Enfin, amour
1 Prólogo
Enfin, amour
“...Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.
Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o Amor"
(Paulo Roberto Gaefke)
Prólogo
Muito havia acontecido desde que Alberto fora resgatado no mar por Cassiano e Ester.
Naquele momento, ele percebera quão preciosa sua vida era, e como todos à sua volta eram bons. E, principalmente, que sua mente doentia o cegava para todas as coisas boas da vida; o fizera esquecer tudo que tantas pessoas já haviam significado para ele um dia; acabado com amizades, com amores, parcerias... nada mais era como antes, nada fluía normalmente; sua mentia doentia o havia tornado doentio.
E ele decidira que isso não poderia ficar assim. Convencera-se de que ser internado era realmente necessário. Pedira desculpas à Guiomar, Cassiano e Ester, por todo o mal que os havia proporcionado, e os agradecera inúmeras vezes pelos três terem dado mais uma chance. Dissera à Ivete que nunca mais queria vê-la, que ela tinha sido a culpada pela maior loucura que fizera, e que não queria mais saber de nada que viesse dela: nenhuma notícia, nenhuma novidade, nada sobre nada nem ninguém; e que por isso ele ia proibir a visita dela na clínica. Ele estava disposto a se curar e não queria ser atrapalhado de jeito nenhum.
Enquanto ele estivera na clínica, os empreendimentos do Grupo Albuquerque foram vendidos e Guiomar conseguiu muito dinheiro. Os negócios de Duque prosperavam: além da Flor do Caribe ser a casa noturna mais badalada da região, a exploração de turmalinas dava cada vez mais lucro. Os dois, que até então moravam na casa de Cassiano, decidiram construir uma casa tão grande e luxuosa quanto eles mereciam: um sobrado de esquina amarelo lateral à praia, com uma escada que levava da calçada até a porta, na diagonal, com um jardim frontal lindo, com plantas pequenas e algumas palmeiras na fachada; ao lado, de frente para o mar, uma escada que levava a um pequeno píer, onde o iate ficava ancorado; dentro da casa havia uma sala em que dentro só existia um piano branco, onde Guiomar passava noites e noites cantando, com Duque observando, e uma suíte ampla para Alberto, que moraria ali depois que saísse da clínica (Guiomar havia se preocupado muito com a reação do filho ao ser convidado a morar na mesma casa que Duque, afinal, ele nunca tinha sido a favor do namoro deles. Mas, com o tratamento na clínica, Alberto regira calmamente e aceitara o convite).
Morar com Duque fizera com que Guiomar fizesse muitas coisas que ela jamais imaginava. Desde que perdera Fernando, ela se considerou incapaz de se relacionar seriamente com outro homem, viver com outro homem, construir um novo lar. E agora ela fazia tudo isso, e até mais.
Durante sua internação, Alberto se divertia fotografando a clínica, os colegas, os profissionais, os jardins, o céu e tudo o que achasse belo. Isso não só colaborava com seu tratamento, mas também era uma forma de distração, diversão e aprendizagem. Ele não fazia ideia do quanto fotografar era gostoso, e o quão talentoso ele era para isso.
Depois de dois anos internado, Alberto pegou uma grande experiência em fotografia e não demorou muito para que fosse trabalhar em algo do ramo.
- Fui chamado para fotografar em um cruzeiro! – revelou à mãe e a Duque, com um largo e sincero sorriso.
- Filho, mas que notícia boa! – Guiomar sorriu, com as mãos no coração, orgulhosa de Alberto.
- Alberto, que legal! Eu fico muito feliz!
- Só que tem uma coisa... – Alberto coçou a testa, olhando de leve para o chão.
- O quê? – disse a mãe, já preocupada.
- Meu contrato dura seis meses e nesse tempo todo eu não vou poder ver vocês. – e antes que alguém pudesse responder alguma coisa, já se apressou: Mas eu estou achando ótimo! Quer dizer, eu gosto de estar aqui, gosto de estar com vocês... demorou tanto tempo pra gente conseguir se entender, não é? Mas eu estou achando incrível que eu vou passar seis meses em lugares diferentes, com pessoas diferentes, fazendo coisas que eu nem sonhei em fazer. Eu acho que vai ser incrível pra minha recuperação. – sorriu.
- Sim. – ela passou a mão no braço do filho – Acho muito bom você fazer coisas novas, conhecer o mundo. Você é jovem, é muito bom recomeçar.
- Eu tô muito feliz com a sua melhora, Alberto. E espero que você seja muito feliz nesse cruzeiro. Vai ser muito legal!
- E você, Duque... – Alberto deu alguns passos, ficando frente a frente com o padrasto. – Cuida bem dela enquanto eu não estiver por perto, ouviu? – Sorriu para a mãe, que retribuiu. – Porque ela é a coisa mais preciosa que eu tenho. E se não fosse por ela, eu jamais teria me curado.
Os olhos de Guiomar se encheram d’água. Ela havia esperado uma vida toda por fazer algo que fosse bom para ele, e que ele reconhecesse de volta. Ela estava sem palavras. Apenas um enorme sorriso podia expressar o que ela sentia naquele momento.
- Obrigado, mamãe. — ele sorriu e a abraçou, enquanto as primeiras lágrimas dela caíam.
Ao lado, Duque olhava também emocionado.
Depois do forte abraço de Alberto e Guiomar, ele foi novamente falar com Duque.
- Obrigado a você também, Duque. Eu nunca fui muito com a sua cara, nunca te tratei muito bem, mas depois que eu vim morar aqui, eu percebi o quanto você é um cara legal e divertido. — sorriu. — E cuida direito dela mesmo, hein, cara? — apontou o dedo, se fingindo de durão.
Duque colocou a mão no ombro de Guiomar e a puxou para mais perto de si.
- Pode deixar, Alberto. É sempre um prazer. — o casal se olhou e sorriu.
- Aliás... vocês formam um casal muito bonitinho. Eu nunca achei que eu ia falar isso, mas olha só. — os três riram. — Viver com vocês tá me fazendo muito bem.
- Que bom! — ela balançou a cabeça em afirmação.
- E eu queria que vocês aproveitassem muito esse tempo sem mim. Sei lá, vão curtir, viajar... só estejam aqui quando eu voltar, ok?
- Nós sempre estaremos com você pra o que você precisar, meu filho. Aonde quer que você vá.
Ele sorriu, e logo mudou de assunto:
- Obrigado. Bom, agora eu vou tomar um banho, que logo mais eu vou contar para a Ester e o Cassiano.
- Vocês voltaram a ser amigos, é?
- Sim, mãe. Sabe, às vezes é meio difícil esquecer o passado. Mas é tão bom sentir aquela cumplicidade e amizade de novo. Eu nunca mais quero perder isso.
- Filho, — Guiomar se aproximou. — eu estou muito orgulhosa de você. — e o abraçou.
- Eu também, Alberto. Eu também. — Duque se juntou ao abraço.
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