Engane-me se puder
3 Casal desafortunado.
Notas iniciais
Passei a mão com rapidez pelo vestido em meu corpo. Observei Noah dormir preguiçosamente em minha cama ao lado de Oliver. Ele veio cedo da manhã para passar o dia com nosso bebê, depois do susto Oliver estava ainda mais protetor.
Ele tinha o dia de folga, mas eu não. Me aproximei para deixar um beijo na testa de cada um e sai de casa rapidamente.
— Bom dia Senhor Harper. — aquele foi o primeiro rosto que eu vi. Roy estava agoniado andando de um lado para outro no meio do corredor. — Você está horrível. — completei.
— Não sabia que podia descansar por mais dias. — soltou, ergui uma sobrancelha em desafio e o vi engolir o seco. — Estou pronto para o trabalho senhorita Smoak. — gaguejou.
— Felicity que bom que chegou. — Barry me abordou, encarou Roy de cima a baixo e manteve um rosto neutro. Ele sabia que não podia julgar ninguém. — Temos muito trabalho.
— Bom que temos mais um par de olhos aqui. Allen, conduza o Senhor Harper pela empresa e diga com todas as letras o que fazemos aqui. — falei enquanto caminhava até minha sala. Meu celular vibrou em mãos com uma nova mensagem de Curtis pedindo que ligasse a tv.
"O magnata Phill Davis faleceu nesta madrugada, ainda não se sabe o motivo da morte, mas sua esposa é tida como maior suspeita do crime. O magnata dono e cirurgião do hospital geral de Star City acumulou fortuna em seu tempo"..
— Isso vai abalar a cidade. — sussurrei antes de desligar a tv e entrar em minha sala, segurei a surpresa ao ver uma mulher bem vestida sentada no pequeno sofá que estava no canto. Só podia ser brincadeira.
— Eu não o matei. — foi tudo que disse retirando o óculos de seus olhos, pude vê-los vermelhos. A viúva deixou o corpo cair no sofá, assim como um choro silencioso. — Você precisa me ajudar, Felicity. — Laurel Lance implorou.
Laurel Lance era a princesa de Star. Filha do detetive mais conhecido, sua mãe havia se mudado, então desde cedo ela não teve uma inspiração feminina, mas soube dá-los muito bem para sua irmã mais nova, Sara Lance minha melhor amiga e madrinha de Noah. A família Lance sempre foi muito unida, mas assim que Laurel anunciou o casamento com Phill Davis, um homem já de idade, seu pai a julgou, deserdou e esqueceu sua existência. Eu sabia de toda a trajetória da Lance por conta de Sara. Ela sempre sofreu muito por causa disso.
— Sara, ela disse que você poderia me ajudar. Eu amava Phill, não seria capaz de matá-lo. — sua voz parecia tão desesperada para que eu acreditasse naquilo que por hora escolhi acreditar nela. Precisava fazer aquilo por Sara, os Lances não precisavam de mais um drama nas costas.
— Tudo bem. Eu te ajudo.
Harper estava comigo. O encontrei na cafeteria devorando tudo que fosse comestível. Bufei quando vi alguns policiais interditarem minha entrada na mansão de Phill. Depois de falar que iria ajudar Laurel a primeira coisa a se fazer era observar. As pessoas que se incomodariam com a morte, as que ficavam aliviados e as que ficavam devastados. Meu foco estava nas que ficavam aliviados com a morte, e eu tinha certeza que Laurel Lance fazia parte do terceiro grupo.
— O que exatamente estamos fazendo aqui? — Roy cochichou em meu ouvido, apontei discretamente para um grupo de pessoas. Dois homens e uma mulher. Eles falavam baixo, apreensivos. Apenas um mostrava remorso.
— Olá, eu sou Felicity Smoak. — anunciei minha presença os assustando.
— Nós já falamos com a polícia. — o mais velho tomou a frente. Seu peito estufado mesmo com os braços cruzados. Ele escondia algo.
— Não sou da polícia! Fui contratada por Laurel pra descobrir quem matou Phill. Pensei que minha fama fosse mais conhecida. — resmunguei a última parte, foi então que um pequeno pânico se instaurou no grupo. Era eles quem eu devia interrogar.
— Foi ela quem matou meu pai! — um homem, que não devia ter seus 25 anos gritou exasperado. — Ela era uma interesseira, para Laurel só o dinheiro importava.
— Isso é verdade. Mas Laurel amava seu pai. E é com você que quero conversar primeiro. — lhe mandei meu melhor sorriso entregando o endereço da companhia. — Por favor, apareçam, não quero ter que apelar para algo podre. — pisquei na direção deles. O nervosismo era nítido.
— Ficou claro que eles escodem algo. — Roy disse já dentro do carro, assenti a sua confirmação. — Você acha que eles vão aparecer?
— Com certeza. E com a mesma história, mesmo detalhes. — e eu contava com aquilo.
Claro que não demorou para os três aparecerem em minha companhia. Pisquei para Roy ao meu lado que deu uma risadinha com meu convencimento.
— Olha senhorita Smoak, deve ter acontecido um grande erro da parte de sua ciência, Kevin Davis não fez nada, Ella é apenas uma das diversas namoradas dele e eu. Phill era meu melhor amigo e sócio, nunca seriamos capazes de cometer algo contra ele. Phill foi um grande homem até seus últimos dias. — assenti observando ele mover a cabeça em sinal de negação enquanto falava, talvez o seu primeiro deslize. Aquele homem não acreditava em nenhuma palavra que saia de sua boca, o movimento inconsciente de sua cabeça demonstrava a mentira.
— Por favor Senhor Harper, leve o senhor amigo e sócio para a sala branca. Veja se Barry e Curtis já estão preparados. — indiquei o caminho. — Kevin e Ella, por favor esperem até que alguém venham chamar vocês.
Olhei Laurel ao lado de Barry, ela conseguia ver tudo que acontecia dentro da caixa branca, mas obviamente quem estava lá dentro não podia vê-la. A vi recuar um pouco ao ver o homem entrar na sala. Ela não esperava que fosse um suspeito.
— Seu nome e sua idade por favor. — Curtis iniciou. O cara ergueu uma sobrancelha em duvida. — Apenas procedimento para iniciar.
— Andrew Dorn. 50.
— O senhor tem algum problema nas mãos senhor Dorn? — questionei ao vê-lo com as mãos em bolso.
— Nenhum problema. — sussurrou coçando o nariz outra vez. Outro deslize. — Olhe, nunca faria mal algum para Phill, ele era um grande amigo e eu não tinha motivos para nada.
— Por favor, conte-nos como soube do falecimento do senhor Davis.. — Curtis pediu e um mínimo sorriso presunçoso surgiu em seu rosto, quase que imperceptível.
— Eu estava com minha neta em Coast City quando recebi uma ligação confusa de Phill, podia escutar os gritos e coisas quebrando então preocupado resolvi ver o que acontecia e porque Phill estava tão nervoso, liguei para Kevin para saber se ele estava em casa mas ele estava com Ella em algum motel barato. — vi o desprezo que ele tinha por Ella. Talvez ela não fosse apenas namorada de Kevin. — Quando chegamos Laurel estava ao lado do corpo inerte de Phill, ela é a culpada aqui. — acusou enquanto fazia gestos sem sincronia com suas palavras.
— Agora o senhor pode repetir toda sua história de trás para frente. — Curtis pediu. Andrew esbugalhou os olhos em surpresa.
— Porque eu mentiria para vocês? Eu quero sair daqui. — seu tom de voz mudou completamente.
— Por favor senhor Dorn, faça o que lhe foi pedido. — endureci meu tom, as vezes era preciso.
— Eu.. eu.. quando cheguei.. chegamos, eu Ella e Kevin chegamos a mansão e vimos Laurel ao lado do corpo de Phill, Kevin estava em casa com Ella.. — parei sua confusão com a mão. Eu já tinha tudo que precisava.
Quando interroguei Ella e Kevin, eles contaram a mesma história. Mas a unica diferença era que eles sabiam contar a história de trás para frente e não apresentavam sinais de mentira. Então apenas para me certificar os coloquei juntos e foi possível sentir toda a tensão neles. Ella e Kevin recuados em um canto e Andrew possesso de raiva.
— O que você fez Andrew? — foi Kevin que iniciou.
— O que você não teve coragem de fazer. — sussurrou friamente. Eles não sabiam que estavam sendo vigiados. Vi Barry fazer um pequeno gesto de comemoração e pedir 50 dólar para Roy. Garotos. — Isso foi seu plano Kevin, você sabia que Phill havia te deserdado e por causa de um rabo de saia você desistiu do plano. Um rabo de saia! Tínhamos um combinado e eu tive que fazer as coisas do meu jeito, aquela mulherzinha ia ficar com tudo!
— Você matou meu pai! Você tinha dito que havia sido Laurel.
— Ah por favor, você odeia aquela mulher ia ser dois coelhos em uma cajadada só. Matei Phill sim, ele tinha tudo o que eu sempre quis. — Andrew finalmente admitiu, bem no momento que a Sara, há quem eu havia ligado assim que tinha entrado na sala branca para interrogar Andrew, chegava. Ela era a polícia. Vi Laurel se surpreender ao ver a irmã, sorri ao ver minha melhor amiga e dei a carta branca para ela prender Andrew.
Desde o inicio eu sabia que era ele. Eu só precisava livrar os outros dois. Mas ainda sim Kevin seria indiciado por tentativa de homicídio, mesmo que tivesse desistido do plano, ele havia planejado.
Andrew mostrava uma felicidade contida ao ver Phill morto. Percebi isso no primeiro contato, os olhos dele não deixavam o corpo certificando de que realmente estava morto.
— Obrigada Lis. — Sara sussurrou, lhe mandei um beijo a observando sair com o assassino. Como ele provocou a morte de Phill era trabalho da polícia agora.
— Obrigada Felicity, sabia que podia contar com você. — Laurel se fez presente. Ela chorava silenciosamente.
— Quando você ia dizer que estava separada de Phill? — minha pergunta lhe atingiu em cheio. Pude ver a surpresa em seus olhos.
— Queríamos coisas diferentes, Phill não queria filhos, dizia estar muito velho. Como você..?
— Ah por favor, não me subestime. — revirei os olhos. — Então, mesmo separados, ele deixou uma boa fortuna para você..
— Aqui está o pagamento Felicity. — ela sorriu me entregando o cheque. Meu sorriso abriu involuntariamente. — E eu sei que ai tem mais 0 do que você pediu, um agrado por você ter me livrado da cadeia.
— Você não iria durar um dia na prisão Lance. E eu sabia que você era inocente, estava ajudando uma amiga. — balancei o cheque em minhas mãos e ela gargalhou indo embora, sorri minimamente guardando o cheque no bolso.
Não demorou muito até Oliver cruzar a porta com Noah em seus braços.
— Viemos buscar a madame para almoçar. — Oliver disse, ele estava com aquele olhar de quem não aceitaria um não como resposta, então apenas assenti pegando meu neném em meus braços. Eu amava aqueles momentos, porque mesmo estando separados Oliver e eu continuávamos tão unidos, talvez até mais do que quando estávamos casados.
Depois de almoçados passamos na escola para deixarmos Noah, Oliver precisaria ir trabalhar. Sua folga era apenas pela manhã, ele iria fazer uma viagem disfarçado.
— Eu espero que você esteja aqui no natal, caso contrario eu te mato Oliver Queen. — sussurrei. — Você sabe o quão importante o natal é para Noah. — continuei. Ele fez questão de me trazer de volta para a empresa. Agora estávamos a sós, em minha sala com aquela maldita tensão sexual que parecia não sumir.
— Eu vou estar aqui Felicity. E antes que você fale, eu vou me manter seguro. — sorri, claro que ele sempre me leria. Hesitante depositei um selinho em seus lábios. Eu sabia no que daria aquilo. Um selinho se transformaria em um beijo, que se transformaria em sexo.
— Eu realmente espero que volte sem um arranhão. — sussurrei perto demais do seu rosto. Eu amava aquele homem. Amava mas sabia admitir que não dávamos certo como casal. — Uma ultima vez? — questionei baixinho agarrando a gola de sua camiseta, sentindo seus dedos apertarem minha cintura.
— Você falou isso uma semana atrás. — ele sussurrou de volta. Senti meu coração acelerar, eu não podia tirar meus olhos dos dele. Oliver tinha tudo para me prender em si. Lentamente depositei meus lábios nos deles, finalmente. Há uma semana estava de abstinência de seus beijos. Mesmo separados, ainda mantínhamos nossas relações sexuais, não era como se eu me controlasse perto de Oliver Queen. O homem tinha um poder sexual muito grande.
Senti ele me erguer no ar e me colocar sentada em minha mesa. Quase agradeci em voz alta por ter colocado um vestido hoje.
— Senhorita Smoak? — escutei a voz de Harper e nunca quis tanto matar uma pessoa. Bufei frustrada imaginando suas próximas palavras. — Temos um novo caso.
— Você precisa trabalhar Srta Smoak, ou como vai sustentar a mim e nosso Noah? — Oliver brincou me tirando da mesa. Ri baixo deixando outro beijo em sua boca.
— Sei que eu não vou te sustentar. — continuei a brincadeira. — Se cuida, por favor.
— Sempre. Eu amo você Felicity, dê um beijo em Noah por mim, eu volto logo para vocês. — depositou um beijo em minha testa, abri a boca para responder sua declaração mas nada saiu. Eu o amava, mas não podia abrir a boca porque sabia quais sentimentos aquelas três palavras me trariam. E eu sabia que tais sentimentos me quebraria.
— Não precisa responder. Eu sei. — sussurrou em compreensão. Eu não precisava falar para ele saber que eu o amava. Senti seus lábios em minha testa em despedida e o vi sair. Roy franziu a testa em surpresa ao ver Oliver sair da minha sala. — Para de encarar garoto, sua mãe não ensinou que é feio fazer isso? — aquele era o Oliver que eu conhecia. Grosso. Vi meu pupilo ficar vermelho de vergonha.
— Deixei o garoto Queen. — resmunguei sorrindo. — Vamos ao trabalho Harper!
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