Enjoying the Life
1 Novo Lar
Notas iniciais
Meu nome é Katherine Admeta Hampshire Hale, tenho dezesseis anos. Nunca pedi uma vida perfeita para o destino, nem felicidade, porque essas coisas têm que ser merecidas.
Há oito anos, minha vida virou de cabeça para baixo, tive o maior apoio de meu pai, David Hale. Sem esquecer de James e Adam Clark, dois primos e meus melhores amigos desde que nasci.
Minha mãe se chamava Ariel, ela era uma mulher jovem, cheia de vida e conhecida por todos em Nova York, minha antiga cidade. Ela sumiu em uma sexta-feira, eu a amava. Papai e eu preferíamos não tocar no nome dela. Pelos primeiros três anos sem sua companhia, tentava dia após dia não chorar, não sofrer, mas todo esforço era jogado fora quando eu pegava minha caixa rosa, cheia de fotos de nós duas.
Agora isso já tinha acabado, estávamos bem, eu me sentia completa de novo, com uma vida feliz me aguardando. Chovia, e no momento eu estava sentada no fundo de um táxi com meu pai, indo para nossa casa nova, em Boston, Massachussets.
Descemos do táxi e ficamos olhando nosso novo lar do lado de fora, guardando cada detalhe, a casa era linda: cor branca, com detalhes emadeirados escuros. Papai olhou para a garagem, vendo seu amado carro, pelo qual sentira falta. Sem nenhuma dúvida, era bom estar aqui agora.
– Você quer ir na casa de Ben enquanto arrumo as coisas, filha? — Meu pai perguntou, dando-me um beijo na testa. O lar de Tio Clark (eu o chamava assim) ficava há duas casas de distância, na mesma calçada. Estava ansiosa para ver minha segunda família, Ben era amigo do meu pai desde a infância, eu admirava a amizade deles. — Vou dar uma passada lá mais tarde.
– Está bem, mas qualquer coisa me chame. — Sorri, fui caminhando com passos apressados até a casa marrom com detalhes pretos, era muito bonita e o estilo arquitetônico era parecido com o de minha casa, a mesma pessoa devia ter projetado as duas.
Olhei para mim mesma pelo reflexo do pequeno lago congelado que tinha no quintal dos Clark, estava apresentável, sentia frio, me abracei por cima de meu casaco azul. Toquei a campainha, esperando que algum dos três atendesse a porta.
Ouvi passos preguiçosos vindo até a porta, já sabia de quem se tratava.
– James! — A porta se abriu, estava na cara que James acabara de acordar, mas logo sorriu ao me ver, nos abraçamos.
– Oi, vizinha. Entre. — Nos sentamos no sofá da sala de visitas e conversamos por muito tempo. — Como se sente deixando Nova York? — Ele se deitou, me fitando com os olhos azuis.
– Bom, por incrível que pareça, é uma sensação maravilhosa.
– Que bom, Kat. — James suspirou, aposto que estava se lembrando de quando deixou a cidade que nunca dorme também. — Ah, ia quase me esquecendo, Adam e meu tio saíram, mas voltam logo. — Ele morava com tio Clark há onze anos, porque quando era pequeno, seus pais morreram num acidente de carro, foi muito triste. Afastei o pensamento, nada de tristezas aqui (minha mente). — Senti sua falta. — Completou ele.
– Também senti sua falta, James. — Ele sorriu para mim, mostrando duas covinhas no queixo, a única coisa que ele e Adam tinham em comum.
– Quer comer alguma coisa?
– Não, obrigada. Mas gostaria de cozinhar algo.
– Boa ideia! — James pulou do sofá, animado, numa casa só de homens, eles obviamente foram obrigados a aprender a cozinhar.
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James estava todo sujo de farinha, colocamos cupucakes de baunilha para assar
Adam e tio Clark chegaram, já elogiando o cheiro.
– Kat! Só podia ser você, James não cozinha tão bem. — Recebi um abraço do meu lutador de Muay Thai favorito, ele me girou na sala, Adam era sempre bem-humorado.
Dei um abraço em Tio Clark, e colocamos o papo em dia, ele perguntou como eu me sentia largando tudo para trás, mal ele imaginava que essa era a intenção de eu ter me mudado para Boston.
– Vou dar uma ligada pro David, ele não pode perder esses cupcakes. — Tio Clark sorriu gentilmente, ele parecia um pouco cansado. Ele e meu pai cursaram direito em Harvard, juntos. O trabalho era bastante cansativo. Depois de alguns minutos, meu pai chegou. Todos adoraram os bolinhos, eu e James ficamos felizes, com toda aquela bagunça, teria mesmo que estar no mínimo bom.
– Katherine, estou muito feliz que veio morar aqui de vez... principalmente por ter um companhia para torcer pelos Yankees comigo. — Tio Clark sorriu, tentando provocar meu pai, que odiava o time.
Rimos a noite toda, jogando conversa fora como nunca tínhamos feito antes, era assim que queria passar meus fins de semana, ao lado de meus protegidos.
– Tchau, parceiro de cozinha. — Dei um beijo de leve na bochecha de James, abracei tio Clark e fiz cócegas nele, sua reação era muito engraçada. Ele se jogava para trás e colocava as mãos na barriga, rindo sem parar.
– Tchau, lutador. — Falei, assim que Adam me abraçou.
– Tchau, baixinha. — Ele riu, ao ver que eu franzi a testa. – Amanhã vou levar James até o colégio, você quer carona?
– Adoraria, obrigada.
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Acordei de um pesadelo horrível, meu pai já estava ao meu lado, sentado na cama, me confortando com seu abraço acolhedor.
– Não acredito que voltaram, querida.
– P-pai... — Gaguejei enquanto chorava. – Eu nunca me lembro…
– Shh... — Ele acariciou meus cabelos. — Vai ficar tudo bem.
Deitei-me de lado e fechei os olhos com força, quando Ariel foi embora, comecei a ter pesadelos aleátorios, mas nunca me lembrava de nada, no máximo algumas imagens borradas. Eu ouvia barulho de tiros, gritos e o cheiro de algo queimando.
Acordei melhor, fazia muito tempo desde que os pesadelos não voltavam, mas isso não iria me abalar, eram apenas sonhos ruins. Só isso. Levantei-me às seis da manhã, era segunda-feira, dia de Colégio Novo. Suspirei só de pensar em ter que fazer amigos novos, eu não era muito boa com isso. Pulei da cama, coloquei uma roupa quente e fui tomar meu café da manhã.
– Bom dia, está melhor, Katherine? – Avistei o Sr. Hale fazendo panquecas animado, ele olhou para trás e sorriu preocupado.
– Estou sim, obrigada.
– Senta aí. – Ele apontou para a cadeira de madeira, que ficava em frente à mesa. Colocou as panquecas no meu prato e comemos juntos, conversando sobre como vai funcionar nossas rotinas em Boston. Dei um abraço rápido em meu pai, peguei minha mochila e fui ao encontro de James e Adam.
Adam estava em frente a seu novo carro, um Audi cinza, muito bonito. Ele estava com os braços cruzados.
– Oi, bom dia. – Caminhei até ele.
– Oi! – Ele sorriu para mim, dando-me um abraço em seguida. – James parece uma noiva se arrumando, meu Deus! – Ri quando ele revirou os olhos.
– Eu pareço o que? – James deu um murro de leve no ombro de Adam. – E oi, Kat. – Me deu um beijo rápido na bochecha e entramos no carro.
Ter Adam como motorista era muito legal, ele colocava a música alto e cantávamos como três idiotas.
Chegamos em frente ao meu novo colégio. Respirei fundo, meu nervosismo era mais do que visível.
– Ei, relaxa… James te ajuda a se enturmar e conhecer o local. – Adam sorriu carinhosamente.
– É, Kat. Sem problemas, agora vem porque estamos quase atrasados. – Ele me puxou pela mão e fomos praticamente correndo para os corredores do colégio gigante.
As primeiras aulas foram intediantes, por James ser mais velho que eu, estava no terceiro ano do colegial, a turma dele parecia ser super agradável, os alunos do segundo ano, até agora, não se mostraram muito interessados em ao menos serem educados.
Agradeci aos céus quando o sinal finalmente tocou, depois que a multidão de alunos desesperados para sair da sala se retiraram, andei lentamente até a porta da sala de James, ele era liberado cinco minutos mais tarde, fiquei esperando ali até que os alunos saíssem. Ao contrário de minha sala, saíram na maior calma do mundo.
– Oi, novata. – Um garoto alto, com olhos verdes usando um casaco do time de futebol da escola ofereceu a mão para mim, a aceitei sem nenhum problema. – Meu nome é John, e o seu?
– Katherine.
– Bom te conhecer Katherine, a gente se vê por aí. – A primeira pessoa educada que encontrei. Ele sorriu e se retirou. James apareceu logo atrás dele, não parecia feliz.
– Cuidado com o John, ele é muito legal, mas só se aproxima das garotas pra se aproveitar. – Absorvi aquela informação e a guardei, James me mostrou os cantos da escola, me apaixonei pelas salas de artes e de música.
– Também gosto daqui, hm... tive uma ideia. – Ele sorriu de lado, estava aprontando algo. — Quando você tem aula de música?
– Amanhã, ultima aula. – Olhei desconfiada. – O que vai fazer?
– Vai ser uma surpresa.
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Estava na ultima aula, meu celular vibrou, agradeci baixinho por ninguém ter percebido. Era uma mensagem.
De: Lutador
Para: Katherine
Já pode cumprimentar como professor, alguém que conseguiu preencher o emprego de Educação Física em sua escola! Agora preste atenção em sua aula, bjs
Abri a boca, surpresa. Adam era um homem em que as pessoas podiam se inspirar, lutador de Muay Thai profissional, faculdade de administração em Harvard, também fez faculdade de Educação Física, e por sua experiência em tal área conseguiu adiantar dois anos do curso, e agora professor no meu colégio, isso tudo com apenas 22 anos!
De: Katherine
Para: Lutador
Caramba, Adam!! Fico muito feliz por você, (desde que não pegue pesado comigo, claro) bjs
Desliguei o celular rapidamente e enfiei na mochila, a aula de Química finalmente tinha terminado e foi minha vez de sair correndo pela porta, estava tão cansada…
Eu e James entramos no carro, parabenizando Adam e decidimos que íriamos comemorar em algum lugar esta noite, certamente eu não estava cansada nesse sentido, eu precisava de uma festa pra me animar.
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