Enfin, amour

4 Capítulo 3


Notas iniciais
Meu favorito até agora :3

Horas depois, uma música entrava pela janela aberta do apartamento, fazendo com que Guiomar acordasse.

– Meu Deus. — disse, sonolenta. E vendo que já havia anoitecido completamente, sentou-se na cama para checar o horário. — Eu cochilei. — Virou de costas e percebeu que Duque não estava na cama. — E quem abriu essa janela?

Ela se levantou para fechar a janela, mas conforme ia se aproximando, a música ia soando mais forte, e ela então reconheceu a voz.

– Duque! — ela sorriu.

Caminhou em direção à sacada, mas no caminho parou em frente ao espelho para pentear o cabelo. Estava recém-acordada, não era maneira de sair à sacada; no mínimo, o cabelo precisava ser penteado. E foi o que fez.

Depois, foi até a sacada do apartamento e se deparou com três músicos jovens e bonitos, tocando violão, todos trajados de camisa branca e calça preta. E à frente deles, seu único e adorável Duque, vestido igualmente, mas com um terno por cima e o seu quase inseparável chapéu, cantando músicas românticas.

Todos os hóspedes dos apartamentos vizinhos haviam saído para ver de que se tratava. Estavam animadíssimos, batendo palmas, e sorrindo ora para Duque, hora para Guiomar.

Guiomar estava lisonjeada, emocionada e extasiada. Seu sono até foi embora. Era incrível como ele sempre conseguia surpreendê-la. E ela adorava quando ele fazia isso, se sentia cada vez mais amada. Ela ria de emoção, com olhos mareados. E repousava suas mãos em seu coração, que batia imensamente feliz com a cena. Aliás, seu coração estava mudado ultimamente. Ela sempre havia sentido um enorme carinho e uma imensurável atração por Duque, mas sentir o coração bater mais forte e mais quente, como se estivesse lhe aconchegando, e até borboletas no estômago eram novidade.

Ao final da canção, Duque lhe perguntou, feliz:,

– E então, você gostou, mi amor?

– Eu... eu amei, Duque! Foi lindo, foi maravilhoso! Sobe aqui, Duque! Sobe aqui que eu tô doida pra te dar um beijo, mon amour! — ela não era de dizer aquele tipo de coisa, mas naquele instante, aquilo lhe pareceu necessário.

Os hóspedes aplaudiram, na expectativa. E Duque correu hotel a dentro, ansioso.

Guiomar, ali na sacada mesmo, ajeitou novamente o cabelo e secou algumas lágrimas que resolveram cair.

Logo, ele entrou correndo pelo quarto, e o sorriso dela foi imenso. Ela permaneceu ali, esperando que ele chegasse.

Lá chegando, ele agarrou-a pela cintura, e ela o agarrou forte pelo pescoço, e caminhou para girar e ficar de lado para a janela, enquanto dava alguns rápidos selinhos nele.

– Você não existe, Duque. Cada vez eu fico mais impressionada com o que você faz.

– Eu faço isso porque eu te amo, Guiomar. Eu te amo.

Depressa, ela o beijou e ele logo correspondeu com fervor, beijando-a intensamente.

Os hóspedes, de suas janelas, aplaudiam e assoviavam, diante da cena de amor.

– Guiomar...

– Hum? – ela respondeu ainda de olhos fechados, roçando seus narizes, envolvida.

– Tem mais. – ele sorriu.

Ela abriu os olhos, levemente assustada, mas animada.

– Ai, meu Deus, Duque! O que ainda falta?

Vendo que ele havia corrido em direção à porta do apartamento, ela entrou, mas ficou ali pela salinha.

Ele abriu a porta, trazendo um carrinho do hotel com uma bandeja tampada com um objeto do mesmo material*, dois pratos, duas taças, um baldezinho com gelo e uma garrafa de vinho e um pequeno vaso com um lírio cor-de-rosa claro.

– Você não achou que eu fosse te deixar passando fome, não é?

Ela riu, encantada.

– Eu nem tô com muita fome.

– Ah, mas eu tô. – ele sorriu. – Preparar aquela serenata toda dá fome, viu?

– Eu imagino, mon cher. – ela se sentou no sofá da salinha. – Sente-se aqui e vamos comer.

Ele retirou tudo o que havia encima do carrinho e colocou sobre a mesinha de centro, com o maior capricho.

Duque serviu os dois de vinho.

Entregou uma das taças a ela enquanto segurava a outra com a outra mão. Seus olhares se cruzaram tão quentes que quase houve uma explosão.

– Um brinde, Guiomar.

– Um brinde a quê?

– Um brinde ao amor. E às loucuras que a gente faz por ele.

– Amor... – ela repetiu, pensativa.

– O que foi?

– Não, nada.

Amor era uma palavra que, durante muito tempo, causava nela arrepios e saudade. Porque sempre vinha associada à imagem de Fernando. Mas agora, essa palavra não lhe havia doído. Pelo contrário, havia lhe causado felicidade, e aquelas borboletinhas no estômago, que cada vez mais lhe eram comuns.

– Brindemos ao amor, então. – ela concluiu.

– Ao amor!

– Ao amor!

Brindaram sorrindo, e logo em seguida beberam um pouco do vinho.

– Ah, os vinhos da Europa... pra mim, são, sem dúvida, os melhores. – ela disse.

– Sabe o que melhor do que vinho europeu?

– O que?

– Beber vinho europeu num lugar lindo e em boa companhia. – ele esbarrou intencionalmente seu ombro no dela, e depois, ajeitou-se para ficarem mais perto.

– Tem razão, Duque. – ela repousou a cabeça no ombro dele. – Que sorte nós temos de poder fazer isso. E, sinceramente, — ela levantou a cabeça e virou para ele, deixando seus rostos bem próximos – nós podíamos fazer isso mais vezes, o que acha?

– Estou de total acordo, mi amor. – sorriu.

Ela o beijou e, de imediato, foi correspondida.

Foi um beijo longo e intenso, mas, antes que as coisas perdessem o controle, ela interrompeu:

– Duque, a comida vai esfriar.

– Tem razão. – ele nem se abalou com o interrompimento do beijo porque realmente estava com fome.

***

Depois de jantarem, Duque ligou o player de músicas de seu celular e pôs para tocar aleatoriamente uma playlist só de músicas românticas.

Já era de costume dançarem após jantares românticos. E essas danças vinham sempre acompanhadas de beijinhos, beijões, carícias e palavras bonitas.

Dançando de olhos fechados e narizes colados, começaram uma breve conversa:

– A noite está maravilhosa, não, Guiomar?

– Sim. Não sei como você chega de uma viagem dessas e ainda faz tudo isso. Será que foi o vinho? — riu de leve.

– Só você me faz arrumar essa energia toda. — ele aproximou os lábios de seus ouvidos, e lhe disse quase sussurrando: e eu aguento muito mais.

– É? — ela sorriu interessada. — Porque eu também aguento.

Eles começaram a se beijar e, em alguns minutos, estavam completamente despidos na cama, rodeados com suas peças de roupa no chão, beijando-se com muito mais carinho que fervor, até ambos se entregarem completamente.