Enough is enough (no more tears)

1 Capítulo 1 I\'ll be the one to find you


Enquanto Alicia preparava bebidas na cozinha de Will, ele estava na sala conectando o vídeo game Nintendo Wii. Ela foi para sala e depois de eles terem conversado e bebido, Will escolheu um jogo. Tênis. Entregou-lhe um dos controles brancos e iniciou o jogo. Alicia jogara antes algumas poucas vezes no apartamento de Will. Na verdade, foi ele quem a desafiou para jogar pela primeira vez. Alicia aceitou que ele a ensinasse. E se sentiu muito feliz em fazer algo com ele; algo particularmente feito desde o começo por eles. Will, como alma jovial de sempre, tinha jogado vídeo game a vida toda, umas trocentas vezes, com as irmãs e com amigos, embora nunca ensinara uma garota antes a jogar Wii, algo que, aparentemente, era fácil.

Alicia, no pouco que jogara, já estava pegando o jeito. Ela nunca conseguira derrotá-lo antes, o que fazia Will se gabar e fazia com que ela sempre pedisse uma revanche. É claro que em todas essas revanches ela nunca ganhou. Hoje, diferentemente, estava determinada a ganhar. Pelo menos dessa vez, porque todas as vezes que se referiam em uma conversa a vídeo games, Will mencionava com freqüência que Alicia era a prova viva de que mulheres não eram tão boas quanto homens nessa modalidade. Hoje ela queria se gabar. Então se focou no jogo. Assim como se focava no trabalho. E jogaram, jogaram, jogaram, e no final, já quase empatados — Alicia perdendo por poucos pontos -, ela o ultrapassou. E ganhou. E riu do rosto de Will quando notou a expressão de incredulidade.
— Diga alguma coisa — ela incentivou.
— O que eu deveria dizer? Que um milagre aconteceu hoje? — Riu.
— Que eu sou a prova viva que mulheres também podem jogar vídeo games assim como também podem vencer. Vamos lá, diga. — Olhou para ele aguardando sua fala.
— Tudo bem — deu de ombros. — Você está certa. Alicia, você não é tão ruim.
— Não! Diga a frase toda, eu quero ouvir — falou rindo.
Will apenas olhou Alicia com a expressão falsamente aborrecida. E então falou:
— Mulheres são boas jogadoras. — Ouve uma pausa. — Você especialmente.
Dito aquilo ele ficou intensamente hipnotizado. O que conseguia lhe chamar tanta atenção era Alicia. Mas não simplesmente a Alicia. E sim a Alicia, no sentido de pessoa, no sentido de alma. Estava focado em como ela era e agora, mais uma vez, uma paixão súbita lhe tomava conta. Ele estava encarando-a, fascinado. Eram seus olhos esverdeados e a determinação de suas sobrancelhas. Era o modo como seu rosto ficava quando ela sorria. O modo como gentilmente sorria. O seu modo de interpretar a vida e todas as coisas. E o jeito que era sempre: ágil, ábil, forte. Sempre presente, sempre tomando decisões, sempre enfrentando demônios do dia a dia. E principalmente enfrentando sempre os seus demônios. Era fascinante o fato de ela ainda estar de pé. Era fascinante o fato de ainda ser mulher. Apesar de tudo...
– O que? — perguntou ela, sorrindo, aparentemente em duvida sobre seu silêncio.
– Você.

O sorriso de Alicia se desmanchou devagar. Não porque se sentiu constrangida com a fala de Will e sim porque ficou sem graça, embora um segundo depois ela tenha voltado a sorrir. No começo, Alicia não conseguiu dizer nada. Talvez fosse a súbita turbulência do amor que sentiu por ele. Ou será que sempre tinha amado? Era provável. Impedida como estava de falar, desejou que ele a beijasse. Quis que ele arrastasse sua mão e a puxasse para si. Não importava onde a beijasse. Na boca, no pescoço, na face. Sua pele estava vazia para o beijo, esperando. E foi o que ele fez. Estavam em pé na sala, muito pertos, seus rostos a centímetros de distância. Então ele elevou sua mão até os cabelos de Alicia e colocando os levemente para trás, a beijou na boca. Suas línguas se entrelaçavam com delicadeza. Will a empurrou até a parede, beijando-a enquanto segurava sua nuca. Ela tinha cada uma de suas mãos nos braços de Will, e depois ela pôs sua direita na nuca dele, trazendo-o para mais perto de si. A cada mínimo movimento uma corrente de energia passava pelo seu corpo, trazendo sensações mágicas. Talvez fosse felicidade com excitação misturando-se ali no seu estomago. Ou borboletas. Ou fogos de artifícios explodindo. Will passou as mãos por todo o corpo de Alicia, voltando-se depois a sua franja, que caia na frente do rosto. E mais uma vez ele segurou sua nuca. Alicia segurava o rosto dele, totalmente envolvida. E então Will parou por um segundo de beijá-la e olhou nos seus olhos. Foi incrível, inesquecível. Ela também o olhou nos olhos e se sentiu amada, tomada por uma emoção aguda. Naquele segundo Alicia estava mutuamente apaixonada por Will. Não que não fosse antes; mas especialmente naquele segundo em que eles se olhavam profundamente. Ele a admirava e ela não lutava com nenhuma de suas emoções. E simplesmente aquilo era aquilo. Era puro. Então Will voltou a beijá-la com necessidade de mostrar seu amor. Suas bocas se separaram por segundos, ambos recuperando o fôlego, e então seus lábios se envolveram de novo. Alicia agarrou o pescoço de Will e ele a pegou no colo. Ela sorriu e soltou um gemido leve ao se sentir no ar, enquanto ele pregava sua boca de volta na dela com rapidez, querendo nunca mais se soltar de Alicia. Will a levou para o quarto ainda a beijando, esbarrando em todas as coisas que pareciam ser um obstáculo até a cama; Ele finalmente a jogou no colchão e voltou a selar seus lábios, ambos rindo entre um beijo e outro. Alicia desabotoou sua camisa e ele tirou a camisa regata que ela usava. No quarto só se ouviam os gemidos fracos de Alicia. A atmosfera estava lotada de paixão. Naquela noite eles se pertenciam. E Will queria que se pertencessem para sempre. Enquanto ele estava dentro dela, pôde sentir que poderia ser para sempre. Então, quase no ápice, entre uma estocada e outra, ouvia Alicia dizer junto a um gemido:

– Eu te amo.

Notas finais
Gostaram?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!