Enganada
8 Capítulo 8 - Será que eu fiquei louca?
- O que? Você deve estar ficando louca. Eu faço a coisa errada, e você assente. Tento fazer a coisa certa e você quer me impedir? – Ouvi o mesmo dizer, os olhos arregalados, e a boca roxa, me fez repensar.
- É. Eduardo já está sofrendo de mais, não acha? — Sussurrei passando a mão nos olhos. – Eu não posso dizer a ele que o melhor amigo dele chantageou sua irmã. Imagine, ele piraria. Se magoaria. Eu o amo, não aguento mais vê-lo triste. – Sussurrei deixando algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
- Mas e quando ele se acostumar comigo, sendo o cunhado dele, quando acabarmos com esta farsa, ele se decepcionará ainda mais, não acha? – Perguntou sentando na beirada da cama.
- Eu não sei. Melhor ele sofrer depois, quando esse acontecido for esquecido, do que juntar tudo agora, não acha? – Perguntei fitando-o, afinal, e logo em seguida ficando com a expressão meio confusa.
- Eu não sei. Eu aprendi a gostar de ti Tatiana. Acontece, que a cada momento que me lembram que eu sou seu namorado, eu sinto vontade de te agarrar. E isso está me matando aos poucos. – Ele coçou a nuca, me encarando.
- O que? Jonathan você está ficando... – Ele me interrompeu.
- Apaixonado? Quer-se por nessas palavras, é sim. Mas eu sei que você me vê como "o cara que eu tive que beijar a força", então, eu não quero mais viver assim. Quero a minha consciência limpa de novo. Quero olhar para você e ver a menina por quem sou apaixonado. – Ele dizia desviando os olhos dos meus.
- Sabe que eu não sou tão simples! Não me apaixono assim! – Disse desviando o olhar para a janela.
- Eu sei. Mas eu só não conto ao seu irmão, se formos um casal normal. Sem pressão. Dou-te o tempo que precisar para pensar. – Ele saiu do quarto.
Eu já nem sabia o que fazer, afinal, eu poderia enrolá-lo, mas ele poderia me tratar diferente, fazendo com que, Eduardo desconfiasse de alguma coisa. Eu estava totalmente perdida. Saindo de uma chantagem para outra, que definitivamente não era bem uma chantagem. Quer dizer, eu apenas precisava tomar uma decisão, ou me rendia a Jonathan de vez, ou simplesmente, fazia meu irmão ficar mais decepcionado ainda. Eu queria tanto acordar daquele pesadelo. Queria muito. Que tudo isso fosse apenas um sonho ruim. Que quando eu acordasse meu irmão estaria do meu lado roncando, e que o despertador não tivesse tocado, e que eu não tivesse ouvido sobre a "brincadeira" que os jogadores tinham feito com os professores. E que eu não tivesse pensando em chantageá-los, que não tivesse parado para ouvir Jonathan, que tantas coisas não tivessem acontecido, que a minha vida continuasse a mesma droga sem graça
Ouvi os barulhos lá de baixo, e também conseguia ouvir Eduardo gritando com Giulia, que se mantinha em silêncio, provavelmente, esperando que o mesmo se acalmasse para depois ficarem se agarrando. Pelo que entendi, os dois estavam de rolo, se não, ela não teria se trancado com ele dentro do quarto. Ou sei lá, existe louco para tudo no mundo, não é? É, acho que sim.
Virei rosto fitando a porta, e em seguida minhas pernas, queria levantar, ficar ali estava me deixando irritada. Queria ver em que casa eu estava, queria olhar as coisas sem ser aquele quarto que parecia um cômodo que estava esperando um bebê. Sentei-me na beirada da cama, com um pouco de dificuldade, mas enfim, tinha conseguido. Olhei a porta que estava numa distância não muito grande, talvez conseguisse andar. Tentei achar muletas ali, mas provavelmente não deixariam nas ali, sabiam que eu não aguentava ficar parada em um local muito tempo. Se eles pelo menos tivessem me dado um celular, ou um computador, para passar meu tempo, mas não, me isolaram de tudo. De todos. Estava totalmente entediada.
Apoiei-me na cama, fazendo um esforço para empurrar meu corpo para frente, consegui ficar em pé, coloquei uma das mãos na perna que estava engessada, e coloquei-a para frente, e com a outra era fácil, ainda faltava muito. Mas um passo de casa vez. Fiz novamente o movimento, e de novo, e de novo, até que enfim, consegui esticar o braço para que minhas mãos alcançassem a maçaneta, virei a mesma fazendo-a abrir. Com cuidado, para que não fizesse barulho. Se não, era capaz de aparecer um segurança e me algemar na cama. Não duvidava nada de nenhum dos loucos que estava naquela casa.
Fiz novamente o movimento com as mãos, para que minhas pernas se movessem. E consegui o passo para fora do quarto. Era bonito. Lindo, aliás. As paredes que pareciam madeiras, o corredor comprido com portas brancas, e a escada, parecia mármore. Jonathan parecia bem rico. Fiz novamente o movimento, conseguindo que eu colocasse a mão na parede, seria mais fácil andar apoiada em alguma coisa. Andar parecia impossível nos últimos dias.
Já conseguia ouvir melhor o barulho da televisão lá em baixo. E Giulia e Eduardo dentro de um quarto bem próximo ao que estava, conversavam baixinho. Não conseguia decifrar as palavras. Mas continuei “caminhando” devagar. Ouvia também uma mulher falando, mas a voz ainda era bem distante para saber de onde vinha.
Os meus pulos estavam me deixando cansada. Mas queria andar mais. Queria ver mais. Era tão ruim estar naquela situação. E isso me deixava irritada. Queria poder correr, andar normalmente, pular, afinal, eu ainda tinha minhas pernas. E se não estavam paraliticas, eu tinha que andar normalmente, não? E ficar me apoiando na parede não podia virar um hábito. Já tinha uma semana que eu não conseguia andar sem muletas. E agora com a perna quebrada, me apoiando na parede. O destino estava malvado, e como já dizia o professor de Sociologia “põe Jesus no coração, menino”, por favor, destino, ponha Jesus no coração.
Ouvi um barulho um pouco mais alto, e podia ouvir uma porta se abrindo, olhei para trás, mas o barulho não vinha de lá. Parecia que era um pouco mais longe. Apoiei-me novamente na parede, continuando com aqueles passos de tartarugas. Dei outro dois “passos” e novamente parecia que eu estava caindo. Mas me mantive firme. Dei outros passos, e finalmente pude ouvir outro barulho. Que vinha lá de baixo. Parecia que alguém estava rindo. Uma gargalhada gostosa de ouvir. Prestei atenção na voz. E então, olhei para a escada. Eu tinha chegado aonde eu queria. Mas não podia descer. Estava tão decepcionada. Pelo menos, conseguia andar. Olhei para a escada. E lembrei-me de todas as vezes que eu pulava os degraus da escada lá de casa. E Jonathan descia gritando que ele conseguia pular quatro. E eu só três. E em seguida ele conseguia sete, e eu quatro, e riamos muito, pulando. E sempre ouvíamos que isso era perigoso, e que um dia acabaria nos machucando. E nunca havíamos caído. Sempre pulávamos sem nos preocupar. E agora, eu queria descer de vagar outra escada e não podia. Estranhamente decepcionante e “pensativo”.
- Eu acho que não tínhamos te dado alta ainda. – Ouvi alguém sussurrar atrás de mim.
- Eu só estava... – Virei para trás, e Giulia estava parada ao lado de Eduardo. – Queria respirar. – Disse sorrindo.
- Pelo menos você ainda sabe andar, não é? – Ri, Eduardo mantinha a expressão séria, enquanto eu falava com Giulia.
- Agora que já sabe que não está em algum castelo. – Suspirou. – Volte para a torre, princesa. Não force nada, não agora. – Ele dizia aproximando-se de mim.
- Não Edu. – Disse afastando nossos corpos. – Quero descer. Sentar no sofá. Ver televisão. Ouvir música, comer. – Disse olhando a escada.
- Não Nana. O Edu tem razão. – Giulia defendia Eduardo enquanto ele me pegava no colo.
- Não quero voltar para o quarto, Dudu. – Disse vendo-o para fixando o olhar nas paredes.
- Não gosto desse apelido, Kikita. – Ele disse dando um sorriso irônico.
- Golpe baixíssimo, este Edu. – Ri. Vendo-o ir em direção contraria ao quarto. – Aonde vamos? – Perguntei, vendo-o descer as escadas.
- Não queria respirar? Então, nós vamos. – Ele disse rindo, e descendo com cuidado as escadas.
- Isso é que é um irmão. – Giulia disse vindo atrás de nós. – O meu irmão não é tão bonzinho assim comigo. Ele é cruel. – Giulia dizia rindo.
Vi o mesmo me por no sofá com cuidado. Seus olhos estavam vermelhos. Ele havia chorado. Muito. “Eu não sirvo nem para fazer o motivo do meu sorriso, sorrir” pensei. E vi ele e Giulia sentarem no chão. Os dois riam. Faziam brincadeiras idiotas. Batiam-se. Mordiam-se. E por um momento, eu lembrei que ele sempre dizia que a sua namorada, seria sempre a sua princesa, e que quem a machucasse, poderia ser considerado um cara morto. E lá estava ele. Cuidando da sua princesa. Seu olhar apaixonado por ela era lindo. Parecia que seus olhos se encantavam cada vez mais. Como um monofóbico, quando via alguém conhecido. E então ele sorria. Fazendo aqueles olhos sorrirem junto a ele. E isso era só oque me bastava. Ele. O meu irmão. O meu bobão. Meu. Apenas meu. Por enquanto, não me importava de dividi-lo com Giulia. Enquanto ela o fizesse rir. Depois, quando uma lágrima de tristeza descesse do seu rosto por causa da mesma. Iria acabar este privilégio.
- Eles são lindos juntos. – Sorri. Por causa da frase.
- Sim. – Disse apertando os olhos impedindo que lágrimas descessem.
- Princesa não deveria chorar. – Aquela voz era irreconhecível.
- O problema é que eu não sou uma princesa. – Sussurrei. Olhei para trás e tinha uma garotinha apoiada no sofá.
- Sim, é. A princesa que fez o meu irmão sorrir o dia todo. – Ela dizia sorrindo.
- Ah sim. – Sorri. Lembrei que Jonathan tinha uma irmã. – Aninha, não é mesmo? – Perguntei vendo-a sorrir.
- Sim, este é meu nome. – Ele dizia. Tão educada para ter apenas seis anos. – E seu nome é Nana, não é? – Ela perguntou dando a volta e sentando-se ao meu do sofá.
- Este é o meu apelido. O meu nome é Tatiana. – Ela sorriu, claramente podia perceber um dos dentes faltando.
Aninha era completamente diferente de Jonathan. Ela era loirinha. Com os olhos castanhos esverdeados. E seu sorriso transmitia segurança e inocência. Apesar de ser bem inteligente. Ela não era curiosa. Ela mantinha-se calada apenas a observar. E Jonathan quando queria descobrir as coisas, perguntava. Duas pessoas criadas pelas mesmas pessoas, mas eram completamente diferentes. E isso era tão lindo e fofo. Os dois. Lindos. Fofos quando queriam. E chatos quando queriam.
- Minhas princesas juntas. – Ouvi alguém sussurrar, olhei desatenta procurando a voz.
- Meu príncipe chato. – A garotinha sussurrou ficando de pé em cima do sofá, jogando-se em cima do pescoço de Jonathan.
- Chato? Eu sou legal. – Ele dizia jogando-a para cima. E a gargalhada que ela soltava era uma delícia. Provavelmente era esta que ouvi mais cedo.
- Para Jon. Eu estou me sentindo sem ar agora. – Ele dizia, e ele parou imediatamente, pondo a mão no bolso. – Não precisa. Já melhorei.
- Toma. – Ele entregou-lhe a bombinha. – Minha princesa, sempre que lhe sentir mal, tem que usar. – Ele disse sorrindo, colocando-a em seu colo e sentando no sofá.
- Ela é asmática? – Giulia perguntou vendo-a a usar a bombinha.
- Sim. – Ele disse apertando-a. – Minha princesa problemática. – Ele deu um beijo no rosto da mesma.
- Duas princesas problemáticas. – Eduardo disse rindo, apertando Giulia.
- É. Duas. – Jonathan sorriu, olhando para mim. – Duas não é princesa Nana? – Aquilo parecia uma indireta.
Engoli a seco. Respirei fundo. Eu precisava decidir agora. Aquilo foi só uma das perguntas que ele faria. E assim, cada vez mais Edu e as outras pessoas iriam desconfiar. Meu coração acelerou. Olhei para o lado, e ele me encarava sorrindo ainda com a Aninha em seu colo. Suspirei. Com o coração na mão, pisquei duas vezes.
- É. Duas princesas problemáticas. – Respondi forçando um sorriso. Por dentro eu me torturava.
- Sério? – Ele sussurrou. – Minhas princesas. – Ele abraçou Aninha, e me puxou para um abraço. – Sério isso? – Sussurrou perto da minha orelha.
- Sim. – Gaguejei ao pronunciar. Mas queria fazer Eduardo feliz.
Senti meu corpo ser esmagado. Em um abraço sufocante. Ele sussurrava “meu deus, meu deus” diversas vezes, enquanto me sufocava em seus braços. Deixei, agora, eu não poderia reclamar mais. Eu fiz aquela decisão. Sim eu estava totalmente louca. Mas era por uma boa causa. Eu precisava que Eduardo não sofresse mais. Não aguentaria muito, eu sabia disso. Mas o suficiente para esta história se esfriar um pouco. Aí eu digo aos dois “não está mais dando certo, chega”, e saímos todos felizes. Edu me amando, eu amando seu sorriso. E Jonathan, voltará a com a vida de ficar com todas. No final, será tudo igual. O planeta voltará ao seu eixo.
Senti os braços de ele me soltarem. E pude voltar a respirar normalmente. Vi o mesmo se aproximar novamente. Meu coração gelou. Eu não conseguia ver mais nada. Senti minha pressão baixando. E parecia que eu estava prestes a desmaiar. Mas aguentei firme, fixei os olhos em Jonathan. Eu não queria voltar para o quarto. Não agora. Vi o mesmo colocar os lábios em minha bochecha. Em seguida um flash, meu olhos coçaram. E eu voltei a enxergar. Os meus olhos viram claramente Giulia na minha frente e na de Eduardo. E claro, estava com uma câmera na mão. Vi Eduardo pular feito uma criança que acabara de ganhar doces. E Jonathan o acompanhava na dancinhas.
- Estilo Niall do One Direction, não é? – Giulia perguntou rindo. Sentando-se ao meu lado no sofá.
- Porque você tirou foto mesmo? – Perguntei coçando os olhos.
- Porque eu estou feliz. – Ela disse apertando alguns botões da câmera e mostrando-me a foto.
A foto mostrava claramente aquela criança loira desfocada ali atrás de mim e de Jonathan. Que estava sorrindo. Não o mostrava me dando um beijo na bochecha. Mas ele sorria, e claramente mostrava sua felicidade. Eu por incrível que pareça, estava parecendo uma adolescente comum. Meu rosto transmitia um pouco de alegria. E eu não me lembrava de ter sorrido nem um minuto. E podia notar-se o volume da minha blusa, onde estava o curativo. E um pedaço do gesso, estava totalmente destruída. Parecia que tinha sido atropelada por um ônibus. Ouvi Eduardo rindo e pulando ao lado de Jonathan. Ainda não entendia o motivo da tal felicidade.
- Porque estão tão felizes? – Perguntei olhando Eduardo levantando Giulia.
- Ela aceitou maninha. Agora ela é minha. – Ele girou Giulia, beijando-a. Eu ri.
- Finalmente. – Disse levantando a mão como se comemorasse alguma vitória.
Os vi rindo. E eu sorri. Ele sorria como há tempos não ria. A sinceridade no olhar dele, a inocência, como se fosse sua primeira namorada. Como se ele estivesse prestes a se casar com a mulher de sua vida. Ele a girava no ar, fazendo-a sorrir. Sua gargalhada o animava cada vez mais. E mesmo ela pedindo para ele parar, em seus pensamentos deveria ser “não pare, eu estou adorando”. E finalmente parou de rodá-la. E vi Jonathan e Eduardo carregando-a no ombro, como se fosse o jogador de futebol que tivesse acabado de fazer o gol do ano. E ela desesperadamente se debatia, e ria. E todos eles gargalhavam. Eu e Aninha olhávamos rindo. Ela usava a bombinha quando ria de mais e acaba perdendo um pouco a capacidade de controlar sua respiração. Mas mesmo assim, ela continuava sorrindo. Mesmo sabendo que usaria essa bombinha sempre que fosse rir. Ela era bem corajosa.
- Agora a minha princesinha. – Ouvi Jonathan gritar e pegar Aninha no colo.
Eram uma gracinha os dois. E eu podia ver claramente o amor que ele sentia por ela. Realmente, ela era a princesinha dele. E com princesa de “playboy” não se mexia. Provavelmente ele a escondia. Tinha medo de ser zoado por proteger tanto a irmã. Mas estava totalmente certo. Irmãos tem que se amar. Eu entraria numa guerra por Eduardo. E ele entraria em uma por mim. Jonathan viraria nerd pela irmã. E ela com certeza deixaria de ser uma pequena nerd se fosse para deixa-lo feliz. O amor de irmão em certos momentos parece não existir. Mas sim, ele é real. Nós amamos nossos irmãos. Independente de tudo que já tenha feito para nós.
- Agora a nossa princesa, Jonathan! – Ouvi Eduardo sussurrar para Jonathan.
- É. Agora a princesa quebrada! – Eles riram. E percebi que eles se referiam a mim.
- Não, não, não. Nem vem! – Disse tentando encolher as pernas. Mas não deu.
Vi os dois rirem como aqueles vilões em desenhos. Faltava só a música de fundo, que estaria perfeito. Eles se aproximaram de mim. E eu repetia “não” repentinas vezes, em vão. Eduardo me pôs no colo rindo. E Jonathan ria atrás dele. Senti um frio na barriga. Quando você está doente, qualquer coisa já te deixa nervosa. E aquilo estava quase me fazendo chegar ao meu limite. Empurrei Eduardo com uma das mãos.
- Não Edu, isso não tem graça! Para, por favor. – Disse fazendo-o rir. Porém, ele me pôs no sofá.
- A princesa ficou com medo? – Jonathan sentou ao meu lado sorrindo.
- Não. Eu não tenho medo de nada. – Disse encarando-o com a sobrancelha arqueada.
- Tem certeza? Quando o... – Coloquei a mão na boca dele, fazendo-o, ficar quieto.
- Tenho certeza. – Disse ainda com a mão em sua boca, ele ria.
- Ela tem um monte de medos. – Giulia gritou trazendo Aninha em seu colo. Nem lembrava que elas tinham saído.
- Não tenho não! – Gritei com Giulia. Não era fraca. Não mesmo.
- Ela só tem medo de escuro, altura, ficar perdida, e nunca mais me ver. – Eduardo disse sentando no chão.
- Não, não! – Disse fazendo-os se calar. – Eu não tenho medo de nada! – Disse olhando para Aninha.
- Eu também não tenho medo de nada. – Aninha concordou comigo, fazendo-me abraça-la.
- Ah, é mesmo? Já posso contratar um palhaço para seu aniversário? – Ela arregalou os olhos, se encolhendo em baixo dos meus braços, ao ouvir Jonathan.
- Deixa de ser ruim com a menina, Jonathan! – Disse passando a mão em seus cabelos. Ela era tão fofa. Oposto do irmão.
- Ué. Ela não tem medo de nada. – Ele disse rindo, fazendo Eduardo rir.
- Deixem a menina. – Giulia sentou-se ao lado da mesma. Ficamos as duas protegendo Aninha.
- Calma amor, foi só uma brincadeira. – Eduardo puxou Giulia dando-lhe um selinho.
- É. Estávamos só brincando, suas chatas! – Jonathan sentou-se do meu lado.
- Brincadeira mais sem graça! – Giulia dizia sentando do lado de Eduardo.
O silêncio ficou absurdamente claro ali. Giulia e Eduardo se pegavam descaradamente. E a pequena Ana continuava deitada em cima de minha barriga. Doía um pouco, pelo fato de estar machucada. Mas não reclamei da dor. Deixei a mesma ficar ali, sem incomodá-la. Jonathan estava com a cabeça no meu ombro e brincava com meu cabelo. Chegava a ser engraçado. Porque agora, eu era mesmo sua namorada. Eu não queria, mas eu era. E infelizmente era por um tempo, uma coisa que eu não sabia quando tempo duraria. E isso me deixava bem angustiada. Depois ainda dizem que irmãos se odeiam profundamente. Oque eu estava fazendo por Eduardo, era um amor incondicional. Eu o amava muito, para fazê-lo sofrer mais.
- Ei Nana? – Ouvi Jonathan me chamar. – Nana, olha para mim, amor. – Ele disse, fazendo-me olhá-lo.
- Oi Jonathan? – Perguntei vendo-o sorrir.
Seus olhos fitavam os meus de uma forma tão, tão diferente. E mantinha aquele sorriso de canto no rosto. Olhei para seu rosto de novo. E depois desviei o olhar para seu cabelo. Senti sua mão puxar meu queixo fazendo que ficássemos a centímetros de distância. E então, senti seus lábios tocarem o meu. De uma forma diferente. Ele puxava meus lábios. E eu me controlava para não afastar minha cabeça. Ele estava de olhos fechados, porém eu mantive os meus bem abertos. E ele parecia sorrir. Parecia estar gostando. E eu, ali com cara de taxo sem nem saber oque fazer. Senti o mesmo afastar-se de mim e sorrir. Eu dei um sorriso de canto meio que envergonhada. Não tinha mais nada sobre controle. Eu estava totalmente louca de concordar com tudo aquilo, e ainda por cima fingir que estava amando.
- Ei princesa? – Ele me chamou novamente.
- Oi Jonathan? – Olhei para ele, e o mesmo continuava sorrindo.
- Você é a minha segundo princesa mais linda. – Ele disse dando-me um selinho.
Fiquei totalmente atordoada. Não tinha ideia do que deveria fazer. Nunca tinha namorado. Nunca tinha tido uma experiência boa dessas para pelo menos fingir melhor.
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