Notas iniciais
O passado é um grande mistério, ele é cheio de incógnitas...

Acordei exaltada no meio da noite, não consegui entender o que aconteceu naquele sonho, mas sabia que havia uma moça que está precisando de ajuda, e eu não sabia o que fazer, vesti minha pantufa de joaninha e caminhei para até a porta, tentando não pisar em ninguém, pois o chalé 11 era lotado de crianças, parecia que alguns deuses eram ocupados demais para reconhecer seus filhos, e o mesmo acontece comigo, fico curiosa em saber quem é minha mãe, alcancei a maçaneta e fui caminhando até o lago onde vi as náiades brincando, algumas ninfas ainda estavam acordadas cuidando de algumas flores, me deitei no chão coberto pela grama, e observei os vaga-lumes que estavam voando calmamente entre o céu. Comecei a me lembrar de quando era criança, meu pai me levava para acampar e nós dois ficávamos observando os vaga-lumes e tentar juntar pontos entre as estrelas para formar figuras, ele dizia que todas as estrelas já foram pessoas que viveram em nosso mundo, pessoas de boas almas, meu pai dizia que a deusa da noite concedeu o céu para as almas boas iluminarem o caminho daqueles que se perderam entre a luz e a escuridão, para que eles possam encontrar o caminho de volta. Sempre acreditei nas histórias que ele me contava, era como se tudo fosse real, ainda sinto saudade do abraço dele. Quando menos percebi já estava com lágrimas escorrendo em meu rosto, comecei á me lembrar de quanto eu o amava, de quanto sentia a falta dele, do momento em que ele faleceu, me pergunto se ele é uma dessas estrelas... Se ele está iluminando a minha jornada, se ele sabia do meu destino, se ao menos ele pudesse ter ao menos me contato quem era minha mãe, acho que seria mais fácil. Tentei enxugar minhas lágrimas, e vi meu amigo Léo se aproximando ele se sentou ao meu lado com um pacote de balas Finni e falou:

– Está gostando de ficar aqui? Sabe, de fazer novos amigos...

– É bem diferente do colégio, aqui parece que todos já passaram por coisas difíceis, que enfrentaram seus medos, fico admirada com alguns aqui. – Eu comecei a pensar nos novos amigos que encontrei no acampamento, em como eles buscam enfrentar seus pesadelos, em como são fortes. – Fico feliz de ter vindo pra cá, é muito melhor do que estar naquele colégio.

Ele sorriu, e olhou para as estrelas e perguntou:

– Você sente falta dele não é?

Eu tentei não chorar e disse:

– Sim, ele sabia de tudo, ele tentou me proteger, sabe naquele dia Léo eu vi o que ele tanto tentou me proteger daquele monstro.

Eu tinha me lembrado de que no dia em que meu pai morreu, ele estava indo me buscar no colégio porque eu tive uma recaída e desmaiei na aula da senhora Carmen, ela era uma professora assustadora, quando ela estava comigo na enfermaria ela havia falado algumas coisas que eu não me lembro muito bem algo sobre “ a marca está nessa garota”, e que “ preciso informar ao mestre” e quando eu estava ainda tonta na cama, meu pai arrebentou a porta para me tirar daquela sala e a professora havia se transformado em um tipo de vampiro, mas tinha uma perna de metal e a outra peluda ela atacou meu pai e ele tentou se defender dando uma pancada na cabeça daquele monstro e me segurou no colo e correu até o estacionamento, me colocou no banco de trás do carro e começou a dirigir, consegui ver pelo espelho o monstro nos seguindo, eu estava assustada e meu pai estava dirigindo aceleradamente, até que o monstro conseguiu nos alcançar, e vi meu pai pegando a arma de dentro do porta luvas e começou a disparar contra o monstro, eu tampei os ouvidos e comecei a chorar, e o monstro finalmente cambaleou por cima de nosso carro e nos derrapamos e colidimos contra a parede da estrada principal, meu pai ficou inconsciente e eu entrei em pânico, não tinha ninguém por perto, até que vi uma moça de vestido preto com flores bordadas e com um véu cobrindo seu rosto e ao seu lado havia dois cães negros do tamanho de um urso e ela estava se aproximando, eu estava presa com o cinto de segurança, tentei acordar meu pai mas ele estava com sangue escorrendo na cabeça, e a moça se aproximou do nosso carro e conseguiu tirar o meu sinto e falou para eu olhar nos olhos dela e disse:

– Fique calma, tudo ficará bem, o seu destino está ligado ao meu. No tempo certo você entenderá, agora minha irmã descanse um pouco.

Ela passou a mão em minhas costas no mesmo lugar onde a professora falou que havia a marca amaldiçoada e começou a queimar e meus olhos se fecharam e eu acordei no hospital tomando soro, e com a minha tia Helena sentada na cadeira de visitas, desde desse dia eu fico incerta sobre o que aconteceu, mas não pretendo ficar presa nessa duvida.

Léo olhou para mim demasiadamente e disse:

– Lore, você sabe que os semideuses tendem á ter uma vida difícil, que eles nunca se sentem totalmente seguros, então tente relaxar um pouco, você agora tem novos amigos e acho que logo você irá partir em uma missão.

Eu abaixei a cabeça para tentar não demonstrar o quanto meu passado ainda abala comigo e percebi que Léo estava escondendo algo de mim e perguntei:

– Como você assim você acha que eu vou sair em uma missão?

Ele não conseguia esconder nada de mim, só o fato de ser um sátiro, mas desde que nos conhecemos ele foi sincero comigo e foi meu único amigo, e ele então finalmente olhou nos meus olhos e falou:

– Eu ouvi Beatriz comentando com Quíron na casa grande algo sobre talvez ser você a garota da profecia.

Meu coração começou a pesar e eu já estava totalmente confusa, não tem como ser eu. Porque logo eu? Porque alguém como eu? Vi-me perdida em meus pensamentos até que ouvi alguns passos de pessoas se aproximando e me acalmei e vi que era Ro, Jo, Felipe, Sofia, Lua, Mari e mais uma garota de cabelos pretos com uma jaqueta de couro preto e com um boné roxo, eles se sentaram junto á nós e começamos a conversar, engoli a seco o que Léo me disse e nós dois tentamos disfarçar.
Então Ro olhou para Felipe e Jo e disse:

– Sofia posso não ser o deus Apolo, mas te garanto que sou quente.

Sofia ficou vermelha de vergonha, e empunhou a adaga até que a garota de boné roxo a segurou e disse:

– Sofis foi só uma brincadeira, não leve para o pessoal. – A garota olhou para mim e lançou um sorriso.

E todos começaram a rir quando um sátiro correu atrás de uma ninfa e ela virou uma árvore e ele bateu de cara nela. Isso foi hilário. Acho que já era umas 23:30hrs, bem sabia que já tinha passado da hora de dormir, mas estava sem sono, e estávamos nos divertindo.

Lua começou a falar:

– Seria muito legal se certo alguém tivesse me lembrado de trazer meu violão. – E encarou Felipe.

– Mas eu não tenho culpa, só lembrei-me de colocar a camiseta porque o Ro falou pra mim “ você não é louco de sair lá fora assim, vai espantar até as ninfas” – Felipe falou.

– É verdade, vocês tem sorte de não dormirem no mesmo chalé que o Lipe, é algo muito nojento, ele uma vez colocou queijo embaixo do travesseiro e disse que era para não ter que levantar e ir até a cozinha bater um rango. – Ro falou aquilo de uma forma muito engraçada.

– Ei, ei vocês estão assustando as meninas. – Disse a garota de boné roxo.

– Mas, você sabe como o Lipe é... Mariana, se deixar ele esquece até de colocar a cueca. – Ro disse isso e começou a gargalhar.

– Eu to aqui gente não precisam falar tanto de mim, sei que me amam por ser bonito. – Felipe falou super confiante.

– Vish, acho que temos um famoso aqui. – Lua falou com tom de deboche.

– Só estou sendo sincero... Fala a verdade Lua você me acha bonito né? – Felipe falou isso sem se preocupar com a nossa presença.

– E-eu não quero falar sobre isso, podemos mudar de assunto? – Lua ficou vermelha de vergonha.

– Acho que devíamos voltar para os nossos chalés, não seria legal se os conselheiros nos encontrassem fora das camas. – Jo disse aquilo logo após limpar seus óculos, acho que ele percebeu o quanto a Lua ficou sem graça com a situação.

– Verdade, é melhor voltarmos. – Eu disse concordando.

E todos subiram e foram para seu devido chalé, eu olhei para Léo que estava um pouco incomodado e ele me acompanhou até o chalé 11 e eu falei:

– Não se preocupe, descanse um pouco amanhã conversaremos sobre isso.

Notas finais
E os mistérios apareceram aos poucos nessa jornada...