Enfrentando o Destino
15 14. Em algum lugar do passado
Notas iniciais
Estou saindo de viagem agora, e não vou ter tempo de responder os reviews neste momento. Estou acostumada a responder todos antes de postar o próximo capítulo, mas, já que eu não vou conseguir, eu também não quero deixá-los esperando pelo último capítulo, né! Então, por favor, perdoem-me a indelicadeza, mas entendam... estou com meu avôzinho internado no hospital e tenho que viajar às pressas pra ajudá-lo...
Então vamos fazer assim: hoje vou postar o último capítulo, o epílogo e também vou colocar no ar a continuação da fic (somente o prólogo que é o que está pronto). Na sexta-feira que vem, posto o primeiro capítulo da outra. E, conforme a disponibilidade de um PC, vou respondendo os reviews. Pode ser assim? =)
Quero muitíssimo agradecer as recomendações das leitoras AnnelineLamperouge, Suzzane Freitas, Kayla Jackson e Marina e Maris Dudis! Suas lindas!! Obrigada do fundo do ♥ !!
Vamos ao último capítulo da primeira parte!
Boa leitura!
Capítulo 14
Em algum lugar do passado
Eu sento e espero
Será que um anjo contempla o meu destino?
Robbie Williams, Angels
– Eu… n-não sei do que você está falando – tentei disfarçar. Talvez, se eu o convencesse de que eu era a Mônica de 21 anos, ele me deixasse ali.
– Mônica, nós já sabemos de tudo. Você foi atraída por uma fissura no espaço-tempo e veio parar no futuro.
– O quê?!?
– O que você está tendo agora, Mônica, é um memento. Precisamos corrigir isso antes que seja tarde.
– M-memento?
– Sim. É quando as pessoas têm uma memória, só que, em vez de se lembrarem do passado, se lembram do futuro.
– Isso quer dizer que eu não estou aqui realmente? Só estou me lembrando disso?
– Você está aqui. Você viveu cada uma dessas coisas. E esse é o problema. Um memento é algo extremamente perigoso, pois pode causar paradoxos temporais irreversíveis.
– Fala em português, por favor! – eu estava muito nervosa.
– Raras vezes, na história, as pessoas têm mementos. Quando eles acontecem, é por algum erro na matriz. É o caos no sistema espaço-tempo. Infelizmente, aconteceu com você, e agora nós precisamos arrumar esse problema.
– E como se arruma isso?
– Você precisa voltar pro passado.
– Mas eu não quero voltar… eu gosto daqui – senti as lágrimas saltarem de meus olhos.
– Mas você não pode ficar, Mônica. Se você ficar, a Mônica de 15 anos jamais vai viver os seis anos seguintes, e então você não estará aqui hoje… entendeu?
Refleti, em silêncio. Realmente, fazia sentido. Era arriscado ficar.
– Acho que entendi, Ângelo… mas eu não quero ficar sem ele – segurei o pulso de Do Contra, que jazia inconsciente atrás de mim.
– Vocês só vão começar a namorar em 10 de outubro de 2014, Mônica. Quando vocês tiverem 17 anos. Se vocês ficarem juntos antes disso, o futuro de vocês, das pessoas em volta e do resto do mundo vai ser alterado de uma forma irreversível. As consequências podem ser desastrosas. Por isso, eu vou precisar apagar a sua memória.
– Não, isso não!! Tudo menos isso. Eu te suplico, Ângelo.
– Não há outro jeito, Mônica. Se você se lembrar de tudo que viveu aqui, você vai acabar modificando o passado. E o seu futuro, o da turma e talvez até da Terra inteira estará em jogo. Não tem outra alternativa.
– Posso pelo menos me despedir dele?
– Rápido. Não temos muito mais tempo.
Aproximei meu rosto do de meu noivo, e o acariciei. Beijei-lhe os lábios. Uma lágrima caiu de meu olho e escorreu por seu rosto. Sussurrei em seu ouvido:
– Eu te amo, Do Contra. E vou lutar por você até o fim.
Levantei-me, e encarei a criatura celestial na minha frente.
– Eu concordo em voltar pro passado, mas você não vai apagar a minha memória, Ângelo. Eu não vou deixar.
Num impulso, golpeei o rosto de Ângelo com um chute. Não iria adiantar muito, mas eu precisava ganhar tempo para fugir dele. Corri o mais rápido que pude.
Cheguei a uma ponte sobre um córrego que atravessava o parque. A altura da queda devia ser de uns quinze metros. Embaixo das águas rasas, pedras pontiagudas. Pular dali seria a morte certa. Mas talvez abandonar este corpo fosse minha única chance de voltar ao passado sem a intervenção de Ângelo, e sem que ele apagasse minhas lembranças. Virei para trás e vi que Ângelo estava se aproximando rapidamente.
Olhei para o anel em meu dedo. Instintivamente, arranquei a pérola da aliança e a engoli.
Eu não tinha mais tempo para pensar. Ângelo me atingiria a qualquer momento. Subi na mureta de proteção da ponte.
– Mônica, não faça isso! – Ângelo gritou atrás de mim.
Fechei os olhos, e tentei reter na memória tudo que eu tinha vivido naqueles dias. Eu não podia desistir do Do Contra. Como a instrução que eu deixei para mim mesma numa tatuagem, eu tinha que confiar no meu destino e lutar por ele até o fim. Eu tinha que tentar, tinha que arriscar. Era tudo ou nada.
E então eu pulei.
Acordei num sobressalto. Magali estava ao meu lado, me sacudindo.
– Mônica, acorda! Você vai se atrasar.
– Magali… onde eu estou?
– Em casa, ué! Na sua cama. Tô vendo que o cochilo foi dos bons!
– Que dia é hoje, Magali?
– Hoje é sexta-feira, Mô.
– Que dia do mês, criatura?
– Dia 8… – ela me olhava com desconfiança.
– De fevereiro? – esbravejei.
– I-isso – ela ficou nervosa com minha raiva súbita.
– De que ano?
– M-Mônica, v-você tá bem?
– Magali, em que ano nós estamos? – agarrei-a pela gola, e lancei-lhe um olhar ameaçador.
– Ahn…. D-dois mil e tr-treze. D-depois de Cristo – ela estava apavorada.
– Nossa, me perdoa, amiga. Eu não vou te bater, relaxa – larguei-a e arrumei sua blusa.
Ela suspirou fundo, aliviada.
– Mônica, o que você tem? Você tá pálida.
– Magali, você não vai acreditar no sonho que eu tive.
– Ah, por isso você ficou assim estranha? Mas agora não dá tempo de você me contar, você precisa se arrumar.
– Me arrumar pra…
– Pra grande noite, ué! Dormiu tanto que já esqueceu que é hoje o seu encontro com o Cebola?
– É hoje que eu vou com ele ao Saveur?
– Isso mesmo, amiga. Nós só temos duas horas pra te arrumar e te deixar diva, então levanta daí logo.
– Amiga, me faz um favor. Liga pro Cebola. Avisa que eu não vou.
Ela me lançou um olhar reprovador.
– O quê?!? O que você tá fazendo, Mônica?! Você esperou tanto por esse dia! Hoje ele vai te pedir em namoro, amiga!!
– É sério, Magá… eu não tô me sentindo bem. Não posso ir.
– Nossa, você deve estar muito mal mesmo, pra fazer isso. Tudo bem, eu vou ligar pra ele – Ela tirou o celular da bolsa e discou um número.
– Obrigada – abri um sorriso desanimado.
– Alô, Cê… tudo bem? Olha, a Mônica não vai poder sair com você hoje não… Ela teve um probleminha… uma… indisposição alimentar! É, ela comeu besteira na rua e agora tá se virando do avesso aqui, tadinha. Não, agora ela tá no banheiro, ela não vai poder falar com você. Mas assim que ela estiver melhor ela vai te ligar, tá? Ela mandou pedir desculpas. Beijo. Tchau.
– Valeu, amiga.
– Mas você precisa me contar o que você tem, Mô…
– Não é nada… eu só não estou me sentindo muito bem… tô com o estômago embrulhado. Obrigada por tudo, amiga, mas agora eu preciso ficar sozinha.
– Tem certeza?
– Tenho. Eu só preciso descansar um pouco.
– Mas você acabou de acordar… ah, deixa pra lá. Acho melhor não teimar. Vou embora agora, mas se você precisar de qualquer coisa, me liga!
– Ligo sim, Magá, pode deixar.
Depois que ela fechou a porta do quarto, levantei-me da cama e olhei-me no espelho. Estava novamente dentucinha, e de cabelos castanhos e curtos.
Será que foi tudo um sonho? Será que não aconteceu nada daquilo?
Eu não sabia ao certo. Eu me sentia zonza, perdida. Nada parecia fazer sentido.
Só conseguia pensar em uma coisa que pudesse me trazer conforto naquele momento.
Estar nos braços de Do Contra.
E é isso que eu vou fazer. Eu vou escrever o meu destino ao lado dele, a partir de agora, custe o que custar.
Notas finais
Curiosidade: O nome deste capítulo é uma homenagem ao livro e ao filme "Em algum lugar do passado". Este é meu filme de romance favorito em todo o mundo, e também uma das inspirações pra que eu escrevesse um romance que envolvesse viagem no tempo. É muito antigo, mas lindo de morrer! Fica a dica! ^^
Beijos a todos! =*
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