Engdraves - O Primeiro Caminho
1 Prólogo
Notas iniciais
— As paredes jamais irão nos separar.
As palavras que saíam de sua boca pareciam perder o sentido, de tantas vezes já repetidas. Mas possuía todo o tempo do mundo para pronunciá-la mais vezes ali, sentada diante da lareira, cujas chamas queimavam em um tom azulado.
— As paredes jamais irão nos separar. — Repetiu, firme e forte. Não o fazia por querer acreditar. Mas sim, porque de fato acreditava, mais do que tudo no mundo. — As paredes jamais irão nos separar.
No entanto, não importava o quanto o fizesse, e o quanto desejasse, nada aconteceu.
A garota levantou-se e olhou em volta. Cercada de tantos tipos de presentes: caixas de música, estranhos seres de pelúcia, joias, bugigangas indecifráveis, livros, pergaminhos, instrumentos. Já lera, brincara, tocara em tudo o que havia naquela sala. Eram mesmo preciosos presentes. Mas não valiam muito se não pudesse dividi-los com ele. Teria de ser paciente. Ele voltaria.
Foi em direção à janela aberta. Pouco podia ver além do belíssimo jardim que rodeava o castelo, aquela mesma vista que a cercava todos os dias, todas as noites. Entre paredes de pedra. Aquele era seu domínio, mas gostaria de poder explorar mais.
Sabia onde ficavam os portões, sim. Lembrava-se de cada detalhe, pois era lá onde ia, sempre. A liberdade parecia sempre estar a um passo diante de si. Mas não estava. Nunca está.
Por isso, esperava sua volta, mesmo depois de tanto tempo.
— Nem mesmo Engdraves pode afastá-lo de mim.
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