Engaiolada
15 Capítulo 15
Notas iniciais
–Lucy! Vire-se! – falou brava Camille
Lucy estava perdida em pensamentos naquele dia. Aquela frase do garoto mascarado realmente a havia marcado de forma tão surpreendente que ela não conseguia deixar de querer vê-lo novamente. Sentir-se querida daquele jeito foi aconchegante, mas logo a dama se lembra de Friedrich e sente uma pontada de tristeza em seu peito. Aquilo tudo era tão errado, mas ao mesmo tempo tão confuso. Ela se perguntava o que sentia por seu noivo. Pergunta tola, mas impossível de não se fazer, estava tão dividida que se sentia horrível.
Terminada a última prova do vestido para a festa a dama sai, acompanhada de sua mãe, elas entram na carruagem de volta a mansão. Todo o percurso como sempre, foi feito em silêncio.
A jovem dama sobe as escadas de volta ao seu quarto, entra e fecha a porta, se sentando em uma poltrona que lá havia ao lado da janela, ficando a sentir a brisa que entrava calmamente.
Na manhã do mesmo dia, sua mãe apenas a levou para provar um belo vestido. Não sabia o porque, então atreveu-se a perguntar.
Camille parecia irritada esta manhã, mais irritada que todos os outro dias, não avisara a filha que sairiam durante a manhã, o que pegou a dama desprevenida.Saíram as pressas e durante o percurso até a cidade, Lucy resolveu perguntar a mãe o que fariam.
–Mãe, diga-me, o que tanto irrita a senhora? – pergunta a jovem
–Aquele Rei mesquinho! Quer fazer tudo de última hora!
–Fazer o que, mãe? — insistiu a moça
–Oras Lucy! Fazer o que? – falou a mãe cínica – Um baile! Não percebe? Estamos indo provar os vestidos. Por sorte, sempre mando fazer vestidos antecipadamente! – bufa a mãe.
–Entendo... Mas...Quando seria?
–Quando seria o que , Lucy? – falou a duquesa mais irritada
–O-o baile...
–Hoje! Quando mais seria?! Acabei de falar que esse Rei é mesquinho! Dá festas quando quer, e se não formos, é horrível para nossa reputação.
–Você foi às anteriores...? – falou baixinho a garota.
A mãe olha para a filha de forma hostil.
–Você me viu indo a algum baile durante esses anos, Lucy?! – quase gritou a duquesa.
–N-não...
–Que bom que se lembra. – terminou secamente.
E durante o restante do percurso, ficaram num silêncio mortal costumeiro.
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Já estavam se dirigindo ao baile, Lucy parecia conformada e a mãe aparentava estar apreensiva. A duquesa mexia constantemente o leque e de poucos em poucos minutos o abria e o abanava, fechando-o em seguida.
A moça não entendia o porquê daquilo. Mas pensava que talvez a mãe estivesse ansiosa por tal festa. Ela desvia o olhar para suas mãos enluvadas, também as segurava com força sem saber. Depois de minutos, a carruagem para e o cocheiro abre a porta. Lucy desce e se vê maravilhada.
Sua casa era deslumbrante, mas a visão daquele jardim fez os olhos da morena brilharem. Camille desceu e arrumou o vestido, não parecia nada encantada, apenas, nervosa.
–Vamos, Lucy.
A duquesa caminhou pelo tapete vermelho que descia pela enorme escadaria, e elegantemente começou a subi-las, Lucy, foi logo atrás, ajeitou levemente seu vestido, respirou fundo e seguiu a mãe de forma deslumbrante. Chegou ao topo da escadaria tranquilamente, enquanto outra garota de mesma idade reclamava loucamente daqueles degraus. A menina avistou Lucy e fechou ainda mais a cara, mas parara de reclamar ao pobre servente, que se encontrava desesperado, a garota apenas sorriu para os dois e continuou sua caminhada elegante, a garota não mexeu um único músculo da face, enquanto o serviçal ficou encantado.
As portas do grande salão de festa foram abertas para as duas damas da família Knightmare, e em seguida, foram anunciadas. O salão de repente tornou-se silencioso, e todos olhavam a duquesa e sua filha. Mães diziam as filhas para serem como Lucy, enquanto outras damas apenas invejavam a compostura de Camille. Eram damas invejáveis da sociedade. Desceram as escadas com a mesma aura de elegância com a qual subiram, chegando ao grande salão, onde as pessoas abriram passagem para que as damas se locomovessem.
O rei e a rainha logo as viram andando pelo salão, algo impossível de não se notar, elas passaram por todos os convidados e chegaram até os soberanos, curvando-se de forma respeitosa.
–Agradecemos ao convite que nos enviou Vossa Majestade. – falou a duquesa ainda curvada – Sentimo-nos lisonjeadas com a vossa consideração.
O rei se levantou e andou chegando perto de Camille.
–Pode se levantar, duquesa de Knightmare. – falou o rei – Sou grato por sua presença e a de sua filha, que jamais estivera aqui antes. Sintam-se a vontade.
Lucy e Camille levantaram-se e agradeceram. Lucy estava ainda mais atordoada do que na primeira festa que estivera. O salão do castelo era mil vezes mais luxuoso do que a da casa do duque. O lustre enorme no centro do salão, aquele piso que refletia a imagem dos convidados, as belas paredes de mármore e adornos de ouro. Lucy se atreveu a dar uma pequena olhadela ao rei e a rainha a sua frente, também belíssimos. O rei, moreno de olhos azuis, e a rainha tinha os cabelos loiros belíssimos e olhos azuis, assim como os do rei, só que mais claros.
As duas damas voltaram-se de volta ao salão que agora tocava uma música suave e animada, a mesa de comidas se encontrava em um dos cantos do salão, extremamente farto, enquanto garçons circulavam por todo o salão oferecendo bebida. A garota apenas se dirigiu a um canto do salão, ficando a observar a movimentação, até que ela avista pessoas conhecidas que terminavam de cumprimentar o rei e a rainha e se dirigiam a duquesa sua mãe. Minutos depois, o rei chama a atenção de todos.
–Hoje é uma festa especial. Foi um tanto repentina, mas espero que não os tenha desagradado! – o rei ri e todos os presentes fazem o mesmo – Hoje é aniversário de meu primogênito, Alexiel, então aproveitem a festa! E que volte a música!– dito isso, o rei voltou ao seu lugar, e ao lado do trono da rainha, um garoto loiro de olhos azuis surge. A rainha o abraça e dá sua benção, e em seguida, o rei faz o mesmo. Por um instante, o olhar do príncipe cruza com o de Lucy, o que a faz paralisar. Aquela feição era muito familiar para ela, mas de imediato, não conseguia se lembrar. Antes que realizasse tal façanha, algumas vos masculinas lhe chamam a atenção.
–Belíssima dama, me daria a honra de uma dança? – Lucy se vira rapidamente e avista Friedrich ao seu lado sorrindo, junto com Henry e Klaus.
–Boa noite. – diz a dama sorrindo para os rapazes – Seria adorável. – diz Lucy e em seguida segura a mão do duque.
Os dois dançam lindamente pelo salão, chamando a atenção de todos os presentes. Apenas por um instante, enquanto dançava com seu noivo, notou um olhar profundo do príncipe em si, o que a fez se envergonhar levemente.
–O que tanto observa? – pergunta Friedrich
–Nada em especial. – fala a dama, baixinho – Apenas... O palácio. É tudo tão lindo aqui.
–Devo concordar com a senhorita. – falou o duque sorrindo.
E continuaram a dançar, dançaram três músicas, até que na quarta, um loiro os interrompe.
–Com licença. – fala ele – Poderia me dar a honra desta dança, senhorita?
Lucy olha para o duque. Friedrich, apesar de não concordar muito, entrega a garota a ele, afinal, era o príncipe. A morena segura a mão do rapaz levemente e ele corresponde com um aperto firme.
–Achei que não conseguiria dançar com a senhorita esta noite. – falou o príncipe sorrindo – Minha mãe insistiu que eu a tirasse para dançar. Sinto muito a falta de cordialidade.
–Não se preocupe vossa alteza. – fala Lucy educadamente – É um prazer dançar com o senhor.
O príncipe ri.
–Oh, por favor, não me chame de senhor. Pelo menos quando está comigo, nem de vossa alteza. Chame-me apenas de Alexiel. – falou ele com um sorriso
–Certo... Alexiel. – fala Lucy um pouco encabulada.
–Posso chamá-la de Lucy? – pergunta ele ainda com o mesmo sorriso
–Claro. – diz a moça.
O príncipe não desfez seu sorriso por um único segundo enquanto dançava com Lucy. Todos no salão os olhavam admirados. A dama mais bela da festa e o príncipe chamaria a atenção de todos, até mesmo, do rei e da rainha, que admiravam a dança dos dois. Sem perceberem, todos aos poucos foram se retirando do meio do salão, deixando apenas os dois dançar, algo que provavelmente a dama não notara já o príncipe, apesar do sorriso, estava atento aos acontecimentos e se sentira satisfeito.
Friedrich e Henry, olhavam aquilo um pouco incomodados. Henry tentava não demonstrar por causa do amigo, mas Friedrich havia fechado o sorriso há algum tempo, apenas observando aquela cena peculiar. O que faria se o príncipe realmente se interessasse pela moça? Seria extremamente incômodo e desleal, afinal ele era o príncipe Alexiel, famoso por sua bondade, gentileza, valentia e tantos outros atributos.
Os músicos não interromperam, apenas mudaram a música para algo mais especial, fazendo com que os convidados enxergassem brilho ao olharem para o casal dançante. Camille, por outro lado, estava em um canto, tomando vinho e observando, quando foi abordada por um guarda. Klaus a observava ao longe e a seguiu quando o guarda levou-a até outro local, escondeu-se entre os pilares, mas conseguia observar a duquesa sozinha. Então, de repente, surge o rei. Aquilo chocou o rapaz. Um encontro a sós com o rei? Suspeito demais...
O rapaz aguçou os ouvidos.
–Camille... Não esperava que viesse aqui esta noite. – disse o rei um tanto sarcástico
–É mesmo meu senhor? Mas o que o levou a ter tais pensamentos sobre esta duquesa?- falou Camille indiferente
–Não se faça de tola, Camille.Sabe muito bem do que estou falando. Não finja que esqueceu seu passado, ou melhor, nosso passado. Fez um bom trabalho criando a filha de Lysandre.- o rei de um sorriso mínimo.
–Ela é minha filha!
–Claro. – falou o rei – Sua e de Lysandre, não é? – o rei rio com escárnio – Achas que não sei o que fizeste a Valentine e a Lysandre?
–Como pode me acusar de alguma coisa se nem ao menos tem provas? – fala desafiadoramente a mulher
–Não tenho é...? – o rei ri mais uma vez – Quem acha que sou, Camille? Sou seu rei, Lucian V. Ou se esqueceu? Cumprimentou-me esta noite ainda.
–Deixe de tolices. – fala brava a dama – Não me acuse sem certeza. Todos sabem que sou inocente.
–A menos que eu, Lucian V, prove o contrário. – o rei falou autoritário – Hoje você se safará de mim, pois acredito que não seja a hora, mas nãofuja Camille, seu destino já está traçado há muito tempo por mim.
–É mesmo? Então veremos... – falou Camille de forma desafiadora – Sabe que ainda tenho uma carta em minhas mãos, não? Ou se esqueceu de quem falo? Ainda posso usá-la como quiser. Não se casou ainda.
–Por pouco tempo, Camille. Pouco tempo. Se não reparou, Alexiel demonstrou interesse na garota.
–O impedirei. – respondeu de prontidão.
–Não fará isso. Não com o filho do rei. – Lucian riu e saiu pelo mesmo lugar que entrou.
Camille ficou parada, estática durante alguns minutos. Acabado aquele diálogo intrigante, Klaus sorrateiramente começa sua saída do local, mas é barrado por um guarda, que imediatamente o leva dali de forma discreta.
A duquesa retorna ao salão com a mesma expressão de quando saiu. Olhou para onde se encontrava a rainha. O rei ainda não retornara e Lucy ainda dançava com o príncipe. Calculadamente, a duquesa se aproximou de Friedrich.
–Deveria tomá-la de volta, não acha? – fala Camille baixinho para que somente o duque ouvisse.
Henry olhava com desconfiança para a duquesa, mas se conformava, logo que o amigo era noivo da moça. Ele olha para os lados e procura por Klaus, não o encontrando. Então, resolve dar uma volta. Do lado de fora, nos jardins, meio que escondido pelos arbustos, estava Klaus, e ele conversava, mas com quem? Henry tentou se aproximar para ver a pessoa, mas foi em vão. A pessoa que estava com Klaus interrompe a conversa, provavelmente o havia notado, e some. Klaus se dirige ao amigo e volta ao salão em silêncio.
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