Notas iniciais
Hey galera o/
Bom, esse é o primeiro cap da história >< ele meio que explica como a história vai ser e qual vai ser o rumo dela.
Eu espero realmente que vocês gostem.
Ah, e se vocês pudessem ler enquanto escutam essa música http://www.youtube.com/watch?v=QU6AhH2a1cU
Vejo vocês lá embaixo.

“Nem todo conto de fada tem um final feliz”

Cameron POV.

A chuva caia incansavelmente, encharcando meu cabelo e tornando pesadas as minhas roupas. Eu corria sem parar pelo estacionamento quase deserto do lugar.Como se eu pudesse impedir o fim do mundo, se corresse o suficiente.

E naquele momento, era exatamente isso que eu estava tentando fazer. Impedir o fimdo meu mundo.

– Onde ela está? – gritei, irrompendo pelas portas de vidro do hospital. Todos que estavam ali na recepção me olharam, atônitos. Os médicos de jaleco branco, as enfermeiras e até uma velhinha que estava na cadeira de rodas.

Mas eu não conseguia pensar em mais nada a não ser nela.

Meu Deus, por favor, não. Não a leve. Por favor. Não hoje. Não agora.

A mãe dela estava lá, sentada em uma das poltronas verdes, ao lado do balcão da recepção, segurando a mão dos irmãos dela. Eu soube exatamente no momento em que a vi que era a mãe dela. Não havia como negar. O cabelo do mesmo tom castanho emoldurava seu rosto e, os mesmos olhos cinza estavam lá, olhando-me espantados por baixo das olheiras roxas causadas pelo cansaço e da tristeza. O irmão mais velho murmurou algo no ouvido da mãe, que assentiu distraidamente, ainda olhando para mim, e se levantou, vindo na minha direção. A irmã continuou onde estava, com a cabeça apoiada no ombro da mãe; o olhar fixo no nada.

O semblante de desesperança em seu rosto confirmou algo que eu já sabia.

Ela estava pior do que eu imaginava.

– Onde ela está? – eu repeti, e tive que me segurar para não gritar novamente. Mas o problema é que eu queria gritar. Queria gritar muito.

Mas ele não me respondeu, em vez disso ele agarrou o meu braço e me puxou, indo em direção ao corredor principal do hospital, que por algum motivo estava vazio. Seus olhos azuis me encararam por um instante antes de responder.

– No centro cirúrgico. – ele respondeu, finalmente. — A arritmia no coração dela piorou – ele respirou fundo e se reencostou na parede ao seu lado. – os médicos estão tentando ajuda-la, mas...

Não.

A palavra soou simples na minha cabeça, como uma buzina de um caminhão.

– O coração dela já não está mais funcionando. É só uma questão de tempo agora. – ele disse, e a cor sumiu do seu rosto.

Eu não podia acreditar. Não podia ser verdade.

É só uma questão de tempo agora.

Não. Aquilo não podia estar acontecendo.

– Posso vê-la? – perguntei, minha voz não passando de um sussurro.

– Ela não quer ver você. – ele disse, olhando firme dentro dos meus olhos. – Ela disse pra não deixarmos você entrar.

Eu demorei um segundo para entender.

Aquilo só podia ser brincadeira.

– Você não pode estar falando sério. – Eu ri, mas minha risada não continha humor algum.

– Nunca falei tão sério na minha vida.

Eu o encarei, estupefato.

– Você não pode esperar que eu fique simplesmente aqui sentando sem poder....

– Ela é minha irmã, Cameron. – ele me interrompeu, colocando a mão no meu ombro, como uma corrente de aço, prendendo-me onde eu estava – E está sofrendo. E se manter você longe daqui é tudo o que eu posso fazer por ela, acredite, eu vou fazer.

– Eu não posso... Você não pode esperar que eu fique em casa enquanto...

– Vá para casa. – ele ordenou furioso, apertando meu ombro ainda mais. — Agora.

– Espere — Uma voz soou atras de nós dois, e eu me virei.

A mãe dela caminhou em nossa direção. O robe de seda azul claro que vestia mostrava que ela tinha vindo as pressas para o hospital; assim como eu.

– Você é o Cameron, não é? — ela perguntou.

Eu assenti, hesitante.

Ela cruzou os braços no peito e me encarou. Os olhos percorrendo-me de cima a baixo, avaliando-me. Dava pra ver o quanto aquela mulher estava cansada só de olhar em seus olhos. Por fim, ela suspirou

– O quarto dela é o 221B. — ela apontou com o dedo indicador para além de mim, em direção aos elevadores. — Os médicos dela estão preparando as coisas para uma nova cirurgia. Se você correr, talvez ela ainda esteja no quarto.

O irmão dela soltou um palavrão.

– Ele não pode ir, mãe! — o irmão protestou, retirando a mão do meu ombro como se ele fosse feito de ácido. — Ela nos disse que...

– Ela precisa dele agora. — a mãe o cortou. — Mais do que qualquer um de nós. — e então, ela se virou para mim — 221B. Segunda porta a direita. — ela disse, o cansaço a tomando por completo. — Agora vá.

Podia ouvir os protestos do irmão dela se transformarem em gritos, mas eu não me importei. Sai correndo em disparada pelo corredor vazio, deixando um rastro de água por onde passava até chegar ao elevador.

Assim que o elevador chegou no andar, saltei dele e corri em disparada pelo corredor central, quase esbarrando em uma enfermeira loura na curva para os outros corredores.

Abri a porta devagar, e meu estômago se embrulhou.

Eu não acreditei no que estava vendo.

Era ela. A minha garota. A garota com o qual eu planejava passar o resto da minha vida junto.

Deitada em uma cama de hospital.

Ela estava pálida – mais pálida do que o de costume. – Vário tubos e fios estavam presos ao braço dela. Seu cabelo castanho escuro grudava na testa e no seu pescoço; e sua respiração era entrecortada, como se ela estivesse dando o máximo de si para continuar respirando.

Aquilo era horrível.

Eu me aproximei dela, e quase cai quando cheguei na beirada da sua cama.

Ela abriu os olhos devagar.

– O que você está fazendo aqui? — Seus olhos cinzas me encararam com surpresa, e a máquina ao seu lado apitou.

– Você achava mesmo que ia conseguir me impedir de vir te ver? — eu perguntei, irritado.

Ela virou a cabeça, olhando para o lado.

– Não. Mas eu precisava tentar, não é? — ela suspirou.

– Porquê?

– Eu não queria que você me visse desse jeito.

Eu suspirei e balancei a cabeça.

– Você não muda mesmo.

Um sorrisinho fraco se abriu em seu rosto, mas então, seus olhos se fecharam de repente, e a máquina ao lado apitou.

– Ta doendo? — perguntei, com a garganta fechada. Eu queria tanto fazer algo por ela. Qualquer coisa.

Mas eu não podia.

– Um pouco. — ela respirou fundo e deu de ombros de leve, como se a dor dela fosse insignificante.

Só que não era.

– Você vai ficar boa logo. — eu me ajoelhei perto dela. — Eu sei que vai.

Ela sorriu.

Apesar de toda a dor que ela estava sentindo, ela estava sorrindo.

Aquilo era inacreditável.

– Me perdoa. – eu sussurrei,sentido-me desmoronar por dentro. Apoiei minha cabeça em seu peito. Era quase impossível de se ouvir o coração dela bater.

Porquê? Porque dentre todas as pessoas da Terra, tinha que ser ela a estar sofrendo tanto? Porquê?

Aquilo era tão injusto.

– Pelo quê? — ela colocou a mão em cima da minha cabeça

.- Por não ter conseguido fazer nada por você. – eu solucei. Por não ter conseguido te salvar. Por não ter sido forte o suficiente.

Ela passou a mão pelos meus cabelo. Estava tão leve.

– Você fez tudo o que pode. – ela sussurrou suavemente, enquanto afastava as gotículas de água do meu cabelo com os dedos – e deu certo. Eu vivi mais por sua causa.

– Mas não o bastante.

– Nada é pra sempre, Cameron. – ela murmurou.

Mas você deveria ser, pensei.

Ela tocou meu rosto com o polegar gelado. Deus do céu, ela estava tão fria...

– Cameron, olhe para mim — ela levantou meu queixo — Você me salvou. – disse, e parecia que ela estava usando toda a sua força para olhar firmemente dentro dos meus olhos. – De uma forma que ninguém mais poderia ter me salvado.

– Você também me salvou.

Ela voltou a acariciar meus cabelos, e eu levantei meus olhos. Aquilo não podia ser real.

Ela não podia estar indo embora.

– Obrigada. – ela sussurrou. – Por tudo o que você fez por mim.

– Não diga isso como se você estivesse se despedindo

.- Mas eu estou.

– Não tem o porquê disso se você não vai embora.

– Cameron...

– Você não vai morrer. – eu disse, agarrando sua mão e a beijando. Sentindo o desespero tomar conta de cada parte de mim — Você não pode morrer.

Seus olhos cinza escuro pousaram em mim e sua boca se franziu.

– Você sabia que esse momento iria chegar.

– É, eu sabia. Aliás, eu ainda sei. E ele não é agora.

Ela fechou os olhos por um momento, e eu senti meu sangue gelar em minhas veias.

Por favor, não. Não, não, não...

– Não vai embora. – eu solucei, aproximando sua mão do meu rosto. – Não ainda.

– Eu preciso ir, Cameron. – Ela disse, ainda de olhos fechados. – Já não aguento mais. Eu solucei novamente, e senti as lágrimas descerem quentes pelo meu rosto. E pela primeira vez na vida, eu não liguei.

– Posso te pedir um favor? – ela perguntou com a voz fraca

– Todos os que você quiser.

– Quando isso... quando tudo isso terminar. – ela pigarreou fortemente. – Vá atrás do meu pai. Diga a ele... que eu o amo.

Eu apertei sua mão.

– Eu digo. – engoli em seco. – Pode deixar.

Ela sorriu ainda de olhos fechados.

– Obrigada. Por tudo.

– Eu amo você.

Ela apertou minha mão fracamente.

– Daqui até a lua. – ela respondeu. A máquina apitou novamente, uma, duas vezes, e depois parou.

– Eu amo você. – eu repeti, apoiando minha testa na cabeça dela e fechando meus olhos. – Amo tanto...

Mas dessa vez não houve uma resposta.

Meu pequeno anjo havia ido para casa.

Notas finais
Ficou muito ruim? >< Eu adoraria se vocês me dissessem o que acharam, haha.
Obrigada por lerem.
Beijos de todo o coração,
Emily.