Enquanto Ela Silenciava

11 Capítulo 11 - Enquanto Diego Esperava



Gabriela também não dormiu naquela noite.

Desde que desligou a chamada com Diego, o mundo parecia andar em passos estranhos — como se tudo estivesse fora de lugar. A casa, antes pequena, parecia ainda menor. As paredes pareciam ouvir seus pensamentos, e o silêncio era tão alto que incomodava.

Sentada na beirada da cama, com o celular nas mãos, ela passava os dedos pela tela sem tocar em nada. O nome dele ainda estava ali, nas conversas recentes. A última troca de mensagens piscava diante dos olhos como uma despedida que não foi escrita. O cursor de digitação surgia e desaparecia — e ela continuava sem coragem.

Ela não sabia se mandava algo. Não sabia se merecia. A culpa pelo beijo de Vinícius ainda a corroía, ainda que soubesse que não fora sua culpa. Mas os olhos de Diego — mesmo à distância — pareciam estar em todos os cantos da memória, cobrando respostas que ela não sabia como dar.

A mãe a chamava no corredor. As cobranças, o peso, os interrogatórios… tudo somado, tudo misturado. Gabriela respirava fundo, como quem tenta manter a sanidade numa tempestade invisível.

Ela digitou, apagou. Digitou outra vez. Depois apenas bloqueou a tela.

Não era sobre não querer falar com Diego. Era sobre não saber como dizer que estava despedaçada também.

Do outro lado, ela imaginava Diego olhando o celular. Imaginava os olhos dele fixos na tela, esperando. Sentia o peso daquele vazio. Mas ainda assim, não enviou nada.

Naquela noite, Gabriela também esperava. Esperava que o silêncio fizesse sentido. Esperava que Diego entendesse. Esperava que o tempo, de algum jeito, explicasse tudo o que o coração não conseguia.

E enquanto ele encarava a ausência, ela encarava o medo de não ser suficiente.