Notas iniciais
Isso realmente aconteceu entre eu e a Yuu, essa coisa de eu querer berrar que eu era a culpada e de ela insistir comigo que não era.

Quanto ao resto da história, foi desenvolvida por uma coisa que já dura quase há um ano. De qualquer forma, não coloquei nomes porque espero que as pessoas imaginem quem seja, independente de ser shonen-ai.

Obrigada, nee.

- Pode me ouvir, por favor...?

Os ombros pareciam pesar como fardos... A culpa o consumia de dentro para fora e a vontade que realmente tinha era sair gritando o quanto se odiava pelas coisas que aconteceram, ainda que parecia que ouví-lo dizer que não era sua culpa diminuía sua vontade de se martirizar para sempre pelo acontecido.

Parou no meio da rua escura, em uma rua qualquer nos arredores de Mie. O corpo cansado mal se virou, permanecendo da mesma forma. A cabeça baixa ajudava a água a escorrer mais pela franja já grudada no rosto – inteiramente culpa da chuva que caia quase torrencialmente do lado de fora.

- Não é culpa sua. Preciso repetir? – sussurrou o moreno, tirando o casaco e colocando nas costas do outro, por ainda estar um pouco mais seco do que ele.

- Você diz que não é minha culpa... Mas o que eu sinto é ruim, parece mesmo que sou culpado... Não sou ninguém pra sair te julgando e não quero ser mais um a fazer isso... Mas—

- Mas nada.

O moreno virou o rapaz de cabelos castanhos, fitando seus olhos que refletiam um pouco daquela dor que sentia, bem lá no fundo. Os ombros de encolheram novamente, abaixando mais uma vez o rosto.

Entretanto, a tempo, a mão do moreno apoiou o queixo do outro e o fez levantar o rosto. Envolveu sua cintura com a outra mão, levando os lábios a testa molhada, nem se importando muito com a chuva que os embarcava naquela noite tão escura, muito menos com o fato de estar no meio da rua, tentando acalmar alguém que... Sempre fez isso para si.

- Não quero que se culpe. Entendeu?

- Entendi...

- Nem que fique chateado.

- Então pare de insistir que é um monstro... – o mais baixo levantou o rosto definitivamente, encarando os olhos escuros do outro, levando uma das mãos a seu rosto e alisando-o – Se insistir nisso, eu vou dizer que a culpa é minha. E não venha com “mas”.

- Combinado.

O moreno mais alto subiu uma das mãos, passando a segurar a dele, tirando de seu rosto. Um pequeno sorriso foi trocado, silenciosamente, por parte dos dois. A chuva que caía parecia limpar suas almas, lavá-los do sufocamento e deixá-los mais a vontade.

Quanto ao resto, talvez nem se lembrassem mais. O que importava era a segurança e o carinho que podiam encontrar um no outro, fosse o que acontecesse. Não interessava o que viesse a frente...

As mãos não precisam se soltar nunca, afinal.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!