neji, não seu objeto." Ela disse em uma das discussões dos dois, discussões que sempre foram começadas por parte dele. Só agora ele enxergava, só depois de destruir em uma noite, a relação que ela cultivou por uma vida.

Era sempre ela que tomava a iniciativa, sempre ela que deixava o orgulho de lado e pedia desculpas, sempre ela que terminava as discussões com a desculpa de não querer brigar com ele. Mas infelizmente, ele enxergara isso tarde demais.

Suspirou e se levantou, não tirava dela o direito de não querer vê-lo, caminhou até seu carro, que estava estacionado na frente da casa. O adentrou, colocando os braços sobre o volante, não percebendo os finos filetes de lágrimas que caiam de seus olhos.Ele só queria protegê-la, mesmo que ela não quisesse ou precisasse.

A verdade é que ele tinha medo, medo de perdê-la, medo de que alguém a roubasse dele, medo de que ela o deixasse, medo de que ela deixasse de amá-lo. Hyuuga Neji era sim orgulhoso, mas mais do que isso, ele era inseguro. E essa insegurança fez ela o deixar; novamente ele a tinha magoado, por isso ele é do jeito que é: frio, distante, grosso. Ele tinha medo de se magoar.

Ela doara todo seu coração e sua alma para fazer aquela relação funcionar, mas ele não, como sempre, ele estragara a sua própria felicidade. Pior, estragara a felicidade de Tenten.Ele se sentia a pior pessoa do mundo. Ele se sentia um monstro.

–--

A morena sentou-se no sofá enquanto esperava o filme começar. Ela acabara de colocar o DVD de um filme de terror qualquer que ela pegara na locadora do final da rua. Seu estômago se remoeu, provavelmente porque ela tinha comido apenas um lamén durante o dia, que já passava da metade. A contra gosto, Tenten levantou-se em direção a cozinha, e abriu o armário a procura de seu imenso estoque de chocolates, mas ao abri-lo, percebeu que seu estoque não era tão imenso assim, pois não tinha nada. Nada além de teias de aranha e poeira.

A Mitsashi bufou e fez uma nota mental: "Necessita comprar chocolate". Ela abriu outro armário, a procura de pacotes de biscoitos, salgadinhos ou pipoca. Mas só o que encontrou foram dois pacotes de bolacha água e sal, e um pote de molho de salada, que seus pais trouxeram alguns meses atrás, mas tanto eles quanto ela sabiam que aquele molho apodreceriam no armário. Tenten foi até e a geladeira, rezando para que tivesse algo comestível, já que tinha perdido os números de qualquer lugar que entregasse comida.

Ao abrir a geladeira viu dois potes de sorvete, uma caixa de leite e uma caixa de isopor.

Ao abrir os dois potes de sorvete, Tenten quase colocou o lamén para fora. Tinha dentro, provavelmente, os restos do almoço do mês passado, ou até do retrasado, imediatamente jogou os dois potes no lixo.

Tenten nem olhou a validade do leite, apenas o jogou junto com os outros dois potes. Ainda com um resquício de esperança, abriu o pote de isopor. Jogou o pote no chão ao ver que ainda estava sujo de bolo de chocolate, apenas sujo, porque não tinha nada do gênero dentro do pote.

Nunca se sentira tão iludida e enganada em sua vida, provavelmente aquilo fora obra de Sakura. Com certeza Tenten iria se vingar. Ela virou-se e foi em direção à sala, mas quase caiu ao tropeçar em uma bolsa que estava no chão do corredor.

– Merda! — Gritou enquanto tentava massagear o dedo machucado, devido a pouca luz no ambiente, ela não enxergava muito bem.

A única iluminação do apartamento vinha da luz da televisão e de pequenos feixes de luz que entravam pelas partes mal fechadas das cortinas.Isso contra dizia totalmente o apartamento de classe média, que ficava num bairro nobre no centro de Konoha, que há dois anos fora comprado por seus pais, com a esperança de que ela se desse bem em seu trabalho como gerente de uma empresa exportadora de armas, porém há três meses ela fora demitida por causa de um pequeno "acidente", que resultou num cliente baleado e no afastamento da Mitsashi.

E ela estava indignada, afinal, o cara mereceu, e além do mais, ele só ficou com uma cicatriz na perna, nada de tão preocupante. Disseram que queriam seis meses para discutir sobre a situação dela, se ela seria demitida, punida, ou se rebaixariam seu cargo. Tenten já tinha mandado seu currículo para várias outras empresas, mas parecia que todas ou tinham gente demais ou não necessitavam de alguém com tanta experiência em armas quanto a própria máfia japonesa.

Tenten sabia que tinha que fazer algo, pois não aguentaria mais algumas horas sem comida. Foi até o móvel grudado a parede, que tinha vários quadros e fotos. Ela ficou de ponta de pé, já que o móvel ficava mais alto do que ela, pôs a mão atrás de um retrato dela e de suas quatro melhores amigas, tateando em busca de uma pequena caixa, onde ela deixava o dinheiro para emergência.

Na televisão ligada ainda passava o filme de terror, alguma coisa aconteceu no filme, o que fez uma mulher gritar. Tenten estava tão concentrada que ao ouvir o grito se assustou, jogou a mão para o lado e escorregou no chão, derrubando consigo a caixa de dinheiro e um porta retrato que estava escondido ao lado da caixa.

– Merda. — Ela disse olhando para a televisão, que agora mostrava uma mulher correndo pela floresta, ainda gritando. Tenten levantou-se, pegou o controle na mesa de centro e desligou o DVD, logo em seguida desligando a televisão.

Voltou para perto do móvel das fotos, se abaixou e recolheu a caixa e o retrato, que estava virado de cabeça para baixo. Ela o virou, pensando que fosse mais uma foto de seus pais ou suas amigas, mas entrou em choque ao ver, era ela, aos seus dezesseis anos, junto dele. Ela estava sorrindo e com seus costumeiros dois coques e estava com os braços em volta do pescoço dele, que estava com sua típica expressão neutra e seus longos e negros cabelos presos em um rabo de cavalo quase que no final de seu cabelo, somente quem o conhecia conseguia perceber que ele estava com um mínimo sorriso de canto, ao contrário de Tenten, que olhava para a câmera, ele olhava diretamente para o rosto dela.

Uma onda de melancolia invadiu a Mitsashi. O vidro do retrato estava rachado, mas ela sabia que não fora por causa da queda de minutos atrás. Ela balançou a cabeça, afastando os pensamentos em sua cabeça e as lágrimas que já ameaçavam cair.

Algumas pessoas não conseguiriam identificar muito bem a foto naquele ambiente quase que sem luz, mas Tenten, que passara horas, não, dias observando aquela foto, sabia de cada detalhe dela, mesmo que de olhos fechados. A morena pôs a foto no lugar de onde ela cairá e voltou para a sala.

Colocou o dinheiro em cima da mesa de vidro que pegava quase toda a sala de jantar e foi em direção ao seu quarto, que ficava no fim do corredor, por hora sombrio, depois de várias outras portas.

Depois de girar a maçaneta prateada, adentrou seu quarto. Ele tinha paredes brancas em tom de gelo e o chão era de um mármore escuro. As paredes eram cobertas de cima à baixo com desenhos, fotos e projetos, cobrindo quase que completamente as quatro paredes do quarto, que não estava diferente da sala. Os lençóis azuis estavam desarrumados e vários livros e seu notebook estavam em cima da cama de casal.

A morena foi até o armário, colocou a mão dentro da emaranhado de várias roupas e tirou de lá uma camiseta branca e um short jeans. Tenten retirou a camisola bege que usava e jogou em um canto do quarto, junto de várias outras roupas. Colocou o conjunto e foi até o banheiro, molhou o rosto e voltou à sala.

Apanhou o dinheiro em cima da mesa de centro e foi em direção à porta, a destrancou e a abriu. Saiu para o corredor e trancou a porta novamente, e depois que apertou o botão para chamar o elevador, colocou a chave em seu bolso.

As luzes do corredor o tornavam extremamente claro, fazendo com que Tenten colocasse uma mão sobre os olhos. Uma das quatro portas do corredor em mármore se abriu, revelando um Inuzuka de calça jeans e uma camiseta de botões ainda aberta. Kiba fechou a porta, e depois de colocar as chaves no bolso, começou a abotoar a camisa, indo na direção do elevador.

– Que surpresa, Tenten, a quanto tempo você não saía de casa? — Ele questionou ficando ao lado da morena e sorrindo.Tenten revirou os olhos, não estava com paciência para aguentar Kiba.

O elevador se abriu e os dois entraram, Kiba apertou o botão do térreo e se encostou na barra do elevador, terminando de abotoar a camisa cinza xadrez.

– Aonde você vai a essa hora? — Ele perguntou olhando diretamente para as pernas de Tenten, que bufou cruzando os braços.

– Não é da sua conta. — Ela disse quando o elevador chegou ao térreo. Apressou-se em sair de perto do Inuzuka e foi até o saguão, depois de acenar para o porteiro, passou pela enorme porta de vidro, em direção à rua.

O aglomerado de nuvens cinza e o mormaço instantâneo, indicaram a ela que choveria em pouco tempo. Tenten colocou as mãos no bolso do short e atravessou a rua, seguindo na direção de uma lanchonete ali perto.

– Não vai querer carona, Mitsashi?! — Kiba gritou enquanto se apoiava em seu Porsche vermelho que estava estacionado na calçada do prédio.

Tente nem se deu o trabalho de olhar para trás, seguiu em frente, alguns segundos depois dobrando uma esquina, já fazia algum tempo que ela não caminhava (ou saia de casa). Segundo seus pais, ela entrara em depressão depois de sair do trabalho.

Ela, obviamente, discordava; Mas por outro lado, sua carreira era basicamente sua vida. Não tinha parentes, exceto seus pais, suas amigas eram tão ocupadas quanto ela já fora, e em relação à sua vida amorosa... Esse quesito não existia para Tenten, pelo menos não agora.

Quase que não ventava, mas mesmo assim ela esfregou os braços com frio, olhou adiante, já avistando a lanchonete.Depois de mais alguns minutos de caminhada, chegou até o local.

"Seja bem vindo(a) ao Ichiraku lamén. Aberto das 6:00 às 21:00 todos os dias da semana." Ela leu a inscrição da placa, em seguida adentrou o local, abrindo as grandes portas de vidro fumê.

Era um estabelecimento arrumado, mas modesto. As mesas e cadeiras em tons de vermelho e laranja rodeavam o local, e uma bancada de mármore sustentava duas caixas registradoras, mas ainda era possível ver a cozinha mediana atrás da bancada.

Ela caminhou até uma mesa no canto da lanchonete, onde se sentou.

– Boa tarde, senhorita, o que vai querer? — Uma jovem de cabelos castanhos perguntou sorrindo. Tenten analisou o pequeno cardápio plastificado à sua frente e escolheu.

– Eu vou querer o lamén tamanho família e uma garrafa de saquê. — Tenten disse sorrindo amarelo para a moça. Ela assentiu e foi até a cozinha, deixando Tenten sozinha no local.

O barulho da chuva caindo chamou a atenção da morena, não era um simples chuvisco, mas uma chuva forte. Ela via o vento levando a chuva de um lado para o outro, enquanto ela imitava o gesto com uma garrafa de molho de pimenta, a empurrando para direita e para a esquerda.

Alguns segundos depois, um homem entrou correndo da lanchonete, encharcado, provavelmente fugindo da chuva. Ele entrou, e se sentou numa mesa perto de Tenten, todo momento de costas para ela. A moça simpática que atendera Tenten voltou da cozinha. E ao notar o recém chegado, foi atendê-lo.

– Boa tarde, o que o senhor vai querer? — Ela perguntou sorrindo novamente.

– Um lamén tamanho família e uma garrafa de saquê. — Ele respondeu, a moça sorriu assentindo, em seguida lançando um olhar para Tenten.

Tenten ficou curiosa com o homem à sua frente, afinal, não era qualquer um que aguentava uma bacia de lamén e uma garrafa de álcool quase puro.O homem colocou uma mão atrás do pescoço, puxando o cabelo que estava em baixo do casaco. Quando o cabelo dele caiu por sobre suas costas, a Mitsashi se espantou. "Não, não pode ser... "- Ela pensou desesperada. "Não pode ser ele..."

– Aqui está. — A moça disse colocando o pedido de Tenten em sua frente, enquanto equilibrava o outro pedido numa bandeja na outra mão.

Depois de servir a Mitsashi, a mulher seguiu para a mesa da frente, onde serviu o homem, que agradeceu com um aceno de cabeça.

– Itadakimasu. — Os dois disseram quase que em uníssono, fato que passou despercebido por ele.

Tenten tirava o chapéu para o cozinheiro, aquele lamén era o mais gostoso que ela já comera. Alguns minutos depois, a morena já terminara um prato gigante de lamén e 670 ml de saquê.

Já sentia suas bochechas levemente coradas e sua cabeça girando levemente. Levantou-se e foi na direção do caixa, que ficava a alguns metros da mesa do homem. Tenten passou por ele, mas não se atreveu a olhar para trás.

– Obrigada. — A menina disse quando Tenten lhe entregou o dinheiro, ela praticamente fazia tudo no local.

– Volte sempre! — Um senhor gritou sorridente da cozinha, Tenten acenou para ele e virou-se para a saída.

Quando seus olhos se encontraram com o homem que também estava em pé, ela quase caiu no chão. Ao ir de encontro com os olhos perolados, perdeu o ar se de seus pulmões, e ela deve ter ficado branca; ele arregalou os olhos, tendo uma reação bem parecida com a dela.

Tenten foi a primeira a recobrar a consciência, desviando do homem à sua frente e seguindo para a saída mais rápido que podia.Neji jogou o dinheiro na bancada e foi atrás de Tenten, que nessa hora já estava correndo em meio a chuva.

– TENTEN, ESPERA! — Neji gritou seguindo-a.

As fortes lufadas de ar jogavam as gotas brutalmente contra o corpo dos dois, isso somado à garrafa de saquê consumido, fazia com que vez ou outra eles tropeçassem.

Tenten corria o mais rápido que podia, afim de despistar o moreno que corria atrás de si. Ela dobrou a esquina, com mais um tropeço. Quando estava a poucos metros da portaria de seu apartamento, ela foi interceptada.

– Tenten, espera! — Neji gritou segurando o braço dela.

Tenten o encarou, com suas finas lágrimas já se mesclando com as frias gotas de chuva.

– Neji, por favor, vai embora. — Ela suplicou com o coração apertado. Ele já a magoara um vez, não queria passar por isso novamente.

– Tenten, por favor, eu só preciso de cinco minutos. — Ele pediu no mesmo tom que ela. Ele ergueu uma das mãos, afim de limpar as lágrimas dela, mas ela o cortou.

– Cinco minutos. — Ela falou rangendo os dentes, mudando bruscamente de humor. Seguiu para o seu apartamento, com Neji em seu encalço.

Após atravessar o saguão e adentrarem o elevador, ele começou:

– Eu estava com tanta saudades. — Ele falou em tom sereno, a fitando.

– Eu não. — Ela respondeu friamente, fazendo o coração de Neji se apertar.

– Tenten, eu sei que bem no fundo, você ainda me ama, então por favor, me escuta. — Ele suplicou com sorriso triste, ela apenas o encarou.

O elevador abriu e eles se dirigiram ao apartamento da Mitsashi. Ela o destrancou, dando passagem a ele. Assim que fechou a porta, Tenten ligou a luz e apontou para o sofá.

– Cinco minutos. — Ela disse sentando no mesmo. Ela estava tão nervosa quanto Neji. Ainda tinha esperança de que eles reatassem. Ela ainda o amava mais do que qualquer coisa, só não deixaria ele saber.

Neji refletiu, pensando como começaria.

– Eu te amo. — Ele disse simplesmente, fazendo Tenten ficar boquiaberta.

O orgulho de Neji nunca o permitira dizer tais palavras, pelo menos não assim tão explicitamente.

– Era só isso que você queria me dizer? — Ela questionou de braços cruzados, fazendo Neji suspirar.

– O que você quer que eu faça, Tenten? Que eu me ajoelhe? Que eu lhe compre um presente? — Ele perguntou passando a mão pelo cabelo. — O que eu posso fazer pra você me perdoar? — Ele perguntou olhando fixamente para o par de orbes castanhos.

– Não, Neji, eu não quero nada disso. Só me diga, por que, depois de quatro anos, você ainda quer voltar? — Ela perguntou deixando a máscara de lado, com um semblante melancólico.

Neji sorriu. Não um sorriso de lado ou um sorriso forçado, um sorriso de verdade. Ao ver Neji sorrindo, Tenten perdeu o ar; sempre fora apaixonada pelo sorriso dele, mesmo que quase nunca o visse. Ele pegou as mãos de Tenten com uma, e com a outra acariciou seu rosto.

– Por quê? — Ele riu, como se ela fosse ingênua. — Simplesmente, Tenten, porque você é a minha vida.

O coração de Tenten já poderia ser ouvido há quilômetros de distância, mas mesmo percebendo isso, o Hyuuga continuou.

– Eu sei que não disse isso antes, mas eu sempre fui apaixonado por você. Na verdade, eu sempre te admirava. — Aquela pegou a Mitsashi de surpresa. — Quando alguém brigava você sempre se metia, sempre dividia tudo o que tinha, sempre se importou mais com os outros do que com si mesma. Nos tornamos amigos ainda no jardim, eu estava sentando sozinho, e você veio tentando puxar assunto. Eu fiquei admirado vendo você falar, eu apenas ouvia atento, tentando assimilar tudo o que vinha de você.

"Era confiante, não abaixava a cabeça pra ninguém, nem fugia de briga. E ao passar dos anos, como se não bastassem todos esses atributos, você ficou cada vez mais linda." — Ele deu uma pausa, a vendo sorrir.

– Então, eu me apaixonei. Me apaixonei pelo seu sorriso, pelo seu cheiro, pela sua voz, por tudo em você.

– Eu era muito frio e indiferente, porque como você sabe, tinhas muitos problemas em casa. — Tenten assentiu e ele continuou. — Mas mesmo passando pelas piores coisas, quando eu via você sorrindo. — Neji deu uma risada. — Quando eu via o seu sorriso o meu dia se iluminava. Eu tentei inúmeras vezes te pedir em namoro, mas quando eu te encarava, eu travava e desistia. E no dia que você me pediu em casamento. — Neji suspirou. — Eu estava com o anel para pedir a sua mão. — A boca de Tenten se abriu, formando um "O". — É, eu ia te pedir em casamento naquela noite. Mas você foi mais rápida, e o meu orgulho e o meu ego não me deixaram dizer a verdade.

"Estava tudo indo bem, até que a insegurança me tomou. Eu não aguentava ver você sequer conversando com outro homem, agora eu sei que isso é ridículo. E custou o meu casamento. E foi tudo culpa minha, quando eu vi você daquele jeito, não aguentei se quer me olhar no espelho, me sentia um monstro." — Tenten abaixou a cabeça, ele a ergueu, sorrindo para ela.

– Eu tinha medo, Tenten, medo de te perder. De perder a mulher mais incrível que eu já conheci. — Os olhos castanhos já estavam lacrimejando. — Eu sei que dei mancada, mas estou disposto a consertar. — Ele se ajoelhou. — Mitsashi Tenten, você aceita se casar comigo? De novo? — Ele perguntou sorrindo, ela retribuiu.

– Depende. — Ele franziu o cenho.

– De quê? – ela o imitou.

– De três palavrinhas.

– Mas eu já te disse isso hoje.

– Um eu te amo nunca é demais. — Ela disse ainda sorrindo, Neji suspirou, sorrindo.

– Eu te amo, Tenten, e te amarei por toda a eternidade. — Ele abriu novamente um sorriso.

– Então sim, eu aceito. De novo. — Ele a puxou para um beijo, fazendo-a cair no chão. No início o beijo foi calmo e sereno, mas foi se intensificando.

– O melhor gosto que eu já senti, como senti saudades do seu beijo. — Tenten confessou quando os dois se separaram por falta de ar, com os braços em volta do pescoço de Neji.

– Não sei como passei tanto tempo sem isso. — Neji falou, referindo-se ao beijo da morena.

Dessa vez a Mitsashi que iniciou o beijo, mas o Hyuuga que o esquentou. Suas mãos deslizavam nos quadris esculturais de Tenten, enquanto as mãos dela arranhavam sua nuca. Neji começou a depositar beijos em volta do pescoço de Tenten, que suspirava. Num movimento brusco, o moreno se levantou, com Tenten em seus braços.

– Onde fica o quarto? — Ele perguntou a levando para o corredor. Tenten sorriu maliciosa, indicando a porta no final do corredor.

– Vamos estrear esse apartamento. — Tenten disse gargalhando alto, enquanto era carregada pelo seu eterno marido.

Notas finais
E aí seus lindo e tesudos? Não acham que eu mereço alguns míseros comentários mesmo essa one tendo ficado meio droga? Enfim, comentem sua opinião!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!